<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529</id><updated>2012-02-15T11:23:29.694-08:00</updated><category term='Charlotte'/><category term='Logan'/><category term='Vampiros'/><category term='Sasha'/><category term='Inquisição'/><category term='Egor'/><category term='Remmy'/><category term='Ashtaroth'/><category term='Alioth'/><category term='Hans'/><category term='Resgate'/><category term='Nicole'/><category term='Ekaterina'/><category term='Lilian'/><category term='Malleus Maleficarum'/><category term='Laura'/><category term='Cathir'/><category term='Alban'/><category term='Adrian'/><category term='Magos'/><category term='Fais'/><category term='Uriel'/><category term='Jack'/><category term='Ain Soph'/><category term='Templários'/><title type='text'>Manuscritos das Sombras</title><subtitle type='html'>O Manuscritos das Sombras trata-se de um projeto literário desenvolvido por Heluiza Bragança e Lucas T. Costa, onde um universo repleto de criaturas fantásticas é retratado por meio de personagens em comum. A realidade criada engloba vampiros, lobisomens, magos, elfos, etc.

O Manuscritos das Sombras já dispõe de alguns arcos finalizados e histórias isoladas e paralelas.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>53</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-680006634552399665</id><published>2012-02-09T08:57:00.001-08:00</published><updated>2012-02-15T11:23:29.743-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Remmy'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ain Soph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sasha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><title type='text'>Marolas do Aqueronte - Parte IV</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify; font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://www.manuscritosdassombras.com.br/2012/01/marolas-do-aqueronte-parte-iii.html"&gt;Marolas do Aqueronte - Parte III&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando abri os olhos, senti uma lufada de ventos agitando os meus cabelos e percebi que não estava mais no interior da casa do necromante: pequenos flocos de fuligem cinza acumulavam e espiralavam ao redor, compondo uma paisagem inóspita e monocromática. A principio não consegui identificar do que se tratava, vislumbrei pequenos montes, fachos de luz e nuvens negras como as plumas de um corvo. Pouco a pouco o cenário foi ganhando forma, com apenas a minha figura no meio de toda aquela imensidão. Girei e perscrutei o ambiente, os dedos deslizando pelos cabelos quase brancos. A luz ali deixava tudo com um aspecto muito mais... morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me vi então no que parecia ser um antigo campo de batalha ao ar livre. A terra estava revolvida, e hera crescia em torno de ossadas secas. Não havia animais necrófagos ali, pois toda a carne e sangue há muito se fora. Sorri. Era engraçado perceber que todo aquele cenário fora composto pelo meu subconsciente. Quis, involuntariamente, um lugar cujo horizonte estivesse à perder de vista, porque achava inapropriado lutar em espaços apertados e à mercê do tal magista louco. Me abaixei, os dedos roçando um dos ossos secos, sentindo a textura áspera e o cheiro acre. A terra estava seca e cor de chumbo, o vento trazia um leve odor que eu não conseguia identificar completamente, mas sabia que era familiar. Tudo estava perfeitamente crível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como que por mágica, pude ouvir um lamento distante. Uma lamúria incessante e muito baixa, como se o sussurro me beijasse os lóbulos das orelhas, acariciasse minha face pálida e me lambesse a pele fria. Senti-me envolvido, cativo, como um marinheiro entregue aos caprichos de uma sirene e do mar. Aqui, cabe-me dizer, também comecei a ouvir um tamborilar suave e intermitente que, entrelaçado com o canto choramingado da entidade invisível, parecia ditar o ritmo daquele deserto envolto em cinzas e podridão. Percebi então que se tratava de uma música. Uma melodia de harmonia um pouco questionável, com arranjos simples e hipnóticos. Primeiro os vocais, depois o rufar cadente dos tambores e, agora, o ressonar intrépido das cordas de um violão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lentamente ergui-me, deixando a brisa varrer para longe as minhas preocupações. Meus cabelos loiros eram embalados ao seu sabor gélido, bem como as vestes negras. Línguas de gelo lambiam-me, inebriavam-me e eriçavam todos os pelos do meu corpo. Do bolso de trás da minha calça, puxei as minhas duas baquetas de bateria. Olhei para o lado e percebi que não estava mais desacompanhado, pois uma enorme massa de pelos negros avolumava-se ali; Hector agora era um enorme licantropo, babando e rosnando com os punhos apertados, os olhos ambáricos fulgurando em frenesi alucinado. Do meu outro lado, obviamente, estava Dorian, com toda a sua pompa e classe de mágico de festinhas infantis, com cartola, varinha mágica e tudo o mais. Engraçado a imagem que tenho desses caras – ou como gostaria que eles realmente fossem, porque convenhamos, um lobisomem que não muda de forma não é tão intimidador assim, certo? Sem falar em um mágico que tem um bolso sem fundo, no melhor estilo fanfarrão “nada nesta mão, nada nesta aqui”, haha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sasha também estava ali. A mulher trazia nas mãos dois dos chicotes mais estranhos que já vi, pois na ponta inferior das empunhaduras, onde o cabo deveria acabar, havia mais uns vinte centímetros de lâmina curva, negra e extremamente afiada -imaginei que serviriam para estocar inimigos demasiado próximos, em casos urgentes quando não houvesse tempo para brandir o açoite. Ela calçava botas de saltos altíssimos que, suspeito, seriam impossíveis de se equilibrar sobre se estivéssemos no “mundo real”. Os cabelos dela estavam amarrados no topo da cabeça e toda a roupa dela era de vinil preto, exceto a enorme saia cuja fenda ia da cintura ao tornozelo - esta era de um profundo bordô, quase marrom. O tecido eu não consegui identificar, mas tive a impressão de que estava úmido, como que embebido em sangue fresco, embora o chão ao redor de si estivesse livre de qualquer respingo. Uma dominatrix - ainda que tivesse me acabado de dizer que não curtia sexo e esse tipo de coisa, era meio óbvio para mim que Sasha era extremamente controladora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Girei habilmente as baquetas pelos dedos, e ao meu redor o vento pareceu se intensificar um pouco. Sorri novamente, exibindo os dentes desta vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí, todos prontos? - Sem resposta audível. Hector rosnava, Dorian borboleteava ao redor, e Sasha seguia-os com olhos reprovadores. Era como se eu nem estivesse ali, e o mais curioso de tudo é que eu também não podia ouví-los. Deduzia, observando os dentes arreganhados do lobisomem e o sorriso zombeteiro do mágico de araque, o teor da conversa que tinham, mas apenas via lábios se moverem sem produzirem som algum. O véu que nos separava não era tão tênue quanto se fazia parecer, e era preciso muito mais do que dedos fortes para rasgá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta hora a música atinge o ápice, em sincronia com as criaturas que parecem brotar do chão bem diante dos nossos olhos. Pareciam enormes abutres parcialmente decompostos, mas ao invés de uma cabeça de pássaro, os bichos exibiam crânios humanos. Rufaram as asas ameaçadoramente, erguendo uma nuvem de poeira e fuligem que me queimaram os olhos. Tossi, eles ergueram as cabeças para o alto, abriram as mandíbulas descarnadas e, acredito eu, gritaram em uníssono um desafio. A única coisa que eu ouvia era a voz ronronante da sirene invisível, acariciando-me os ouvidos e incitando-me a continuar. As aves eram horrendas,  mas no meu mundo ninguém ofega ou se assusta com esse tipo de coisa, apenas sorri e meneia com a cabeça em concordância. Ter medo perde o sentido quando você se torna Deus; a única coisa que eu sentia ao ver aquele monte de criaturas putrefatas era excitação. Pura e simplesmente, eu queria destroçar todas elas com as minhas próprias mãos. Sentir os ossos estalando a cada golpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi isso o que fiz. Fui o primeiro a correr na direção deles. Pulei, alcei voo em direção ao firmamento cinza e fuliginoso, e cai estrondosamente no meio das criaturas em decomposição. Sob meus pés a terra tremeu, um abalo sísmico inacreditável e impossível se estivéssemos no “mundo real”. Mais uma vez, um véu de poeira se ergueu, e com um giro em torno do meu eixo, golpeei algumas aves com as baquetas e as derrubei. Pisei no crânio de uma delas, esmagando-o, depois apontei a ponta do instrumento para outra, e a mesma explodiu em chamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara, não estar presos àquele monte de regras do “mundo real” é um puta alívio. Tem magos que jamais saberão o quão libertador é poder fazer o que der na telha, como eu, pois “lá” não se pode alterar tão bruscamente a realidade. Tem alguns magos que se excedem e... explodem, morrem, ficam loucos, às vezes só por tentar abrir uma porta numa parede lisa, por exemplo. Óbvio que depois eu tenho que arcar com as consequências, mas enquanto posso, faço o possível para aproveitar o barato. Simplesmente deixo-me guiar pela marola, entende o que eu digo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, voltando à batalha, pulei novamente, uns dez metros acima de todas elas, e de relance vi os outros lutando também com outras criaturas. Voltei a atenção para baixo, girei as baquetas nos dedos, e um pequeno redemoinho formou-se abaixo de mim. O tilintar das ossadas agitando-se e levantando-se encheu os meus ouvidos, e depois percebi que eu mesmo estava gargalhando loucamente. Meus cabelos encobriam parcialmente a minha visão, mas eu conseguia saber exatamente o que estava acontecendo abaixo de mim. Cai novamente, as baquetas agindo como duas pequenas espadas ao degolar mais dois “abutres”. Mesmo com toda aquela agitação, a única coisa que eu ouvia era, além da minha própria gargalhada, a música que se agitava cada vez mais. Por uma fração de segundo, cheguei a pensar que eu a estava produzindo, pois agora quem parecia ditar o ritmo era o meu próprio corpo: quanto mais rápido eu me movia, mais a sirene ululava, e a cada movimento de mãos, o som da percursão ficava mais e mais forte e retumbante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As aves se aproximaram mais. Ao longe, explosões silenciosas podiam ser vistas. O horizonte fora, rapidamente, tingindo-se de negro, quando centenas de asas pútridas e crânios risonhos se fechavam em torno de mim. Tsc. Com um único movimento, ergui os dois braços verticalmente e duas colunas de areia, ossos e pó se içou metros acima, levando consigo grande parte dos abutres. Fechei as mãos em punho, e as colunas explodiram em uma chuva cinzenta, impulsionando para trás as criaturas, derrubando-as no solo arenoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ofeguei por um segundo, limpando o suor que se acumulava em minha testa e parei para analisar o meu belo feito. As criaturas moviam-se, se aproximando umas das outras com lamentos silenciosos. Tudo pareceu escurecer, ergui os olhos para o céu e quando dei por mim, a abóboda esfumaçada não era mais cinza, mas de um amalgama de laranja doentio e preto. Franzi o cenho, olhando ao redor. Tudo parecia se corroer lentamente. Que merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As criaturas não eram mais aves, mas uniam-se rapidamente, também corroendo-se. Negras como piche, transformavam-se então em dezenas de mulheres nuas sem os membros inferiores – ali, queridos leitores, estava uma enorme e cachoalhante cauda de serpente. Eram Lâmias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que porra, primeiro uma cabeça bizarra da Malásia, depois abutres com cabeças humanas, agora um vampiro/demônio da Grécia. A seguir, aposto que será o Chupacabra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspirei. Apertei os dedos em torno dos punhos das baquetas, e elas se alongaram consideravelmente, adquirindo o tamanho e a forma de dois pequenos sabres. Legal, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lancei-me sobre aquelas criaturas desferindo golpes rápidos, tentando degolar o máximo possível antes que me pegassem. Logo percebi uma explosão muito perto de mim, e de relance vi Sasha lutando com um dos chicotes na mão e a saia na outra: a mulher usava o tecido para fintar as Lâmias, cegando-as momentaneamente antes de parti-las ao meio com as lâminas na ponta do chicote. Juro que a vi pisar na garganta de uma delas, com aquele salto agulha, e deixá-la se afogar no próprio sangue negro e podre, mas acho que foi só a minha imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dorian e Hector também estavam ali. A julgar pelo caos, Dorian explodia os bichos e Hector... bem, mordia, rasgava e se banhava em sangue, como qualquer lobisomem que se preze?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As rajadas de vento sopraram mais forte, faziam meus cabelos me chicotearem o rosto. Corri, gritei, e finquei os dois sabres nas clavículas de uma das Lâmias. A mesma me bateu, as garras rasgando a minha bochecha e fazendo meu sangue jorrar sobre si. Ela riu, um riso senil e silencioso, e eu também, quando afundei ainda mais as lâminas em sua carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- MORRE! – Torci os sabres, rasgando-a lentamente, e ela berrou de agonia. Não sei se no “mundo real” ela também o fez, mas aquilo me regozijou imensamente. Os olhos vermelhos do demônio me fitavam, e quando ela ergueu a mão e agarrou o meu pescoço, eu curvei o corpo para frente e a penetrei mais ainda. Ela cuspiu em meus olhos, e aquilo ardeu feito o inferno, mas eu não parei, exerci pressão para cima até que senti as clavículas se partirem e sua cabeça tombar para trás. Ela já estava morta quando a degolei, mas senti um prazer imenso ao fazer aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei ao redor, e todas as Lâmias estavam mortas. Não existia ninguém de pé, exceto nós quatro. Sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos ofegavam, mas por algum motivo estavam perfeitamente sãos. Nenhum arranhão, nenhum rasgo, sujeira ou cabelo fora do lugar. Só eu, que tinha três vincos profundos na face esquerda. Minha roupa preta lentamente grudava no corpo, devido à mistura de suor e sangue, e as baquetas diminuíram até assumirem a forma original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuava a ventar, e o céu continuava cinza. Um estalo alto se fez ouvir, atraindo a atenção de todos para cima. O firmamento parecia rachar lentamente, derramando fachos de escuridão sobre nós. Um segundo de apreensão e tudo ruiu como um globo de neve se espatifando no chão. Uma torrente de cacos de realidade caiu sobre nós, e a negritude nos engolfou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava em um vórtice negro, cujas rajadas queimavam a minha pele. Lágrimas quentes brotaram dos meus olhos, e minha cabeça fora atirada para trás e colidiu contra o que pareceu ser uma parede. Atordoado, olhei ao redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um segundo, uma ínfima fração de segundo, vi uma pequena espada de luz, que se equilibrava perfeitamente sobre sua ponta, e cuja empunhadura era cravejada de pedras preciosas. Parecia pequena demais, mas extremamente poderosa. Depois, vi a Dracma que tinha ido buscar -aquela que supostamente seria capaz de ressuscitar os mortos-, e vi o rosto esmaecido de uma mulher de olhos verdes e cabelos castanhos e senti sua dor e suas lágrimas banharem as minhas faces. E então, subitamente, eu soube quem era ela. Lembrei de seus dedos roçando minhas bochechas e a melancolia de sua alma tocando o meu coração. Em meio às lágrimas, sorri. No meio do turbilhão de estilhaços, entrevi um homem de cabelos e intenções negras abrindo os braços e ali, sob o peso de seu olhar, me afoguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música findou, a Sirene parou de cantar e tudo era silêncio. Silêncio e dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Quando Remmy voltou a abrir os olhos, estava de joelhos no chão da casa do Necromante. Arfava, as mãos espalmadas apoiando o próprio corpo, e pequenas gotas carmesim empoçando lentamente no mosaico abaixo de si. Hector estava ao seu lado, os olhos preocupados encarando-o; o rosto de Remmy sangrava, e seus membros ardiam com o esforço que fizera para realizar todas aquelas coisas. Seus dedos ainda envolviam as baquetas, e os pulmões pediam por um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que não tinha se passado nem um minuto desde que entrara em transe, pois tão logo ergueu o olhar para o companheiro, viu duas sombras avolumarem-se na escuridão atrás de si. Sasha e Dorian acabaram de entrar na mansão, e sentiu o cheiro de carne humana calcinando logo atrás deles. A assassina olhou para o adolescente com um semblante curioso, depois voltou-se para Hector, como se achasse que ele fosse responsável pelo ferimento no rosto de Remmy. Hector abanou a cabeça, negando, e Dorian tocou seu ombro e murmurou alguma coisa, fazendo sua expressão relaxar um pouco. Sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tive um sonho maravilhoso. Você estava lá, bonitinha, e usava chicotes muito mais legais do que esse que você tem aí. Hec, me ajuda aqui... precisamos pegar logo essa espada e sair daqui. Ele está vindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espada? – Perguntou Sasha, enquanto Hector oferecia o ombro para Remmy. – Você não quer apenas o Dracma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Queria, agora quero uma espada também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que espada? – Perguntou ela, ríspida. A assassina obviamente não estava gostando nada daquela história, afinal, o garoto tinha prometido todo o saque para ela, certo? Mas a sua revolta não chegou a ser verbalizada, pois quando a mulher abriu a boca para protestar, ruidos secos e ritmados chamaram a sua atenção para o topo da espada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Creio que ele se refira à esta espada. - A voz era sibilante e fazia os pêlos da nuca dos quatro se eriçarem. Hector estremeceu subitamente, um espasmo involuntario e completamente animalesco. Mostrou os dentes, a garganta produzindo aquele mesmo ruido ameaçador de outrora. O homem no topo da escada era tão branco quanto um cadaver, com os cabelos de um negro espectral. Trazia envolvido nos dedos uma pequena espada, de aproximadamente trinta centímetros e inteiramente dourada. O punho, como Remmy vislumbrara, era adornado com pedras preciosas que faíscavam lindamente à luz bruxuleante das velas que - ele não tinha percebido até então - compunham o cenário ao redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aurel?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorriu. O mago movia-se de maneira tão fluída e tinha olhos dourados, ameaçadores e flamejantes, como os de uma pantera à espreita. Estava exatamente na junção das duas escadarias que circundavam o ambiente, na frente da porta que levava à ala superior da mansão. Eles tinham certeza que era para lá que deviam seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é o filho de Siegfried, não é? Percebo a semelhança. Então é verdade o que dizem? - O espadim dançou, um movimento rápido e faiscante, pulando de uma mão para outra. Rodopiou, como se o mago testasse o peso e equilibrio da arma, mas à medida que ela se movia, um rastro esfumaçado era desenhado no ar. - E ele se alega imortal? Quão... - Mostrou os dentes, mas não era um sorriso, acentuando a semelhança com um enorme felino negro de olhos dourados. - ...patético.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-680006634552399665?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/680006634552399665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=680006634552399665&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/680006634552399665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/680006634552399665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2012/02/marolas-do-aqueronte-parte-iv.html' title='Marolas do Aqueronte - Parte IV'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-6160096337516778248</id><published>2012-01-26T18:50:00.000-08:00</published><updated>2012-01-26T19:53:38.123-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Templários'/><title type='text'>Cruz Sobre Berlim II - parte 1</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2011/12/cruz-sobre-berlim-i.html"&gt;Cruz Sobre Berlim - I &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os dedos bateram forte nos botões do rádio. Uma, duas, três vezes. O impacto da unha afiada com o painel era similar ao som de algumas das músicas pops das estações, obviamente ele estava inquieto. Nada lhe interessava, o barulho que virou a música nesse início de século o aborrecia profundamente, precisava ouvir qualquer coisa sem rap, sem grito, sem desafino. Apertou com força o volante, as unhas rasgando a capa de couro que o envolvia. Não apenas a música, mas também os meios de transporte o faziam sentir uma saudade imensurável dos séculos que viveu. Em outros tempos não estaria dentro de um veículo obedecendo a leis de trânsito, preocupado com carros ao redor e com as cores de um sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pisou fundo ao verde do semáforo, seus olhos cor de mel passavam da pista movimentada aos prédios que contornavam a rua. A boate que procurava iluminou os vidros da janela com suas cores pulsantes e ele deu seta virando à direita. Desligou o rádio com um prazer indescritível nos olhos, bem no momento que uma famosa cantora começou a gemer em sua música, cada vez mais repetida naqueles dias. Estacionou sem muito cuidado próximo a uma viela e saiu do veículo. Balder era de uma estatura mediana, mas o físico claramente forte, os músculos torneados aparentes na camiseta esportiva, chamavam a atenção das mulheres que, assim como ele, iam em direção à boate. Estava totalmente vestido de preto, os longuíssimos cabelos ruivos presos para trás davam-lhe um aspecto de um jovem metaleiro, reforçado com as pulseiras de couro com detalhes em prata. Apesar de a pele pálida lhe dar uma aparência de doente, seus exóticos traços felinos se sobressaíam, gerando um encanto natural a qualquer garota (ou garoto) que o vislumbrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estava com um rosto amigável e nem respondeu ao sorriso das jovens na fila da danceteria que o observavam. Não que ele não fosse bem humorado; o era até mais do que o normal entre os de sua espécie, mas raramente sorria para humanos, seus caninos longos eram evidentes e até com os lábios fechados sentia que desconfiavam de sua peculiar dentição. Viu uma estranha movimentação na fila, todos se afastavam de um indivíduo que tentava abrir espaço na direção oposta da porta da boate. Balder sabia quem era e porque estava correndo. O vampiro apressou os passos até começar a correr, contendo-se para não divulgar sua velocidade sobre-humana coisa que aquele maldito a sua frente já não fazia questão de disfarçar. Desde que conseguiu se livrar da fila, o indivíduo corria a ponto de virar um mero vulto aos olhos humanos. Sorte, pensou, que com a escuridão do lugar isso não causou grande tititi ou filmagens de celular que posteriormente apareceriam na internet. Porém, graças a atitudes assim que aquele idiota era agora convocado para comparecer à maior hierarquia da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente ele alcançara o final da quadra, obrigando o ruivo a correr mais rápido, confiante que a má iluminação das calçadas não revelariam sua velocidade anormal. Mais ágil e experiente a esse tipo de perseguição, Balder, em segundos, já estava a poucos metros do vampiro que fugia. Este tentou pular um muro, porém o ruivo atrapalhou-o puxando um de seus pés. O fugitivo se desequilibrou sobre a barreira de concreto e caiu do outro lado em um grande estrondo. Balder sentou-se no topo da grossa parede e disse com sua voz rouca:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assim você nem me fez tentar respirar. - os caninos super pontiagudos se destacavam entre os lábios sorridentes -  Péssima fuga para alguém que fez uma bela merda essa semana, Andrew.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vampiro tirou a lama do rosto e se virou para o outro, a expressão tentava passar desafio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Piada ouvir isso de um Labyrs traidor como você – Andrew tocou na mancha avermelhada que se espalhava pela barra de sua calça jeans e por um instante seu rosto demonstrou a dor que sentia naquele lugar - Sempre achei ridículo usarem justamente um traidor para ser o braço direito do General de Berlim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balder, sem mudar a expressão animada, pulou cravando os coturnos no chão enlameado. Como aquela lenga-lenga Vox sobre seu passado o entediava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois eu sempre achei patético alguém que não gosta das regras da cidade insistir em ficar por aqui - rapidamente inclinou-se puxando o pé machucado e derrubando o sujeito que agora tentava se levantar. Cravou as unhas afiadas no local ensanguentado, observando tranquilamente a mancha de sangue aumentando no calcanhar - Estripar um padre, na própria igreja, antes de uma missa... Vamos lá, você era um coroinha e te foderam quando mortal? Ou você é daqueles fanáticos que acham que a igreja é manipuladora e deveria se extinguir? - pisou em sua virilha, satisfeito por ouvir um gemido de dor - É bom você preparar sua justificativa logo, hein, Andrew, você é uma merdinha nessa cidade e só não está morto agora porque o General faz questão de ouvir de sua boca o que aconteceu. Ou quer matá-lo com as próprias mãos, difícil saber o motivo de ele exigir que eu te leve com a cabeça no pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ruivo sentiu o celular vibrando em seu bolso. Andrew o xingava de sabe-se lá o que novamente, mas Balder o ignorou, limitando-se a arremessá-lo contra o muro para calá-lo antes de atender a ligação. Era um de seus subordinados encarregados de achar os Vox que frequentemente acompanhavam Andrew:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos ver se os seus amiguinhos tem mais bom senso que você e saíram de Berlim ontem mesmo, Senhor Revoltadinho... – murmurou, sua face irônica perdeu o sorriso quando ele ouviu apenas um som irritante no telefone, alguém falava, mas tamanha era a interferência no sinal que ele não conseguiu decifrar palavra alguma. Impaciente com a estática, desligou e voltou sua atenção para o loiro que mancava a alguns metros à sua frente, prestes a correr.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diversão voltou à face do Labyrs, achava engraçado como todos os idiotas realmente acreditavam que conseguiriam escapar dele, poderia muito bem segurá-lo agora, mas deixou-o se afastar mais. Não apenas as músicas e o sistema de transporte mudaram para pior, os vampiros mais novos, concluiu, estavam cada vez mais risíveis . A velocidade com o que o loiro corria era quase equivalente a de um humano agora que um de seus pés estava machucado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caralho, Andrew, como você é ridículo! Você nem estava perto de nascer como humano quando me chamaram de traidor. A única coisa Vox que corre na sua veia é a arrogância, seu idiota! - Gritou enquanto retornava a ligação, os olhos cravados no vampiro que fugia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, antes que Balder pudesse recomeçar a perseguição, um som fino cortou o ar e ele viu um objeto atravessando o corpo de Andrew. O grito do loiro ecoou no lugar por alguns segundos, tempo que a lança demorou para fincar-se na lama e erguê-lo do chão. Faíscas em formas de tentáculos saiam do lugar onde a arma de prata rasgara-o. A face se contorcia em horror, a boca aparentava continuar a gritar, entretanto o único som audível agora no local era o de seus membros queimando em meio aos espasmos. Ele definhava envolto em luz prateada. Lama e sangue escorriam pelo rosto de Balder, ele não se incomodou em limpar aqueles respingos da ação brutal, nem os notara, assim como demorou a perceber que o barulho irritante voltara ao celular nos últimos segundos interrompendo a ligação. Observou a cena (e continuava) paralisado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Realmente, um idiota. - disse uma voz grave, ecoando no outro extremo do terreno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-6160096337516778248?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/6160096337516778248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=6160096337516778248&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/6160096337516778248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/6160096337516778248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2012/01/cruz-sobre-berlim-ii.html' title='Cruz Sobre Berlim II - parte 1'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-5858281192061290989</id><published>2012-01-20T11:46:00.000-08:00</published><updated>2012-01-20T11:48:33.105-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Remmy'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ain Soph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sasha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><title type='text'>Marolas do Aqueronte - Parte III</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://www.manuscritosdassombras.blogspot.com/2011/12/marolas-do-aqueronte-parte-ii.html"&gt;Marolas do Aqueronte - Parte II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu achei que elas só atacavam mulheres grávidas! – Protestou Remmy. Por ter uma maga tão pouco convencional como preceptora, o garoto era obrigado a estudar diversas culturas e, consequentemente, as criaturas folclóricas que compunham as crenças daqueles povos. Lembrava-se vagamente da penanggalan, principalmente por seu aspecto tão asquerosamente peculiar. – O que diabos ela está fazendo aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela é serva de um necromante, fará o que lhe for ordenado, bonitinho. Porque você acha que vampiros não se associam com este tipo de magos, se não para conservar o seu livre-arbítrio? – Sasha mostrava-se um pouco exasperada. Obviamente não estava habituada a explicar coisas tão elementares para as pessoas. Apertou a empunhadura do chicote e murmurou uma fórmula mágica. O chicote começou a incandescer, lentamente, a partir dos dedos da mercenária até as pontas prateadas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, e como a gente mata? – Perguntou Hector, hesitante. Os dentes e suas unhas continuavam com aparência bestial, e os olhos emitiam um fantasmagórico brilho âmbar. Respirou ruidosamente, como se rosnasse um aviso para a vampira não chegar mais perto. Inútil. A cabeça e as vísceras continuavam a se aproximar lentamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Batendo? – Sugeriu Remmy, com um sorriso amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Precisamente. Na verdade, o ideal seria destruirmos o corpo, mas não acho que será assim tão fácil com aquele escudo ao redor dele. E a cabeça vai fazer de tudo para protegê-lo, também... – Resmungou Sasha, visivelmente impaciente. O cenho franzido da mercenária denunciava o quão insatisfeita estava com aquele falatório todo em um momento tão delicado. A mulher não esperou resposta dos garotos, deu três passos adiante, ergueu o punho na altura do rosto e, com um movimento brusco, estalou a arma. O chicote sibilou e rasgou o ar como um raio de fogo. Os cravos enrolaram-se nas vísceras da vampira, que berrou um desafio tão agudo que os três garotos levaram as mãos aos ouvidos, com caretas de dor. O grito da penanggalan pareceu distorcer o ar ao seu redor, como se a criatura regurgitasse uma espécie de tentáculo transparente. Ergueu a cabeça em direção ao firmamento, direcionando o desafio para os céus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso aqui está ficando cada vez melhor... – Disse Dorian, enfiando a mão no bolso mais uma vez. Hector precipitou-se pela clareira, ganhando terreno rapidamente. Remmy espalmou as mãos na frente do corpo, unindo os polegares e os anelares, recitando rapidamente uma fórmula mágica. O corpo do lobisomem cintilou em azul por um segundo, depois voltou ao normal, mas a velocidade do rapaz aumentou consideravelmente, chegando a deixar um borrão difuso às suas costas ao correr pelo lugar. Os dedos de Remmy mudaram de posição quando o garoto inverteu o sentido de uma das mãos e voltou a murmurar outra fórmula; entre suas mãos, uma luz verde explodiu, lambendo-lhe os dedos como chamas cor de esmeralda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A assassina continuou a investida, puxando lentamente o chicote e fazendo a penanggalan se aproximar contra a sua vontade. Sasha pisou no açoite, prendendo-o sob o salto, e com a outra mão puxou um dos frascos do cinto. Em um movimento rápido, jogou-o no chão, estilhaçando o recipiente; o líquido se espalhou e foi absorvido pelo solo, e no instante seguinte uma bruma purpúrea começou a brotar onde a poção fora derramada. Dorian, percebendo a dificuldade de Sasha em manter a vampira parada, percebeu imediatamente o que deveria fazer: puxou do bolso algumas bolinhas castanhas e enrugadas, atirando-as ao chão bem abaixo da criatura. Em seguida, cravou os dedos na terra e, jogando a cabeça para trás, murmurou mais uma fórmula mágica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu cuido para que ela fique parada... - Disse entre dentes, os olhos apertados como se não quisesse ver o que aconteceria a partir dali. - ...vai e mata essa vadia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fumaça purpúrea fora aspirada tanto por Sasha quanto por Dorian, e o efeito já começava a ser sentido pelos dois. No instante em que o morto-vivo baixou a cabeça, mais três tentáculos translúcidos haviam brotado do fundo de sua garganta e serpenteavam pelo ambiente. Um deles chicoteou o chão logo abaixo de si, fendendo a terra e erguendo uma nuvem de poeira e plantas no exato instante em que as sementes que Dorian atirara germinavam magicamente. Grandes espinheiros se desenvolveram ao redor do morto-vivo, alguns ainda no solo, outros em pleno ar, e alguns dos ramos enroscaram-se e desenvolveram-se ao redor das vísceras do penanggalan, que berrou ainda mais alto. Os pulmões da vampira inflaram, e a criatura movimentou a cabeça de forma a fazer os três tentáculos varrerem todo o terreno. Hector facilmente desviou, pulando sobre a cabeça e dirigindo-se ao corpo no interior da mansão. O ar ao redor de Remmy, Sasha e Dorian começara a ser distorcido, todavia o mago loiro não fora rápido o suficiente para preparar uma defesa satisfatória: a barreira fora vencida com facilidade e os três foram atingidos; Sasha e Remmy curvaram-se para frente, e Dorian caiu de costas na terra, com sangue escorrendo da lateral dos lábios. A assassina arfou, engolindo grandes quantidades de ar e pondo-se de pé o mais rápido possível - e mais lentamente do que o aceitável, quando se tem um monstro na sua cola. Remmy, de joelhos na terra revolvida, apertou os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sasha, apertando os dentes, recolheu o chicote rapidamente. Com um novo movimento, fê-lo enroscar-se a um ramo de espinheiro mais grosso, metros acima da cabeça do penanggalan e puxou uma das adagas de obsidiana. A névoa permitia que a assassina enxergasse mais claramente na penumbra do local, bem como aumentara consideravelmente a sua agilidade – não se equiparava ao sangue élfico. A mulher puxou o chicote, firmando-o, e correu na direção da vampira, descrevendo uma trajetória semicircular ao redor dela. A vampira investiu mais uma vez, os três tentáculos amalgamaram-se em um único, cravando-se aos pés da assassina, erguendo mais uma nuvem de terra e grama no ar, encobrindo tanto a si mesmo quanto a Sasha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste instante, Hector chegara à soleira da porta da mansão, porém, parecia impossibilitado de entrar por uma nova barreira invisível. O lobisomem socou o ar, e um estrondo se propagou instantaneamente. Um ganido, e o corpo de Hector foi atirado para trás violentamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dorian, já restabelecido, ergueu os olhos para o combate que se desenvolvia alguns metros adiante. Remmy, percebendo que Hector precisava de ajuda, pôs-se de pé e correu em sua direção. Sasha, habilmente, saltou até um galho mais grosso, e sobre outro, pulando diretamente sobre a criatura e içando-se com a ajuda do chicote. Os ramos de espinheiros apertaram-se ao redor das vísceras da vampira, quando Dorian fechou a mão em punho, com uma expressão carrancuda. – Morre, vadia! – Cuspiu. A vampira arregalou os olhos, rubros e brilhantes, cravando-os em Sasha, que caía livremente em sua direção com uma adaga negra em uma mão, e o cabo do chicote na outra. O brilho nos olhos da penanggalan intensificou-se. Dorian, percebendo o que ia acontecer, ergueu a outra mão no exato instante em que duas rajadas sangrentas escapavam dos orbes oculares da sinistra criatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Remmy se aproximou de Hector, este já estava de pé mais uma vez e murmurava que estava bem. O loiro mostrava uma expressão conturbada no rosto, mas não perguntou mais nada, simplesmente disse: - Me ajuda a quebrar esta barreira, então. Vamos destruir o corpo dessa vadia juntos! – Hector anuiu, com um meio-sorriso, e repetiu a fórmula mágica de Remmy. Ambos entoaram em uníssono o cântico, e espalmaram as mãos diante do corpo ao mesmo tempo. A barreira oscilou e faiscou. Uma rachadura apareceu bem diante dos dois. O loiro, impacientemente, precipitou-se para frente e chutou a parede invisível no ponto fissurado. A barreira pareceu revidar da mesma forma que fizera diante da primeira investida de Hector, mas Remmy não recuou. – Quebra! Quebra! QUEBRA, PORRA!!! – O terceiro chute foi mais forte. Um clarão se deu no exato instante em que o solado do sapato de Remmy encontrou a barreira, e a mesma se estilhaçou. Uma súbita rajada de vento brotou do interior da casa, jogando-os alguns metros para trás e afastando toda a poeira e fumaça da clareira às suas costas, onde Sasha e Dorian enfrentavam a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ali está o corpo... Vamos! – Disse Remmy, mas foi Hector que tomou a frente, correndo em sua direção. As luzes da casa então apagaram-se de súbito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sasha, salva pelo escudo de energia que Dorian conjurara, cravara a lâmina de obsidiana diretamente no coração da penanggalan. O espinheiro apertou-se ainda mais em torno da vampira, que berrou mais alto – desta vez de dor. Os tentáculos agitaram-se mais rapidamente, um deles atingindo Sasha diretamente na face e lançando-a para trás. O chicote incandescente da assassina fora o que a impedira de cair sobre os ramos de espinheiro, e o que a ajudara a utilizar o impulso do golpe para descrever um semicírculo e aterrissar em segurança no solo revolvido. Ali, com um torção mais forte do pulso, fez o galho se partir logo acima da cabeça e cair sobre ela. A adaga ainda estava cravada no coração pulsante quando, em um último esforço, a vampira expeliu uma nova rajada de energia pela boca, desta vez misturada à podridão de suas entranhas decompostas. A assassina saltou para o lado e o tentáculo sangrento atingiu o solo no ponto onde ela estivera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pequena explosão se fez ouvir no interior do palacete, e quando Dorian e Sasha ergueram os olhos para a porta de entrada, o que viram foi o corpo sem cabeça da penanggalan ser atirado na clareira com violência ímpar e, no instante em que tocou o solo, irromper em chamas negras. A cabeça também fora carbonizada, vítima do mesmo feitiço conjurado por um Remmy carrancudo que saía da escuridão da mansão para a penumbra do terreno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo certo, podemos prosseguir. – Disse. Sasha virou para o lado e cuspiu uma grande quantidade de sangue, depois se aproximou do espinheiro e, com um movimento brusco, arrancou a adaga do coração em chamas da vampira morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conheço uma vampira que iria adorar a obra de arte que você fez aqui, Dorian. – Disse, sorrindo. – Foi uma escultura e tanto. – Piscou para ele, finalmente, antes de se virar na direção da porta. Ele a havia surpreendido mesmo, no final das contas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-5858281192061290989?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/5858281192061290989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=5858281192061290989&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/5858281192061290989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/5858281192061290989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2012/01/marolas-do-aqueronte-parte-iii.html' title='Marolas do Aqueronte - Parte III'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-6289367318050812030</id><published>2011-12-25T18:41:00.000-08:00</published><updated>2011-12-28T14:51:42.172-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Templários'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alban'/><title type='text'>Cruz Sobre Berlim I</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://www.manuscritosdassombras.blogspot.com/2011/12/cruz-sobre-berlim-prologo.html"&gt;Cruz Sobre Berlim - Prólogo &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A pequena chama provocou penumbras por toda a sala escura. A criatura que acendeu a vela colocou-a no chão de pedras, seus olhos misteriosos percorreram o cômodo vazio de vértice a vértice. Não havia móveis, não havia portas, somente ele e aquela vela habitavam o local. E sua sombra. Olhou o sangue  que a manchava, os pequenos furos que ele mesmo abrira nos braços com seu dedal foram o suficiente para produzir rapidamente um aglomerado de gotas sobre o piso sombreado. Estreitou os olhos absorto na textura etérea que começara a brotar e abriu um sorriso singelo. Duas figuras ganhavam formas, cada vez mais nítidas, naquilo que já não era mais sua sombra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[---]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;- Veja. Todas essas pessoas não fazem idéia do que pode estar à espreita no próximo beco escuro que adentrarem. Ladrões, assassinos, estupradores... isso elas esperam, se acostumaram a caminhar por aí estreitando os olhos a qualquer membro da sociedade que fuja de seus padrões de vida. Não, elas não esperam que alguém em plena multidão possa lhe puxar pelos cabelos, cheirar sua pele e cravar os dentes em seu pescoço pulsante. Subjugadas por uma força que jamais sentiram antes. Em segundos, seu líquido vital é roubado, provavelmente não o suficiente para matar seu corpo, mas, sem dúvida, o suficiente para ruir toda sua certeza de que monstros não existem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A pessoa não foi morta, mas sua dignidade foi abalada como se houvesse sido estuprada. A marca do corte, seja por caninos afiados, seja por um objeto cortante, permanecerá por alguns dias, lembrando-lhe que não fora alertada sobre lunáticos que afiam seus dentes e bebem sangue. Como você acha que ficará a fé desse cidadão? Deus nunca lhe mostrou provas de sua existência, mas o diabo... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinicius levou a boca o charuto que girara entre os dedos nos últimos segundos e o acendeu. A densa fumaça branca seguia o rumo do vento, levando o aroma de fumo pela praça iluminada. O adolescente coçou o nariz contendo um espirro, mas não reclamou da alergia, continuava atento a face do robusto homem ao seu lado que fumava observando os cidadãos de Berlim. Engoliu em seco tentando formar alguma palavra nos lábios, procurando em sua mente algo inteligente para se comentar. Queria realmente ouvir, só ouvir, mas aqueles olhos estreitos o encaravam agora indiferentes, como se esperassem alguma coisa que demonstrasse que ele era digno de estar ali acompanhando-o.  Vinícius tragou mais uma vez e falou gesticulando com o charuto: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não que eles sejam filhos do diabo, você entende isso já, não é? Eles não se declaram assim e não há provas de que eles realmente o são... mesmo que, como aquele Labyrs que nos atacou, consigam tomar formas bestiais, ainda assim, não podemos taxa-los disso... Mas o que as pessoas com pouca fé pensariam ao ver uma criatura com características tão diferentes de tudo o que conhece? Não apenas um que se transforme daquele jeito, mas um com forma humanóide, ele consegue incomodar com seus olhos selvagens e hipnóticos. Não importa o vampiro, quando você vê um olhando para você, desejando seu sangue, você sabe que ele não é humano. Você nota seu cheiro seco, a pele límpida como a de uma estátua, os cabelos sedosos como os das malditas propagandas de xampu... - fez uma careta debochada - Cada linha de seu corpo demonstra como eles ignoram os limites do tempo. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;O adolescente cruzou os braços, voltando os olhos escuros para a multidão apressada que cruzava a praça. Agora ele fazia parte dos raros de seu batalhão que conhecera um vampiro antigo, um Labyrs. Justamente seu primeiro contato com um vampiro de linhagem pura fora um que assumia formas tão atípicas do resto da própria espécie, cujo sangue negro e oleoso poderia envenenar em uma breve aspiração. Seu estômago ainda não se recuperara daquele cheiro, passara os últimos três dias nauseado sem conseguir digerir algo sólido. O temor de perder um de seus próprios membros como acontecera com Eric também não colaborava para que o enjôo passasse. Ao invés de deixá-lo inspirado, a experiência só o lembrara o quanto ele ainda precisava treinar para conseguir combater um inimigo tão forte. A verdade, é que antes de encarar aquela fera, nunca levara vampiros a sério, afinal era comum em seu país derrotá-los. Nunca ouvira alguém comentando que teve um companheiro tão brutalmente ferido como fora Eric. Como se soubesse o que pensava, o homem, muito mais velho do que ele, coçou o cavanhaque dizendo: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que nós enfrentamos em Portugal não se compara em nada com os vampiros daqui, garoto. Aqueles são vagabundos com simplória fome de sangue e imortalidade fraca. Seu olhar é vago, perdido, sem noção da história de sua espécie, sem noção da história de seu sangue. Vi alguns vampiros assim sucumbirem com apenas uma espada no peito. Eles são o mais comum e realmente, se planejar bem como matá-los, não dão muito trabalho. Mas a pequena parcela dos imortais que originaram as lendas quase nos extinguiu na era renascentista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molhou os lábios, tragando novamente e se levantou, dando alguns passos para frente. O homem tinha quase 60 anos, mas por debaixo daquelas espessas roupas de frio havia um físico muito bem conservado, era mais ágil e forte do que a maioria dos novatos que o adolescente conhecia. Nem o vício parecia atrapalhar seu fôlego quando lhe ensinava a manejar a espada. Observou o velho andando de um lado para o outro deixando um rastro de fumaça ao seu redor. Admirava-o, não apenas por essas habilidades físicas louváveis, mas principalmente por expor constantemente suas próprias ideias sobre os Templários e os noturnos como Alban gostaria que seu pai o fizesse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem pousou os olhos tristes na grandiosa igreja que servia de cenário de fundo dos civis apressados voltando para a casa. As luzes dos postes geravam sombras nas esculturas dos anjos que enfeitavam seu telhado, dando-lhes um ar grotesco, temível. Pareciam julgar os mortais que os ignoravam na praça abaixo. Ele cruzou as mãos, estalando os dedos, preparando-se para perguntar: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quanto desses você já matou? – sua voz era esganiçada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um vampiro “nobre”? – Vinicius, com uma expressão zombeteira fez aspas no ar - “De Família”? - o moreno fez que sim com a cabeça, empertigando o corpo para ouvir a resposta. – uns 15, mas não sozinho. Sozinho eu matei apenas 2, totalmente por sorte. É muito difícil achar um vampiro dessas antigas linhagens em países como o nosso. Sair para caçá-los exige muito planejamento...  o que viemos fazer aqui é uma situação atípica. Você sabe que o certo (e o ideal) é reunir vários de nós para dizimarmos todos os vampiros da cidade, mas não é o caso. Não podemos correr o risco de perder mais homens como ocorreu na Islândia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E com Eric... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você já sabe disso, estou sendo repetitivo... - o mais velho retrucou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não está! – Alban cruzou os braços, a tristeza dos olhos castanhos foi substituída por sincera curiosidade – Eu sei que estamos aqui mais para espionar e precisamos ser discretos, mas é bom ouvir mais detalhes. Cada um que participou dessas invasões ou espionagens falam dela de um jeito diferente, é bom para aprender... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinicius forçou um sorriso e desviou do olhar complacente do garoto. Esfregou a ponta do charuto na aba metálica da lata de lixo apagando-o: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é realmente "bom para aprender" é a prática. - virou-se e retirou um papel amassado do bolso, mostrando-o para Alban. Era uma página rasgada de jornal, os títulos gritantes da matéria exibiam palavras como “extirpado” e, a que mais chamou a atenção da leitura imediata do garoto, “padre” - Dessa vez você vai poder observar e tirar suas próprias conclusões, Alban. Hoje vamos matar um pouco dos vampiros dessa cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-6289367318050812030?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/6289367318050812030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=6289367318050812030&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/6289367318050812030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/6289367318050812030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2011/12/cruz-sobre-berlim-i.html' title='Cruz Sobre Berlim I'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-120287740294606773</id><published>2011-12-16T11:24:00.000-08:00</published><updated>2011-12-16T11:27:43.611-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Remmy'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ain Soph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sasha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><title type='text'>Marolas do Aqueronte - Parte II</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Este é o carro do James Bond, né? – Perguntou Sasha, com um sorriso divertido no rosto, evidenciando o teor jocoso da pergunta. Remmy, com os longos cabelos loiros amarrados em um rabo-de-cavalo, abriu a porta do carona para ela com uma firula cavalheiresca e respondeu, com igual sarcasmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, querida, este é o carro do Senhor meu pai, Siegfried Von Vogelrauch, creio que já tenha ouvido falar nele. – Sasha riu, enquanto se acomodava no banco e passava o cinto de segurança sobre o torso. Os cabelos da mercenária, naquela tarde, estavam arrumados em um coque apertado na nuca, e a mulher trazia uma bolsa de mão que emitiu um perigoso ruído metálico ao ser depositada entre as suas pernas, no piso emborrachado do &lt;i&gt;Aston Martin Rapide&lt;/i&gt; do mago milionário. Poucos segundos depois a porta do motorista se abriu e Remmy pulou para dentro com uma elegância e fluidez de movimentos quase felinos. – E então, pronta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pé na tábua, Sr. Bond! – Brincou, piscando para ele. Remmy sorriu e girou a chave na ignição; logo depois, o carro deslizava suavemente pelo asfalto das ruas de Praga. – E então, para onde vamos, mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Primeiro, precisamos nos encontrar com Dorian e Hector. Depois, para o interior, arredores de Cieszyn. – Replicou Remmy, girando a direção com uma mão e, com a outra, sintonizando uma estação de rádio qualquer. Tamborilando os dedos no volante, no ritmo da música, perguntou: - E nas suas pesquisas, o que descobriu sobre o Aurel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sasha arqueou as sobrancelhas, encarando Remmy com surpresa. Abriu a boca lentamente, antes de disparar com uma rispidez tão pouco característica: - Como é que é? Você que me vem com a idéia de invadir a casa do cara, e quer que eu faça o dever de casa? Você só pode estar brincando, garoto! – Protestou, enfiando a mão no bolso da gabardine caramelo e pescando de lá uma cigarreira dourada contendo uma dezena de cilindros de papel negro. Cheiro de Artemísia, cravo e sálvia encheu o ambiente. Ela sorriu e acendeu um. O loiro, instintivamente, baixou o vidro da janela do carona, deixando uma brisa gélida varrer o interior do Aston Martin. – No mundo de hoje, Remmy, onde em qualquer esquina, em qualquer canto escuro, pode se esconder um demônio sedento de sangue, ou coisa pior, prevenção é tudo. E só se consegue isso com informações, certo? Então o que você deveria me perguntar não é o que eu sei, mas quanto eu sei, e quanto eu quero por isso... Entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pensei que você tivesse acabado de dizer que odeia seres mágicos. Estamos indo ferrar com um, não é satisfação o suficiente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Odeio. – Um vislumbre dos dentes de uma Sasha zombeteira. O som do cigarro queimando, e a mulher graciosamente deslizando os dedos para fora do carro para se livrar das cinzas, antes de replicar: - Odeio, mesmo. Mas odeio ainda mais a minha conta bancária vazia. Amo dinheiro, por isso tenho tanto a oferecer, você sabe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Remmy riu alto, e outra música começou a sair dos auto-falantes. Mordeu os lábios por um segundo, antes de perguntar: - Você não tem marido, Sasha? Namorado? Você é tão g... bonita, não precisava se arriscar tanto para viver uma vida de rainha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isto foi uma cantada? – Perguntou ela, franzindo o cenho em uma expressão de velada confusão. – Eu não vou dar as informações para você só porque me elogiou, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não foi. Podemos conversar do preço depois que você me responder por que eu sempre vejo você sozinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que eu não tenho interesse em homens. Nem em mulheres. Nem em vampiros. Nem em nada que se mexa, meu único amante é o meu cartão de crédito, lindinho. Por isso eu me empenho tanto em ser boa no que faço: para me sentir amada! – Gracejou, piscando para ele e tragando mais uma vez. – Respondi a sua pergunta? Podemos falar de negócios agora? – Em sua outra mão, um blackberry preto descansava, e em um rápido vislumbre Remmy conseguiu ler “Alioth” estampado no display luminoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro. Claro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: center; font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;O firmamento estava tingido de vermelho e dourado quando os quatro finalmente desembarcaram do &lt;i&gt;Aston Martin Rapide&lt;/i&gt;, em uma rua pavimentada de cascalho e completamente deserta. Sasha olhou ao redor, pouco interessada, enquanto curvava o corpo para frente para pegar a bolsa de mão e colocá-la sobre o banco que ocupou nas últimas duas horas. Com um movimento rápido, abriu o zíper principal, revelando todo o aparato que trouxera para aquela situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dorian assobiou baixinho, parte para as ancas erguidas de Sasha, parte para a coleção de facas, armas de fogo, punhais e um enorme chicote negro que pulavam para o exterior da bolsa da assassina. – Que faca grande você tem aí, vovozinha! – Brincou, aproximando-se lentamente. – Diz que você vai levar esse chicote, &lt;i&gt;chérrie&lt;/i&gt;! Couro sempre me excita!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Algo me diz que você tem um ou &lt;i&gt;dez&lt;/i&gt; DVDs da Fornicaraz, hein? – Brincou Hector, deslizando para fora do carro vestindo apenas uma camiseta regata preta, calça e gorro de lã cinza escuro. Remmy, que observava tudo de pé ao lado da porta do motorista, simplesmente sorriu. Na mão, um cantil translúcido cheio até o gargalo com um líquido verde-esmeralda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E então, Sasha, você ainda não nos disse o que descobriu sobre o tal mago... – Perguntou ele, atraindo o foco da conversa para si. Tragou longamente da garrafa, enquanto a mercenária enfiava duas adagas de obsidiana nos coldres atados na altura das coxas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher suspirou longamente e, de bom grado, ignorou o pedido de Dorian e começou a falar em voz monocórdia. – Bom, segundo meu informante, o nome dele na verdade é Grzegorz Väduwa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me admira que tenha mudado. – Murmurou Remmy. Hector sorriu, Dorian revirou os olhos e Sasha também o ignorou, prosseguindo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele é Polonês dessa região, porém passou a maior parte da vida viajando e reunindo artefatos lúgubres. Dizem que ele tem o maior acervo do mundo, mas isto não é confirmado. A dracma que vocês querem é um dos itens de menor valor que ele possui, creiam-me. – Passou os dedos pelos cabelos, ajeitando uma mexa atrás da orelha, e continuou: - Dizem que ele sabe como criar e controlar vários tipos de mortos-vivos, acho que é por isso que pouca gente se aventura para estas bandas, especialmente vampiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, então em poucas palavras, ele é um necromante virado em dinheiro e artefatos mágicos. – Dorian concluiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não: ele é um necromante virado em dinheiro e artefatos mágicos que nem mesmo a Ain Soph teve cacife para recrutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Ain Soph recruta apenas pesquisadores e os melhores em suas áreas de atuação. Meu pai já tem um necromante a seu serviço, e teve muitos outros anteriormente. Ser colecionador não faz dele mais competente, só o faz menos insignificante. - Respondeu Remmy, rispido. O sorriso de Sasha se manteve inabalável, quando a mulher deu de ombros e continuou seu relato:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele passou duas décadas na Ásia, durante os anos de 40 e 50, então podemos esperar algumas surpresinhas bem desagradáveis: os mortos-vivos e demônios asiáticos são bem... incomuns e podem ser bastante chocantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 40 e 50? - Dorian assobiou baixinho. - Quantos anos esse cara tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Segundo meu informante, quase 100. Mas eu não esperaria um velho incapacitado, se fosse vocês. Lembrem-se do tipo de objetos que ele costuma colecionar. - Sasha calou-se por algum tempo, para deixar os garotos digerirem as informações. Curvou-se para frente, apanhando o chicote que alvoroçara tanto Dorian, enrolando-o metodicamente: a arma tinha a grossura de um dedo e contava com três lâminas de prata amarradas às pontas. Atou também um coldre de pistolas à cintura - muito embora não gostasse de armas de fogo, sem o sangue de Alioth teria que contar com toda ajuda que pudesse arranjar - que, além dos encaixes para as armas, dispunha de alguns compartimentos os quais Sasha preencheu com três pequenos cilindros vítreos, cujo conteúdo líquido mudava de cor de acordo com a posição da assassina; prendeu também o chicote ao cinto do coldre. Finalmente, remexeu no fundo da bolsa, arrebatando de lá uma pequena garrafa térmica, e se serviu de uma generosa quantidade de café, enquanto acendia outro cigarro. Bebericou o líquido, tragou o cigarro, e quando ergueu os olhos novamente para os garotos, os três a olhavam com o que lhe pareceu assombro e admiração. - Quê? Não divido meu café nem meus cigarros com ninguém, aviso logo! - Objetou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na verdade, nos perguntávamos para que guerra você está indo... - Respondeu Hector, com um ar consternado. - Digo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês são magos. Você é lobisomem - ela apontou com a mão do cigarro para Hector - você é filho de um dos homens mais poderosos do mundo - e para Remmy - e você é... bem, tenho certeza que você vai me surpreender de alguma forma - disse, olhando para um Dorian levemente irritado - e eu sou uma simples garota que sabe um ou dois encantamentos, que também gosta de se precaver e... principalmente, que conhece o tipo de monstro que vamos enfrentar. - Finalizou, batendo a porta do carro com certa violência e tragando mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Humanos também são monstros? Vamos enfrentar humanos também... - Observou Remmy, com um quê de “te peguei” na voz. Sasha olhou-o por apenas um segundo, antes de responder:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O pior tipo de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum dos três respondeu nada, apenas ponderaram por um segundo. Tudo acontecia por causa dos humanos, não era? Ninguém nascia vampiro, virava mago, lobisomem ou invocava demônios ou espíritos por acaso. Não era a ideia de se alimentar sangue e esturricar no sol que os seduzia, que os impelia a isso. A ganância humana era a raiz de tudo. A pior fome não era de sangue, mas de poder. Era esta que os consumia por dentro. A todos eles, inclusive aos quatro ali reunidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quanto tempo até ele perceber que estamos aqui, Sasha? - Murmurou Dorian, olhando ao redor, ignorando a pertinência do que a mulher acabara de falar, como se para afastar aqueles pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho a impressão de que ele já sabe. - Disse Hector, observando por entre as árvores laterais. Ouvia-se o farfalhar de folhas secas e galhos, porém não se sentia o soprar da brisa. Alguém, ou alguma coisa, espreitava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ou talvez não saiba ainda, mas saberá muito em breve. Não tem como entrar ali sem o conhecimento dele, especialmente porque o terreno inteiro parece ter sido enfeitiçado... - Disse Remmy, puxando do bolso um pequeno tubo de ensaio cheio do que parecia ser ouro em pó, o qual despejou no interior do cantil. A poeira dourada espiralou lentamente, nadando no mar verde-esmeralda, e a bebida efervesceu por alguns segundos, ínfimos segundos. Quando o líquido aquietou-se, continuava com a mesma tonalidade de verde e a substancia amarelada continuava dançando em seu interior, embalada por uma melodia a qual os dedos de Remmy não eram responsáveis. O rapaz aproximou o gargalo lentamente do rosto, cheirou o interior e, com uma expressão temerosa, bebeu um gole. Imediatamente a expressão do mago pareceu relaxar, e ele soltou uma risadinha afetada. - Vocês não percebem? Parece que tem algum bicho morto por aqui, tamanho o cheiro de carniça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ou talvez seja só um dos zumbis do tal Ariel! - Disse Dorian, fingindo não ouvir Hector corrigi-lo quanto ao nome do necromante. - Já pensou nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, é magia. Você vai ver, quanto mais nos aproximarmos, mais o cheiro vai aumentar. Talvez te dê vontade de sair correndo, talvez você seja acometido por um pânico absurdo, ou dor de barriga, ou... você se lembre que deixou o feijão no fogo. Qualquer coisa que te faça sair daqui o mais rápido possível. - A cada sílaba, a voz de Remmy ficava mais e mais pastosa e enrolada. - Escutem, se a coisa ficar preta lá dentro e precisarmos nos separar, utilizem aquele feitiço que Alícia nos ensinou, o de criar portais de espelho, ok? Sasha, você consegue se virar sozinha, se algo acontecer, não é? - A garota olhou-o de cima a baixo com uma expressão de profundo desdém, o que, para Remmy, servia como uma afirmação.&lt;br /&gt;- Mas e o carro? - Hector perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho certeza que a vida de qualquer um aqui vale mais do que um carro, Hec. - Disse o loiro. - Todos memorizaram a planta da mansão, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hector olhou para ele com uma expressão confusa. Seu desconforto era evidente, especialmente ao se aproximar um pouco do loiro e inquirir quase em um sussurro preocupado: - Porque nos pergunta sobre isso? Você não vai conosco? A ideia de invadir este local foi sua, lembre-se...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Relaxa, Hec. – Remmy tranqüilizou-o, apoiando a mão direita espalmada sobre o seu corpo. Com a esquerda, virou mais um gole da bebida verde. Era sabido que o filho de Siegfried só conseguia performar magia em estado alterado de consciência, o que o obrigava a ingerir diversos tipos de substancias alucinógenas - às vezes, simultaneamente. - Todos nós vamos ficar juntos, só perguntei isso para o caso de alguma eventualidade. Como dizem por ai, o seguro morreu de velho, né? Hehe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não precisa ficar preocupado, bonitinho, eu cuido bem de você! - Disse a assassina, piscando para Hector. O garoto, absolutamente embaraçado, corou até a raiz dos cabelos e baixou os olhos para o chão. Remmy riu, quase conseguindo ver o brilho maníaco nos olhos da garota, enquanto ela imaginava o prestígio que teria se por acaso salvasse o herdeiro dos Terrazas da morte. Um perigo que, ele não duvidava nem um pouco, a própria Sasha poderia se assegurar que Hector corresse, apenas para ter a oportunidade de colher os frutos posteriormente. O jovem mago se aproximou da assassina e murmurou, de forma que apenas ela conseguisse ouvir: - Assegure-se de que ele volte ileso e você será muito bem recompensada. Mas ele &lt;i&gt;não pode&lt;/i&gt; sofrer &lt;b&gt;nenhum&lt;/b&gt; arranhão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota estudou-o por um ou dois segundos. Os enormes olhos castanho-esverdeados de Sasha esquadrinharam todos os traços de Remmy rapidamente, antes que ela abrisse um sorriso malicioso e concordasse com os termos. Inclinou-se para ele e afagou os seus cabelos, como se o loiro não passasse de um bebê e tivesse dito algo particularmente perspicaz para sua idade. - Agora sim estamos falando a mesma língua, bonitinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que ele pudesse responder, entretanto, um alto estrondo ecoou e o ruído inconfundível de madeira se partindo encheu os ouvidos dos quatro. Sobressaltados, aproximaram-se das árvores que margeavam a estrada de cascalho, mas foi Hector que explicou o que estava acontecendo: - Eles estão acordando. Posso sentir o cheiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cheiro de quê? - Perguntou Dorian, enfiando a mão no bolso. Sua voz, por um segundo, pareceu um guincho assustado, mas no final da sentença já carregava o timbre normal. Ou quase. - Cheiro &lt;b&gt;de quê&lt;/b&gt;, porra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hector não respondeu e aproximou-se um pouco mais. Hesitante, afastou os primeiros galhos de uma das árvores e espreitou a escuridão... apenas por um átimo de segundo antes da criatura saltar sobre ele. A princípio nenhum dos quatro percebeu do que se tratava; Hector e uma bola de pêlos negra e mal-cheirosa se embolaram na estrada. Um urro de dor, cheiro de carne podre e carbonizada queimou-lhes os olhos e no fundo da garganta. Dorian, alarmado, levou uma das mãos até a boca, como se fizesse força para não vomitar, puxou de dentro do bolso um bordão de madeira negra, de aproximadamente um metro e vinte, porém antes que tomasse coragem suficiente para atingir o animal, quatro disparos explodiram em suas orelhas. A criatura berrou e desabou sobre Hector, expelindo bile e sangue podre sobre seu corpo e rosto. Dorian então não aguentou, curvou-se para frente e vomitou. Sasha, com uma pistola na mão, aproximou-se do garoto e, com um pontapé, livrou-o do animal morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está machucado? - Perguntou a Hector, ajudando-o a se levantar. O rapaz olhou para si mesmo, com os olhos úmidos, e abanou a cabeça negativamente. - Nenhum arranhão? - Ele negou novamente, e a mulher olhou para Remmy com um sorrisinho vitorioso. O loiro, por outro lado, aproximou-se rapidamente do amigo, apanhando-o pelos ombros, preocupado. Murmurou &lt;i&gt;“desculpe”&lt;/i&gt; algumas vezes, antes de passar a mão pelo seu rosto e pelas suas vestimentas, e por onde os dedos do jovem mago deslizavam, toda a sujeira e podridão simplesmente desapareciam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dorian ainda estava curvado sobre o seu próprio corpo, expelindo os salgadinhos que comera no caminho, e o bordão negro se esfarelou aos seus pés, tão subitamente como tinha aparecido em seu bolso. - O que era aquilo? O... q... argh!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, por favor, ele é um necromante. Se vocês estão assim por um animalzinho reanimado, acho melhor voltarem para Praga e aproveitar a noite jogando RPG ou algo assim. - Censurou Sasha, puxando a outra arma do coldre e sumindo na orla da mata. - Deixem que eu pego o Dracma, junto com todo o resto.&lt;br /&gt;Remmy olhou para Hector e para Dorian por uma fração de segundo, antes de correr atrás da mulher. Hector o seguiu, e Dorian, com uma última cusparada sobre o cadáver apodrecido do enorme animal, também. Por um momento, entoou mentalmente o encantamento que Alícia tinha ensinado, mas não conseguiu pensar em outro lugar onde gostaria de estar naquele momento senão ali. Sua cobiça sobrepujava em muito o medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que os três pudessem acompanhar Sasha, ouviram mais meia dúzia de disparos adiante. Caminhavam apressados, com Hector na dianteira seguindo o rastro da mulher. Quando desembocaram em uma enorme clareira, a assassina estava parada alguns metros adiante da mata, com as armas em riste. Três enormes cães (ou seriam lobos?) em decomposição se avolumavam pelo gramado, diante do palacete bem iluminado que se erguia diante deles. As paredes eram brancas, e todas as luzes do lugar pareciam estar acesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para um mago maligno, esse cara gosta muito de luz. - Observou Dorian, ainda com uma expressão desgostosa. Lentamente, mais adiante, algo mais começou a se mexer. - Ele não vai ficar só em cachorros, vai? - Havia um toque de esperança na pergunta que os outros três ignoraram sumariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos metros diante de Sasha, a terra começou a ser revolvida de dentro para fora. E em vários outros pontos do gramado também. Folhas farfalharam, vindo de algum ponto atrás dele e também de adiante. Por algum tempo, toda a clareira se movimentava, mas nenhuma criatura pôde ser vista - apenas a casa permanecia absolutamente imóvel, como que inabitada ou alheia à brisa que soprava por ali. Cortinas, lustres, janelas, nada se movia, como se o que estivesse ali fosse meramente uma impressão de uma mansão, e não uma propriamente dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então tudo silenciou. A terra parou de se mover, as folhas aquietaram-se por um momento. E a porta da casa se abriu. Os pranchões duplos deslizaram suavemente, projetando um brilhante facho de luz dourada sobre o gramado revolvido, porém não se podia ver ninguém no interior do longo corredor além do portal de madeira branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sasha olhou por cima do ombro para os três e estudou-os. Os braços caídos ao longo do corpo esguio, ainda segurando as duas pistolas. Sem dizer nada, deu um passo adiante, e mais outro. Os três apenas observavam, enquanto a mulher avançava na direção da porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Súbito, em alguns pontos o chão voltou a se mexer. Dos fundos do palacete, uma dúzia de animais mortos-vivos trotaram para o gramado, rosnando. Alguns estavam tão decompostos que era difícil identificar o que tinham sido em vida, mas a maioria era composta de enormes cães. Remmy identificou também dois lobos, um lince, e uma raposa. Até ai, nada demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sasha, sem esperar por eles, continuou caminhando e descarregou as duas pistolas nos bichos. Metade tombou, e a outra metade avançou em sua direção. A assassina jogou as armas no chão e, de maneira quase teatral, levou a mão ao cabo do chicote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vai dar tempo! - Disse Hector, correndo em sua direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Faz alguma coisa! - Disse Remmy a Dorian, enquanto ele mesmo acendia um cigarro e tragava violentamente. A fumaça descrevia circulos preguiçosos pelo ar. - Merda, merda!!! Eu devia ter acendido isso antes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aconteceu muito rápido: O chicote de Sasha estalou e abriu um dos lobos no meio no exato instante que Hector pulava sobre o lince e, com as mãos nuas, agarrava as mandíbulas do animal com selvageria, partindo também a sua cabeça em dois pedaços. Pisou sobre a sua caixa torácica, esmigalhando-a sob o calcanhar. Um dardo flamejante passou raspando o braço de Sasha e cravou-se na testa de outro cão, e quando Hector ergueu os olhos, viu Dorian empunhando uma enorme besta e puxando outro dardo do bolso da calça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chicote de Sasha estalou mais uma vez, e a esta altura Hector já estava completamente tomado. Seus olhos eram agora de um amarelo luminoso, os dentes levemente mais pontiagudos do que os de um humano, e os dedos eram mais longos e mais pontudos. Mas de resto, ainda era completamente humano. Movia-se rápido e letal por entre os animais, rasgando-os com selvageria ímpar. Sasha abateu mais um, e Dorian acertou outro no flanco. Este, o lobisomem agarrou com ambas as mãos e atirou contra a porta de entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um baque seco, o animal colidiu com algo que os quatro não conseguiam ver. Filetes de sangue escorreram lentamente pelo ar, como se ali houvesse uma parede de vidro. O chão moveu-se mais uma vez. Estremeceu, e uma miríade de vozes se levantou juntamente com os cadáveres que saíam da terra, preguiçosamente. Primeiro as mãos, depois a cabeça e o torso. Todos aqueles eram humanos, ou tinham sido em algum momento; agora eram apenas monstros perniciosos e famintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mais zumbis? - Perguntou Hector, entre dentes. Sua voz soou levemente sibilada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olhe bem. - Aconselhou Sasha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subitamente, uma delicada renda de fumaça encobria o solo, dançando preguiçosamente entre os mortos-vivos e os quatro invasores. Hector aproximou-se de Sasha, que ainda empunhava o chicote. Dorian já estava ao lado da mercenária, porém Remmy continuava no mesmo ponto de antes, como que congelado de medo. Seus olhos estavam vidrados, e seus lábios tremulavam rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- São vampiros? - Perguntou Dorian, abismado, observando os monstros avançarem silvando e de caninos estendidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Recém-criados. - Murmurou Sasha, erguendo o cabo do chicote e estalando-o com um movimento vigoroso. Um dos monstros tombou com o toque das lâminas da ponta. - Estão famintos. - E outro, e outro. A mulher movia-se com agilidade quase sobre-humana, e todas as chicotadas vinham com graça e destreza igualmente extraordinárias. Dorian mais uma vez levou a mão ao bolso, puxando de lá mais um dardo. - Ataquem eles com fogo. Hector, eu sugiro que você use magia, e não as suas garras, contra estes... - Disse Sasha. Porém, no momento em que os jovens se preparavam para desferir o primeiro golpe, a voz de Remmy se ergueu acima dos silvos e as marolas de fumaça tornaram-se levemente incandescentes. Curiosamente, observaram eles, a fumaça passava diretamente pelas pernas dos três, sem tocá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fogo ergueu-se em menos de um segundo, e logo todos eles berraram em agonia. Tecido, cabelo e pele consumiram-se rapidamente; a carne pareceu derreter e desprender dos ossos como cera de uma vela, e os monstros chiavam alto enquanto caiam de joelhos e, em seguida, estatelavam-se no chão.&lt;br /&gt;O chão permaneceu ardendo mesmo depois dos vampiros serem carbonizados. Remmy ainda parecia entregue a uma espécie de transe, embora ele caminhasse pelo terreno com os ombros retesados e as feições duras. Todo aquele fogo, perceberam, brotava da ponta do cigarro do rapaz, rodopiava por um momento e derramava-se aos seus pés e adiante, estendendo-se até a porta do lugar. A barreira, os três perceberam, também começava a se consumir com o fogo, incandescendo suavemente, tremulando e, por fim, explodindo como uma parede de vidro atingida por uma bala de canhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi ai que viram quem aparentemente estava controlando aquelas criaturas: uma mulher nua levitava fantasmagoricamente no interior da casa, os cabelos negros ondulando como se ela estivesse dentro d’água, a boca escancarada em um grito silencioso e os revirados, brancos e cegos. Girava ao redor do próprio eixo, lentamente, e os braços pendiam pesadamente ao lado do corpo. O peito subia e descia, e este era o único indicativo de que estava viva, e no momento que Sasha deu o primeiro passo na direção do palacete, a mulher gritou. Gritou alto, cheia de terror e de dor, sobressaltando os três. A magia de Remmy lentamente retraía-se, o fogo evanescia e os olhos do jovem paulatinamente voltavam ao normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ombros daquela criatura &lt;i&gt;afastaram-se&lt;/i&gt;, de fato, o barulho de carne sendo rasgada e ossos sendo partidos estampou no rosto dos invasores uma expressão genuína de asco e horror. Sangue escorreu pelo corpo nu e violado da mulher quando a cabeça precipitou-se lentamente para cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Q... O q... - Hector gaguejava, aterrorizado, enquanto a cabeça se desprendia e erguia-se, trazendo consigo a coluna vertebral e as vísceras da mulher: pulmões abriam-se como pequenas asas sanguinolentas, o coração -do tamanho de um punho fechado- pulsava por entre eles e os intestinos levitavam ao redor, por vezes arrastando-se pelo chão. Lágrimas de sangue escorreram pelos olhos brancos e cegos, e a boca emitiu mais um grito fantasmagórico e ululante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É uma penanggalan... - Disse Sasha, a expressão de choque esmaecendo rapidamente de seu rosto. De nada adiantaria ficar com medo, agora, especialmente quando se estava cercada de crianças que, muito embora fossem talentosas, tinham pais podres de ricos. - É uma espécie de vampiro asiático. Eu avisei para esperar coisas grotescas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Remmy, acho que você estava certo: acho que eu esqueci o meu feijão no fogo... - Disse Dorian, por fim. Remmy e Hector limitaram-se a engolir em seco.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-120287740294606773?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/120287740294606773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=120287740294606773&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/120287740294606773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/120287740294606773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2011/12/marolas-do-aqueronte-parte-ii.html' title='Marolas do Aqueronte - Parte II'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-4778010552787438253</id><published>2011-12-09T18:15:00.000-08:00</published><updated>2011-12-28T14:55:10.800-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Templários'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alban'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jack'/><title type='text'>Cruz Sobre Berlim - Prólogo</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continua em:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2011/12/cruz-sobre-berlim-i.html"&gt;Cruz Sobre Berlim I &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/br&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;O alarme do carro disparou ecoando pela rua vazia. O rapaz ignorou as luzes se acendendo dos prédios ao redor e continuou sua corrida, dessa vez concentrado no que estava a sua frente. Há algum tempo corria com a atenção desvirtuada pelos barulhos nos topos dos prédios, estava tão tenso com os ruídos que não calculara direito a distância de seu corpo para os carros estacionados. Alguns moradores abriram a janela e passaram a xingá-lo, mas ele não diminuiu o ritmo, muito pelo contrário. Precisava alcançar os outros dois de seu grupo, cujos passos já ecoavam no final do quarteirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém lhe falara nada, mas claramente ele não era o único a perceber o perseguidor, o líder do trio aumentara seu ritmo depois que os sons suspeitos começaram, até um humano comum perceberia que algo os seguia. Alban olhou de relance o topo dos telhados, temendo ver algum vulto, mas nada, agora com a balbúrdia sonora provocada pelo veículo não conseguia distinguir qualquer ruído que revelasse a proximidade do perseguidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manteve a visão nas limitações da calçada imitando o caminho que os dois a sua frente tomavam e finalmente conseguiu alcançar um deles. Vinícius, um homem bem mais velho que Alban, não disse nada, o repreendeu com um olhar rápido e frio; o garoto sabia o que aquela expressão significava: se a vizinhança não dera muita importância pelo barulho o oposto ocorreu com a criatura que os perseguia. O adolescente entregara a localização exata do trio com o sopetão que dera com o carro. E daí que ele não estava habituado a correr com aquele vestuário metálico por debaixo da roupa? Seus companheiros não queriam ouvir desculpas, a expressão cizuda era uma ordem para que isso não se repetisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escolhido a guiar o trio naquela madrugada, Eric, estava bem mais a frente, virando em uma esquina. Apesar da distância e do soar do alarme, sua respiração tornara-se audível aos companheiros, em nenhum momento na última meia hora ele diminuíra as passadas e agora seu fôlego parecia chegar ao limite. A rua que escolhera  percorrer tinha menos postes funcionando que a anterior deixando Alban inseguro com a escuridão, ele segurou seus passos guiando-se unicamente pelo vulto do companheiro mais próximo até que um repentino ranger de telhas superou o barulho do alarme. Os três diminuíram as passadas, procurando a origem do ruído nas pequenas construções ao redor, Alban percebeu o movimento de um imenso animal alcançando o asfalto metros a frente. A criatura postou suas patas silenciosamente na rua e, vagarosa, foi de encontro ao grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imediatamente Eric e Vinícius pararam observando o animal com atenção. O adolescente os imitou, os olhos marrons cravados no andar felino do animal. Provavelmente um humano que observasse de relance o julgaria como uma pantera negra anormalmente grande, porém, independente do quão inexperiente ele era, Alban sabia que não era esse o caso. A névoa densa que saía da narina pontiaguda revelava traços reptilianos, o verde dos globos oculares brilhava tão intensamente que parecia criar um rastro de luz de seus movimentos. A visão monstruosa amedrontaram o garoto e ele pensou em todos os motivos (... idiotas, concluía) que o levaram até aquele país dominado por criaturas vis. Nada do que passava em sua cabeça era útil para o ataque imitente daquele demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a fera saltou sobre o que estava mais a frente, automaticamente o adolescente colocou a mão dentro do casaco segurando o cabo de sua pequena arma. Ele e Vinícius correram para socorrer a vítima, a qual tombara com o peso e rapidez do animal. O homem conseguira desviar o braço prestes a ser mordido e cravou seu stilleto no peito da criatura. Imediatamente um intenso odor se espalhou pela rua, obrigando o adolescente e o mais velho a pararem de correr tampando o nariz nauseados com o cheiro de putrefação. A falsa pantera não se abateu nem com o cheiro nem com a ferida que o provocara, simplesmente rugiu alto e expôs novamente os dentes enormes, dilacerando o braço do homem aos seus pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os gritos de pânico do companheiro incentivaram Vinícius a ignorar o odor e voltar a correr em direção a fera, mas não rápido o suficiente. Em um puxão ela arrancou o braço e o largou rugindo, preparando-se para o mais velho do trio. Alban não conseguia ir ajudá-lo, a fraqueza o dominava e vomitou o pouco que tinha no estômago, assim, impossibilitado de acompanhar a empreitada de seu mentor, limitou-se a observar a luta. A criatura pisou no rosto da vítima aleijada e ganhou impulso para pular sobre o humano, porém, ele já a esperava com a arma  prateada em punho, sibilando palavras em latim. Uma luz cintilante percorreu o fio da pequena espada no momento em que atingiu  o ombro escamado do animal. Cambaleando, o perseguidor bestial se afastou deixando um rastro negro do líquido que escorria dessa nova ferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alban conseguiu controlar a ânsia e correu para ajudar a carregar o companheiro aleijado. Sobre o olhar e rugidos do animal, os dois levaram Eric. Antes de virar no beco mais próximo, o adolescente observou por uma última vez o vulto da criatura. Ela retesava suas patas resistindo em deitar sobre o asfalto, até que o verde brilhante de seus olhos sumiu em meio a penumbra e ele ouviu um estralar, que julgou ser da pancada do monstro contra o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não era, o que ouvira antes de seguir pelos subúrbios de Berlim era o estalar de ossos. Pouco a pouco o corpo da fera perdeu volume, a penugem negra escorria criando uma grande poça sobre o asfalto. A falsa-pantera agora não passava de uma raquítica adolescente de cabelos alaranjados, manchas escuras e oleosas estavam espalhadas por todo seu corpo pálido, revelando sua relação com o rastro na rua. Jack colocou a mão na ferida, que ainda borbulhava com se houvesse sido queimada, e segurou a arma cravada. Mordeu os lábios para conter os gemidos enquanto retirava o stilleto de suas entranhas. Ele saiu imediatamente deixando um grande buraco na pele clara da vampira. A ruiva olhou o intenso brilho prateado da arma, não se surpreendendo por achar símbolos familiares no punho, afinal, conhecia apenas um inimigo que conseguia fazê-la voltar a forma humanóide contra sua vontade. Murmurou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Templários filhos da puta...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-4778010552787438253?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/4778010552787438253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=4778010552787438253&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/4778010552787438253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/4778010552787438253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2011/12/cruz-sobre-berlim-prologo.html' title='Cruz Sobre Berlim - Prólogo'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-2673512992660460332</id><published>2011-12-02T14:54:00.000-08:00</published><updated>2011-12-02T14:58:41.967-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Remmy'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ain Soph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sasha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ashtaroth'/><title type='text'>Marolas do Aqueronte - Parte I</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já fazia algum tempo que os dois estavam naquela posição, e a única coisa que se podia ouvir no apartamento era o som da televisão. Os dois garotos piscavam e moviam-se letargicamente, como se aquilo demandasse muito esforço de seus corpos juvenis. O loiro, deitado de barriga para cima na cama, deixava a cabeça pender para o vazio, os cabelos roçando de leve o piso encerado que dava abrigo ao outro, que permanecia sentado abraçando os joelhos. Os olhos cravados na tela, os rostos entediados iluminados pelas cores que pulavam da superfície vítrea e incidiam sobre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer mudar de canal? – Perguntou o loiro, enquanto observava um vampiro para lá de caricaturesco envolvendo sua vítima. Tudo parecia artificial demais, viajado demais, a começar pela criatura que caminhava à luz do dia e possuía princípios morais tão fortes, mesmo sendo tão antiga. A garota também não ajudava, uma vez que parecia querer violentar o outro, jogando-se para cima dele e pedindo para ser mordida, transformada, etc. Remmy pensava que ela provavelmente morreria, se o cara cedesse – o que ele não faria, era óbvio – e se perguntou se ela pediria aquilo a um vampiro de verdade. Não, ela não pediria. É difícil ver alguém que realmente queira morrer e que não mude de opinião na hora H. É da natureza humana lutar pela sobrevivência, ele sabia, por que desde que se entendia por gente lutava pela sua. – Se quiser, pode pegar o controle e mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte não é bonita, disso todo mundo sabe; embora seja muito mais fácil sonhar com ela, pintá-la como um filme adolescente, e iludir-se até que ela realmente te encare e clame pela sua vida. Ai sim, todos vêem que ela não é bonita. Ele pensava em como ela reagiria quando um vampiro de verdade cravasse os dentes nela, em quando ela sentisse a vida rapidamente se esvair de suas veias, e naquele segundo... naquele fatídico e desesperador segundo em que você tem certeza do que acontecerá no próximo. Ele se perguntava se ela não lutaria, e um sorriso sádico se desenhou em seus lábios. Era óbvio que lutaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pergunto-me se ela realmente pediria isso a um vampiro como o seu tio. – Brincou o moreno, apanhando o controle sem desviar os olhos da tela. Remmy soltou um risinho de deboche, e balançou a cabeça. O outro também sorriu e olhou para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu me perguntava a mesma coisa. Provavelmente o Ash não deixaria a garota pedir duas vezes... – Suspirou o garoto, mudando de posição e apoiando-se no cotovelo, para encarar o amigo melhor. – Mas eu duvido que ele realmente a transformasse. Sabe, é meio difícil parar de beber de uma vítima, quando se começa. E mesmo que ele tenha um auto-controle invejável, não acredito que ele realmente &lt;i&gt;quisesse&lt;/i&gt; parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Haha, entendo. – Riu o outro, começando a zapear pelos canais à procura de algo minimamente interessante para assistir. Em algum lugar, um relógio de pêndulo badalou três vezes. Três da manhã. – Não tem nada de bom para ver. Quer ver um dos filmes? – Perguntou, apontando para uma pequena pilha de DVDs eróticos ao lado do televisor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hah! Você não tem estômago para ver aquilo, Hector. Já viu os encartes? Os filmes com o selo da Fornicaraz são pouco... convencionais. – O moreno engatinhou lentamente até os objetos e pegou-os, voltando ao lugar de origem em seguida. Remmy já estava sentado no chão, ao lado de Hector, com um sorriso maldoso desenhado nos lábios pálidos. O dedo indicador apontou para o primeiro disco da pilha, onde um emaranhado de pessoas retratadas em trajes de couro se beijava, tocava, mordia, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A capa em si já é bastante explícita. – Riu o moreno, obviamente surpreso. As sobrancelhas arqueadas, e os pequenos olhos perscrutando cada detalhe. O dedo indicador de Remmy deslizou para uma figura da capa, cuja perna esquerda faltava; depois para outra, que embora possuísse corpo feminino, brindava a todos com um grande aparelho sexual masculino. – Seu tio é ousado! Esse tipo de coisa realmente vende? – Perguntou, com um quê de nojo na voz.&lt;br /&gt;- Você não faz idéia! – Riu o loiro, aproximando-se um pouco mais do amigo e debruçando o corpo sobre o dele, para pegar o próximo DVD que jazia na pilha do outro lado. Voltou com um onde três mulheres apareciam lambuzadas com uma substancia que lembrava barro, ou chocolate, ou... – Escatologia também é um prato cheio pra esse povo. Tem fetiche de todos os tipos, por ai. Tem gente que tem tara por balões, por pés, mulheres grávidas, gente mutilada, anões, bosta, mijadas, vômitos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hector contorcia mais e mais o rosto, evidenciando o asco que sentia a cada palavra que o amigo falava. Remmy sorriu, desta vez complacentemente, e perguntou em tom um pouco mais ameno: - Ainda quer assistir a um dos filmes dele? Se você procurar ai, deve ter algum que te interesse... Tem gosto para tudo nesse mundo, hehe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que o seu tio faz isso? – Questionou o outro, afastando a pilha e olhando para Remmy ainda com um semblante consternado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que dá dinheiro, óbvio. E por que vampiros donos de puteiros é o que mais tem por ai. Mas uma casa noturna não era o suficiente para as perversões do Ash, então ele decidiu dirigir filmes. Ele diz que isso sim é arte, não aquelas porcarias que os Ingenium fazem. Eu só não entendi como nenhum desses vampiros ainda não veio encher o saco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem filmes com vampiros? Hehe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem filmes de gente que finge ser, e bebe suco de groselha como se fosse sangue. – Disse o rapaz, simplesmente, passando o indicador rapidamente pelos encartes dos filmes, procurando por um título específico. Estalando a língua, fez questão de ignorar o celular que neste momento começou a tocar os primeiros acordes de Fresh Blood, do Eels. Hector ergueu os olhos interrogativos para Remmy, que se limitou a sorrir. – O que posso dizer? Sou um amante de lobos... – E estendeu para ele o estojo do DVD que acabara de arrebatar da pilha.&lt;br /&gt;O moreno, imediatamente, corou. Corou e desviou os olhos e gaguejou ao falar, sem graça: - Vo-você não deveria brincar com essas coisas, Remmy. Não vai atender? Deve ser...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem disse que eu estava brincando? – Respondeu o filho de Siegfried, aproximando-se alguns centímetros e olhando-o nos olhos. Sorriu, malicioso. Hector podia ver o próprio reflexo consternado no fundo dos olhos do garoto, mas não conseguia desviar o olhar. Remmy, ele sabia mas não queria admitir, exercia um enorme fascínio sobre ele. Engoliu em seco, ao mesmo tempo em que o amigo começava a cantarolar junto com a música: &lt;i&gt;- I know you're prob'ly gettin' ready for bed. Beautiful woman, get out of my head…  I'm so tired of the same old crud. Sweet baby, I need fresh blood…&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aproximou-se mais. Hector, sem reação aparente, limitou-se a prender a respiração e esperar, mas o beijo não veio. Pelo menos não da forma como esperava, pois no momento em que pôde sentir o hálito quente (e alcoólico) de Remmy, uma batida na janela chamou a sua atenção. Ali, parado do lado de fora, num parapeito do 37º andar, estava um Dorian bastante contrariado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, vão tomar no cu vocês dois! Foi para isso que você, terminou com a minha irmã, seu viado de merda? Pra pegar a porra do lobisomem? – Esbravejou, assim que se viu do lado de dentro do apartamento. Flutuava a alguns centímetros do chão, evidenciando como tinha chegado até ali, a mão esquerda segurava uma mochila enorme e tinha na mão direita um pequeno celular rosa (o celular de Mariabelle, ex de Remmy), aberto. – E foi por isso que não atendeu a minha ligação, é? Pau no cu do caralho... – A despeito do pretenso tom de irritação, Dorian sorria. Era difícil que tivesse a oportunidade de se desfazer da usual faceta de cavalheiro que fora tão magistralmente condicionado a adotar, por isso, sempre que podia, acabava cruzando todos os limites. Os garotos sabiam disso, o que não impediu Hector de corar como um pimentão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá com inveja, é? – Foi a única coisa que o loiro respondeu, aproximando-se e pegando a mochila da mão de Dorian. Hector, absolutamente embaraçado, de repente pareceu achar os encartes bizarros dos DVDs muito interessantes e instrutivos. – Tá tudo aqui? Trouxe a planta?&lt;br /&gt;Dorian sorriu, zombeteiro, balançou a cabeça e disse simplesmente: - Sim, minha rainha. Digo... princesa... digo... err... está tudo aí, Remígio! – proferiu, por fim, quando percebeu o olhar gélido com que o loiro lhe brindara. Claramente já estava indo longe demais, até para os seus padrões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque diabos você está com o celular da Mariabelle? Acabaram os seus créditos, pé-rapado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. – Deu de ombros, jogando-se no sofá ao lado de Hector e colocando os pés sobre a mesinha de centro. – Achei que seria divertido te passar uns trotes. Sabe como é, imitar a voz da Belle chorando, pedindo para reatar e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que tal parar, hein? Hec, senta aqui e vamos ver o que ele trouxe. – Acomodou-se então entre os dois garotos, e com um soco na lateral da coxa do ex-cunhado, fez com que ele deixasse a mesa disponível. Por fim, debruçou-se sobre ela e estendeu a planta, prendendo as pontas com os pequenos bibelôs de vidro, em forma de mulheres nuas em posições ousadas, que se encontravam por ali. – Então é aqui que está?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. Quer dizer, acho que é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Dracma perdida de Caronte... – Murmurou Remmy, passando os dedos sobre a planta do prédio, a mansão de um mago de renome razoável, que residia em um dos vilarejos no interior do país. Um sorriso maníaco perpassou seus lábios. Os olhos faiscaram, cobiçosos. – Quanto vocês acham que vale?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguns milhões, diria eu. Quem sabe bilhões? – Replicou a voz de Ashtaroth, aparentemente vinda do nada. Levaram alguns segundos para perceber que o vampiro estava do outro lado do apartamento, no corredor, girando a fechadura dourada da porta da sala de estar. Graças à sua audição privilegiada, conseguira pescar os últimos fragmentos da conversa, obviamente. O noturno de cabelos ruivos e ondulados, e grandes olhos de um azul profundo e malicioso estava ali, à entrada de sua própria morada, absorvendo rapidamente todos os elementos da cena que observava com aparente desinteresse. Sorria ao afastar-se com uma reverência teatral e convidar uma jovem a cruzar a soleira da porta. – Está congelando aí, querida, e você não vai querer perder isso: esses garotinhos, aparentemente, estão querendo ir atrás da Dracma de Caronte. Conhece a lenda, não é? Pensei que sim, gananciosa e malévola como só uma mulher pode ser...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sasha! – Exclamou Remmy, pondo-se de pé de imediato. Dorian e Hector continuavam ficando, embasbacados, a visitante que caminhava desinteressadamente pela sala. A mulher usava um enorme e apertado rabo de cavalo, os olhos eram de um castanho quase verde. Vestia uma calça apertada, botas de couro cru e saltos altos, e uma gabardine bege amarrada na cintura inacreditavelmente fina. – Porque está aqui? Você não deveria estar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Matando, roubando e destruindo? Precisamente... – Respondeu Ashtaroth, ainda na porta. Aparentemente ele não iria demorar, pensou Remmy. Sasha, por outro lado, carregava uma mala de viagem. – Nicole, louca de pedra como só ela consegue ser, a fez explodir todo o kremlin vampírico, acredita? Agora a coitadinha não tem para onde ir, porque está todo mundo querendo o c... couro dela, por isso ela ficará por aqui por algum tempo, entendeu?&lt;br /&gt;- Só por alguns dias. – Complementou, dando uma piscadela marota para Remmy. Não era a primeira vez que a mercenária procurava abrigo ali, mas definitivamente era a primeira vez que o fazia em posse de uma mala tão grande. Pelo que entendeu, ela tinha feito uma caca gigantesca e seria preciso algum tempo para que a poeira abaixasse, se é que algum dia isso iria acontecer. – Enquanto isso, podemos dar uma olhada nessa planta. Pelo que ouvi, essa dracma é capaz de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...trazer de volta à vida as almas que não cruzaram o Aqueronte? É, você ouviu certo. – Interrompeu Dorian, com um sorriso galanteador desenhando-se nos lábios. Pôs-se de pé também, estendendo a mão para a mulher e aproximando-se pomposamente. – Acredito que ainda não fomos apresentados, caríssima. Eu me chamo Dorian. Dorian Lancaster Hagreaves.&lt;br /&gt;Por uma ínfima fração de segundo, Sasha pareceu verdadeiramente surpresa, todavia, um átimo depois havia apenas um terno sorriso adornando seus lábios. Piscou, adoravelmente, e estendeu também a mão para ele. – O filho do conde Hargreaves? Caro Remmy, você nunca tinha mencionado o quão bem relacionado é! – O que, obviamente, tratava-se de uma mentira descarada, uma vez que era de conhecimento geral que ele costumava namorar a filha de Cain Lancaster Hargreaves; Remmy limitou-se a piscar para ela, enquanto Dorian inclinava a cabeça para depositar um beijo no dorso de sua mão. – Encantada, milorde! – Murmurou ela, dissimuladamente. Remmy, enlaçando Hector pelo ombro, aproximou-se também e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, se o que você quer é expandir a sua rede de contatos, eis aqui mais uma personalidade para a sua agendinha de telefones, Sasha: este é Hector Oleastro Terrazas, filho da senhora Adelaide Terrazas, a peeira matriarca do povo da lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez a mulher não conseguiu esconder o entusiasmo, por mais que tentasse. Afinal, de que valia tinha um mero conde, em comparação com uma Rainha? Os olhos castanho-esverdeados de Sasha faiscaram quando ela, ligeira, fez uma pequena reverência diante de um Hector ainda mais encabulado. A reação de Sasha era comum entre as pessoas, muito embora os lobisomens não encarassem Adelaide como, no sentido literal da palavra, uma rainha. Ela era simplesmente uma bruxa que calhou de ter poderes suficientes para subjugar os alfas das matilhas. Era uma Peeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Encantada em conhecê-lo, alteza! – Disse, ignorando o muxoxo contrariado de Dorian e a risadinha debochada de Ashtaroth. Remmy permaneceu empático, e Hector limitou-se a balançar a cabeça rapidamente, engolindo as palavras e corando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, eu fico mortalmente entediado com essas idiotic... digo, formalidades, principalmente quando estamos falando de um monte de pirralhos, você sabe, &lt;i&gt;caríssima&lt;/i&gt;. Por isso os deixo com apenas dois conselhos: preservem-se e não subestimem Aurel, ele tem um ou dois truques na manga que podem mandar vocês rapidinho para a cova, ou pior. Dito isso, retirar-me-ei. Espero que tenha uma encantadora estadia em meu nada humilde apartamento, querida Sasha. – Complementou, imitando caricaturescamente a mesma reverência que a própria assassina havia acabado de fazer para o príncipe lobisomem, e por fim fechou a porta atrás de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imediatamente, Remmy apanhou a mala de viagem de Sasha e se dirigiu até o quarto de hospedes no final do corredor, deixando-a com os outros dois. A mulher, apertando o rabo-de-cavalo, dirigiu-se para o mini bar na lateral da sala e bufou, irritada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem algo aqui que não seja vermelho? Estando onde estou, só a idéia de beber algo dessa cor me deixa nauseada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, você está na morada de alguém que, além de vampiro, é dono de um selo de filmes pornográficos, ma chérrie. O que você esperava, rum? Tequila?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estamos em Praga, não estamos? No mínimo, eu esperava Fernet. – Disse, servindo-se da primeira garrafa que encontrou pela frente, envolvendo o copo com um guardanapo, provavelmente para não ter que lidar com a cor da bebida. – Vocês ainda não têm idade para beber, certo? – Não esperou resposta, o que evidenciou que ela apenas não queria preparar drinques para mais ninguém. Voltou para o sofá, gingando sobre as botas de salto alto, e sentou-se no local outrora ocupado por Remmy. – Então este é o lugar? Ouvi dizer que esse cara tem uma coleção de objetos mágicos que deixaria até o seu pai louco para comprar, Rem... – Murmurou antes de tomar um longo gole da bebida. - ...vocês só querem o dracma? O resto que conseguirmos roubar é meu, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você vai mesmo conosco então? – Perguntou Hector, inclinando-se para frente, aproximando-se um pouco mais de Sasha e olhando-a diretamente nos olhos. Ainda estava rosado, mas nada comparado a antes. Ela sorriu, arqueando uma das sobrancelhas e respondeu, por fim, com a voz carregada de malícia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querido, você realmente não sabe quem eu sou, sabe?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-2673512992660460332?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/2673512992660460332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=2673512992660460332&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/2673512992660460332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/2673512992660460332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2011/12/marolas-do-aqueronte-parte-i_02.html' title='Marolas do Aqueronte - Parte I'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-5898972926031309416</id><published>2011-11-22T18:38:00.000-08:00</published><updated>2011-11-22T18:40:41.363-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Inquisição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alioth'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Laura'/><title type='text'>Máscaras</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;A forma simétrica e sinuosa do jarro era perfeitamente polida. Não havia resquício algum de ranhuras na superfície branca. As telas de alta definição arruinavam o charme de várias peças expostas no site, mas essa em particular ficara mais bela do que pessoalmente. Até a tampa - uma escultura de rosto bestial - tinha detalhes límpidos, o par de olhos compostos de pedra azul brilhava como se acabara de ser colado nos orifícios. Laura sabia que todos em frente aos seus computadores agora estavam com um olhar fascinado pela conservação sobrenatural. O artefato era irresistível, a mulher previra que seria vendida em poucos minutos e com uma bagatela mínima de um milhão. Já até tinha feito as dividas a serem pagas com a gorda comissão que ganharia. Virou o rosto para a outra tela, a que mostrava somente os nomes dos inscritos na sala virtual e o cronômetro expondo os segundos restantes para o leilão começar. Arqueou as sobrancelhas ao notar um nome familiar na lista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tsc, ele vai ganhar de novo. – murmurou passando as mãos no coque loiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhora? – questionou sua assistente, a agenda aberta em uma das mãos, caneta pronta para a próxima anotação na outra. Laura não respondeu, apenas movimentou a cabeça em negação, os olhos negros ainda fixos no nome. Permaneceu assim por mais alguns segundos até que percebeu a respiração ansiosa da jovem ao seu lado e se lembrou do motivo da garota estar ali perturbando seu raciocínio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Perdoe-me, querida, te interrompi. Pode continuar. - apontou para a agenda e seguiu até sua escrivaninha ouvindo o gaguejar da jovem ao seu encalço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, não sei se a senhora se lembra, mas é hoje às 20h a reunião com o Senhor Wilkins. Vou deixar o café e água aqui antes de ir. Tem certeza que não quer que eu fique?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laura negou com a cabeça e riu, não por estar agradecida pela iniciativa da assistente, mas por sua ingenuidade ao pensar nas necessidades do Senhor Wilkins. Café e água... Por vezes era cansativo trabalhar com uma pessoa que não sabia de toda a verdade da instituição, mas momentos assim a relaxavam, era divertido ver a garota tentar encaixar aquele cargo nos padrões normais. Sentada confortavelmente, deixou-a continuar a falar sobre recados e outras providências, fingiu interesse apoiando os cotovelos sobre a mesa em sua direção. Seus olhos observavam, impassíveis, as telas no outro extremo do escritório. Apesar da distância, Laura conseguia ver perfeitamente os números saltando, os lances apareciam em destaque e quando ela viu o valor seis vezes maior que o estipulado soube que terminara. Sim, Mathias Herbertsson ganhara novamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não tinha nenhuma ligação com museus, universidades ou instituições de pesquisa. Não era uma celebridade excêntrica conhecida, mas pelo visto tinha muitos milhões para gastar com jarros cuja função fora a de guardar órgãos de múmias.  Havia algo errado. Percebeu o silêncio no escritório, o penteado de Laura deixava todas suas rugas de expressão expostas e facilmente a garota percebeu a tensão em seu rosto. Encarou-a paciente e imaginou por alguns segundos qual seria a reação da menina se ela lhe explicasse: &lt;i&gt;“Querida, desculpe por não prestar atenção no seu precioso trabalho, mas sabe esse senhor que está comprando os artefatos? Provavelmente ele está fazendo magia negra com eles, entende? E isso não é bom. Pode ser para os negócios, mas não para, hum... a humanidade. Portanto, preciso pensar agora, preciso decidir como e quando ele deve morrer”&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconcertada pela expressão divertida que a chefe agora fazia, a menina repetiu o que havia falado no último minuto. Laura a interrompeu, o sorriso debochado já sumira e agora seu rosto só esboçava impaciência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, estava verificando o leilão e me perdi nos números – olhou de relance a tela, agora anunciando o ganhador (justamente o que previra), e continuou a falar com uma voz indiferente – Mas eu escutei da primeira vez, obrigada pelos recados. Você pode ir agora, boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laura respirou aliviada ao vê-la se afastar. Aturara a garota por nove horas, não dava mais para agüentar aquela pró-atividade, não com a chance do ganhador do leilão ser mais uma das criaturas nojentas que cobiçavam seus artefatos. Postou os olhos escuros no nome, séria, a repulsa crescendo em seu peito. Pegou o telefone disposta a resolver isso agora, mas o movimento na porta chamou sua atenção: a assistente, ao invés de ter seguido o seu caminho e ido embora da sala, estava parada sobre o arco falando com alguém na recepção. &lt;i&gt;Por que essa idiota não saiu ainda?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhora Laura, o senhor Wilkins já chegou – a garota morena notou sua surpresa, ainda faltava meia hora para a reunião, e continuou em tom mais baixo – A Sra. pode atender agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laura tentou disfarçar o quão inconveniente era aquela notícia, mas apenas conseguiu desmanchar as sobrancelhas arqueadas e pediu para que esperasse alguns minutos antes de deixá-lo entrar. Mesmo com a saída da assistente, permaneceu imóvel na cadeira por algum tempo, o rosto soturno observando a porta recém-fechada. &lt;i&gt;Não era para ele chegar agora, nem o respeito pelo horário essas malditas criaturas tem? Poderia sim dizer que só o receberia às 20h, não é, por que fui falar que o aceitaria receber agora?&lt;/i&gt; Sentiu  sua nuca umedecer com um suor frio, a repulsa anterior virara pavor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ignorou os pensamentos pessimistas e finalmente discou um número no telefone, objeto que segurou como se fosse uma arma nos últimos segundos. Após a sexta tentativa sem resposta, desistiu e ficou de pé. Faltava vinte minutos para as vinte horas, Deus estava do seu lado, se convenceu, daria tempo. Ligou para a recepção pedindo para que o Senhor Wilkins entrasse e foi até os telões do leilão encerrado. Leu novamente o nome do ganhador e sentiu sua confiança voltar. Não era atoa que tinha anos de experiência nesse cargo, era excelente no que fazia e não seria diferente nessa reunião, independente dos minutos contra a seu favor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a porta se abriu, Laura já estava calma o suficiente para dar um sorriso doce ao fitar a criatura masculina que adentrava a sala. O senhor aparentava ter uma idade aproximada a de Laura, 40 anos, tinha estatura mediana e o rosto de traços retos, sem nenhum atrativo particular, dificilmente seria notado nas ruas se não fosse os olhos. A cor de um belíssimo azul escuro era rara, mas não era exatamente isso que fascinava quem o fitasse, era o olhar intenso, dominador. Uma lembrança dos jarros pré-cristãos anormalmente conservados perpassou a mente de Laura e, então, ela estendeu a mão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o misterioso Senhor Wilkins. Demorou até um relatório comprovar o que a mulher desconfiava quando lia aquele nome como o ganhador do leilão de máscaras da era vitoriana. Um especialista afirmara que elas eram pertencentes a uma das criaturas demoníacas capturadas pela instituição há centenas de anos. Sua afirmação não era baseada apenas nos detalhes similares dos objetos, mas pelo material em comum: sangue, pele e cabelos humanos. Isca perfeita. Laura deixou os leilões das máscaras continuarem até que, em sua nona compra, um relatório completo chegou a sua mesa. Confirmado: Robert Wilkins era inegavelmente um vampiro e não um simplório. O maldito cliente pertencia à antiga linhagem... Agora, pela primeira vez, Laura apertava a mão de um Vox Régius:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um prazer recebê-lo, Senhor Wilkins! - sua voz soou calma, como sempre em ocasiões como essa, mesmo que o toque gélido a enojasse profundamente; escutou a resposta padrão dele e se livrou da mão fria. Apontou para uma das três poltronas da mesa circular – Por favor, fique à vontade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele esperou que Laura sentasse antes de escolher seu lugar, bem ao seu lado, e negou a oferta da assistente. Sim, claro que ela tinha que oferecer café, água e chá:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querida, muito obrigada, você pode ir agora. - Laura a dispensou e somente após sua saída do cômodo voltou-se para o cliente, cujos olhos não pararam de encará-la por segundo algum – Confesso, Senhor Wilkins, que fiquei surpresa quando seu advogado entrou em contato novamente. Achei que o certificado técnico seria o suficiente para sanar suas dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é direta. - ele sorriu sem mostrar os dentes e relaxou o corpo no encosto da poltrona – Esperava que até me oferecessem uma massagem em um Spa antes de começar a falar nesse assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é por isso que está aqui? - a loira retrucou mantendo a coluna mais ereta do que o normal, firme para não ceder ao peso que aqueles olhos pareciam impor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, sim! Mas veja, eu dei muito dinheiro a vocês ao longo desse ano e provavelmente darei mais caso tenham outras máscaras do tipo. - seu tom de voz, assim como seu rosto, era indiferente, como se estivesse lendo polidamente uma publicação - Porém, se o que eu questionei vier a público, a reputação da empresa poderá ser arruinada, então... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mais um motivo para irmos direto ao assunto, não, senhor Wilkins? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- … como eu dizia, eu gostei de sua postura, e isso é raro. - ele esboçou um leve sorriso e liberou-a do olhar. Observou as próprias abotoaduras douradas por um tempo, passando os dedos nos detalhes em relevo enquanto continuava a falar – É bom mesmo que saiba que bajulação alguma me impedirá de processá-los caso não me mostrem todos os registros dessas máscaras. Fotos de quando as encontraram, local, relatório do estado de conservação. Tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A avaliação técnica...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já li a avaliação técnica e ela está errada, senhorita Ortez.- O vampiro a interrompeu encarando-a, sua voz soava agora tão dura quanto seu olhar - A máscara foi modificada. Ela tem material não original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher observou de relance a cortina balançando, o vento noturno refrescava o escritório espalhando um cheiro de mata molhada, porém Laura sentia que não havia mais nada reconfortante naquele lugar. Ansiava por olhar o relógio no pulso, mas se segurou e continuou a encarar a criatura vil:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor Wilkins, como já disse para seu advogado, nós não alteramos as composições de nossos artefatos. Nunca fizemos restaurações, apenas limpamos as peças. Por que seria diferente com essas máscaras? O senhor comprou várias de nós, não temos motivo algum para alterar apenas uma, especialmente um pequeno detalhe como esse! - mentiu, surpresa em como conseguia manter um tom de voz tão honesto independente do desconforto físico que aumentava a cada piscar de olhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pequeno detalhe … - o vampiro murmurou inclinando o corpo para a mulher, manteve a boca semi-aberta como se fosse completar a sentença, mas não o fez. Crispou os lábios após um segundo e então sorriu. Não como os sorrisos tímidos anteriores: nesse ele expôs os caninos inegavelmente anormais. Passou os dedos no próprio rosto, delineando a linha de contorno de uma máscara dizendo – O acabamento nas bordas desta última é de sangue animal, senhorita Ortez,  e em todas as outras máscaras a mistura do gesso tem &lt;b&gt;outra&lt;/b&gt; composição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que Laura pudesse retrucar ele agarrou seu pulso com uma mão e seu queixo com a outra, inclinando-a em sua direção. Ela havia percebido a mudança de postura em seus braços, a ameaça do movimento, mas não fora rápida o suficiente para se afastar e agora o susto pela prisão repentina era óbvio em seu rosto delicado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe o que é, humana. Eu sei que sabe – Sussurrou, claramente se divertindo com os gemidos de dor que ela emitia, o relógio dourado cedia a pressão dos dedos do vampiro e cortava-lhe a carne. Laura sempre soube do risco de se conversar com um Vox Regius. Muitos da Instituição já lhe alertaram que eles podiam mover objetos com a mente e, o pior, poderiam ler seus pensamentos. A dor que ela sentia nas têmporas parecia lhe gritar que essa última possibilidade era real e tentou não pensar em nada enquanto ele a encarava bem próximo, mas já era tarde. - Você sabe que é sangue humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher ouviu o relógio se estilhaçar antes de seu corpo ser jogado no outro extremo do escritório. Olhou para o lado, confusa e ao mesmo tempo fascinada com a precisão do vampiro: por alguns centímetros ela não caíra na estante repleta de livros e objetos o que geraria um barulho muito mais estrondoso do o som oco de seu choque com a parede. Ele se aproximou mais rápido do que seus olhos puderam acompanhar e a ergueu pelos ombros. Laura não ousaria gritar, mesmo que houvesse mais alguém no escritório ninguém conseguiria impedi-lo, porém, precavido, ele tampou sua boca:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe da natureza de quem criou essas máscaras, sabe quem as compraria e ainda assim se arrisca a modificá-las? Para quê? - o vampiro não esperava uma resposta audível, óbvio, e a mulher nem ao menos tentou fazê-lo. Gemia involuntariamente com a enxaqueca e a falta de ar provocada pela pressão no pescoço que ele apertava levemente. Não queria pensar na hora. Não devia, ele saberia caso ela pensasse! Precisava ignorar sua esperança, deixar somente o pessimismo gritar em sua mente, entretanto era impossível manter a mente sã com as agulhadas de dor em seu cérebro. Wilkins fitou intensamente seus olhos lacrimejantes por alguns segundos e, então, com um rosto soturno, murmurou - Inquisição? Você é uma inquisidora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laura sentiu o coração acelerar, pronta para que seu pescoço fosse esmagado pelo ódio da criatura vil e fechou os olhos determinada a não demonstrar seu desespero. Rezava, tranquilizando-se que, se Deus quisesse que ela morresse agora, lutando pela causa, assim seria. Pelo menos havia matado muitos desses demônios, era uma boa cristã e um bom cristão não teme seu pós morte. Foi um pouco antes do “amém” que ele a soltou abruptamente. A inquisidora caiu de joelhos no chão e abriu os olhos a tempo suficiente de ver um vulto avermelhado puxando o vampiro para longe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Graças a Deus... - sussurrou ainda de joelhos no carpete. Acompanhava as formas difusas tentando se concentrar e entender os movimentos rápidos demais para os seus olhos humanos. Passou a mão no coque bagunçado, colocando atrás da orelha as mechas loiras que se soltaram. Sua visão era limitada, mas ouvia nitidamente o som fino de lâminas diferindo golpes, um som distinto lembrou-lhe do rasgar de pele e músculos e pôde, então, ver a forma das duas criaturas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles caíram justamente sobre a mesa de reunião. O vampiro se contorcia tentando se livrar da pequena criatura ruiva que pulara em suas costas e envolvia seus ombros com a perna. A mulher reparou nos ferimentos no peito de Wilkins, sua camisa branca e terno estavam ensanguentados dos cortes precisos que Alioth desferira. Ágil, o elfo puxou os cabelos do imortal, expondo seu pescoço para as lâminas afiadas. Laura virou o rosto, enojada, ao ver os fios avermelhados se rompendo. O desconforto cresceu quando ouviu a cabeça rolar e levou a mão a boca certa de que vomitaria, não suportava aquele cheiro de sangue que envolvia o escritório. Ele quase a matara e ainda assim ela se sentia desconfortável com a situação. Não havia vida, apenas morte naqueles corpos, decepá-los era apenas a continuidade do plano divino, se convenceu abrindo os olhos e encarando os olhos semicerrados do vampiro. A alma não deve permanecer no corpo após a morte física e é isso. Estava liberando-os para que fossem julgados por uma força superior, certo? Libertação, não assassinato, sussurrou, pálida, observando o rastro de sangue deixado pela cabeça. A voz de Alioth dissipou seus pensamentos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pensei que era às 20h. Me enganei? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se limitou a negar com a cabeça, ainda estava atordoada, contudo seu olhar brando demonstrou que estava agradecida. A criatura ruiva não esboçava raiva, muito menos desdém pela recente vitória. Encarou-a indiferente por alguns segundos, talvez aguardando uma ordem ou uma represália. Alioth fora pontual, ela tinha certeza, o elfo nunca a desapontara anteriormente. Precisava dizer a ele de quem fora a culpa por esse estardalhaço todo? Sim, precisava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele apareceu mais cedo... -  as estranhas pupilas estreitas pareciam julgá-la, e ela arqueou os ombros e se levantou – Eu achava que conseguiria entretê-lo antes de você chegar. Claramente, falhei, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, o elfo quem deu de ombros. A postura distante não incomodava Laura, muito pelo contrário, essa natureza etérea a encantava, eram criaturas muito mais racionais do que os humanos. Observou-o arrastar o corpo para perto da janela e, só então, reparou no rastro de sangue que manchava a tapeçaria turca. O bordado estava arruinado para sempre, sabia que aquela mancha não sairia e fez uma careta a qual não durou mais que alguns segundos. Um tapete com sangue vampírico seria uma boa moeda de barganha para os pesquisadores inquisidores ou ... &lt;i&gt;“Ah, os magos pagariam bem caro por isso”&lt;/i&gt;. Sorriu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alioth, quando eu for te pagar, me lembre que te darei um bônus, está bem?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:75%;"  &gt;&lt;br /&gt;Mais sobre &lt;b&gt;Alioth&lt;/b&gt; você pode conferir no conto &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2009/01/malleus-maleficarum-prlogo.html"&gt;&lt;b&gt;Justiça Carmin&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; e em alguns capítulos de &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2009/04/malleus-maleficarum-capitulo-i-noite-de.html"&gt;&lt;b&gt;Malleus Malleficarum&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o primeiro conto da &lt;b&gt;Laura&lt;/b&gt;, mas os Inquisidores aparecem também no conto &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/07/clair-de-lune-pt-i.html"&gt;&lt;b&gt;Claire de Lune&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que tenham gostado. Fiquem atentos que no mês de &lt;b&gt;dezembro&lt;/b&gt; não apenas começará uma &lt;b&gt;nova Crônica&lt;/b&gt; como também faremos diversos &lt;b&gt;sorteios!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-5898972926031309416?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/5898972926031309416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=5898972926031309416&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/5898972926031309416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/5898972926031309416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2011/11/mascaras.html' title='Máscaras'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-7259179689837553763</id><published>2011-11-09T18:01:00.000-08:00</published><updated>2011-11-13T08:28:43.826-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Inquisição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resgate'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hans'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Adrian'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ekaterina'/><title type='text'>Clair de Lune - Final</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/12/clair-de-lune-pt-4.html"&gt;Clair de Lune - pt 4 &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Inicio em &lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/07/clair-de-lune-pt-i.html"&gt;Clair de Lune pt 1 &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estou enxergando, vem!! - sussurrei para Kath puxando-a para me acompanhar pelo apartamento. Estávamos na metade do corredor quando ouvi um gemido de dor. Ekaterina parou e levou as mãos ao nariz com uma estranha expressão no rosto. Permaneceu assim por alguns segundos e então, subitamente, correu em direção ao quarto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apressei os passos para acompanhá-la e só quando cheguei no cômodo entendi o olhar selvagem que vira no corredor: Henry havia esfaqueado o mago. Seu corpo estava caído sobre a cama, o sangue encharcava seu tórax. Tecido, pele e órgãos se misturavam a cor avermelhada e o lençol começava a ganhar aquele mesmo tom. Ekaterina agarrara o mercenário no momento em que ele se preparava para abrir a garganta do estudante, mas já era tarde. Ela conseguira achar o quarto e localizar o caçador graças ao enfraquecimento da trama negra. Os fios de magia escorriam pelo lugar. O garoto estava morrendo e, com ele, sua magia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi horrível, fiquei ali parado por um tempo observando o corpo inerte, não havia mais o que fazer. O estardalhaço da luta entre a vampira e o maldito inquisidor me despertaram do horror daquela cena. As lâminas das adagas de Henry brilhavam na fraca iluminação do quarto, ele tentava incessantemente acertá-la em vão. Ekaterina era muito mais rápida apenas empurrava-o de leve contra a parede e deixava-o voltar às tentativas fúteis. Parecia que brincava com ele, talvez estudava seus movimentos. O olhar feroz do mercenário rapidamente se transformou em desespero, ele estava encurralado como em uma ratoeira e queria fugir, era óbvio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sabe que muitos mercenários praticam magia, especialmente os que matam criaturas como vocês, não adianta só saber os pontos fracos, ser um bom estrategista ou ser um exímio lutador. Quando se é pego de surpresa por um imortal ou por um mago poderoso, habilidades humanas não são o suficiente. Acreditava que Henry tinha algum tipo de poder, afinal, ele vira os fios no instrumento de Egor,  tentara desmanchar o feitiço de proteção do apartamento … O guia da cidade estava cheios de rastros mágicos, fortes demais para uma pessoa com um talento superficial para a coisa. Contudo, em nenhum momento ele tentou conjurar uma magia naquela situação e era exatamente isso que a Ingenium verificava ao provocá-lo com leves empurrões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela segurou seus dois pulsos, obrigando-o a encará-la. A expressão raivosa que eu vira anteriormente no rosto de Ekaterina não era nada comparada com a que vi naquele momento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu preocupada por haver esquecido meu sabre... Como você é fraco! – desdenhou exibindo os dentes e pude ouvir os ossos de Henry estralarem. As adagas caíram no chão e ele começou a se ajoelhar sobre a força da vampira, era nítido o esforço dele para não gritar.  – Você veio até minha morada tão ansioso para matar um vampiro e nem conseguiu me atingir agora, mesmo eu não usando metade da minha velocidade. Covarde. Pretendia nos atacar de dia, não é? Ou com vários inquisidores ou quem sabe... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela o obrigou a ficar de pé novamente e reparei como a respiração ofegante de Henry começara a ficar audível. Ele deixou escapar um gemido, mas não pela dor, era desespero por não conseguir inspirar direito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem te deu esse guia? Foi um mago, não foi? - a vampira questionou ferozmente e então reparei no movimento de seu tórax. Ela parecia respirar. A cada inspiração tortuosa dele eu tinha mais certeza que Ekaterina sugava seu ar, alimentando-se daquela respiração como uma humana. Até seu tom de pele parecia ganhar uma coloração mais... viva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se Henry percebia exatamente o que acontecia, mas estava apavorado. Balançou a cabeça em negação algumas vezes até que desistiu e gaguejou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Or.. or.. dem. - Kath o largou e me encarou enquanto ele completava - Ordem Francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A face soturna da vampira não esboçava surpresa alguma com aquela resposta. Algo em sua expressão me fez crer que ela desconfiava disso desde que conversara com Eugéne e só o forçara a falar a resposta para que &lt;span style="font-style:bold;"&gt;eu &lt;/span&gt; ouvisse, para que &lt;span style="font-style:bold;"&gt;eu &lt;/span&gt; soubesse. A ordem de magos parisiense que sempre acolheu tão bem os estrangeiros decidiu desencorajar a imigração. Covardes filhos da puta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henry estava de joelhos, inclinado sobre o chão e recuperando o ar inspirando desesperado pela boca. Eu queria lhe perguntar dos motivo dessa mudança de comportamento da Ordem, se estavam confabulando com a Inquisição, ou se ele agira como um agente duplo. Enfim, tinha muitas perguntas, mas antes que eu pudesse me aproximar dos dois, o mercenário chutou os joelhos de Ekaterina e tentou fugir aproveitando-se do pulo que a vampira dera para se esquivar do golpe. Mesmo com a falta de fôlego, Henry era rápido e em um segundo já pulara sobre a cama e estava prestes a sair pela porta quando a vampira o alcançou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogou-o no chão sem dificuldade e calou sua boca quando ele começou a gritar. Sem pestanejar, cravou os dentes em seu pescoço. Henry me olhava suplicante implorando ajuda. O corpo do mago assassinado covardemente estava ali bem ao seu lado, como o desgraçado ousava me olhar daquele jeito? Lembrei de todos os nomes marcados no mapa, de todos os conhecidos que desapareceram em Paris e o odiei. Contudo não foi a ausência de empatia que me manteve atônito, foi a ferocidade com que Ekaterina o atacava. Espera-se que um vampiro beba o sangue do pequeno corte provocado pelos caninos, era isso que eu esperava, mas Ekaterina rasgara a jugular com furor. Arranhava, mordida, bebia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E, então, você vomitou. - Adrian riu. Havia sentado casualmente no chão ao longo da narrativa e permanecido em silêncio até agora: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim... - Hans murmurou, a resposta foi quase inaudível em meio aos sons da tempestade que caía fora do calabouço. Olhou taciturno para as algemas entediado por voltar ao seu presente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela era uma Ingenium... toda essa fome provavelmente era destinada ao sangue do mago que estava na cama. Ela não o abocanhou por respeito a você, hum? Poderia ser pior. - Aguardou alguma reação do prisioneiro, mas Hans só deu de ombros. Adrian insistiu – Você continuou em Paris, já que foi assim que conheceu Ashtaroth, mas e ela? Você a viu novamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mago alemão encarou o rosto cheio de escárnio do vampiro e permaneceu em silêncio por alguns segundos. Sentia uma estranha dormência nas têmporas e um cansaço anormal mesmo para o seu corpo atrofiado dos dias de aprisionamento. Fechou os olhos irritado com o significado desses sintomas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Adrian, estávamos conversando sobre o meu primeiro contato com vampiros e é isso. Uma noite de sangue e vômito. Chega desse assunto...- apesar de sua seriedade, o tom de voz e olhar eram brandos. Fora um pedido amigável e o vampiro o atendeu. Sorriu olhando a hora em seu celular e foi até a saída do minúsculo cômodo. Porém antes de abrir a porta, começou a falar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ele vomitou uma vez. Duas. Na terceira vez, conseguiu alcançar o banheiro. Ficou ali por um bom tempo, o estômago doendo de fome e ânsia. Lavou o rosto querendo esquecer o que havia fora no quarto. Era sangue demais. Enxugava o rosto quando ouviu a voz da vampira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É melhor você ir, garoto, eu cuido do resto – Hans a observou pelo reflexo do espelho, estava menos suja de sangue do que ele esperava, contudo era o suficiente para que sentir o estômago doer de novo. Respirou fundo lavando novamente sua boca e controlando a ânsia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Eu vou te ajudar. Só.. preciso de um tempo. - Um tempo para digerir a chacina planejada pela Ordem que o acolhera. Um tempo para ignorar o que acabara de presenciar no quarto. Era demais para um mago inexperiente como ele. - Eu não entendo. A Ordem Francesa é conhecida por acolher os magos de toda a Europa. Se unir justamente com os inquisidores... Eu costumava ser até bem devoto antes de toda a merda que eu vi na Alemanha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sua fé mudou pelo o que os fanáticos fizeram lá? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Digamos que eu não sigo mais nenhuma religião... - Hans se afastou da pia, dando espaço para ela entrar e lavar as unhas imundas. O sangue escorria pelo ralo enquanto Ekaterina esfregava as mãos, mesmo após o assassinato seu rosto mantinha o ar raivoso anterior. Hans encostou-se no batente, incomodado com a naturalidade que ela tirava o vermelho dos dedos. Murmurou - E agora, a Ordem que eu confiava faz uma merda dessas. Puta que pariu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem nada a ver com religião, garoto. Não perca seu tempo tentando entender os inquisidores ou a posição política da sua Ordem. É só simples e puro ódio. - encarou-o pelo reflexo e exibiu os caninos em um sorriso cínico - Vampiros, humanos, magos, inquisidores, nós todos escolhemos um alvo de nosso ódio e desenvolvemos infinitas desculpas para racionalizar isso. Não tem nada a ver com fé ou política, é só ódio e ilusão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E qual é a desculpa para o seu ódio? - Hans ousou perguntar. O tom de voz soou mais rancoroso do que ele gostaria, mas manteve o olhar nos olhos cinza que, óbvio, o fulminaram. O mago temeu a reação da vampira, sentiu o peito pesar por todo o tempo que se encararam em silêncio até que ela se inclinou para lavar o rosto. Respondeu ignorando o reflexo do mago, sua voz mais rouca do que nunca:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sei mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes disso, antes desse encontro, o mago realmente acreditava que todos os vampiros eram um bando de aberrações que não tinham função alguma no equilíbrio terreno, julgava todos como se fossem um tipo de parasita que se deve exterminar sem exceção. Mas com essa conversa ele percebeu que poderia … se identificar com um deles. “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adrian se virou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, Hans. Desculpe-me, mas tanto rancor, tanta nostalgia em seu cheiro, era impossível não invadir sua lembranças! Sua mente ficou totalmente exposta! - debochou, nem um pouco envergonhado - E essa sua memória é incrível, hein? Você lembra de todos os detalhes que quer! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mago alemão não esboçava raiva alguma pelos comentários, o cansaço era evidente em seus olhos semicerrados. Há dias recebia a visita do Vox, já imagina quando fraquejaria em sua presença. Mordeu os lábios tentando se manter acordado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se preocupe, humano, não vou fofocar sobre... isso que te  preocupa, mas infelizmente não posso ignorar suas habilidades. Eu sei do que você é capaz. E do que essa vampira é capaz de fazer por você. Não posso ignorar isso, certo? Volto mais tarde, vou te levar para um lugar novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hans ouviu a porta bater deixando-se levar pelo sono que o consumia. “Isso que me preocupa...” murmurou em um sorriso triste, esperançoso que Adrian cumpriria o que falava. Não o incomodava que o vampiro soubesse da intimidade que ganhara posteriormente com Ekaterina. Isso não o afetaria em nada. O problema era o que fariam se descobrissem que a Voz dos Ingenium, a temerosa assassina do Indulto de Sangue, ainda estava viva.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:80%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narração de Clair de Lune acontece antes dos eventos da Crônica Resgate. Para saber mais sobre Hans e Ekaterina é só ler a Crônica &lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/08/clair-de-lune-pt-3.html"&gt;aqui &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso, gente, desculpa  a demora para finalizar, praticamente um ano, mas tive outras pioridades nos últimos meses que quebraram o ritmo da escrita... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que tenham gostado. Não gostaram? Me xinguem aí embaixo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada a todos que continuaram a nos divulgar e comentarem aqui e no twitter, especialmente o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;@JotaFF, o @SnakeTnTaylor e o @professorvaz!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui a 15 dias postaremos outro conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-7259179689837553763?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/7259179689837553763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=7259179689837553763&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/7259179689837553763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/7259179689837553763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2011/11/clair-de-lune-final.html' title='Clair de Lune - Final'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-821969030203164017</id><published>2011-11-08T14:10:00.000-08:00</published><updated>2012-02-12T17:23:09.940-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Inquisição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hans'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ekaterina'/><title type='text'>Clair de Lune pt  4</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/08/clair-de-lune-pt-3.html"&gt;Clair de Lune - pt 3 &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aonde ele está agora? - sua expressão estava transformada, não parecia mais uma musa exótica de olhar indiferente. Era muito claro que se não fosse por seu mentor ela já teria cravado os dentes nele. Porém, mesmo com a vampira sufocando-o pela gola, o inquisidor manteve uma expressão calma e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O nome dele é Henry. Solte-me. Vou te contar o que sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela aceitou o pedido e o largou. Os olhos cinza o acompanharam pelo cômodo enquanto ele se afastava. Éugene não parecia estar nem um pouco abalado pela chacoalhada que levara, foi sem pressa a uma das diversas escrivaninhas do lugar e pegou um pequeno livro abrindo-o cuidadosamente. Sua encadernação era peculiar, cada dupla de página se desdobrava em um grande mapa mostrando alguma área da cidade de Paris. Ele desdobrou uma dessas páginas e estranhei os fios multicoloridos percorrendo a superfície do papel. Não, não era algum efeito de impressão, aqueles pontilhados não seriam visíveis a um humano comum. Eram rastros de magia, bem sutis, não eram densos e prontos para serem manipulados como o que preenchia a pequena peça que a vampira me mostrara anteriormente. Esses sobre as ruas desenhadas denunciavam que algum mago manipulara anteriormente aquela encadernação, eram praticamente uma digital mágica. A voz do inquisidor interrompeu o que eu pensava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hoje é o 14a dia que Henry está na cidade. Então, hoje ele matará o 14a bruxo - disse batendo o dedo na anotação à caneta sobre o mapa, a escrita formava justamente o decimal que ele citou, adicionado de duas letras as quais eu, que já estava ao seu lado, li em voz alta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “L.D”? São as iniciais do nome dos magos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que o idoso me respondesse, concluí a resposta observando a outra anotação sobre aquela região, mais uma dupla de letras acompanhada de um número. A vampira fez o que eu estava prestes a fazer: sorrateira, puxou o guia e passou a folheá-lo. Ela murmurava ignorando os dedos nervosos do inquisidor requerendo o objeto de volta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem tantos nomes marcados aqui, não para a quantidade de magos que eu imagino que habitam Paris. Somente os estrangeiros estão aqui? Ora... - fechou o livro observando a capa chamativa do guia – Quem deu isso para vocês? Isso aqui não pode ser da Inquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éugene colocou as mãos nos bolsos e se afastou respondendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu apenas recebi isso de Henry, ele tem um similar... Não sei detalhes - pegou uma coleira atrás da porta e prontamente o cachorro reapareceu, correndo para os seus pés, ansioso pelo o que significava aquele ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kath não repetiu a pergunta, manteve um longo silêncio enquanto fitava o idoso acariciando o animal. Percebendo a insatisfação com sua resposta, Eugéne colocou o acessório no cão e completou o que dissera:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu realmente não sei. Apenas desconfio que não seja nosso – disse incisivo, colocou-se de pé e apontou para o vão da porta - Agora, por favor, eu preciso levar o cachorro para passear...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não questionou a expulsão, me entregou o guia e foi até a porta olhando por alguns segundos a corda da coleira branca antes de sair. Disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tsc, pena que a &lt;b&gt;sua&lt;/b&gt; enforcadora não é visível, Éugene.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei atônito com o sarcasmo e por ter certeza que ia dar merda se ele a respondesse. Eu queria sair dali o mais rápido possível, queria impedir um assassinato... Ficar discutindo e pensando em quem deu o guia e planejou tudo não passava pela minha cabeça naquele momento! Porém, ela não esperou a resposta (que certamente viria) e desceu a escadaria. Satisfeito por não precisar impedir uma briga eu a segui ignorando o início das ofensas do velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ida até ao endereço foi um saco. Ekaterina não me deixou observar o mapa e também nem fez questão de me indicar o caminho. Folheava incessantemente o guia, forçando as dobras e xeretando a costura do miolo. Aquele interesse me fez pensar se ela conseguia ver os rastros de magia também, mas aquelas digitais seriam percebidas por raríssimos magos, seria impossível vampiros perceberem algo tão específico da minha espécie. Estaria daquele jeito só desconfiar da origem do livro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style:italic;"&gt;E daí que o mapa não é dos inquisidores&lt;/span&gt;?!” tinha vontade de gritar, irritado por andar à vinte por hora esperando algum indicação da parte dela. Hoje, se isso fosse parar em minhas mãos naquela situação, eu estaria daquele jeito também. Raciocinar quem estava colaborando com a matança, o porque, é fundamental, porém, preciso lembrar que naquela noite eu era um garoto inexperiente? Eu reagia aos problemas conforme eles chegavam até mim, e, aliás, a preocupação de caçar um mercenário sem um plano, de novo, me desconcentravam o suficiente naquele momento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Ekaterina se cansou do livro e passou a me guiar pelo subúrbio parisiense, rapidamente chegamos ao local. Andamos em silêncio até o edifício, ele era bem mais moderno e alto do que o que eu morava na época, contudo tinha o mesmo o inconveniente de ser sobre um pavimento comercial. Apontei a pizzaria para a vampira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso é bom, certo? Com a pizzaria funcionando ele não deve ter feito nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depende. Na verdade, isso só garante que ele tenha dificuldades em sair com o morto. – respondeu atravessando a rua, continuou a falar indiferente sem nem me deixar digerir a resposta pessimista  – A dúvida é, como garantir que ele não saia do apartamento enquanto entramos e subimos no prédio? Ele pode muito bem fugir deixando o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda “&lt;span style="font-style:bold;"&gt;não tem corpo... &lt;/span&gt; – contestei murmurando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observei o prédio para ignorar a expressão cínica dela e avistei algo bem peculiar. Duas grandes janelas do 3º andar exibiam uma estranha forma etérea, a única coisa que se via dentro do apartamento eram fios enegrecidos que se cruzavam densamente. O formato era típico de um feitiço de proteção, mas estranhei a cor, mesmo que seu criador seja um inexperiente metido a Harry Potter, ele é tremeluzente. Observei que haviam alguns buracos na trama e xinguei. Infelizmente a vampira estava certa, Henry já estava lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri até a porta do prédio e Kath me seguiu, antes que me questionasse eu já estava com a chave do citroen em mãos, envolvendo-a e convencendo-a com meus sussurros que agora ela não era uma chave de carro. Ela era uma chave-mestra e abriria qualquer porta. É. E funcionou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kath passou por mim enquanto subíamos a escada, me fitava com grandes olhos indagadores e só então eu expliquei sussurrando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O desgraçado já está lá. Acho que ele quebrou o feitiço de proteção do apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Imaginei mesmo que você vira algum abracadabra assim... – ela disse com um sorriso astuto – Mas o que eu quero saber é como fez isso com a chave!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixou eu responder, seguiu a escadaria rapidamente, deixando apenas tênues vultos de sua forma no caminho. Minutos depois, sem fôlego, eu cheguei ao terceiro andar. Ignorei minha ansiedade e andei vagarosamente até o apartamento 303. O silêncio do lugar me preocupou, esperava barulhos de luta, no mínimo vozes, e no entanto só conseguia ouvir minha própria respiração ofegante. A porta estava entreaberta e a empurrei cauteloso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pequena sala estava tomada pelos fios protetores, os móveis e paredes se mantinham intactos, nada estava alterado, mas podia sentir que as energias do lugar estavam estranhas. Avistei o caçador bem próximo ao batente que dava acesso ao outro cômodo, estava envolto pelos mesmos fios do resto do ambiente. Ele me encarava arregalando os olhos a cada ranger da porta, segurava as adagas pronto para atacar, mas ao invés de correr em minha direção, cortava o “nada” a sua frente. As nuvens negras ao seu redor espalhavam-se com o movimento, como se fossem poeira, e em meio  a essa penumbra reparei na expressão de dúvida de seus olhos, ele não me via ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei a vampira, ainda próxima da entrada do apartamento, sem saber se ela também percebera aquilo. O jeito cauteloso como fitava o local também era bem estranho, como o caçador, ela parecia que não me via, muito menos o inimigo no oposto da sala. Concluí que eles não estavam enxergando o cômodo como eu que distinguia perfeitamente os móveis daquela névoa escura. O matador não quebrara o feitiço corretamente e, ao invés de extingui-lo, mudou seu efeito sobre o lugar criando uma ilusão de escuridão para inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observei Kath se movendo para a sua direita, provavelmente tentando voltar a entrada do apartamento. Segurei sua mão, disposto a planejar com ela o que fazer já que eu não conseguia lembrar de nada que pudesse conjurar para manipular aqueles fios ao meu favor. Ela aceitou a ajuda, envolvendo meus dedos e se aproximando da saída mais rapidamente, porém, antes que eu pudesse tirá-la da escuridão, passos arrastados soaram no outro cômodo. O estudante “D.L” acordara e agora seus ruídos alertaram o caçador, guiando-o sem hesitação até a entrada do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:80%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.manuscritosdassombras.com.br/2011/11/clair-de-lune-final.html"&gt;Continuação: Clair de Lune Final &lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Erros de português como &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O fitando&lt;/span&gt; são propositais, pois não acho que o Hans falaria formalmente (fitando-o) a todo o momento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;** Esse post foi postado ano passado e "recolhido" posteriormente para revisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*** Obrigada aos que continuaram nos seguindo e fazem comentários aqui e no twitter :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-821969030203164017?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/821969030203164017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=821969030203164017&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/821969030203164017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/821969030203164017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/12/clair-de-lune-pt-4.html' title='Clair de Lune pt  4'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-3360492723147776169</id><published>2011-02-02T13:43:00.001-08:00</published><updated>2011-11-07T06:08:39.029-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Remmy'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resgate'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ashtaroth'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fais'/><title type='text'>Sibilar</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:80%;"&gt;&lt;br /&gt;Acho esse post mais inofensivo do que as cenas dos casais da Malhação, mas ainda assim, para a tranquilidade da minha consciência, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;não recomendo a leitura se você tem menos de 12 anos.&lt;/span&gt;  Espero que gostem e comentem, é bom ler coment em e-mail e no msn, mas dá dó de ver o blog sem comentários... Se odiarem, comentem também.&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;------ &lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Open your eyes and see me&lt;br /&gt;tell me its not too late&lt;br /&gt;whisper to me of a sad song&lt;br /&gt;weighing us down in shame ...”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os murmúrios interromperam aquele ritmo musical que hipnotizava sua mente nos últimos minutos. Demorou até perceber que a demonstração de prazer saía de seus próprios lábios. Abriu os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Identificou o teto, a iluminação, os quadros. A carícia em seu ventre a fez cerrar os olhos involuntariamente e fechou a boca silenciando o novo arfar que se formava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“... and with every kiss i resented you&lt;br /&gt;because your feelings never got in the way”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música insistia em voltar a sua mente dissolvendo seu raciocínio. Era a música do clipe que passava na TV quando ela chegou ao local, quando perguntara sobre a garota. Há quanto tempo variava entre o deleite das carícias e aquela trilha sonora mental?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“maybe just one more dance&lt;br /&gt;cuz thats as close as we're gettin to a true romance”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedos frios exploravam delicadamente sua camisa, acompanhando a língua que descia cada vez mais para a região do ventre. Ela abriu novamente os olhos púrpura e dessa vez perseverou, conseguiu mantê-los abertos tempo suficiente para mirar no responsável pelo arrepio que lhe percorria o corpo. Os fios avermelhados roçavam na parte desnuda da camisa entreaberta e a impediam de ver exatamente o que ele fazia, aonde ele investiria as próximas lambidas que provocaram todos os gemidos anteriores. Sentiu uma mordiscadela em seu umbigo e espontâneamente moveu as mãos para impedi-lo de continuar, porém rapidamente seus pulsos foram agarrados pelas mãos possessivas da figura masculina. Como duas algemas de gelo, os dedos frios mantiveram seus braços rente a cama. A criatura levantou a cabeça fitando-a com olhos quase cerrados e repletos de malícia. Desafiava-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela lhe dissera que nunca cederia ao sibilar doce que insistentemente ele usava desde que a conhecera. Porém, agora, observando-o lamber vagarosamente a pele próxima à calça jeans, a única sentença que se formou em seus lábios foi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ashtaroth... - o tom repreensivo que ela sempre usava ao falar o nome se perdeu no sussurrar de sua respiração trêmula. Aquele substantivo soara um pedido inseguro. Ele sorriu com a autorização e roçou os caninos pretuberantes em seu umbigo antes de voltar a lambê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se questionou como chegara até ali... O que viera mesmo antes das sentenças musicais enevoarem seu raciocínio? Não se lembrava e não se ateve a pensar nisso, pois estranhamente uma outra lembrança ocupara sua mente enquanto encarava o dono daqueles cachos avermelhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disseram-lhe que os demônios nunca a deixariam e, ironicamente, aqui estava ela, brincando com um. Sem nenhuma culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, Fais. Repleta de culpa, sempre cheia de remorsos ... – ele sibilou aproximando-se de seu rosto e deixando claro que, sem hesitação, invadia seus pensamentos. Quase encostou os lábios nos seus quando uma batida na porta rompeu o silêncio do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vampiro ignorou a voz adolescente que o chamava e a beijou intensamente. Ela correspondeu com a mesma avidez, se surpreendendo por sentir a excitação crescer. Nunca pensara que teriam química a ponto de deixá-la assim com o corpo tão entorpecido. Veja, Fais não era hipócrita ao ponto de negar que ele era belo e provalvemente a criatura mais sensual que conhecera, nunca o negou, mas não cogitava que seu corpo levasse os flertes a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ashtaroth cravou os dentes em seu lábio inferior. A mordida foi leve, mas com força suficiente para furar a carne. A garota fez um breve som de protesto ao provar o gosto de sangue, contudo sentiu um prazer egocêntrico por vê-lo tão dedicado a sugar aquela pequena fonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele voltou a beijá-la intensamente, chupando e lambendo os lábios ensanguentados enquanto a humana mantinha os olhos abertos, admirando aquela expressão que nunca vira antes no rosto do imortal. Toda a malícia de seu rosto fora substituída por deleite. Ashtaroth desfez a expressão quando novamente uma voz ecoou pelo quarto, chamando-o. Xingando, limpou os lábios ensanguentados e foi até a porta abandonando-a deitada na cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fais se sentou, pressionando os lábios enrubrecidos tentando estancar o sangue sem que sujasse a camisa entreaberta. Manteve-se de costas para a porta, mesmo sabendo que era inútil disfarçar o que estava acontecendo, caso o adolescente resolvesse espiar, reconheceria seu cabelo anormalmente branco (e adivinharia porque ele estava tão amarrotado quanto os lençóis da cama). A situação era óbvia e exatamente por isso era desnecessário ver a expressão surpresa do afilhado de Ashtaroth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carne mordida parara de sangrar, mas começava a inchar. Provavelmente a face surpresa de Remmy se assemelhava muito a sua agora enquanto pensava, confusa, em como chegara até aquele ponto com o vampiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrava-se do clipe e da conversa desagradável sobre o sequestro da filha de Hans. Como começou a sucessão de carícias ela não se lembrava. Levantou e passou a abotoar os  botões da camisa, decidida a ir embora, quando ouviu o som da porta se fechando e no segundo seguinte o vampiro a impediu de fechar o último botão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós não terminamos. Ele não vai mais incomodar- segurava suas mãos por trás, mantendo o peitoral frio rente às suas costas. Levou a mão ao seu queixo obrigando-a a encará-lo. Novamente o belo rosto repleto de malícia – É muito cedo para você ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E beijou seus lábios doloridos. Mantinha o corpo friccionado ao seu agarrando seus ombros e quadris. A medida que a virava para ficarem frente a frente, ela teve um dejá vu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ah, sim, foi assim que começou...&lt;/span&gt; lembrou e enlaçou seu pescoço cedendo aquele estranho beijo gélido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-3360492723147776169?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/3360492723147776169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=3360492723147776169&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/3360492723147776169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/3360492723147776169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2011/02/sibilar_02.html' title='Sibilar'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-5255072219497896898</id><published>2010-10-02T19:43:00.000-07:00</published><updated>2010-10-16T06:42:14.636-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Egor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uriel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Templários'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Logan'/><title type='text'>Dragões de Gelo - pt. IV [ Final ]</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/07/dragoes-de-gelo-pt-iii.html"&gt;Dragões de Gelo - pt. III&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Os olhos de Logan fitaram a mulher demoradamente. Tinha longos cabelos negros amarrados em uma trança que chegava à altura de sua cintura, os olhos eram de um castanho escuro, os lábios eram pálidos e contorciam-se em um sorriso desdenhoso. Tinha óbvia ascendência latina, talvez Hispânica, característica evidenciada principalmente pela cor bronzeada de sua pele. Mahalat, assumindo uma postura de pretensa displicência, retirou a espada do ombro e apoiou a ponta no chão, cravando-a no solo gélido do cemitério. Curvou, então, o corpo para frente, apoiando um dos cotovelos sobre o protetor da empunhadura da claymore. O sorriso se alargou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Você parece surpreso. Você está surpreso? – Perguntou. Falava rápido e sua voz era firme e alta, como o ressoar de um trovão. – Está surpreso, adorador de satanás, por eu ter descoberto o seu disfarce? A Inquisição jamais o aceitará, depois de descobrir o que você realmente é, e com quem você compactua... – Os olhos da mulher deslizaram rapidamente por Uriel e pelos Draugrs, e a repulsa que sentia ao vislumbrar tais criaturas era evidente. – O meu Deus me disse que vocês estariam aqui. Ele me disse também para arrancar a sua cabeça, por ousar se passar por um seguidor de Sua Palavra...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- O seu Deus fala demais. – Pontuou Logan, rapidamente. – O meu não costuma ser tão tagarela, nem comigo, nem com os milhões de fiéis que o cultuam. – O Inquisidor readquirira uma parcela de sua coragem e agora dava alguns passos na direção da mulher. Conservava uma das mãos dentro do bolso das vestes, remexendo alguma coisa entre os dedos. – E como ele te diz as coisas? Através de espelhos de água?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- De sonhos. – Cuspiu ela, retirando rapidamente a espada do chão e apontando-a para o pescoço de Logan, alertando-o a não se aproximar mais. – Fique onde está, criatura execrável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Sonhos? E você ainda não se considera uma bruxa? Eu poderia citar pelo menos cem nomes, ao longo da história, de mulheres que possuíam tal dom. – O humano retirou um rosário de contas negras do bolso, enrolando-o no pulso enquanto continuava a falar: - Dezenas delas, eu conheci pessoalmente. Todas elas executadas pela Igreja, acusadas de feitiçaria e pacto com o demônio. O que faz de você superior àquelas pobres mulheres? Quem me garante que não é o diabo sussurrando um monte de asneiras nos seus ouvidos, hm?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- ORA, SEU... – A mulher bradou, alterada, brandindo a espada com agilidade ímpar, pronta para saltar sobre Logan e arrancar-lhe a cabeça com um só golpe. Ou parti-lo ao meio, pensou o Inquisidor, dando um passo hesitante para trás, porém conservando a face rígida e inexpressiva.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Mahalat, já chega. – A voz do outro homem finalmente se fez ouvir. Seu semblante estava tão, ou mais compenetrado do que o do mago, que voltou os olhos para ele mais uma vez. Uriel, que até então permanecera calado, o examinou com desconfiança, aproximando-se rapidamente de Logan e dos Draugrs. O Templário havia esticado o braço na altura do peito da mulher, impedindo-a de continuar. Os dedos pareciam congelados em torno da bainha da espada. – Acalme-se, querida irmã. Não há necessidade para tamanha intransigência, apenas a Deus cabe o direito de julgar: temos que aceitar que tal criatura encare o seu dom desta maneira, e lamentar por sua alma apodrecida. Todavia, ainda não é chegada a hora de cumprir os desígnios de Nosso Senhor, por isso, abaixe a sua espada e deixe-me falar com eles.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;A mulher, a contragosto, abaixou o braço que empunhava a arma no mesmo instante que os três dragões rugiam o mais alto que podiam, encarando a espada que o Templário carregava consigo. Analisando a empunhadura, Uriel alteou as sobrancelhas – o que amenizou levemente a sua expressão consternada - e exclamou surpreso: - Ora, você empunha uma espada pagã! Não é à toa que meus irmãos estão tão ouriçados. Você reconhece esta arma, Logan?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;O mago, que não desviara os olhos dos de Mahalat, limitou-se a responder com a costumeira aspereza: - Não.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- De fato, o meu presente nem de longe faz justiça à sua espada, Cavaleiro. – A sombra de um sorriso perpassou seus lábios, e ele propositalmente expôs os caninos pontiagudos ao falar: - É por isso que você trouxe esta mulher? Por que você não pretende tirar uma vida esta noite?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;O Templário franziu o cenho, dando dois passos para frente a fim de observar melhor a criatura que se dirigia a ele daquela maneira. Tinha cerca de quarenta anos e a pele era levemente corada, marcada por algumas rugas entre as sobrancelhas e perto dos olhos azuis. Os cabelos castanhos e curtos estavam penteados para trás, e a barba da mesma cor era densa e muito bem aparada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Não sei do que você está falando, criatura da escuridão. Esta lâmina foi forjada há muitos anos e, desde então, segue aos propósitos de Deus, ceifando a vida de criaturas que ousam se levantar contra a Sua Palavra. – Os Draugrs rugiram mais alto, arqueando o corpo para frente, prontos para saltarem sobre o homem, que limitou-se a continuar fitando o vampiro. – Porém, de fato, não tenciono derramar sangue desnecessariamente, por isso acho prudente que você ordene a essas bestas que se contenham, caso contrário não refrearei o meu punho... A justiça divina é célere e certeira para existências imundas como as suas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Eu não tenho domínio algum sobre eles. Teria, se você não tivesse aparecido feito o valor do meu objeto de barganha despencar. Agora eles querem o seu, e eu nada posso fazer para contê-los.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Caso eles deem um passo adiante, suas cabeças rolarão aos nossos pés. A de vocês cinco. – Sentenciou o Cavaleiro Templário, os olhos faiscando perigosamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Esteja à vontade para tentar. – Respondeu Uriel, com um gesto displicente com a mão. – Mas enquanto a nossa conversa ainda mantém-se minimamente civilizada, devo esclarecer que esta espada que você carrega é, sim, de origem pagã. Nórdica, na verdade. Eu o sei, por que já a vi antes, e existem lendas acerca dela. Sei que os anões a forjaram, a mando do rei Svafrlami, e que ela é incapaz de errar um alvo, que jamais enferruja, e que corta praticamente qualquer coisa com grande facilidade. E sei também o seu nome. – Declarou por fim, antes dos Draugrs explodirem mais uma vez em rosnados selvagens. Os três precipitaram-se para o Templário, cegos pela ganância: as palavras de Uriel pareceram reavivar suas memórias, e insuflar em seus músculos vigor e força inimagináveis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;As três criaturas saltaram sobre o Templário, que imediatamente desembainhou a lâmina – esta fulgurou em vermelho-sangue, antes de ser deitada sobre um dos monstros, que fora jogado longe, porém sem laceração alguma no corpo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Praticamente qualquer coisa. – Observou novamente o vampiro. – O problema de vocês, fanáticos de um Deus só, é que não se dão o trabalho de sequer estudar a cultura alheia. Você não vai conseguir feri-los com essa arma, humano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- CALE-SE! – Explodiu novamente a mulher, pondo-se na frente do Cavaleiro Templário, a claymore apontada para Uriel. O vampiro revirou os olhos, bufou, e virou o rosto para Logan, protestando alto o suficiente para que ela o ouvisse: - Você não está se cansando dessa situação? Uma bruxa e um hipócrita, ambos a serviço do seu Deus. Podemos ir embora? Já temos o que viemos buscar...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Eu preciso de tempo para fazer a... – O mago olhou para Mahalat, que em uma última explosão de fúria por ter sido chamada de bruxa, saltou sobre Uriel, pronta para parti-lo ao meio com a gigantesca espada de prata. O vampiro, agilmente, sacou a própria lâmina que carregava consigo e bloqueou o ataque com facilidade – ela, ainda no ar e às costas dele, arregalou os olhos. O vampiro girou o corpo rapidamente, e o pé atingiu em cheio o baixo ventre da guerreira, atirando-a alguns metros para trás. A mulher colidiu com uma lápide, o barulho de metal atritando com o mármore ecoou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Então faça logo. – Disse o loiro, saltando sobre a mulher com a espada em riste. O clangor das lâminas explodiu em seus ouvidos ao mesmo tempo em que as três criaturas irracionais saltavam sobre o Cavaleiro Templário para roubar-lhe a preciosa Tirfing. Uriel sorriu diante da expressão consternada da morena, os olhos azuis cravados em seu rosto que, aos poucos, retraía-se com a força que ela fazia para aparar o golpe do vampiro. A cada átimo de segundo o fio de Mistilteinn se aproximava mais e mais de seu pescoço, e a respiração de Mahalat tornava-se mais ofegante. – Veja pelo lado bom, pelo menos você morrerá como um mártir, e não executada pela Inquisição. Acredite, eles são bem mais cruéis do que eu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;A mulher engoliu em seco quando a espada estava prestes a tocá-la. Fechou os olhos, e os lábios trêmulos murmuraram desesperadamente: - Dios mío, ayúdame! – Um fio de sangue escorreu do pescoço de Mahalat quando a espada o tocou, todavia, antes que Uriel pudesse afundar a lâmina em sua carne, a arma da mulher fulgurou em branco e explodiu em uma rajada de luz ofuscante, fazendo o vampiro recuar. Ela, aproveitando a deixa, pôs-se rapidamente de pé e avançou sobre o imortal, que utilizou-se de sua agilidade vampírica para subir sobre um jazigo de pedra fora do campo de visão da mulher.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Gracias a Dios... – Disse ela, tossindo e limpando o sangue com os dedos indicador e médio da mão livre. Logan, de olhos arregalados, observava a Guerreira, perguntando-se como ela podia ser tão ingênua de achar que o que ela fizera fora obra de Deus, e não dela própria. O mago lia rapidamente os escritos de seu pequeno livro, e na outra mão conservava dois pequenos frascos: um de água benta, e o outro com a névoa que condensara minutos atrás.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;O Templário havia recuado alguns metros e ainda lutava com os três Draugrs, todavia, por mais que os golpeassem, seus corpos não sofriam dano aparente algum. Uma das bestas agarrou seu braço, as unhas transpassando a fina cota de malha que vestia por baixo da roupa e cravando-se em sua carne. O sangue escorreu, empoçando no chão por alguns segundos antes que o Templário conseguisse se virar e bater com o cabo da espada no rosto do Draugr, atordoando-o por um momento – o suficiente para que ele se livrasse de sua influência, no exato instante em que o outro já se recuperava do golpe anterior e também pulava sobre ele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Uriel, ainda sobre o jazigo, observava a cena com interesse. Um fino sorriso adornando seus lábios, sorriso este que perdurou mesmo quando Mahalat já estava sobre ele novamente, a espada segura por ambas as mãos, desferindo um golpe com toda a força que seus braços conseguiam empregar. Embora fosse uma simples humana, Mahalat possuía magia, e também tivera um treinamento bélico rigoroso: ao que parecia, era a tenente da confraria de cavaleiros do Templário que acompanhava, o que fazia dela uma mulher de constituição no mínimo exemplar. – Ora, o que você acabou de fazer ali embaixo foi o que? – Perguntou o vampiro, aparando o golpe dela e investindo com um novo, na altura de seu peito. Mahalat, com o rosto compenetrado, não respondeu – os dentes rangiam, ferozes, e os olhos ardiam fanaticamente. Parecia que estava em transe, todos os seus golpes eram desferidos com uma força descomunal, certamente incomum para uma mulher humana. Posteriormente ela diria que era Deus guiando suas mãos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Mahalat investiu rapidamente, manejando a espada de quase dois metros com destreza ímpar. Uriel recuava lentamente, aparando alguns golpes e evitando outros. Os berros guturais da mulher se mesclavam com os dos Dragões, que ao longe batalhavam com o Templário que, Uriel observou, ainda não tinha se apresentado. Aproveitando uma distração de Mahalat, o vampiro cravou a lâmina no peito de seu pé direito, agarrou um de seus punhos, conservando-o acima da cabeça, e aproximou-se rapidamente. Ela, sem poder se mexer, tentou recuar antes que ele, em um claro gesto de provocação, cravasse os dentes em seu pescoço exposto. Ela gritou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Bebeu por alguns segundos, apreciando o sangue mágico da mulher. Certamente tinha o seu valor, embora não conseguisse entender o porque dos Ingenium serem tão fissurados nele. Tinha certeza que se Egor estivesse ali, não conseguiria fazer o que ele próprio fizera a seguir: recuou, sem abrir as arcadas, arrancando dolorosamente um bom pedaço de carne do pescoço da mulher. Esta, ainda apavorada, sequer se deu conta da mácula em seu corpo até que ele cuspisse aos seus pés a parcela ensanguentada que havia tirado dela. Mahalat, com os olhos cheios de lágrimas de ódio, dor e amargura, esbravejou: - DEMÔNIO! COMO OUSA?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Isto é o que eu sou. Esta é a minha natureza. – Disse Uriel, arrancando a espada do pé da mulher e preparando-se para desferir o golpe final e arrancar-lhe a cabeça. As últimas palavras que Mahalat ouviria seriam: - Você deveria aceitar quem é, também. Mas não cabe a mim julgá-la pela sua atitude covarde... todavia, está em minhas mãos decidir se você vive ou morre. Você morre! - E deitou a lâmina...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;...que cortou o vazio: uma nova figura surgiu da escuridão ao redor e arrebatou o corpo da mulher com imensa facilidade. Ela gritou novamente quando os ossos de sua coluna começaram a estalar sob a força descomunal do outro vampiro que a torcia com as próprias mãos. Egor, alguns metros adiante, banhado em sangue e com a expressão enfurecida, estava prestes a rasgar Mahalat no meio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- ALDRIC!!! – Berrou ela, em meio a engasgos. A claymore caiu de sua mão, tilintando no solo de pedra do jazigo. O Templário olhou para ela, bradando seu nome no exato instante que os ossos da costela da mulher cediam e se partiam. Uriel não sabia ao certo o motivo do envolvimento de Egor na contenda, mas supôs que Mahalat e Aldric não fossem os únicos Cavaleiros na Islândia: talvez todo o restante do batalhão do Templário tivesse ido perturbar a paz tão apreciada pelo seu mestre, e aquilo, Uriel sabia, era motivo suficiente para deixa-lo naquele estado de fúria completa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Eles quebraram os seus instrumentos, não foi? – Perguntou o vampiro, contrariando toda a tensão da cena. Egor não respondeu. Aldric, apontando a espada para Mahalat e para o outro, berrou algumas palavras incompreensíveis e eis que para surpresa geral uma nova rajada de luz branca irrompeu de sua lâmina. Esta, porém, destruía tudo ao seu redor, fendendo o chão do cemitério e destruindo lápides e jazigos. Partiria Mahalat ao meio também, Uriel pensou, fazendo-o se questionar se o Templário fazia aquilo pela vida da subordinada ou simplesmente pela presença de mais um vampiro no local. No afã de purgar a Terra das “criaturas da escuridão”, os humanos acabavam tornando-se ainda mais bestiais do que os próprios vampiros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Mas o golpe de Aldric não ceifou nenhuma existência, humana ou não-humana, pois antes que ele colimasse o seu objetivo, um novo evento se deu: Logan atirou o pequeno frasco de névoa no chão, liberando-a rapidamente, e sua voz explodiu ao mesmo tempo em que terminava de proferir o encantamento que os tiraria dali. Um novo clarão de luz aconteceu, ofuscando a todos, especialmente ao frenético Cavaleiro Templário que, quando conseguiu enxergar novamente, viu-se parado sozinho no meio do cemitério. Todos haviam desaparecido, inclusive Mahalat – que ele não tinha ideia se estava viva ou não.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Sua espada brilhava como ferro em brasa, sedenta por sangue. Uma vida teria de ser ceifada aquela noite para acalmá-la, pensava, virando-se em direção à saída do local semi-destruído.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-5255072219497896898?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/5255072219497896898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=5255072219497896898&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/5255072219497896898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/5255072219497896898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/10/dragoes-de-gelo-pt-iv-final.html' title='Dragões de Gelo - pt. IV [ Final ]'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-845009436851614973</id><published>2010-08-17T17:07:00.000-07:00</published><updated>2012-02-12T17:19:12.661-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Inquisição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hans'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ekaterina'/><title type='text'>Clair de Lune pt 3</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de: &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/08/clair-de-lune-pt-ii.html"&gt;Clair de Lune pt 2&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;- Venha - ela ordenou friamente... E eu a segui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O narrador entrelaçou os dedos tensionando-os contínuas vezes. Os olhos cor de mel estavam bem abertos, perdidos na parede a sua frente. Ficou um certo tempo assim, olhando as rachaduras que perturbavam o branco da pintura até que, ao levar as mãos unidas ao joelho, piscou. O tilintar metálico que o movimento provocou pareceu roubar sua concentração nas antigas lembranças e olhou a algema que prendia seus pulsos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, foi isso. - murmurou, respirando fundo, ainda encarando os grilhões - Foi assim meu primeiro encontro com vampiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi isso? - o rapaz, bem mais jovem que o narrador, descruzou os braços e se afastou da parede que se apoiara tranquilamente por todo o tempo que ouvira o relato, se aproximou do outro que estava sentado no chão de pedras - Como assim “foi isso”? O que aconteceu? O cara era um inquisidor mesmo? Vocês o caçaram? Não, nem responde, você passou a última meia hora contando detalhadamente tudo e justamente na captura do cara perde o sorriso e resolve resumir?!  - não deixou-o responder novamente, sua face que ficara irritada por algum tempo agora adquiria uma expressão cínica, pronta para atordoar o prisioneiro - Por que não quer me falar os detalhes do que aconteceu, Senhor Ackart? Você fugiu das regras da sua Ordem, deu sangue para eles, não foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, por favor... - o outro resmungou, debochando da acusação e apertando as têmporas, claramente cansado da conversa que já durava boa parte da madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tsc, para te receber tão bem assim, e até cogitarem em te levar junto é porque são da família Ingenium. - Sorriu, maldoso, exibindo os próprios caninos alongados - Os Ingenium adoram um sangue mago para passarem horas, dias, inspirados em suas atividades. Eles eram Ingenium, não eram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, eles só beberam meu sangue se chuparam o que restou nos cacos de vidro. - fingiu um sorriso, os olhos impacientes fulminavam o vampiro que o interrogava, estava estampado em seu rosto como a insistência no assunto o irritava. O pior era saber que Adrian não desistiria enquanto não descobrisse o porquê disso, as horas de interrogatório dos últimos dias foram suficientes para saber o quão insistente era aquele vampiro. Suspirou e, antes que o imortal começasse mais uma suposição, disse - Tá, eu vou te contar o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Très bien, monsieur magicien - debochou sorrindo, triunfal. Retirou a franja dos olhos e voltou a se acomodar na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hans franziu a testa deixando aparente as linhas da pele que denunciavam sua idade. 27 anos se passaram, porém seus olhos continuavam tão curiosos quanto do garoto que acompanhara a vampira naquela noite. Mesmo com o susto de ser jogado em uma clarabóia, mesmo com o cansaço dos dias maldormidos nesta cela, o mago ainda mantinha os dois globos cor de avelã ávidos por capturar algum conhecimento novo. Observava novamente as algemas quando molhou os lábios rachados e continuou sua estória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não falou que a vampira alegou que seu sangue a desconcentrava e, assim, deu-lhe um tempo para que ele se limpasse. Também não falou que se atrapalhou por um bom tempo com a marcha do carro antigo e que durante o trajeto tentou começar infinitos assuntos, entretanto tudo lhe pareceu ridículo a se comentar com uma criatura que provavelmente vivera mais de um século. Decidiu resumir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, ficamos um pouco mais naquela casa e, assim que ela trocou de roupa, pediu que eu dirigisse. Disse mais ou menos aonde desejava ir e me guiou pelas ruas caóticas de Paris, Mais rápido do que eu esperava, chegamos no tal quarteirão cheio de lojas. Eu a acompanhei, meio receioso... não, não por não saber aonde iríamos. O problema é que, agora que eu sabia que ela era uma vampira, tudo que ela fazia me parecia um lembrete de sua condição de, ahm, múmia atemporal, até a escolha de roupas me pareceu “anos 30” demais. Confesso que me sentia ridículo por estar saindo de um citroen antigo tão requintado ao lado daquela mulher esquisita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, mesmo envergonhado, caminhei ao seu lado pelo quarteirão, havia estabelecimentos de todos os tipos, mas a grande maioria já estava fechada. Óbvio, era quase dez horas. Passamos por uma ou outra casa de pães aberta e, então, a vampira parou à frente de uma pequena loja de instrumentos musicais. Observou por alguns segundos a chamativa placa de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fechado&lt;/span&gt; pendurada na porta e se afastou da vitrine, colocando-se sobre o paralelepípedo da calçada. Olhou para o segundo andar da loja e gritou, ou melhor, tentou gritar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Monsieur Éugene, - levou a mão à garganta demonstrando como era desconfortável aquele tom alto para sua voz rouca e insistiu - Monsieur Éugene, ma commande, si vous plait!  Je suis ici!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei encostado no vidro, embasbacado por os pedestres que passavam não estranharem a atitude e nem ao menos olharem-na de relance, justamente ela que era tão diferente das francesas miúdas que passavam na calçada. Ela voltou, sorrindo misteriosa, parecendo uma criatura inofensivamente doce. Apontou a loja atrás de mim e me virei, notando a luz acesa mais ao fundo do estabelecimento. Um pequeno idoso saiu daquela área mais iluminada, andava desengonçado, carregando algo felpudo nos braços. Deu uma boa olhada em nós dois, os olhos grandes e deformados pelas grandes lentes de óculos, e destrancou a porta com seu molho de chaves barulhentos. Reparei que a forma peluda era um pequeno cachorro, sou péssimo com cachorros, nem me pergunte qual raça era, mas seu pêlo era liso e tinha orelhas pontiagudas e espertas. Ah, e sim, era um desses barulhentos, mal o dono abriu a porta e o cão passou a rosnar e latir encarando a vampira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, a peça não está pronta! - o senhor disse, ríspido. Abrira uma fresta apenas o suficiente para colocar sua cabeça para fora e exibia uma expressão enfezada, suas sobrancelhas eram tão arqueadas e com rugas tão profundas que me lembrei de um desenho caricaturesco. Continuou a falar, ignorando o latido estridente do cachorro (e o silêncio da visitante) - Não tive tempo! Ela ainda não está pronta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite, Éugene. - a imortal sussurrou delicada, ignorando completamente a rispidez do outro - Não vim por causa da palheta. Não exatamente. Estou aqui para conversar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conversar? - ele questionou, não sei se esperava uma resposta, mas ela não lhe respondeu, simplesmente empurrou a porta, forçando a entrada de leve e o obrigando a lhe ceder passagem. Já estava a dois passos dentro da loja quando  o velho perguntou novamente, confuso - Conversar? Mas... não temos o que conversar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vampira se virou, observando-o por cima do ombro e então direcionou os olhos cinza ao cão que insistia em latir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi o que você me prometeu da última vez que nos encontramos - ainda olhava o cachorro e levou o dedo indicador a origem do latido, como se pedisse silêncio ao animal, que, claro, a ignorou e tentou mordê-la, inutilmente. Esquiva, ela envolveu rapidamente seu focinho e maxilar, calando-o com a ponta dos dedos - Você falou demais, Éugene, só pode ter sido você. Não interessa o que Egor ache sobre seu talento, você sempre será um inquisidor imundo, independente de sair para a matança ou não. Você abriu a boca, não foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho balbuciou uma série de “nãos”, olhando apavorado o cão que gania incomodado com a pressão dos dedos da visitante. Ela manteve o olhar no animal até que o idoso conseguiu formar uma sentença coerente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu realmente não sei do que você está falando! - apertou os lábios enrugados por um tempo e murmurou - Por favor, não o machuque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos conversar lá em cima. - fez um sinal para que eu entrasse e só largou o cachorro quando ouviu a resposta afirmativa do dono da loja - Sinceramente, você deveria estar mais preocupado com a sua boca agora, não? - debochou friamente, esperando que ele passasse por ela para, então, segui-lo pelo lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro de verniz e madeira polida, tão presente no estabelecimento, ficava mais e mais forte conforme subíamos para o segundo andar. Era um alívio olhar aquela quantidade de instrumentos tão bem trabalhados sem ouvir o latido estridente, o cachorro não ousara repetir o ato, nem quando chegamos no cômodo superior que era, pelo visto, a moradia do sujeito. A vampira caminhou pela sala observando os desenhos e objetos não acabados sobre as diversas bancadas espalhadas pelo cômodo simplório. Pegou uma daquelas pequenas peças que se coloca no bocal de um instrumento de sopro, exatamente para se colocar a boca, e me mostrou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você vê? - eu ainda estava próximo à porta, não conseguia invadir o lugar assim, com aquele senhor tremendo próximo de mim, era uma situação atípica e não sabia como proceder. Dei só alguns passos receosos até que notei os pequenos fios prateados no objeto, não que fizessem parte de seu material esbranquiçado, eram brilhos singelos que demostravam além de sua composição mundana, não eram visíveis a humanos comuns. Os fios são o traço sutil que caracteriza a presença de magia em algo. Havia magia naquela pequena peça. Acredito que minha expressão demonstrou o que eu pensava, pois antes que eu pudesse lhe responder, a criatura se virou para o dono da casa - Deixe-me adivinhar o que aconteceu, um inquisidor te visitou, veio te pedir conselhos, e, então, viu a palheta. Notou seja lá o que demonstra que ela não pertence a um humano comum e resolveu perguntar de quem era - molhou os lábios e se aproximou dele, o cachorro pulou de seu colo, abandonando-o e ganindo - Você ainda recebe inquisidores aqui, Éugene?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu nunca disse que não tinha mais contato com a instituição. - o velho endireitou a coluna, confiante, e ajeitou os óculos quadrados - O que houve, afinal? Do que você está me acusando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é o único nessa cidade que sabe a nossa ligação com a Augustine, só ela veio a sua loja nos últimos três anos. Acho difícil que um inquisidor seguiu uma reles humana só por curiosidade. - sorriu, debochada, ao ver a expressão surpresa do outro - É, um inquisidor a seguiu hoje até nossa casa, Éugene.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele descruzou os braços, enfiando as mãos nos bolsos do colete de lã, apesar da postura estoica, o jeito como crispava os lábios murchos denunciavam que tinha algum culpado em mente. Perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como ele era?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem alto e esguio. - respondi hesitante, ainda bem distante dos dois - Moreno, cabelo encaracolado penteado para atrás... Talvez tenha 40 anos. Tem uma cicatriz estranha no rosto, parece um rasgado de um felino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele falou um palavrão, algo que acho sempre estranho vindo de um idoso. Passou os dedos pelos fios grisalhos e tirou o óculos, claramente nervoso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi um acidente, Ekaterina. - afirmou, sério, encarando a imortal; suas sobrancelhas arqueadas se desfizeram - Aquele idiota! Ele apareceu aqui quando eu estava trabalhando no oboé - apontou com a cabeça o objeto nas mãos da vampira - e me perguntou várias e várias vezes se eu não via como essa peça era diferente, que pela antiguidade pertenceu a algum mago no passado e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você contou. - a criatura sussurrou, o rosto perdendo completamente a doçura complacente da visitante de poucos minutos antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não contei. Mas ele veio aqui mais de um vez e... ficou sozinho aqui, - o velho ignorou o som de protesto dela e continuou - então ele pode muito bem ter visto a comanda, anotado o endereço. - fiquei tenso por ver o nervosismo em que ele estava, parece que quando a pessoa é mais velha fazemos questão de esquecer do que ela realmente é, nos prendemos apenas a sua aparência frágil. A boca dele tremia ao tentar argumentar - Entenda. Não achava que ele teria tempo para isso, ele tem muito, muito, o que fazer na cidade. O sujeito não me parece regular muito bem, mas nunca imaginei que sairia xeretando as minhas coisas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não parece regular bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele não é exatamente um inquisidor.  É um mercenário..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que, para evitar simpatizar com sua situação, passei a reparar nos quadros da parede atrás dele. A vampira debochava algo sobre a instituição comentando como estava decadente e nem sei o que ele retrucou pois o grande brasão talhado em uma madeira escura atraiu completamente minha atenção. O artefato estava cheio daquela hieráldica maldita da inquisição, cada detalhe parecia despertar mais minha repulsa pelos inquisidores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele está matando magos? - perguntei, ríspido, me intrometendo no diálogo e pela primeira vez o senhor pareceu realmente notar o que eu era, sua expressão subserviente foi substituída pela enfezada anterior. Apontou um dedo acusador para a vampira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você trouxe a Ordem francesa aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. - ela sorriu, tão cínica quanto seu mentor - Eu trouxe o mago que nos mostrou que estávamos sendo vigiados. - guardou a pequena peça no bolso da calça escura se aproximando dele, não deixou que ele completasse o que tentava falar - Responda o rapaz... ou melhor... - provocou um respiro fundo e de repente, rápida, muito rápida, já estava frente a frente com o velho, empurrando-o pelos ombros até a parede - Chega dessa enrolação. - exigiu, pausadamente, sem esconder os caninos ameaçadores a milímetros do rosto enrugado - É óbvio que seu inquisidor não veio aqui para passear pelas igrejas parisienses. Não quero saber como você o ajuda. Quero só saber como vai consertar o que fez! - sussurrava com seu estranho sotaque; nervosa assim, era perceptível como seu francês não era nativo  - Aonde ele está agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Continua em: &lt;a href="http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/12/clair-de-lune-pt-4.html"&gt;Clair de Lune pt 4&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer erro ou sentença que acharem estranha me avisem, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem pelo post grande. Espero conseguir finalizar na próxima parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-845009436851614973?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/845009436851614973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=845009436851614973&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/845009436851614973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/845009436851614973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/08/clair-de-lune-pt-3.html' title='Clair de Lune pt 3'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-6577127887615599142</id><published>2010-08-08T16:08:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T22:51:58.306-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Inquisição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Egor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hans'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ekaterina'/><title type='text'>Clair de Lune pt II</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de: &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/07/clair-de-lune-pt-i.html"&gt;Clair de Lune pt1&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Os longos fios de seu cabelo bateram em meu rosto quando ele se curvou até meu braço. Senti sua mão gélida envolvendo meu pulso esquerdo apertando-o delicadamente e com uma tensão mínima nos dedos ele me arrastou vagarosamente pelo salão. Os cacos de vidro grudados em meu paletó provocaram um som irritante ao atritarem contra o piso de madeira. Podia ver o brilho vítreo sobre a mobília escura e em alguns instrumentos de corda: aparentemente os fragmentos espalharam-se por todo o recinto sombrio. Ouvi uma porta abrir subitamente e os reflexos cor de prata sumiram em meio a uma iluminação amarelada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi daqui o barulho?! O que aconteceu? – uma voz masculina indagou o que havia ocorrido, mas a criatura que me puxava o dispensou com poucas palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando eu precisar de você, te chamo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas Egor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te chamarei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ouvia o sujeito se retirando, minha visão ficou turva. Sabe aquela sensação que você tem consciência que vai desfalecer? Eu não sei se eu realmente desmaiei só me lembro do som da porta se fechando como um barulho distante, quase um sonho. Quando abri os olhos, percebi que não me movia mais, minhas costas descansavam sobre uma superfície macia, mas que não aliviava as dores latejando pelo meu corpo. Um abajur iluminava o lugar, provocando sombras enormes graças as colunas ao seu redor.  Ao fundo, atrás das colunas, podia ver o reflexo da lua sobre um piano, repleto de incontáveis cacos de vidro e tive certeza que ainda estava no salão que continha a clarabóia, porém, o teto era bem mais baixo ali do que no resto do cômodo. Movi cuidadosamente a cabeça, ainda deitado. Eu procurava a criatura que me trouxera ali, até que ouvi sua voz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, senhor Ackart, – assustei-me quando o percebi sentado ao meu lado e, em alemão, continuou a falar em um tom brando - vai me dizer o porquê dessa entrada triunfal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele olhava minha carteira, o cabelo longo, e mais claro que o meu, cobria seu rosto. Não apenas o cumprimento das mechas me fez ter a certeza que ele não era o jovem do casal que vi anteriormente, seus braços eram robustos e usava uma camiseta de manga curta e escura, muito simples, um visual bem diferente do rapaz que fora seguido. Tentei sentar para respondê-lo, porém senti a nuca doer e achei que desmaiaria novamente. Ele arqueou a cabeça colocando os fios atrás da orelha e revelando seu rosto jovial. Roçou os dedos na barba cerrada, fitando-me. Engraçado que, apesar da intensidade do olhar, fiquei com a impressão que seus pequenos olhos azuis não me viam. Ele transparecia pensar em milhões de coisas ao mesmo tempo e nenhuma delas o alarmava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um mago alemão em Paris... – indagava sempre com uma voz suave, quase um murmúrio – Você foi jogado por quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sei – ignorei a expressão debochada que ele fez e continuei a confessar minha ignorância - Eu o segui até aqui para descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seguiu um desconhecido? – os lábios esboçaram um sorriso animado o qual se desmanchou quando ouviu o som farfalhante do vento movimentando os fragmentos vítreos. Virou o rosto e indagou - O que ele é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que eu pudesse responder, uma voz feminina o fez. Só então entendi que a pergunta não era para mim. O ser que me resgatara anteriormente retornara, estava próxima a uma das colunas, conseguia ver a luz da lua iluminando seu cabelo escuro e criando penumbras sobre o rosto. A resposta foi praticamente um sussurro rouco, audível, mas indecifrável, já que não entendi o idioma. Ainda tentava decifrá-lo quando o outro, mostrando minha carteira, contestou em alemão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O rapaz é de Worms, não o exclua da conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi um suspiro longo em resposta e ela se aproximou. Confesso que senti um calafrio quando a luz amarelada do abajur revelou seus traços. Até aquele momento eu estava lutando para não xingar pelas constantes dores dos cortes do vidro, nem me incomodava tanto o corpo retesado pelo baque, porém a ardência dos ferimentos roçando na roupa era perturbadora. Esqueci todo esse incômodo quando a vi. "Piegas", não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não senti isso por ela ser linda. Não era o tipo de beleza que eu apreciava. Seu rosto arredondado destacava bochechas, nariz e queixo angulosos, a pele era extremamente branca e o pouco que eu conseguia ver de seu corpo demonstrava que era mais alto e com mais curvas do que as meninas franzinas que eu admirava na época. Ela foi a mulher mais... esquisita que eu já vira. A angulosidade mesclada com os olhos grandes e lábios bem delineados davam-lhe um aspecto selvagem, porém muito, muito, sensual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mechas escuras estavam enroladas em um coque cheio e abaixo da orelha, aparentando que de desmancharia a qualquer momento. E eu lembro que torci para isso, para ver os fios cascateando sobre o vestido azul enquanto ela se aproximava. Parou um pouco atrás do outro e algo em sua postura me lembrou uma musa de Art Noveau, representação tão comum em ilustrações espalhadas pelas cafeterias parisienses. Ela me fitava desconfiada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os magos alemães resolveram acertar as contas com os inquisidores? – perguntou ainda em um timbre fraco. Ao notar o meu rosto de dúvida, que sim, eu certamente fiz, continuou – Você não sabia que ele era um inquisidor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hahaha e o seguiu sem motivo algum. – o outro riu, não sei se por escárnio pela minha idiotice ou por não acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confuso com as perguntas, fiz questão de sentar. Olhei minhas mãos cheias de arranhões e o relógio dourado, intacto, sobre o pulso. Os ponteiros indicavam que eram quase oito horas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Inquisidor? Ele era um inquisidor? – perguntei com a voz falhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher se aproximou mais me observando indiferente. Deu a volta no divã e senti suas mãos frias tocando minhas costas e em seguida meu pescoço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sente algo quebrado, garoto? – perguntou e me forçou a tirar o casaco – A cabeça dói? Esquece, tudo deve doer – murmurou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei que ele não está nas melhores condições para falar, Kath. Indiretas são desnecessárias. – o loiro sorriu encarando-a, dessa vez exibiu os dentes e percebi seus caninos estranhamente pontiagudos. Ele deixou o divã continuando a falar andando vagarosamente até uma poltrona próxima - Mas você não conseguiu capturá-lo, precisamos ter certeza. Eu quero mais informações agora para não precisarmos fazer nada drástico. Ah e nem venha me falar que temos que nos mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seria muito mais prático do que acordar com a casa em chamas amanhã. – sussurrou cínica passando pela poltrona que agora ele se acomodava, ia dizer mais alguma coisa, mas dessa vez ousei interrompê-la. Queria entender o que estava acontecendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espera, você o perseguiu, mas não o alcançou? - questionei reparando nas manchas de sangue sobre o vestido de seda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se houvesse, ele estaria aqui. – voltou-se para mim e na pouca luminosidade que se encontrava fiz questão de observar sua fileira de dentes aparecendo no movimento dos lábios – Morto. – completou e sorriu, como se entendera o que eu observava entre o sussurrar de sua boca. Consegui ver claramente que seus caninos eram maiores que de um humano normal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Inquisidor - gaguejei, parecendo um retardado - isso faz sentido. – Eu raciocinava o que poderia ou não falar para eles e... o que eles eram. Sim, óbvio, você já sabe, afinal estou te contando isso porque queria falar sobre meu primeiro contato com vampiros, mas estava tão atordoado com o baque e a tensão anterior ao diálogo que demorei a notar as características típicas. A pele muito branca e os caninos são o de menos, o simples fato de reconhecerem meu sangue mago pelo cheiro deveria ter me alertado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lembro o que eles continuaram a conversar entre si, ative-me a ordenar minha mente. Primeiro vi o quanto eu estava cortado e se havia algum ferimento aberto que ainda estava com sangue muito fresco, sabe como é, queria ver se eu estava incentivando muito o apetite dos dois. Depois pensei no que eu sabia sobre a situação dos vampiros em Paris, se havia alguma guerra declarada com os magos como em Berlim e concluí que não sabia muito sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, eu já conhecia muito sobre magia, mas quase nada da politicagem envolvendo os vampiros, magos e inquisição. Eu era um pirralho mais interessado nos livros e objetos mágicos do que nessa guerra fria. Bem, meu interesse não mudou só que, infelizmente, não consigo mais ignorar esses dramas sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele período foi um tanto complicado para a Alemanha. Você sabe, afinal, até hoje poucos magos voltaram a residir no país com receio que os inquisidores recomecem as encheções. Sim, esse era um dos motivos que eu estava em Paris, porém eu estava acostumado com as atitudes declaradas da instituição, seus membros sempre davam um jeito de assumir a responsabilidade por alguma morte grotesca. Eles não caçavam e matavam em silêncio, sem deixar a autoria exposta, totalmente o oposto do que esse sujeito fizera com os estrangeiros de Paris. Eu não via sentido naquela punição sem doutrina:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei se é inquisidor, mas acho que está capturando magos estrangeiros aqui do intercâmbio da Universidade de Paris. – interrompi a conversa do casal e estiquei as pernas – Eu não tinha certeza, só o segui porque achei suspeito o jeito como ele observava observando um mago na biblioteca.  O acompanhei até que ele seguiu um casal loiro até aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles se entreolharam com uma expressão insatisfeita. O imortal colocou-se de pé, ignorando-me e se aproximando da outra. Falavam no tal idioma que eu não reconhecia e notei como era claro que a vampira era submissa as suas vontades. Ela aparentava ter uns trinta anos e ele praticamente a minha idade na época, porém escutava-o atenta como uma pupila. Ela me encarou e fez um movimento de despedida com os dedos. &lt;br /&gt;O loiro voltou a falar comigo, não me lembro sobre o que, pois meus olhos estavam cravados na imortal que se retirava tranquilamente, o salto fazendo barulho ao tocar na madeira. Foi quando ela abriu a porta, deixando a luz do corredor iluminar seu corpo esguio, que me manifestei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espere, aonde você vai? – levantei-me do divã - O que decidiram fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós vamos confirmar sua suspeita, e resolvê-la – respondeu o de aparência mais jovem, desembaraçando tranquilamente as mechas de seu cabelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora? Eu quero ir! – falei ríspido e, no mesmo instante, completei praticamente implorando – Posso ir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, achava que ainda poderia conversar mais com você - ele disse sorridente. Fitou-a, praticamente rindo, como se demonstrasse que a decisão era dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vampira franziu a testa, impaciente, perguntando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você consegue dirigir nesse estado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim – afirmei com mais confiança do que realmente tinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela provocou um suspiro fundo e virou-se para a porta aberta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Venha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continua em &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/08/clair-de-lune-pt-3.html"&gt;Clair de Lune pt 3&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem a demora para postar essa segunda parte, a semana foi um pouco complicada para uma revisão mais detalhada. Obrigada a quem comentou da última vez, ótimo saber que alguém lê o blog, hehehe. Espero que continuem acompanhando (e curtindo) o conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, acabem comigo ;P &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-6577127887615599142?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/6577127887615599142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=6577127887615599142&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/6577127887615599142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/6577127887615599142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/08/clair-de-lune-pt-ii.html' title='Clair de Lune pt II'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-35700189039855999</id><published>2010-07-18T20:55:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T22:21:26.804-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><title type='text'>Clair de Lune pt I</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Era uma época apreensiva em Paris. Havia um murmurinho sobre estranhos desaparecimentos entre os estudantes do intercâmbio da Universidade de Paris. Se soubessem que você era um estrangeiro, um estranho olhar de pesar te acompanhava entre os corredores e salas, como se a morte estivesse em sua sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era um pirralho na época, tinha a idade que você aparenta. Dezenove, vinte anos? Não? Bem, era mais velho que você então. Eu tinha vinte anos. Morava na cidade há pouco mais que cinco meses e já estava envolvido com os raríssimos magos parisienses. Sabia que os estrangeiros desaparecidos não eram simples universitários. Eram magos. Uns três conhecidos meus sumiram de um dia para o outro, deixando a grade universitária incompleta e o passaporte no quarto. Os magos franceses estavam alarmados (muito mais pelo escândalo revelar a fraqueza de sua organização do que pela gravidade da situação) e, inclusive, nos aconselharam a sair da cidade enquanto não descobriam o que estava acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se alguém levou realmente a sério esse pedido, sei que &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;eu&lt;/span&gt; não o fiz. Não apenas por não ter um lugar muito acolhedor para voltar (sem comentários), mas eu não estava disposto a largar a universidade assim no final do semestre. E, principalmente, fiquei curioso. Queria descobrir o que estava acontecendo, só que nem passou pela minha cabeça reunir um grupo e investigar os desaparecimentos. Eu estava atolado em livros e a cada dia adiava as horas que gostaria de reservar para elaborar teorias sobre essa suposta crise. Foi por puro acaso que encontrei a tal ameaça em meu caminho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudava na biblioteca sempre no período da noite e assim o fiz naquela terça-feira. Enquanto procurava livros entre os corredores de estantes, reparei em um sujeito que mais observava os estudantes do que no impresso sobre sua mesa. Vestia roupas muito formais para um simples universitário; seu rosto quadrado era marcado por cicatrizes paralelas que pareciam o rasgado de um felino. Lembro até hoje como seu olhar pareceu faiscar quando observou um norte-americano que passou em sua frente. Eu sabia que o tal estudante era um mago, nunca conversamos, porém já o vira em uma das tais reuniões alarmantes. Não foi à toa que estranhei aquele olhar, desconfiei daquela expressão doentia justamente quando um universitário mago passou em sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele anotou algo em um caderno de bolso e se dirigiu para o balcão da biblioteca, foi nesse momento que me convenci a segui-lo. Larguei os livros por lá e até hoje sinto falta de uma das canetas que larguei na mesa, mas, enfim, levei pouco comigo enquanto o observava pegando seus objetos (uma maleta executiva impecavelmente limpa) e saindo da biblioteca. Rapidamente, mais rápido do que as minhas pernas aguentavam naquela época, ele caminhou para fora da universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segui-o como um idiota: aos tropeços entre os pedestres. Perdi-o de vista algumas vezes, mas volta e meia visualizava o topo de sua cabeça entre os pequenos parisienses a minha frente. Pensei seriamente em desistir da ideia impulsiva, afinal, ele não parecia seguir nenhum estudante mago, poderia ser só um homem que caçava pretendentes na biblioteca. Meu fôlego parecia que não se recuperaria nunca mais e parei. Apoiei-me em uma parede de uma pequena loja para evitar ser atropelado pelos apressados da calçada e então notei que ele também havia parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava a alguns metros à frente, próximo da esquina, observando o vidro límpido de um glamuroso restaurante. As luzes do lugar iluminavam as profundas cicatrizes de seu rosto moreno e eu pude ver sua expressão mudar novamente: da indiferença de um cidadão comum para o olhar impetuoso de quem achara sua presa. Olhei o restaurante, tentando adivinhar quem seria a vítima que ele observava. Duvidei que fosse um estudante, nenhum de meus conhecidos da universidade se interessaria em pagar tamanho luxo para comer um prato minúsculo ouvindo uma boa música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mais jovens presentes estavam acompanhados da família e não consegui deslumbrar nenhuma linha de magia nos corpos daqueles humanos. Um casal jovial preparava-se para sair do lugar, ambos eram loiros e usavam trajes apropriados para o requinte do local, não pareciam ter nada especial. Entretanto, assim que saíram do restaurante, o sujeito esticou as barras do paletó e passou a segui-los. Novamente no ímpeto o acompanhei. O casal andava tranquilo pelas ruas iluminadas sem desconfiar que era seguido, em uma distância razoável, pelo indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que após duas ou três quadras eles pararam na frente de um suntuoso portão de ferro. Só havia nós quatro na rua e, temendo ser visto, me escondi rapidamente atrás de uma árvore. Pude ouvir o molho de chaves e acredito que o caçador fingiu seguir em frente, pois seus passos firmes continuaram a ecoar nas pedras da calçada por um bom tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cauteloso atrás do tronco, eu observei a casa de arquitetura antiga. Chamou-me atenção como ela era isolada das demais moradias da rua, seu grandioso jardim parecia carecer de cuidado há anos graças à quantidade de folhas espalhadas na base da tortuosa vegetação. As grades de ferro eram de altura mediana e serviam mais como um delimitador do terreno do que um real mecanismo de proteção, isso me fez pensar que talvez o aspecto de abandono era proposital para não incentivar roubos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não ouvi mais o som de chaves e passos, procurei o sujeito ao final da rua e não o vi. Olhei o mausoléu. As janelas alongadas da frente da casa estavam iluminadas mostrando os desenhos sinuosos dos vidros azulados. Dei alguns passos, para ver melhor tanto a casa quanto o sujeito suspeito, e pude ver as silhuetas do casal em outro jogo de janelas na lateral da casa. Pareciam ouvir música já que um suave som de piano saía do lugar. O segundo andar da casa, mais estreito que o primeiro, estava em completa escuridão, mas não deixei de notar o vulto alcançando o telhado logo acima do cômodo em que o casal estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se moveu como um gato pela laje do primeiro andar. Vi sua maleta em um tronco de uma das árvores mais próximas da casa e concluí que o suspeito conseguira subir facilmente escalando-a. Pensei seriamente em correr para um orelhão e telefonar para a polícia informando sobre o suposto assalto que iria acontecer, mas... por que um assaltante não abordaria o casal logo no portão? Seria muito mais fácil de entrar na casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se simplesmente quisesse invadi-la, poderia esperar um momento em que não estivesse ninguém presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria então um assassinato. Aquele olhar, a roupa impecável e as cicatrizes. Os seus aspectos lembravam um desses típicos assassinos doentios de filme. Não pensei mais, simplesmente pulei a pequena cerca e fui até aquela árvore que ele escalara. Conforme me agarrava nos galhos subindo o vegetal, agradecia a melodia do piano por abafar os sons da minha subida desajeitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As notas variavam rapidamente de tons agudos a graves, envolvendo o jardim em uma estranha lamúria, parecia combinar perfeitamente tanto com as árvores tortuosas quanto com aquela noite fria, cujo céu sem nuvens exibia uma imensa lua amarelada. Graças a sua iluminação, eu conseguia ver com certa nitidez os movimentos do sujeito a uns oito metros a minha frente no telhado. Aproximei-me cauteloso, sem desgrudar os olhos de sua posição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava parado, de costas para mim, observando uma clarabóia retangular que cortava a laje. Havia uma fraca luminosidade saindo daquele local, e a música pareceu mais alta ali do que antes. Notei que o corpo do suposto assassino ganhava a tensão que vi anteriormente no restaurante. Apesar de apenas avistar o contorno de suas costas, eu conseguia imaginar aquela expressão doentia de caçador: ele olhava sua presa através do vidro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O brilho da lua destacou a prata das minúsculas adagas que o sujeito segurava. A arma me fez concluir que não era um mero assaltante ou assassino. A rapidez absurda e o exímio silêncio com que ele chegara ao local demonstravam sua experiência em matar criaturas com sentidos aguçadíssimos. Olhei a lua cheia que aquecia mais a noite do que aquele piano triste e me perguntei se ele estava ali para matar um lobisomem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, naquele momento eu não sabia se era ou não um caçador, então não vou falar o que ele é agora. A questão é que nem ao menos tive tempo de raciocinar o que eu sabia sobre a lenda dos lupinos. Para o meu azar, as notas do piano cessaram exatamente no momento em que eu dava mais um passo para me aproximar da lucerna de vidro, não havia mais som algum para disfarçar o atrito do meu sapato com a laje áspera. O caçador se virou, em segundos seus olhos estavam a centímetros dos meus e eu só senti um forte puxão pela gola antes de ser jogado na superfície vítrea da clarabóia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, instantaneamente o vidro se rompeu, abrindo cortes por todo o corpo. Eu protegi meu rosto com os braços, não sabia naqueles segundos aonde eu cairia, mas lembro de temer a queda, não pela dor, mas pelo desmaio. Não queria desmaiar em um lugar que provavelmente abrigaria um lobisomem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, não desmaiei. Meu corpo nunca chegou a atingir o chão, fui apanhado por uma criatura tão forte que só percebi que estava me segurando quando ela apertou meus braços para me virar e colocar no chão suavemente. Abri os olhos, mas não conseguia vê-la, só ouvi sua voz feminina próxima a mim, resmungando algo em uma língua que eu não entendia. Vi seu vulto pulando em uma estante de livros e em seguida, rápida, muito mais rápida do que o caçador, saiu pela abertura no teto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi passos sobre cacos e arqueei o corpo tentando me levantar. Não consegui. A dor do baque com o vidro ainda envolvia meu corpo e nem ao menos forças para ficar apoiado nos cotovelos eu tinha. Observei a lua amarelada enquanto ouvia ansioso e impotente aqueles passos vagarosos se aproximando. A figura masculina cobriu parte da lua, arqueando o corpo e me encarando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O cheiro do seu sangue é... diferente. Ha. – murmurou e vi o sorriso misterioso em seu rosto cheio de penumbras – Não te ensinaram a tocar a campainha, mago?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;Continua em: &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/08/clair-de-lune-pt-ii.html"&gt;Clair de Lune pt II&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Esse é o primeiro conto que eu escrevo aqui em primeira pessoa, apreciaria demais se vocês comentassem se está muito informal ou chato de ler... E qualquer errinho por favor comentem também, pois o Lucas não pôde revisar o texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ah, esse post é oferecido especialmente a &lt;a href="http://www.blogger.com/www.odiariodevirginia.com"&gt;Cátia&lt;/a&gt; que acompanha o site e vive me pedindo um post sobre os personagens que vão aparecer aí. Espero que curta, Cátia ;P.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-35700189039855999?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/35700189039855999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=35700189039855999&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/35700189039855999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/35700189039855999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/07/clair-de-lune-pt-i.html' title='Clair de Lune pt I'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-8066301868150108438</id><published>2010-07-09T15:42:00.000-07:00</published><updated>2011-05-27T21:04:03.275-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uriel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Templários'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Logan'/><title type='text'>Dragões de Gelo - pt. III</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;Continuação de: &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/04/dragoes-de-gelo-pt-ii.html"&gt;Dragões de Gelo - pt. II&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Olá, leitores! Peço desculpas pelo atraso na postagem, estive um pouco enrolado com o final do semestre na faculdade. Mas finalmente consegui finalizar a penúltima parte deste mini-arco, e ai está o resultado! Espero que gostem ;) Boa leitura a todos!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: center; font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;------------------&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;" id="internal-source-marker_0.5933771324081439"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;O estalido do portão se abrindo  subitamente pareceu despertar o vampiro, que continuava sentado a uma  curta distância, olhando para o horizonte. Há algum tempo tinha  desistido de tentar ensinar ao mago como pronunciar as palavras  corretas, tendo em vista que este parecia obter muito mais progresso  quando não era tratado como alguém que necessitasse de fato de alguma  ajuda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Oh, finalmente! – Murmurou Uriel, pondo-se de pé e  espanando os flocos de neve da própria roupa. Pegou a espada, que até  então jazia apoiada na parede do cemitério, e abriu um sorriso  satisfeito enquanto olhava para o mago. – Poderia ter sido muito mais  rápido se me deixasse ajudá-lo, mas eu tenho todo o tempo do mundo, e  quem quer sair daqui ainda esta noite é você mesmo... Vamos?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;O moreno olhou de  esguelha para o companheiro, apertando as pálpebras em seguida e  inspirando fundo. Uriel levou a mão livre ao portão, escancarando-o sem  cerimônia, e além do ruído fantasmagórico de metal, uma densa e  malcheirosa névoa precipitou-se para fora, transpassando os limites do  cemitério. O vampiro não parecia surpreso quando o mago perguntou,  desconfiado: - O que este portão selava, Uriel?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;E, antes de responder,  o loiro caminhou alguns passos adiante, embrenhando-se na cortina  branca de ar condensado. – Meus irmãos. – Sua voz soou abafada, e os  passos cessaram. A silhueta do vampiro ainda era visível para o outro,  evidenciando que ele não fora muito longe. – Você poderia dar um jeito  na névoa, Logan? Não que eu esteja reclamando, mas eu acho que você pode  acabar caindo em uma cova aberta ou algo assim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Hm... Esta névoa não  é comum? Ela não ultrapassava os limites dos portões nem dos muros,  embora eles sejam vazados. E este cheiro... – O mago inspirou mais uma  vez, o nariz franzido em uma careta de desagrado. - ...O que são os seus  irmãos? – Perguntou, por fim, retirando um pequeno orbe de vidro de um  dos bolsos e livrando-se da rolha de cortiça do fino gargalo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- São dragões. – Fora a  resposta que recebera, entoada de maneira simples e direta. Logan fez  um muxoxo, debochando:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Um vampiro filho de uma divindade &lt;/span&gt;&lt;span style=" font-style: italic; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;pagã&lt;/span&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt; e irmão de dragões. –  Esticando a palma da mão adiante, Logan fez o sinal da cruz, porém,  antes de começar a realizar a magia, destilou um pouco mais de veneno  por entre dentes: - Tais maldições evidenciam quão degenerada e pecadora  foi a sua linhagem. Que Deus tenha piedade das almas de seus  familiares.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Para um &lt;/span&gt;&lt;span style=" font-style: italic; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;mago&lt;/span&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;, às vezes você é bastante... &lt;/span&gt;&lt;span style=" font-style: italic; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;católico&lt;/span&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;. Egor captou isso  muito bem. – Desdenhou o vampiro, ainda completamente oculto pela  cortina de névoa. Logan não respondeu, limitando-se a cerrar os olhos e  fazer novamente o sinal da cruz. Seus lábios se moveram muito  rapidamente, mas nenhum som saiu deles, e tão logo pararam de se  movimentar, uma brisa morna o envolveu, agitando seus cabelos e  aquecendo a sua pele instantaneamente. O frasco em sua mão cintilou com  uma cor perolada e um segundo depois o gargalo emitiu o inconfundível  ruído de sucção; a névoa espiralou para o seu interior, e tão logo todo o  interior do cemitério podia ser vislumbrado por seus olhos humanos. –  Coube tudo ai? – Perguntou o vampiro, mas sem surpresa alguma, mirando o  pequenino orbe agora completamente preenchido da névoa de odor  putrefato. Logan percebeu que o semblante de Uriel estava mais sisudo,  não lembrando em nada o ar divertido que adotara até então.  Demasiadamente humana, pensou ele, aquela mudança repentina de humor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Tem certeza que quer  fazer isto? – Perguntou o mago, depositando o pequeno frasco no  interior de um dos bolsos e retirando de outro um novo recipiente  cristalino repleto de água. – Se você quiser, eu posso selar o portão  novamente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Eu tenho certeza. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Disto isto, o vampiro virou as costas e  continuou a caminhar pelo interior do cemitério deserto. Os túmulos  ostentavam símbolos cristãos – e alguns eram adornados por cruzes celtas  -, evidenciando que os tais dragões não deveriam estar ali há muito  tempo. Apressando um pouco o passo, Logan não demorou muito a acompanhar  o vampiro, que conservava uma das mãos enfiadas no bolso da calça e os  olhos semi-cerrados; a expressão de Uriel permanecia demasiadamente  fechada. Ele estendeu a mão na altura do peito do mago, em um claro  pedido para que ele parasse por um momento. – Por favor, permaneça  alguns metros atr... &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Porém, as palavras do loiro foram  suplantadas pelo urro ensurdecedor que praticamente explodiu os tímpanos  do mago. Logan levou as mãos às orelhas, os olhos arregalados miravam  um dos mausoléus mais adiante, de onde parecia vir o barulho. Depois  outro, alguns metros à esquerda, e por fim, o terceiro berro viera do  jazigo imediatamente ao seu lado, ao mesmo tempo que a portinhola de  metal fora atirada longe por uma força invisível, atingindo a cruz de  pedra do túmulo que Logan estivera até o último segundo – Uriel o puxara  com violência, os dedos apertados em torno de seu pulso como pinças de  metal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Permaneça calmo. – Recomendou ele, próximo ao seu ouvido. O  mago, irritado, rechaçou-o com a mão livre, obrigando-o a liberá-lo do  aperto. O cenho franzido de Logan não relaxou sequer por um átimo de  segundo, mesmo quando o barulho pesado de passos reverberou pelo  ambiente. Por um momento, pensou que o chão tremia, mas a impressão  passou tão logo. O cemitério fora mais uma vez envolvido pela mesma  névoa podre de antes, e os urros se fizeram ouvir novamente, pontuados  por resfôlegos guturais que eriçavam os pêlos da nuca do mago. – Logan,  por favor...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Mais uma vez as palavras de Uriel foram silenciadas: desta  vez pelas do próprio Logan que, em reflexo à criatura que saia do jazigo  próximo, atirou o pequeno frasco de água e entoou uma oração em uma  língua que Uriel desconhecia, fazendo o vidro estourar no momento em que  tocou a criatura. A água entornada sobre seu corpo produziu labaredas  azuis, frias, e o grito que escapou de sua garganta não fora de ameaça,  mas de dor. O cheiro de podridão fora intensificado, misturado ao de  carne carbonizada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- O que era aquilo? – Perguntou Uriel,  visivelmente admirado. A criatura tombava de joelhos na escuridão, ainda  emitindo rosnados de agonia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Água benta. E o que é &lt;/span&gt;&lt;span style=" font-style: italic; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;aquilo&lt;/span&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Nunca vi água benta  produzir tal efeito. – Observou o vampiro, as sobrancelhas arqueadas.  Momentaneamente a preocupação dera lugar à curiosidade, e Uriel não  parecia mais tão misterioso, e embora o perigo fosse eminente, ele  parecia muito mais interessado na extensão dos poderes de Logan. – O que  foi que você fez?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Para um mago, eu sou bastante católico,  lembra? – Repetiu Logan, retirando outro pequeno frasco de água de suas  vestes. – Você vai me responder o que era aquilo, ou não? Por acaso é um  dos seus &lt;/span&gt;&lt;span style=" font-style: italic; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;irmãos&lt;/span&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;? – Desdenhou ele,  obviamente esperando uma negativa que, para a sua surpresa, não viera.  Uriel limitou-se a balançar a cabeça afirmativamente, desta vez  arrancando uma rápida exclamação de surpresa do moreno. – E existem  quantas criaturas dessas?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Três. Vê a runa sobre o arco da  porta? – O loiro apontou para um pequeno entalhe no arco de pedra,  murmurando a seguir: - Dæg.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Draugrs? – Perguntou, incrédulo. Os  olhos arregalados mirando os de Uriel. – Os seus irmãos são...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Talvez a minha  geração seja mesmo reflexo de uma linhagem degenerada. – Respondeu ele,  com um sorriso triste. Em seguida, ergueu a espada no nível dos olhos,  murmurando em tom tranquilizador: - Agora você entende por que eu  precisava &lt;/span&gt;&lt;span style=" font-style: italic; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;desta&lt;/span&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt; espada, certo? Não  podia ser qualquer uma, precisava ser extremamente valiosa. Esta aqui  figura as nossas lendas, vai ser um bom objeto de barganha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Logan suspirou – o ar  que escapou de seus lábios e narinas fora condensado imediatamente – e,  chutando uma pequena pedra sob o seu pé, praguejou baixinho, para depois  apontar o dedo indicador para o rosto de Uriel e esbravejar: - E quando  é que você ia me dizer isto, hein? Quando eles arrancassem a minha  cabeça? – Abriu a boca mais algumas vezes, apenas para fechá-la em  seguida, sem emitir som algum. Estava, visivelmente, mortificado. -  Draugrs!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Desculpe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Desculpe um caral...!!! – Parou,  respirou fundo e continuou, ainda trêmulo: - Apenas me prometa que,  depois desta noite, vamos estipular uma data final para este maldito  contrato, Uriel. Eu já estou farto de por a minha vida em perigo por  alguém que eu detesto!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;O loiro o encarou por alguns segundos  antes de, finalmente, assentir com a cabeça, sem dizer palavra. Pelo  franzir de sobrancelhas, era obvio que não tinha gostado do termo, mas  não havia muito que fazer. A data que Logan clamava podia ser amanhã,  mas também podia ser dali a dez anos. Os cantos dos lábios de Uriel se  arquearam, quando ele virou as costas para o mago e ergueu os braços  acima da cabeça, deixando a espada bem à mostra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Bræður! – Exclamou, a  voz retumbando por todo o ambiente. Três urros uniram-se às suas  palavras novamente, formando uma cacofonia ensurdecedora. - Það er ég,  bróðir Svarr þinn! Sýna sjálfur!¹&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;O barulho e os resfôlegos de outrora  deram lugar aos rugidos, e logo três silhuetas humanas puderam ser  vislumbradas por entre a cortina de névoa, arrastando-se na direção  deles. Logan apertou os dedos em torno do pequeno frasco de água benta  novamente, e com a mão livre apanhou um pequeno livro de outro bolso. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Irmãos! – Desta vez,  o vampiro falou em uma língua que o mago pudesse entender, embora não  estivesse certo de que os Draugrs o fariam. Na verdade, duvidava que  eles pudessem entender qualquer coisa; as suspeitas de Logan eram de que  eles eram movidos apenas por sentimentos primitivos, abandonando há  muito a humanidade e, com ela, a racionalidade. Farejavam o ar, sentindo  as intenções de Uriel, que continuava a lhes falar: - É chegada a hora  de vocês se reunirem a mim, como antigamente, quando vagávamos por estas  paragens sob a luz do sol...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Logan conhecia pouco sobre aquelas  criaturas – nunca encontrara uma antes, e a literatura sobre o assunto  era extremamente rara – mas sabia que, de alguma forma, se assemelhavam  ao próprio Uriel: tratavam-se de mortos-vivos, que não receberam os  ritos funerários adequadamente e, por isso, não conseguiram abandonar o  plano terreno. Ao contrário dos vampiros, eram irracionais e  animalescos, extremamente territorialistas e, principalmente,  personificavam a ganância humana, pilhando e matando apenas para  aumentar a fortuna que acumulavam indefinidamente em seu covil; agora  ele entendia o motivo do companheiro ter levado a espada, e a origem da  névoa pútrida que mais uma vez os envolvia, pois além de tudo, aquelas  criaturas eram conhecidas por controlarem o tempo, invocando nevoeiros e  tempestades.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Os três continuavam a se aproximar, formando um semi-círculo  em torno do vampiro e do mago. Quando estavam próximos o bastante, Logan  pode perceber que conservavam os cadáveres frescos, porém os olhos eram  de um branco leitoso. Os cabelos e barbas estavam desgrenhados e  imundos, e não vestiam nenhuma peça de roupa. Suas expressões, embora em  rostos de homens, não traziam nada de humanas: eram bestiais,  demoníacas – como as que presenciava nas pessoas possuídas que ele  costumava libertar. Um deles estava com grande parte do corpo  carbonizado, fruto da primeira investida de Logan, minutos atrás.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Sei que não me  acompanharão de bom grado, por isto ofereço-lhes Mistilteinn, a arma de  Gripsson... – Uriel empunhou a espada na frente do rosto, conservando-a  na horizontal. – ...em troca de sua colaboração.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Por um momento, o  ruído de som sendo aspirado pelas narinas franzidas dos três foi a única  coisa que se podia ouvir no cemitério. Então, um rosnado baixo, e um  dos Draugrs inclinou a cabeça obedientemente para frente, e depois os  outros dois repetiram o gesto. Uriel deu alguns passos na direção do  primeiro, a espada estendida, os olhos cravados nos dele. Para Logan,  não parecia em nada com uma reunião de família, mas era visível que a  única coisa que restara dos irmãos do vampiro naquelas criaturas eram os  invólucros que abrigavam tais demônios antigos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Todavia, antes que os  dedos frios do Draugr tocasse o metal da espada lendária, um novo som se  fez ouvir: passos metálicos ecoaram ao redor, reverberando por todo o  cemitério, atraindo a atenção do vampiro e do mago – os dragões miravam  apenas a espada nas mãos de Uriel. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Quem está vindo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Droga! – Praguejou o  loiro, puxando mais uma vez a espada para si, tirando-a do alcance de  seu irmão. O Draugr grunhiu baixo e ameaçadoramente, mostrando os dentes  pontiagudos por uma fração de segundo. – Logan, saia daí agora! –  Advertiu, dando alguns passos adiante, os dedos da mão direita se  fechando em torno do punho da espada. O mago, ao contrário de Uriel, não  conseguia vislumbrar muitos metros adiante por causa do nevoeiro, mas  por alguns segundos apertou os olhos, ignorando a recomendação do  imortal, tentando ver quem se aproximava. Engoliu em seco, imaginando  uma criatura que pudesse alarmar Uriel daquela maneira, e quando o  vampiro repetiu o que havia dito antes, desta vez em tom imperativo, a  única reação do humano fora a de encará-lo apreensivamente e inquirir:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- O que é que você  está vendo? Quem está vindo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- São Templários. – Murmurou o vampiro,  encarando a cortina de névoa às costas de Logan. Os olhos arregalados  de Uriel expressavam todo o espanto e o medo que o abatiam naquele  momento. Uma geração inteira se passara sem se ouvir falar da atividade  dos Cavaleiros, e tinha que ser justamente naquela noite, naquele lugar,  o primeiro movimento deles em anos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Templários?! – Sibilou o mago,  visivelmente alarmado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Muito bem, Mahalat, mais uma vez você  foi abençoada com uma revelação do Nosso Senhor. – Disse uma voz fria  às costas de Logan –que se virou imediatamente, encarando a névoa densa-  no momento em que duas silhuetas se desenhavam adiante: uma era de um  homem esguio, vestindo roupas formais e carregando uma espada embainhada  na mão esquerda, e a outra era de uma mulher trajando uma armadura  medieval enorme, completa à exceção do elmo, trazendo consigo uma  gigantesca claymore² por cima do ombro. Cavaleiros Templários. -  Saudações, filhos da escuridão...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Em resposta, os três dragões rugiram  mais alto e mais ferozmente do que até então. Os olhos gananciosos  cravados na arma do homem, que conservava a expressão absolutamente  impassível diante daquelas criaturas. A mulher, por outro lado, parecia  demasiadamente irada, e quando Logan deu um passo para trás, ela apertou  ainda mais a empunhadura da própria espada, encarando-o fixamente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;"&gt;&lt;span style=" font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;- Saudações para você  também, Inquisidor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;color:transparent;"   &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continua em:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/10/dragoes-de-gelo-pt-iv-final.html"&gt;Dragões de Gelo - pt. IV [ Final ]&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;color:transparent;"   &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; text-decoration: none; vertical-align: baseline; font-weight: normal;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;¹ - Do Islandês: Irmãos! Sou eu, Svarr, seu  irmão de sangue! Mostrem-se! (Caso esteja errado, podem me corrigir ;D)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=" font-style: italic; text-decoration: none; vertical-align: baseline; font-weight: normal;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;² - Espada escocesa de  gume duplo e tamanho avantajado, geralmente do tamanho do espadachim  que a empunha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;font-family:Verdana;font-size:85%;color:transparent;"   &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-8066301868150108438?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/8066301868150108438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=8066301868150108438&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/8066301868150108438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/8066301868150108438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/07/dragoes-de-gelo-pt-iii.html' title='Dragões de Gelo - pt. III'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-1377747329048671530</id><published>2010-05-28T22:42:00.000-07:00</published><updated>2011-11-20T16:58:17.362-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cathir'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fais'/><title type='text'>O Sopro do Auroque pt II</title><content type='html'>&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;font-size:75%;"&gt;Continuação de: &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/05/o-sopro-do-auroque-pt-i.html"&gt;O Sopro do Auroque pt I&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:87%;"&gt;&lt;br /&gt;- Sabem o que está escrito aqui? - sorriu, a expressão arrogante delineando sua face - Vocês sabem o que pode acontecer se eu ler isso aqui, não sabem? - sussurrou, sem tirar os olhos verdes do metal, esperando alguma resposta dos rapazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles se entreolharam, preocupados. O mais magro se afastou, indo até a entrada do estabelecimento, enquanto o outro se aproximou dos forasteiros. Voltou sua atenção para a mulher e em seguida para os desenhos de caveira da camisa do ruivo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vamos deixar necromantes levarem o auroque -  apertava as pálpebras para conseguir ignorar o reflexo do objeto e encarar a face petulante do homem mais velho - Acham que não os reconheceríamos? - o rosto moreno tornou-se sombrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fais descruzou os braços, ficando mais séria a medida que o volume da risada debochada de Cathir aumentava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espera - enxugou os olhos lacrimejantes - vocês acham que somos necromantes? - falou entre risadas contidas - Por causa da minha camisa? - riu mais uma vez e apontou para os escritos góticos na barra da roupa - É de uma banda, pô!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que não é por causa da camisa - disse o gordinho entre dentes, cravando os olhos na mulher logo atrás do ruivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro alemão trancara a porta e já retornara ao balcão. Também encarava desconfiado a maga. Cathir a olhou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tsc, sabia que você me daria problemas - murmurou, cínico, e continuou fitando-a enquanto falava - A garota aqui, assim como eu, é da Ordem Bretã. - virou-se para os adolescentes com uma expressão soturna - Os Bretãos não aceitam necromantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais magro balançou a cabeça em negação, sussurrando algo em alemão. Cathir com um tom irritado questionou: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que você disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O sussurro dos mortos... - a maga traduziu, indiferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rosto do mago irlandês atingiu um coloração rubra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qualquer porcaria pode causar um efeito desses em alguém! - esbravejou, e as janelas estranhamente bateram, o vidro de uma delas se estilhaçou, resultando em um olhar apavorado do alemão mais novo - Pode ser uma maldição, um objeto amaldiçoado... há tanta coisa que provocaria isso e vocês pensam na possibilidade mais remota? A que seja um necromante, pior um necromante que procura um artefato inútil para as magias dele! - os outros tentaram falar, mas ele não deixou, continuou esbravejando, cada vez mais vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cathir - o sussurro de Fais era um pedido de calma, mas ele a ignorou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como vocês vigiam um objeto e não sabem para que ele serve? Sabe o que acontece quando essa porcaria chega perto de um vampiro? - levantou o chifre - Racha! Imaginem por conta própria o que acontece em um ritual necromante! Com um defunto de verdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cathir! - a maga puxou a mão do ruivo e apontou para o chão logo abaixo dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A madeira ganhara um aspecto esverdeado cujas ramificações subiam pelo seu tênis. Ele tentou mover os pés, mas, assim como os de Fais, estes pareciam fincados ao chão. Xingou, furioso. Estranhamente os raios solares que atravessavam as janelas pareciam mais amarelados destacando a poeira que pairava no ar como se fosse uma névoa difusa. A face dos anfitriões demonstrava insegurança, parecia que mil pensamentos pairavam em sua mente, mas Fais sabia que não estavam assustados pela transformação do lugar. A mudança era um mecanismo de segurança pronto a funcionar ao menor sinal de mágica e confirmava que a loja era fachada para guardar coisas especiais da Ordem Alemã. Provavelmente eles sabiam que isso aconteceria quando Cathir retirou o auroque da estante. A expressão em suas faces era o medo da reação do irlandês, receio sensato considerando que claramente ele era muito mais experiente do que eles. Talvez ela pudesse aproveitar isso para fazê-los desativar a resposta da casa, a qual agora exalava um odor muito mais forte de mofo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei! Nós somos da mesma Sociedade do Dr. Ackart! – contestou a jovem, agachando-se e passando os dedos pelos fungos que se espalhavam pelo seu coturno - Ele pode vir aqui e explicar tudo! Não precisamos bri.. – sua voz soou fraca, ela engoliu em seco, fazendo uma careta ao sentir um estranho gosto agridoce. Seu corpo enfraquecia e precisou se ajoelhar, apoiando os braços na madeira coberta pela textura esverdeada. Uma gota de sangue manchou o chão, fazendo-a ignorar a fraqueza para observar o companheiro – Ah, não, não faz isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem respondeu ao pedido emitindo um som debochado. Cortara os dedos com um de seus anéis e pincelava o vermelho na parte interna do chifre. Seus olhos eram pura fúria, motivando os dois jovens a começar a falar uma série de palavras desconhecidas. Demoraram um pouco para conseguir acertarem as palavras e, quando conseguiram, aumentaram o tom. Encaravam Cathir como se esperassem o momento em que cederia ao encanto do lugar ou a suas ladainhas: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sério, ele balançou a cabeça em negação, como se lhes respondesse que isso não aconteceria com ele. Começou a ler os escritos no acabamento do auroque. Sua voz soou grave, como se não fosse sua e as pontas dos dedos ensangüentadas pareciam ganhar uma fluidez alaranjada ao encostarem no artefato. Quando ele terminou a leitura dos símbolos, os magos se calaram, dando passos para trás assustados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma chama fluída preencheu o auroque, transformando-se em um líquido cor de mel. Os sujeitos enfraqueceram a ladainha, se afastando quando o irlandês levantou o artefato como uma taça no ato de brindar, levando-o a boca. Um deles pegou um dos besteiros à venda, mas não houve tempo de armá-lo. Cathir inspirou fundo e soltou pela boca todo o ar sobre o auroque. Volumosas bolhas se formaram no líquido âmbar, explodindo em vapor em direção aos dois magos. As gotículas amareladas atingiram o balcão provocando um característico som de queimado. A superfície da madeira, assim como o chão próximo a ela, corroera em cinzas como se brasas a atingissem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os alemães observaram paralisados a cena. O vapor quase os atingira, mas só o calor próximo que sentiram fora o suficiente para não conseguirem se mover. Ambos olhavam fixamente para a caixa eletrônica, cuja estrutura permanecera intacta, mas a pintura ganhara manchas enegrecidas. As mãos trêmulas do gordinho seguravam com uma mão a balestra e com a outra uma seta metálica. De repente, como se despertasse de um transe, tentou novamente encaixá-la:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Larga essa merda! - ordenou o mago ruivo, as falas provocando vapores sutis na superfície do auroque - Vamos! -  inclinou um pouco o artefato, assoprando sua borda, direcionando as leves nuvens alaranjadas para o pavimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A textura esverdeada carbonizou conforme a fumaça sedimentava. O mago movimentou suas pernas, rachando as formas orgânicas e desprendendo os pés do chão. Olhou de relance para a mulher caída, mas não se aproximou, deu um passo a frente, encarando curioso o gordinho. Apesar da tremedeira, ele encaixou a seta, entretanto, não teve força nos braços para levantá-la o suficiente para mirar no inimigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A escolha foi sua - retrucou o irlandês, petulante, antes de encher os pulmões de ar e expirar no misterioso líquido que preenchia o auroque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div  style="text-align: center;font-family:verdana;"&gt;---&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então vocês disseram que a Ordem Bretã já conversara sobre isso com a organização Alemã e ainda assim eles insistiram em negar o Auroque? - o velho rechonchudo era o único em pé no salão, andava de um lado e para o outro na frente de Cathir e Fais, a qual sorriu, doce:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Citamos os alemães envolvidos na Ordem Bretã também, pedimos educadamente uma reunião. Mas não adiantou. Simplesmente os dois nos atacaram. Cathir só pretendia retirar aqueles “fungos” que nos prendiam, só isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não precisa repetir o que você acabou de falar, Fais. - interrompeu grosseiramente uma senhora morena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que preciso - sua voz era tão branda que o sorriso confiante não parecia petulância - Vocês me enviaram para vigiar o rabugento aqui - apontou o sujeito carrancudo ao seu lado - E não acreditam quando digo que o que aconteceu foi um mero desentendido, um aciden..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acidente, ACIDENTE?! - gritou a outra - Queimar uma loja inteira em uma briga NÃO É UM ACIDENTE! É estupi..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não precisa repetir o que você acabou de dizer - ela lambeu os lábios, seu rosto ganhou uma tonalidade rósea e continuou a falar antes que a outra se levantasse para lhe bater - Cathir estava tentando nos libertar daquela magia, só isso. Não vimos que a loja era tão facilmente suscetível a efeitos mágicos, se não, nunca teríamos usado o auroque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se a loja reagiu a vocês quando foram hostis com os magos é óbvio que é um lugar suscetível! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lugar reagiu? - questionou inclinando a cabeça com uma expressão curiosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqueles fungos! Aquilo foi uma reação do lugar a vocês! - a mulher esbravejou, ignorando o apelo do senhor em pé para que se acalmasse - Como não sentiram que a loja era diferente, como não sentiram nenhum encantamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cathir olhou para o chão, irritado, apoiou-se no encosto cruzando os braços, obstinado a não falar nada. Continuou assim enquanto Fais continuava sua defesa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Humm - a jovem pálida levou o dedo ao queixo - é  ... mas existem encantamentos que ofuscam esse tipo de coisa, certo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chega - disse firme um dos homens próximos a morena irritadiça – chega dessa discussão. Estou convencido que Cathir já cumpriu o que deveria pelo acidente - levantou-se e ficou de frente para o resto do salão - quem mais está? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande maioria levantou o braço com uma expressão enfadonha, claramente cansados. Cathir franziu a testa, indiferente inclusive a próxima pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguém é contra que ele volte para o grupo do Senhor Seymaur?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morena e alguns poucos se manifestaram, cheios de justificativas. O homem em pé os ignorou, anunciando uma decisão favorável e desejando boa noite a todos. O pequeno grupo de contestadores o cercaram enquanto o resto se dispersava pelo salão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada como cansaço para apressar uma decisão – murmurou a criatura pálida olhando as horas em seu relógio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não - ele descruzou os braços fitando-a muito sério - Nada como uma mentirosa eficiente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh. De nada. – sussurrou dando de ombros, levantou-se – Vamos, Maur está nos esperando no cemitério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quê? Nos – frisou a palavra – Nos esperando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem você acha que te substituiu na sua ausência? – colocou os óculos no decote da blusa, ignorando o olhar furioso do mago, piscou marota – Você tem sorte de ele ainda querer você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virou-se, tirando um molho de chaves do bolso da jaqueta jeans. Mexeu no outro bolso e achou uma barra de cereal, oferecendo ao ruivo que a seguia duvidoso. A acompanhava silencioso, desconfortável não apenas pelo irritante barulho de chaves de um lado para o outro, mas principalmente por saber que estava em dívida pela mentira. Fais apontou o seu modesto carro estacionado próximo a entrada, seus olhos brilhavam sobrenaturalmente com a iluminação dos postes de luz e por um momento ele quis lhe perguntar exatamente o que lhe acontecera para ficar assim, mas conteve-se ao vê-la apressar os passos. Ao invés de ir direto abrir a porta, a maga parou próxima a parte traseira de seu automóvel e deu batidinhas no vidro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jurava que você mentiu para o garoto quando disse que o Auroque era da sua família - esperou Cathir colocar os olhos na caixa que seus dedos pálidos indicavam - Até que fui pesquisar sobre ele e... - ela piscou, indo até a porta dianteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mago irlandês entrou rapidamente no carro, sem desviar a atenção da caixa postada sobre o banco inferior, a madeira era repleta de símbolos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso.. é..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorridente, a maga ligou o carro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Insisti com o Maur para me ajudar a achar o invólucro apropriado - observou-o pegando a caixa - Claro, isso foi fácil comparado a convencê-lo que você deveria guardar o Auroque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele abriu a caixa. Mesmo sob a fraca iluminação, o chifre encastoado em prata parecia mais suntuoso do que nunca sobre o forro de couro escuro. Raspou os dedos no acabamento, mais desconsertado do que outrora. O combinado nunca fora ele ficar com o artefato, a sociedade que Maur liderava tinha como principal objetivo evitar que artefatos encantados fossem usados por inconsequentes. E Cathir sabia que Maur o encaixava nessa característica. Franzindo a testa, fitou a figura pálida: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você mentiu para ele também?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Ele sabe como você é - dirigia tranquila, atenta as ruas vazias a sua frente.  Sabia o que ele estava pensando - Esse auroque só tem aquele efeito com o seu sangue, certo? Maur sabe disso também, e sabe como pode ser útil em outras situações... Só fiz questão de lembrá-lo disso, irlandês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cathir fechou a caixa. Não conseguia confiar em ninguém rapidamente, especialmente alguém que fora encaminhada para controlá-lo. Entretanto, não podia negar que o que ela fizera lhe lembrava muito o modo como ele mesmo lidava com as normas da Ordem. Arriscara sua delicada posição sem pestanejar e ainda lhe presenteara com aquele velho artefato que desejava desde criança. Apertou a caixa, convencendo-se que deveria lhe dar uma chance:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado – murmurou desviando do brilho espectral dos olhos da motorista e olhando as luzes mundanas da cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div  style="text-align: center;font-family:verdana;"&gt;--------------------&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;font-size:75%;"&gt;&lt;br /&gt;Críticas e sugestões? Comente abaixo!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-1377747329048671530?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/1377747329048671530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=1377747329048671530&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/1377747329048671530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/1377747329048671530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/05/o-sopro-do-auroque-pt-ii.html' title='O Sopro do Auroque pt II'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-8676881651275449976</id><published>2010-05-27T11:52:00.000-07:00</published><updated>2010-06-02T14:31:19.505-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cathir'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fais'/><title type='text'>O Sopro do Auroque pt I</title><content type='html'>&lt;p style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Esse conto envolve dois personagens importantes do universo criado para o Manuscritos, mas você não precisa ler nenhum post anterior para entendê-lo. Se os personagens lhe interessar, procure nos marcadores (tags) quais outros posts eles aparecem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa leitura e não se esqueça de comentar críticas e sugestões.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;---------------------&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Dizem que quando se faz uma reunião em pé, ela é mais rápida que o normal. As pessoas ficam tão desconfortáveis que evitam a embromação e vão direto ao ponto. Queria saber por que isso não se aplica a esses malditos magos...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ruivo esboçou a mais tediosa expressão que sua face conseguia, suspirou aborrecido com a discussão que já acontecia há algum tempo. Provavelmente os principais membros de Dublin estavam presentes, espalhados pelos bancos do lugar atentos as indagações dos irlandeses à frente da primeira fileira. Curiosamente, todos eles estavam em pé, exceto Cathir. Observava irritado a discussão dos mais velhos ao seu redor. Franziu a testa quando escutou uma das senhoras acusando-o se não ter bom senso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sem dúvida eu não tenho bom senso por aceitar participar de uma organização tão chata quanto à da Ordem Bretã” pensou, amargo, soltando um suspiro indiferente. O som de passos ecoou no pequeno salão e todos se voltaram para trás. As batidas do coturno da mulher silenciaram os presentes como um martelo de juiz. Sua voz rouca desejava boa noite a cada fileira de bancos, entretanto poucos murmuravam de volta, apenas os líderes da discussão lhe responderam dignamente. Cathir ignorou os que conversavam com a jovem e voltou sua atenção para os rostos assustados dos demais participantes da reunião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sempre divertido reparar o desconforto dos membros perante aquela estranha criatura alva. Seus fios de cabelo, tão brancos quanto sua pele, refletiam o sol em um tom arroxeado e seus olhos, bem... quando ela se afastou do casal idoso e colocou os óculos escuros sobre o topo da cabeça, ouviu-se alguns murmúrios. Os pequenos olhos cor de púrpura completavam suas características espectrais e provavelmente foram os reais responsáveis pelo seu apelido quando chegou a Ordem: Fais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A um humano comum essa aparência passava despercebida, afinal, poderia ser uma tinta de cabelo original, sua pele teria algum tipo de albinismo, o brilho nos olhos seriam lentes, o arrepio pelo corpo seria causado pela assustadora beleza. Contudo, para os magos que a acolheram, cada pedaço de seu corpo lembrava-lhes o seu passado sombrio e nem sempre eles faziam questão de disfarçar o seu temor. Notou que ela o cumprimentava, e ele respondeu ao sorriso com um discreto arquear de sobrancelhas. Enquanto ela se sentava ao seu lado, um dos magos explicou à Ordem que Fais viera relatar o que aconteceu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito bem, Fais, conte os detalhes que me falou semana passada - pediu o mais velho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Certo. Como ordenado - inclinou uma das mãos em direção ao inquiridor - Cathir me ligou avisando que iria a Alemanha para verificar uma pista de uma das relíquias bretãs. O Senhor Seymaur conseguira uma passagem para eu acompanhar Cathir na viagem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;-----&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você realmente achava que eu não viria, não é? - a figura pálida andava sorridente pelas árvores secas; o homem por sua vez a ignorava com uma expressão irritada, caminhando a passos largos, tentando despistá-la entre os troncos – Sabe, o Maur não gostou nada de saber que você não me falou sobre a viagem, a voz dele ficou em um tom – engrossou a voz - assustador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ruivo resmungou algo entre o som de galhos se quebrando. Seguia em frente, determinado a ignorá-la, e só cessou os passos quando chegou a uma extensa clareira, composta por diversas casas de arquitetura peculiar. Ele colocou a mão sobre a testa, tampando a luz do sol e observando as construções uma a uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É a menor, certo? - indagou a mulher ao seu lado; hesitante, leu o letreiro da pequena estrutura. - Schwarz .. wald?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu alemão é ótimo, hein?! - olhou-a de relance, petulante - não sei para quê o Maur te enviou. - implicou antes de voltar a caminhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maur não iria desacatar uma recomendação da Ordem, ao contrário de você - acusou apressando os passos e ficando ao lado dele - Não preciso lembrar o que eles decidiram na sua última cagada, né? -  apertou sua mão, puxando-o de leve, ele parou virando o rosto impaciente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual o plano? - ela o fitava por cima dos óculos e, percebendo o olhar de surpresa, virou o rosto para cima, inquiridora - Você tem um plano, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cathir apertou os lábios e ignorou o rosto divertido da mulher. Observou algumas pessoas saindo da loja e colocou as mãos no bolso da calça jeans:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos entrar, procurar o objeto e comprá-lo caso seja o auroque - respondeu quase em um resmungo, ainda olhando o comércio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  E se não for o auroque? E se estiver corrompido? E se.. - ele se afastou, balançando a cabeça em negação - Cathir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Provavelmente não é um verdadeiro auroque, tsc. Sabe há quantos anos eu procuro essa porcaria? - resmungou; ele diminuiu os passos ao se aproximar da escada e esperou Fais alcançá-lo nos primeiros degraus. Encarou-a sério murmurando - Se for, nós vemos o que fazer na hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Certo ...- a mulher deu de ombros, satisfeita por ele simplesmente aceitar sua presença. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuou acompanhando-o, atenta aos detalhes do lugar. Havia uma gritaria em línguas variadas na frente da loja, grupos de turistas tiravam foto da floresta próxima, ou dos objetos que compraram. O casal desviou das pessoas paradas ou correndo na sacada, ela com um sorriso maroto na face pálida, ele com as sobrancelhas arqueadas, sem disfarçar a irritação pela muvuca. Sua expressão não melhorou quando entrou no antiquário. Levou a mão ao nariz, contendo um espirro, e manteve uma careta perante o estranho odor de umidade no ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia apenas dois atendentes na loja, eles conversavam atrás de um balcão e pareceram não se importar com os novos clientes. Fais os observou por um tempo antes de continuar a acompanhar o mago que já se inclinava curioso sobre os objetos, jogados de qualquer maneira sobre os móveis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é estranho um lugar assim atrair tanta gente? - sussurrou, passando os dedos sobre uma caixa empoeirada. A sujeira no ar fez o mago espirrar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que tanta gente? Não tem ninguém a.. - espirrou de novo, e resmungou um palavrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ahm, lembra das pessoas lá fora? - perguntou ajeitando os óculos sobre o nariz esperando alguma resposta de Cathir, a qual não veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ruivo caminhava entre os móveis apertando os olhos totalmente absorto nos detalhes dos artefatos. Fais sorriu complacente e voltou a observar a bagunça do lugar. Havia castiçais, adagas, pedaços de flecha, caixas e variadas estatuetas. Porém, nada disso despertou sua atenção como os objetos de uma estante robusta. Ela se agachou, aproximando-se da penúltima prateleira, colocou o rosto bem próximo ao objeto curvilíneo encastoado em prata. Levantou os óculos, o olhar curioso pronto para analisar aquele chifre peculiar. Cathir interrompeu sua observação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora precisamos de um plano -  murmurou sorridente ao seu lado, agachou-se - Aliás, auroques não se corrompem, a estrutura deles – coçou as pálpebras avermelhadas de alergia - não aguenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh... - ela ficou de pé, voltando os óculos ao nariz; sua expressão marota se desmanchara, observava séria o objeto - Isso não está me cheirando bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada aqui cheira. – afirmou, levantando o artefato com um lenço que retirou do bolso; os escritos nórdicos brilhavam mesmo com a fraca iluminação da loja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, Cathir, veja, não está a venda - o dedo longo apontou a tradução inglesa da placa ao lado da estante - Não é estranho, um antiquário tão “baixo nível” ter uma área só para exposição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É comum... - os grandes olhos verdes memorizavam cada particularidade do chifre de autorque - Fazem isso para extrapolar o preço. – colocou o objeto no lugar e voltou com o lenço ao bolso, - É comum - reafirmou, categórico, ao olhar de relance o rosto sério da acompanhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hesitante, ela o seguiu a distância, parou e cruzou os braços quando Cathir chegou ao balcão. O ruivo perguntou gaguejando quanto era o chifre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu alemão é ótimo, hein?! - a maga murmurou estampando um sorriso maroto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os rapazes, recém saídos da adolescência, fitaram demoradamente os dois e se entreolharam. O mais gordinho apoiou-se no balcão empoeirado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é britânico, sim? - perguntou em inglês - Ver o que está escrito ali do lado? Não está a venda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quanto você quer para que esteja a venda? – o ruivo colocou uma nota de 50 euros sobre a superfície de madeira, provocando um risinho de Fais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele a reprovou com o olhar, mas não por muito tempo. O outro alemão lhe chamou a atenção repetindo em sua língua nativa, o que o mais moreno dissera anteriormente. Cathir tamborilou os dedos no balcão, tentando ser simpático:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aquele artefato pertenceu a minha família há muitos anos; um tio falido o perdeu em um jogo. Vamos lá, é só um chifre brilhante para vocês, - fingiu um sorriso, mas seus olhos verdes intimidavam ferozmente os dois - já para minha família significa muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qualquer um entra aqui com essa conversa - o que falava em inglês empurrou a cédula de volta para Cathir - Não está a venda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mago assumiu uma postura ereta, aparentando ser bem mais alto do que já era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, é? - sorriu, formando leves rugas no rosto magro. Misterioso, encarou o lugar de quina a quina e retornou a delinear a face dos mais jovens. Girou o corpo, passando por Fais e apanhando o chifre na estante. Ignorando o protesto dos garotos, virou-se, erguendo o artefato e expondo-o a iluminação da pequena janela próxima. O brilho dos traços desgastados fez os dois se calarem e cobrirem os olhos; Fais inclinou a cabeça, deixando a franja cair sobre os óculos. Apenas Cathir encarava os detalhes ofuscantes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabem o que está escrito aqui? - sorriu, a expressão arrogante delineando sua face - Vocês sabem o que pode acontecer se eu ler isso aqui, não sabem? - sussurrou, sem tirar os olhos verdes do metal, esperando alguma resposta dos rapazes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: verdana;font-size:85%;" &gt;Continua em: &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/05/o-sopro-do-auroque-pt-ii.html"&gt;O Sopro do Auroque pt II&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-8676881651275449976?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/8676881651275449976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=8676881651275449976&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/8676881651275449976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/8676881651275449976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/05/o-sopro-do-auroque-pt-i.html' title='O Sopro do Auroque pt I'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-6530438639816213885</id><published>2010-04-30T15:13:00.000-07:00</published><updated>2010-07-18T21:21:34.861-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Egor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uriel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Logan'/><title type='text'>Dragões de Gelo - pt. II</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Continução de&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/04/dragoes-de-gelo-pt-i.html"&gt;Dragões de Gelo: pt I&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Boa noite, Egor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os olhos extremamente azuis ergueram-se do instrumento de  cordas de origem desconhecida, fixando-se nos dois visitantes. Os  cabelos desgrenhados do vampiro eram &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;muito longos e  &lt;span style="font-size:85%;"&gt;de um loiro sujo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;S&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;eu maxilar barbado, a priori  inflexível, logo se mostrou maleável o suficiente para acomodar um  sorriso singelo, que tão logo brotara se espalhou por todo o rosto. Os  dedos pararam de dedilhar o instrumento, e então o homem de óbvia  ascendência nórdica finalmente respondeu:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Boa noite, &lt;i&gt;Svar&lt;/i&gt;, filho de Forseti.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Involuntariamente as sobrancelhas do mago ergueram-se,  arqueadas e evidenciando uma expressão de surpresa. Os olhos de Logan  cravaram-se no perfil de Uriel, que também sorrindo, virou-se para ele e  murmurou em tom explicativo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Forseti  é...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Eu sei quem Forseti é! –  Respondeu o mago, subitamente ríspido por ter a sua inteligência  colocada a prova. A indagação no seu rosto não significa &lt;i&gt;o quê&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, e sim &lt;i&gt;por quê&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; vampiro, ao perceber isto, pôs-se  imediatamente a remediar a situação:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;-  Ah, sim, desculpe, Logan. Meu nome de batismo é Svar, e... bem, a minha família mortal  sempre prestou culto a Forseti. – O semblante de Uriel era calmo, tal qual o  timbre de sua voz. Logan descolou os lábios  para falar, todavia, a palavra lhe fora roubada do  terceiro elemento na sala, que murmurou exatamente o que o mago falaria:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Bem apropriado para um pacificador, hein? – O  vampiro tinha se recostado na poltrona, pousando os pés sobre a mesma  superfície que agora amparava o instrumento de cordas e um empilhado de  folhas de papel e partituras rabiscadas. Sorria. – Aliás, este cargo  ainda existe?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Existe, Egor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- E os outros dois ainda são a Marion e o Basil? – Perguntou,  evidenciando o quão alienado estava da atual situação dos vampiros no  mundo. Logan virou-se para ele, encarando-o com certo azedume; talvez  pelo fato de ter sido ignorado até então.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Sim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Me  admira que eles não tenham arrancado a cabeça um do outro, em uma  daquelas brigas... &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Riu, e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; com um gesto de descaso deu de ombros, dizendo: - &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas isso não me interessa muito&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O que me interessa é saber, p&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;or exemplo,  por que você trouxe um mago a tiracolo para a minha casa; os tempos  mudaram tanto assim, Svar?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Não, mas eu  e ele temos um contrato de sangue, e... – Uriel olhou rapidamente  para Logan, que não devolveu o olhar, antes de finalizar: - ...ele é um  amigo. Veio para me auxiliar no que pretendo fazer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- E o que você pretende fazer? – Perguntou  Egor, zombeteiro, embora pelo seu olhar misterioso as intenções de Uriel  naquele lugar fossem demasiado óbvias. Ele só voltaria à Islândia por  um motivo, e este não era um reencontro familiar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Este é Logan. – Continuou Uriel, ciente de que o mago  merecia uma introdução apropriada, visto que  Egor não parecia fazer  muita questão de saber quem era ele, apenas o motivo de seu filho tê-lo  trazido consigo. O outro vampiro pela primeira vez pareceu realmente  notar a presença do moreno, encarando-o com uma súbita curiosidade  juvenil. Inclinando levemente a cabeça para o lado, como que para  analisar as feições de Logan sob a luz da lareira, Egor finalmente  alargou o sorriso e estendeu a mão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Se é amigo, é bem-vindo! – Murmurou, os olhos azuis faiscando  zombeteiramente, esperando que Logan apertasse a sua mão. O mago hesitou por alguns  segundos, antes de retribuir o gesto com o cenho franzido. – Sendo  um mago, é mais bem-vindo ainda! Não é sempre que eu tenho a  oportunidade de conversar com um... você é de que Ordem?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Eu sirvo à Inquisição. – Fora a resposta do moreno&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Oh! - O vampiro migrou a  atenção momentaneamente de Logan para Uriel, encarando-o com olhos  risonhos. – &lt;i&gt;É mesmo?&lt;/i&gt; – Egor então &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;indicou  uma das poltronas para que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;o mago sentasse&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;. Uriel&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; -assumindo uma postura  polidamente subserviente que até então Logan desconhecia&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- retirou rapidamente um amontoado de objetos do assento,  oferecendo-a finalmente ao visitante&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;. P&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ermaneceu de pé, ao lado de um L&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ogan  confortavelmente acomodado, e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;n&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ão pareceu se importar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um mago Inquisidor?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; – Egor tinha apoiado  os cotovelos sobre as pernas, cruzando os dedos de ambas as mãos e  encarando Logan com ávida curiosidade. –Isso não é meio paradoxal? A  Inquisição não queima feiticeiros?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Logan  permaneceu em silêncio por um ou dois segundos, antes de responder: - O  Tribunal da Inquisição, da Idade Média, o fazia. Porém, atualmente, ela  é um Órgão à parte da Igreja que tenta controlar a influencia de  criaturas...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Eu pensei que qualquer tipo  de magia fosse condenável diante dos olhos do seu Deus. – Interrompeu o  vampiro, arqueando as sobrancelhas. A expressão atordoada de Logan  durou apenas um átimo de segundo, e logo seu rosto já demonstrava a  mesma carranca de costume. – O seu dever não é para com Ele?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- O meu dever é para com a humanidade. –  Retrucou, seco. – &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Como eu poderia condenar algo  que é inerente da minha natureza&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; e da minha crença&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, embora seja tratada sob outro viés? É a mesma coisa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Entendo. Mas... – Egor gesticulou, o sorriso  ainda presente em seus lábios. Uriel, momentaneamente excluído da  conversa, caminhava pela sala, lendo algumas folhas de papel que  encontrava jogadas pelo chão. - ...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;a tolerância  humana já atingiu este ponto entre todos os membros da Inquisição? Eles  sabem que você é mago?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Este tipo de coisa  não é importante. Temos os mesmos objetivos, a forma que eu encaro  determinadas coisas é irrelevante. – Neste momento, Egor ergueu os olhos  para Uriel, que retribuiu o olhar e deu de ombros, segurando um punhado  de folhas amassadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Cuidado com estas  ai! – Advertiu, apotando o indicador para as partituras que Uriel  apanhava no chão, antes de  voltar novamente a atenção para o  Inquisidor: - Mas que humano interessante você me trouxe, hein, Svar? E o  que você faz na Inquisição, Logan? Você é juiz ou algo assim?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu purgo os demônios,  ou entidades que influenciam negativamente um indivíduo ou um grupo. - &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Disse, e sob o olhar surpreso de Egor, apressou-se em  explicar, utilizando-se da alcunha vulgar do ofício: - &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu sou um exorcista.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Eu tinha  entendido! - A expressão de Egor tornou-se subitamente gentil demais, um  sorriso quase piedoso surgiu em seus lábios, e o tom de sua voz fora o  mesmo que utilizaria para tratar de um assunto qualquer com uma pessoa  de intelecto inferior. Logan, arqueando uma das sobrancelhas, olhou  demoradamente para o vampiro ancião, sem dizer palavra, esperando pela  próxima pergunta. Pergunta esta que nunca veio. -  Mas, me diga, em que  posso ser útil, caro Svar? – Chamou Egor, mudando repentinamente o foco  da conversa a fim de desviar a atenção do seu pupilo do grande armário  para o qual ele se direcionava. Uriel, percebendo a investida de Egor,  continuou caminhando ao responder:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Eu  preciso de um pouco do seu sangue para quebrar o selo que prende os  meus irmãos. – Sem cerimônias, o loiro abriu as portas do móvel. Uma  enxurrada de papeis desabou aos seus pés, cascateando por alguns  segundos até que a última folha pairasse, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;suavemente,  até o chão. Uriel voltou-se para o outro, momentaneamente, encarando-o.  Sorrindo divertido, garantiu: - Eu arrumo depois.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Você não vai arrumar nada! – Sibilou, apertando os olhos. –  Deixe como está, e venha se sentar aqui, antes que você quebre alguma  coisa de valor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O loiro, ignorando a  recomendação de seu mestre, abaixou-se e apanhou uma velha fotografia do  meio do amontoado de papéis velhos. A mulher de cabelos negros e olhar  incisivo o encarava com a mesma expressão indomável que ele conhecia e  amava tanto. Sorriu. Virando-se para o seu mestre, Uriel abanou a mão na  altura do rosto, conservando o retrato preso entre os dedos indicador e  médio, dizendo: - Ficarei com esta; ela está criando mofo aqui, mesmo. -  Com o consentimento silencioso de Egor, Uriel enfiou a fotografia em um  dos bolsos interno das vestes, antes de soltar a pequena quantidade de  papeis que trazia nas mãos sobre a pilha do chão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Caminhou lentamente até o divã mais próximo à lareira,  sentando-se de forma à luminosidade das chamas incidirem sobre apenas um  lado de seu rosto. Os olhos de Uriel exibiam um brilho melancólico,  nunca antes observado por Logan, quando ele falou: - Creio que chegou a  hora, Egor, de eu libertá-los. Ambos sabíamos que este momento ia  chegar, e... - Um fino sorriso desenhou-se em seus lábios, transformando  completamente a expressão do loiro. Talvez não fosse melancolia o que o  mago notara. - ...acredito também que o seu irmão não se importará por  eu ter vindo reclamar o que é meu, certo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Egor nada disse, apenas continuou encarando o seu pupilo com  um meio-sorriso nos lábios. Tinha recostado-se novamente na poltrona, de  forma a ficar também parcialmente envolto em sombras. Logan, de cenho  franzido e completamente banhado pela luz âmbar do fogo, era o elemento  estranho na cena, e à medida que os vampiros enveredavam por um tortuoso  caminho que lhe era desconhecido, sentia-se mais e mais exposto. A  ignorância incomodava-o, e isto era evidente diante da careta de  desagrado que vincava sua face.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;-  Você deveria ter vindo há quinze anos, Svar. - Disse Egor, e o sorriso  de Uriel se alargou ainda mais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt 0pt 10pt; text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;-  Até então eles não tinham muita utilidade para mim. Agora, entretanto...  - O vampiro ergueu as mãos, deixando a luz da lareira banhá-las. Não  eram as suas, embora Logan tivesse feito um bom trabalho, e Egor já  tinha percebido isto. O gesto fora desnecessário, talvez um pouco  teatral, mas excluíra quase que completamente a necessidade de  justificativas. - Os tempos mudaram, meu amigo. Um pacificador às vezes  precisa assumir uma postura agressiva para defender a sua dignidade,  pois existem vampiros degenerados que não mais respeitam a ordem das  coisas. - Apesar das palavras ressentidas, a expressão de Uriel não  conversava com tal sentimento: ele sorria, os caninos pontiagudos bem à  mostra, e os olhos cintilando em malícia. Aquela era uma coisa que não  se via com frequencia também, Logan pensou. - Alguém na minha posição  não poderia declarar guerra contra um general, eu ainda tenho coisas a  fazer enquanto pacificador, mas o mesmo não se aplicam a eles... afinal,  eles não são iguais a nós, não se inserem nas estruturas da nossa  sociedade. - Parou por um segundo, antes de continuar em tom misterioso:  - Eu não poderia ser responsabilidado, caso um deles viesse a arrancar a  cabeça de um desses vampiros que não sabem o seu lugar. Mas não se  preocupe, meu amigo, eu os quero apenas para garantir a minha segurança,  você sabe que eu não sou de sujar as mãos com esse tipo de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Eu não estou preocupado. - Disse o outro, em meio a um  suspiro entediado. Agitando a mão de maneira quase letargica, estendeu-a  para Uriel com a palma virada para cima, perguntando: - Quanto de  sangue você precisa? Você trouxe o recipiente, certo?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A expressão  perniciosa já tinha deixado o rosto de Uriel quando ele aprumou-se  novamente no divã e olhou para Logan. O mago, ainda de cenho franzido e  expressão desgostosa, virou o rosto lentamente na direção do seu  companheiro, perguntando-se o que ele faria a seguir - porém com um  estranho mal-pressentimento. E então, as próximas palavras do vampiro  pacificador o fizeram estremecer por dentro, trazendo à tona a afirmação  que fizera minutos antes:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Eu não vim de mãos abanando, Egor.  Sua gentileza será recompensada. - Sorrindo, placidamente desta vez, o  vampiro inclinou-se para o mago, apoiando o braço sobre a parte mais  elevada do movel ao qual se acomodara. As linhas do rosto de Uriel  pareciam, mesmo à penumbra fantasmagorica gerada pelas chamas da  lareira, mais suaves e etéreas. Vestia, novamente, a faceta do vampiro  de calma e polidez inabaláveis que costumava exibir para o mundo. -  Logan, se bem me recordo você disse que faria qualquer coisa para  sairmos daqui esta noite, e eu tenho certeza que você conhece bem os  hábitos alimentares de um vampiro da família dos Scelero Ingenium...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nada  mais precisava ser dito. Um arrepio percorreu a espinha do mago  enquanto seus lábios se crispavam fortemente. A partir daquela noite  -depois de conhecer a criança obediente ao pai e o jovem maquiavélico e  vingativo - seria bem difícil ver Uriel com os mesmos olhos de outrora. A  vontade que o inquisidor sentia era de pular daquela poltrona e  incendiar todo o lugar, tamanho desconforto e revolta que sentia. Porém,  lembrou-se com pesar, Uriel era praticamente imune ao fogo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;-  Certo. - Suspirou, resignado. - Você tem um cálice por aqui? - E  lançando um olhar para Uriel, completou, antes de puxar uma pequena  adaga de prata de um dos bolsos: - Espero que não se importe, Egor, mas  eu não permitirei que beba diretamente de mim.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Ele não se  importa. - Uriel sorria, estendendo uma pequena taça dourada para ele. -  Encha até a borda, não seja mesquinho.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;---&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Não, você está fazendo errado, Logan! - Protestou o  vampiro, que segurava uma espécie de tubo de ensaio cheio de sangue.  Logan, de pé nas frentes do portão do cemitério abandonado, encarava as  grades de ferro e mastigava a própria língua, obviamente reunindo forças  para não matar Uriel ali mesmo. - Você tem que por a língua nos dentes  para falar o Opna. E não é &lt;i&gt;Ópna&lt;/i&gt;, perceba...&lt;i&gt;&lt;span class="short_text" id="c5jw"&gt; Opna í nafni Viasheslav&lt;/span&gt;!&lt;/i&gt;¹&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Por que diabos você mesmo não fala isso? - Explodiu Logan, por fim,  segurando as barras do portão e sacudindo-o com impaciência. - Não dá  simplesmente para arrombar? In nome della santa luce! In nome del potere di Dio!  In  nome di tutti gli angeli ei santi...².&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;-  Eu não falo por que tem que ser um mago, perceba. - Interrompeu Uriel,  sentando-se em uma das enormes pedras congeladas próximas ao muro. -  Senão, por que eu teria te trazido?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Para acabar com a minha  paciência! - Esbravejou Logan. O vampiro limitou-se a encará-lo com  complacência, por algum tempo, enquanto o mago repetia, em vão, o mesmo  feitiço para desintegrar as barras de ferro.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Hahaha... É  realmente bem estranho que você, dentre todos os magos que eu conheço,  invoque divindades para ajudar em uma tarefa mágica, Logan. Além do  mais, ele só vai abrir se você mandar, na língua nativa, e em nome do  vampiro que o selou. Vamos lá, não temos a noite toda. Preste atenção: &lt;i&gt;Opna  í...&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;---&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;¹ - Tradução feita por um tradutor online, já que eu  não conheço ninguém que fale Islandês hehe sintam-se a vontade para me  corrigir, caso saibam a maneira correta. Significa simplesmente: &lt;i&gt;"Abra  em nome de Viasheslav"&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;² - &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mesmo esquema da observação  anterior. Esta significa, a partir do Italiano: &lt;i&gt;"Em nome da luz  divina! Em nome do poder de Deus! Em nome de todos os anjos e santos..."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Continua em: &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/07/dragoes-de-gelo-pt-iii.html"&gt;Dragões de Gelo - pt.III &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-6530438639816213885?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/6530438639816213885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=6530438639816213885&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/6530438639816213885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/6530438639816213885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/04/dragoes-de-gelo-pt-ii.html' title='Dragões de Gelo - pt. II'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-7761774457041188242</id><published>2010-04-16T12:03:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T18:29:22.869-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ain Soph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resgate'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hans'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><title type='text'>Tempo</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Cronologicamente os acontecimentos desse conto ocorrem durante a Crônica Resgate. Você não precisa ler os posts da Crônica para conseguir entender o conto, mas caso se interesse pela estória ela começa &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2009/04/resgate-capitulo-1-primeira-parte.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Boa leitura!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;-----&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Doze minutos"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou, sem parar de raspar o pedaço metálico na algema. Uma gota de suor escorreu pelo seu rosto. Agoniado por não poder limpá-la, respirou fundo e abriu os olhos. Privaram-no de muitas coisas nesse calabouço, mas a visão era a que mais lhe fazia falta. Três semanas, quatro dias e um pouco mais de oito horas observando basicamente esse maldito tecido roxo. Ele movimentou os pulsos presos e sorriu, ignorando dos cortes se abrindo. Faltava pouco para se livrar das amarras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho da chuva se intensificou, inspirando-o a continuar a cravar as insígnias na algema. Queria sair e sentir as gotas despertando seu corpo atrofiado pelo confinamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Talvez em dez minutos..."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse para si mesmo, concentrando-se em raspar o traço final da última letra no invólucro de ferro. Fazia às cegas, apenas seguindo os arranhões da palavra que escrevera inicialmente na superfície escura. Confiava em sua percepção espacial, e principalmente em sua noção de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oito minutos era o que faltava para um de seus carrascos entrar no recinto para lhe alimentar e reforçar suas amarras. Trinta minutos foi o que ele demorou para finalizar cada símbolo necessário para sua soltura. E em menos de um minuto finalizaria a base do &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"E"&lt;/span&gt;. Como esse reles humano de aparência abatida e cheiro duvidoso tinha tanta certeza desses dados temporais? Bem, pode-se afirmar que ele tem uma preciosa "habilidade", facilmente diagnosticada como um transtorno obssessivo pela contagem dos segundos. Porém, ao contrário dos mundanos que enlouqueceriam com essa capacidade, o prisioneiro convive e tira proveito dela como se fosse o pulsar de seu coração. Hans Ackart está longe de ser um humano qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia seus dedos enfraquecidos pelas últimas duas horas totalmente dedicadas a esculpir na algema, mas as pontadas de cãimbra não o intimidavam. Mordeu o tecido que lhe tampava a boca, excitado pelo desafio de escapar a tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Largou a lasca metálica e tocou como conseguia na algema. Os dedos tremulavam sobre a superfície fria e ele murmurou pausadamente. As palavras alemãs foram abafadas pela mordaça, mas ele mordeu o tecido e falou entre dentes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zeit, Zeit. Die 'neue' wird zur 'alten'. Zeit, Zeit. Eisen zu Rost&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento dos dedos tornou-se vagaroso a medida que uma textura enrugada começava a preencher as lacunas das insígnias mágicas. Em alguns minutos, a ferrugem tomou conta do objeto e o mago ouviu um "click". A algema rachou, afrouxandos os pulsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele colocou o objeto no chão e rapidamente retirou as fitas que prendiam seus ombros ao peitoral. Levou a mão ao rosto, tateando a barba por fazer e puxou sua mordaça, molhando os lábios rachados. A fraca iluminação irritou sua vista quando tirou o véu, porém, sem hesitar e sem perder o sorriso, continuou a puxar as fitas roxas que o imobilizavam em pontos estratégicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrando equilíbrio na parede enrugada, levantou-se vagaroso. Ignorando a dor nos músculos, forçou-se a caminhar até a porta, o ouvido atento a qualquer barulho diferente das gotas de chuva. A ansiedade poderia lhe fazer errar a contagem, talvez estivesse adiantado ou atrasado. Não importa, o que interessa é que conseguiu se livrar antes do carrasco chegar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Faltam no máximo dois minutos – afirmou em um sussurro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O General fora esperto em lhe privar da fala e da visão, mas o jeito mais eficiente de lhe prender seria com algum encantamento. Ela, como uma Cruentus Umbra, uma devoradora de sangue mágico, deveria saber muito bem disso. Debilitar os movimentos de um novato seria o suficiente, mas de um experiente como Hans era no mínimo irresponsável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou os olhos pelo minúsculo cômodo sem janela e se segurou para não rir. Mesmo sem enxergar os detalhes pela falta de seu óculos, concluiu que o constraste das fitas roxas com as paredes ásperas lembravam muito um quarto masoquista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho próximo a porta arrancou a expressão cínica do mago. A maçaneta girou e a porta do cômodo rangeu. Hans esperou os primeiros passos de seu carrasco para, então, colocar rapidamente todo seu próprio peso contra a madeira. O corpo do vassalo bateu com força no arco, derrubando a pequena bandeja que trazia. Ele quase tombou para fora da cela, mas o mago não deixou, puxou-o pela gola e o levou até uma das paredes do ambiente estreito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Shiuuu – seus lábios emitiram em um sopro. O pedido suave contrastava com a frieza violenta com que imobilizava o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pressionava a traquéia com o antebraço, aumentando a pressão com a outra mão, sua face animada encarava confiante a do humano assustado. Esse tentou se desvencilhar do prisioneiro, empurrando-o inutilmente; logo seus olhos fecharam e ele desmaiou. Hans o arrastou e retirou sapatos e meias, calçando-os em seguida. O acessório ficou largo em seu pé, entretanto era melhor que continuar descalço no chão gélido. Debochado, olhou-se arqueando as sobrancelhas. Pensou por alguns segundos como estava ridículo vestindo sua roupa social, imunda e surrada, e calçando sapatos de brilho impecável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quanto tempo ele não tomava banho? Isso também pululava por trás da expressão jovial, mas segurou a contagem de tempo que iniciara em sua mente quando viu o copo caído no chão. Se pudesse ter algum luxo cotidiano agora, seria o de beber água, concluiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molhou os lábios e espiou pela fresta da porta entreaberta: o suntuoso forro floral cobrindo as paredes disfarçava bem o que acontecia por trás daquelas portas. Somou-as, eram cinco no pequeno ângulo de visão que observava, seria pelo menos o dobro no restante do túnel. Impossível achar tempo hábil para entrar de cômodo e cômodo para procurar pelo menos seus documentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“E se a caixa da Ain Soph estiver aqui?”&lt;/span&gt; se perguntou, os olhos avelã estreitando de curiosidade. Respirou frustrado, se convencendo de vez a esquecer de procurar qualquer pertence, especialmente o objeto que o metera nessa enrascada. Abriu a porta de sopetão, e invadiu o corredor a passos acelerados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar rarefeito confirmou que o General o prendera em um andar subterrâneo de alguma mansão colonial. Provavelmente, sua própria morada. As portas passaram de pequenas a grandes e duplas, e Hans forçou a visão no fim do corredor, desconfiado de que não houvesse uma escadaria naquele lugar. Surpreendeu-se ao reparar a mudança de luminosidade naquela parede inerte, parecia agora enxergar seus detalhes de pedra e ao centro uma grande rosácea. Piscou, reconhecendo a visão e, no segundo piscar, observou que toda a parede de forro roxo se transformara naquele túnel de pedras escuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invés de diminuir os passos perante a estranha mudança de ambiente, ele aumentou a velocidade em direção ao vitral, queria verificar se sua visão não lhe pregava uma peça, se era exatamente o que ele estava pensando. Então ouviu passos próximos e uma voz grave sussurrou docemente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dr. Ackart, aprontando de novo ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hans virou-se assustado para a figura feminina que se emparelhou ao seu lado. Reconhecendo-a, parou de repente e ela se dissolveu em sombras, assim como o túnel de pedras. Era uma ilusão. Sentiu alguém o puxando contra o chão e caiu com um estrondo, gemendo quando sua nuca bateu forte na maçaneta de uma porta. Desmaiou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma tremenda dor latejava em sua cabeça. Encarou o teto de madeira fazendo um muchocho, não sabia quanto tempo perdera. Sentou com dificuldade, agora a adrenalina não o deixava ignorar as dores do corpo atrofiado. Formando rugas na testa, encarou o imortal parado em uma das paredes escuras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Seu filho da puta, você usou uma lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou um filho da puta e você, Hans, é um tremendo idiota. – disse o jovem vampiro, cruzou os braços e balançou a cabeça em negação - Sabe o que Nicole fará com você se descobrir isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indiferente, o mago observou os novos grilhões envolvendo seus pulsos e brincou com o som da corrente forçando-a repetidas vezes. Torceu para que fosse embora, ouvir uma ladainha vampírica agora seria indigesto. Reviver por alguns segundos aquela lembrança deixou-o mais frustrado do que não conseguir escapar, seu humor azedara completamente. Colocou os fios castanhos atrás das orelhas e focou nas rachaduras do chão, tentando em vão não pensar na criatura soturna que se materializou por alguns segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Se o General descobrir essa sua pequena rebeldia, sua cabeça vai rolar, independente do que foi combinado com a sua “amiga” – ameaçou, formando aspas no ar – Ela ainda tem duas semanas para cumprir o pedido, antes disso, se você tentar sair, ou sair... – balançou novamente a cabeça em negação, os fios negros caindo sobre os olhos - Você será caçado pelo resto da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sorte que minha vida não é longa como a de vocês - o prisioneiro resmungou, sorrindo taciturno, cerrando as pálpebras e apoiando a cabeça dolorida na parede. Vampiros não se cansam de fazer essas ameaças, apenas uma imortal pareceu entender que ter a vida ameaçada é o que fazia Hans valorizá-la tanto. Não via graça em viver paralisado pelo medo de alguma coação e sinceramente achava um convite à rebeldia esse tipo de declaração - Quer que eu agradeça por você me impedir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vampiro riu, cínico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Impressionante como você fica estressadinnho quando lembra dessa Ingenium. Justamente a protagonista das suas memórias! A primeira que aparece na sua mente quando procuro algo para brincar com você. Não entendo esse mau-humor, Dr. Ackart  - sussurrou, dando uma piscadela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinze anos, oito meses, três semanas e dois dias de idade tinha aquela lembrança. Mais uma que ao longo dos anos, como todas envolvendo aquela vampira, se tornara uma nostalgia amarga. Forçou novamente a corrente da algema e abriu os olhos, disposto a mandar Adrian pro inferno. Porém, não o achou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hans observou as paredes do lugar, procurando por onde o vampiro saiu. O cômodo não tinha portas. O rosto do mago pareceu rejuvenescer quando seus traços cansados formaram uma expressão jovial e ele riu. Sentia o ânimo voltar ao corpo. Malicioso, apertou as pálpebras murmurando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será bem divertido tentar sair daqui... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;-----&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-size:82%;"&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;*Tradução do alemão p/ português&lt;/span&gt;: &lt;br /&gt;Tempo, tempo. Antes e depois. Tempo.Tempo. Metal em ferrugem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradecimento especial ao alemão Mário Schenk e ao José Delfino do Carmo que me ajudaram na tradução do trecho do português para o alemão. Para conhecer o trabalho do Delfino com turismo receptivo clique &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;a href="http://www.delphosturismo.com.br"&gt;aqui &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-7761774457041188242?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/7761774457041188242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=7761774457041188242&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/7761774457041188242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/7761774457041188242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/04/tempo.html' title='Tempo'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-3252423434189495815</id><published>2010-04-09T09:49:00.000-07:00</published><updated>2010-06-20T08:30:58.464-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Egor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uriel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Logan'/><title type='text'>Dragões de Gelo - pt. I</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Olá, pessoal! A pedidos, inicio aqui um pequeno arco contando um pouco mais sobre o Uriel e o Logan. Não será tão extenso quanto o da Sasha, fiquem tranquilos :P e sintam-se a vontade para crificar ou opinar no que acharem necessário. Um grande abraços a todos, e apreciem a leitura!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Ps: A música utilizada no post chama-se Ring of Gold, da banda sueca Bathory.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; Para ouví-la, clique &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://www.youtube.com/watch?v=gUBH2V2OhXc"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;---&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Silver, the moon high over pond of water calm and dark&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Woe, mist, the breath of the dragon, sweeping down mountain side&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O lugar estava exatamente como se lembrava dele: branco, imaculado e silencioso. Nem mesmo as correntes de ar glacial –que fustigavam exaustivamente as duas silentes figuras- pareciam produzir ruído naquela imensidão de gelo secular. A figura mais alta e esguia caminhava um pouco mais atrás, apertando contra si o espesso casaco de peles, quase convulsionando de frio, embora de suas mãos e do seu hálito fluísse uma tênue e quase imperceptível luminosidade âmbar. Era como se estivesse envolto por um véu etéreo que, parcamente, isolava seu corpo do ambiente externo, e apenas por esse motivo ele não tinha congelado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu reconheceria este cheiro mesmo em mil anos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- ...Há quanto tempo você não vem a este lugar?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O outro homem, ao contrário do que trajava negro e se assemelhava a um enorme corvo, era alguns centímetros mais baixo e possuía uma musculatura visivelmente mais avantajada. Seus cabelos loiros, na altura dos ombros, dançavam ao sabor da tempestade e ele caminhava com tamanha austeridade que não parecia sentir os ossos, os músculos e as veias prestes a congelarem. Seus olhos azuis miravam sempre o horizonte alvo, suas pálpebras semicerradas e os lábios crispados indicavam o quão nostálgica aquela vista era. O quão bom era estar em casa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;All still, the day asleep, the sun rests in nest of the Gods&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Afar high adventures await me, I hear my brothers calling&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Parece que foi há uma eternidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Subitamente, tão familiar como as carícias do vento sobre sua pele marmórea, uma voz se fez presente. Talvez o mago ao seu lado não conseguisse ouvir, não tinha a audição apurada como ele, tampouco compartilhava do elo fraternal do qual ele e o dono daquela voz podiam se valer. Era o seu mestre, seu irmão, seu amigo, muito embora não fosse o seu criador, aquele homem fora o responsável pelo que o imortal era hoje.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Spring is here and the ice breaks free&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;The endless sky and open sea&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;I will sail where the Raven will lead me&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fly on black wings, high and free&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você está ouvindo? – Perguntou inutilmente, virando o rosto e encarando o humano por cima do ombro. Este, entre um espasmo e outro, apenas meneou a cabeça e o encarou com olhos ferozes; o nariz adunco e a vasta cabeleira negra esvoaçante apenas corroboraram para enraizar na memória do vampiro a imagem de um enorme corvo mal encarado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Falta muito? - Foi o que ele respondeu. E então o loiro sorriu, insuflando no mago uma nova onda de revolta –que não fora expressa, por medo de perder a concentração no encantamento protetor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não, é logo ali. Não se preocupe, não deixarei você morrer congelado, se esta é a sua preocupação. Eu tinha esquecido como o inverno por aqui pode ser rigoroso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não, você não tinha.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O loiro deu de ombros, continuando a caminhar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;De fato, não tinha, apenas gostaria de apreciar o percurso que fizera milhares de vezes, por milhares de noites passadas. A neve se encarregava de deixar tudo exatamente como era, cobrindo as evidências de que o tempo também imperava sobre sua terra natal, que muito se assemelhava a uma pequena parcela do Hel à deriva sobre o Atlântico. Nada mudara. Nunca mudaria, o que tornava a Islândia a perfeita morada para um vampiro, que também sempre continuaria o mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;I shall return with the wind the day&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;From high adventures, swelling sail&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Autumn red comes to Asa bay&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E esse vampiro poderia viver na ilusão de que sua realidade nunca se alteraria, não teria que lidar com a estupidez humana, nem precisaria fingir que não notara que, embora sua face permanecesse a mesma, os olhos revelavam cada vez mais o brilho de uma erudição indesejavelmente cansativa. Não que a pessoa a qual ele desejava encontrar buscasse isso, era óbvio que ele estava ali simplesmente por que gostava da calmaria, e apenas por isto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- É ali. Vê a casa de pedras? – Perguntou o imortal, apontando para o local indicado. Algumas árvores sem folhas balançavam ameaçadoramente ao redor da construção, como que prestes a serem arrancadas do gelo pela nevasca que piorava a cada instante. – Estamos prestes a adentrar a morada de um dos mais antigos e poderosos da minha raça, Logan... Ele não faz distinção entre vampiros, magos ou humanos, mas eu realmente apreciaria se você não fosse desrespeitoso. Ele é como... – Ponderou por um segundo, antes de completar: - Um pai para mim.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Meet me by the well where the water, crystal clear, flows free&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;From deep within the great mountain towering to the sky&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Pensei que o seu criador fosse Azrael. – Apontou o mago, com certa amargura escapando de seus lábios junto com o ar condensado. – E pode ficar tranquilo, a única coisa que eu quero agora é sair daqui. Uma discussão com seu... pai apenas retardaria o nosso regresso. – Crispando os lábios, Logan apertou os dedos em torno do objeto que trazia consigo e estendeu-o ao vampiro, encarando-o por trás das lentes dos óculos levemente embaçados pelo frio. – Vou apenas quebrar esta porcaria de encanto e ir embora deste lugar. Tome, o metal da bainha está incomodando os meus dedos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Hm. Obrigado, Logan. – Respondeu o outro, levemente distraído pela voz melodiosa de seu amigo, que ainda ecoava pela planície de gelo. Desta vez, ele percebeu pela sua expressão, o mago também conseguia ouvir os versos maravilhosamente entoados pela criatura sobrenatural encerrada entre aquelas paredes de pedra. Sorriu. – Agora, uma pergunta: o quê disposto você está a fazer para que saiamos daqui ainda esta noite?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;I will be awaiting you coming down treading the trails of clues&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Bare feet, let your hair down like the mist across the pond&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O mago apertou os dedos incandescentes em torno do cachecol azul-escuro, e engolindo em seco, disse: - Desde que não comprometa a minha integridade física, nem crie um elo inquebrantável com este... ser, qualquer coisa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Uriel sorriu novamente, um pouco mais largo, evidenciando desta vez os pequenos e pontiagudos caninos de vampiro. Os olhos azuis do imortal pareceram, subitamente, emitir um brilho mais caloroso do que o feitiço do mago, que agora começava a perder força.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;– Que bom. Vamos entrar então, Egor tem uma lareira lá dentro que o ajudará a se aquecer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Uriel adentrou a casa sem cerimônia alguma, apenas retirando um molho de chaves do bolso e enfiando uma delas na fechadura. Um segundo depois a porta fora escancarada por uma rajada de vento, jogando grande quantidade de flocos de neve e gelo sobre o carpete antigo. Uma onda bem-vinda de calor emanou do interior, e os olhos sempre tão inquiridores e críticos de Logan logo se converteram em dois orbes iluminados e esperançosos. Uriel, com um sinal cortês, convidou-o a entrar, o que o mago fizera antes mesmo que o vampiro pudesse completar o gesto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;In dawn of time, before gods and man&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;When earth and shy was first divided&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Fique à vontade, apenas não toque em nada. Ele não aceita que mexam em suas coisas, já tentei convencê-lo a contratar uma governanta, mas é inútil. – Informou o outro, adentrando também o recinto e fechando a porta atrás de si. Uriel despiu o cachecol vermelho e o casaco, ficando apenas com uma fina camisa social branca; ao contrário de Logan, que continuava tão agasalhado quanto antes. – Você não vai tirar o casaco? – Perguntou o imortal, erguendo as sobrancelhas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Tenho certeza que o seu amigo compreenderá que, se eu o fizer, congelarei tão logo. – Disse o mago entre dentes. O loiro sorriu, complacente. – Vamos logo, Uriel! O sol nascerá em menos de quatro horas, e se demorarmos demais eu não terei energia para me manter aquecido, quebrar o tal selo, e nos teleportar de volta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A star did fall into river deep&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A star of gold into silvery water&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Hm. Desculpe, caro amigo. – Desta vez, Logan não ousou questionar a alcunha. – Vamos, é por aqui.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;While I sail, by this you shall remember me&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Wear it, yours forever to deep&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A cada passo dado, a voz da criatura que se embrenhava nas sombras tornava-se cada vez mais audível; Logan pensou que, se aquele homem ensinara ser Uriel a ser quem era hoje, e se possuía uma voz tão bela, não poderia ser tão mal assim. Embora não gostasse de vampiros, tinha que dar o braço a torcer: alguns possuíam características verdadeiramente louváveis.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;To bind us beyond end of time, to thee I give a ring of gold&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Boa noite, Egor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Boa noite, Svar, filho de Forseti.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Continua em:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/04/dragoes-de-gelo-pt-ii.html"&gt;Dragões de Gelo: pt II&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-3252423434189495815?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/3252423434189495815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=3252423434189495815&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/3252423434189495815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/3252423434189495815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/04/dragoes-de-gelo-pt-i.html' title='Dragões de Gelo - pt. I'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-3283267295458196173</id><published>2010-03-31T10:09:00.000-07:00</published><updated>2011-11-21T11:17:18.031-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Remmy'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ain Soph'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><title type='text'>Abstinência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;[Einsenstadt - Áustria]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;As três figuras embrenhavam-se  sorrateiramente na mata que dava acesso às estufas da fortificação. Estavam  em uma parte praticamente esquecida da Áustria, nas terras de um dos  mais poderosos magos da contemporaneidade, e tencionavam roubar algumas  ervas alucinógenas que ele e seus subordinados cultivavam para... bem,  acreditem ou não, havia lá a sua parcela de nobreza nas suas intenções.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Ai, meu pé! – Esbravejou o primeiro,  que carregava uma lanterna, virando-se e disparando o facho de luz  diretamente no rosto do adolescente imediatamente atrás de si. Logo os  olhos extremamente azuis de Dorian apertaram-se, e ele levou a mão à  altura do rosto em uma vã tentativa de se proteger da luminosidade  hostil. – Olha por onde anda, caramba!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Desculpa, Remmy... – Sibilou o garoto entre  dentes, quando o primeiro abaixou a lanterna novamente para o chão.  Levou uma das mãos aos cabelos castanhos, jogando-os para trás em um  gesto pomposo e olhando ao redor. As sobrancelhas arqueadas denunciavam  todo o desprezo que sentia naquele momento, por aquela situação.  Torcendo os lábios de maneira esnobe, voltou a palma da mão para cima,  na altura do rosto, e desdenhou: - Por que diabos estamos invadindo as  estufas do seu pai, hein? Pedir não seria suficiente? Aliás, se você  quer ficar doidão, não é mais fácil arrumar um bagulho bom, ao invés  dessa porcaria de Artemísia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Remmy revirou os olhos e não respondeu, continuando a andar  lentamente, pé ante pé, na direção do coração da mata. A réplica viera  da terceira figura, a mais baixa de todas, e de aparência mais  silenciosa também. O garoto pousou a mão no ombro de Dorian e falou  pausadamente, como um adulto explicando algo demasiadamente óbvio para  uma criança com necessidades especiais: - Não funciona desse jeito e  você sabe disso, Dorian. Para ele conseguir fazer mágica...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- É, eu sei, eu sei... – Bufou o  primeiro, desvencilhando-se do outro e batendo com a palma da mão no  local onde ele havia lhe tocado, como que para limpar a sujeira ali  acumulada. O terceiro apenas sorriu, exibindo uma fileira de dentes  perfeitamente alinhados, à exceção dos caninos superiores e inferiores –  estes eram levemente maiores do que os demais. – Mas não precisa me  tocar para falar, você sabe que eu não gosto disso, ‘cãozinho’.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Foi a vez do moreno balançar a cabeça  negativamente, como Remmy fizera antes, e deixar Dorian para trás. Logo  Hector já estava nos calcanhares de seu companheiro, aproveitando-se da  luminosidade da lanterna para caminhar. Não que precisasse, na verdade,  conseguia enxergar muito bem no escuro graças à sua condição especial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Eu não sei como você o agüenta. –  Bufou Hector, enfiando as mãos nos bolsos à procura de um gorro de lã e  acomodando-o na cabeça de maneira a cobrir até a ponta das orelhas. Os  cabelos negros, penteados para o lado de maneira displicente foram  rapidamente ocultados pelo agasalho, deixando apenas as pontas escuras à  mostra. – A gente arranja um guitarrista mais humilde em dois tempos,  Remmy. Ele se acha o dono do mundo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Relaxa, Hec. Logo ele baixa a bola. – Foi o  que o outro respondeu, parando em uma bifurcação e erguendo a lanterna  acima da cabeça loira, fazendo o facho de luz incidir sobre uma área  maior da mata. Dorian, que novamente acompanhara os dois, fez um muxoxo  desdenhoso e disparou:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Perdido, Remígio? Quer a minha bússola? – E, de fato,  estendeu uma bússola para o menino. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Velho, você é muito estranho! – Foi o que o  loiro respondeu, olhando para Dorian com certa incredulidade. Que tipo  de adolescente andaria com uma bússola dentro do bolso, nos dias de  hoje? Dorian andaria, é claro. – Muito, muito estranho. Hector, pára de  rir e me ajuda aqui. Você conhece o cheiro de Artemísia, não é?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Claro que sim. E eu já senti o aroma  desde que chegamos no castelo. É para lá. – Respondeu o moreno,  apontando para o caminho que levava a oeste. Dorian, consultando a  bússola, murmurou algo como “é claro, eu sabia que seria nessa direção”  antes de segui-los, quase sendo deixado novamente para trás.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;[---]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- É logo ali. – Murmurou o primeiro,  prendendo a lanterna entre os dentes para tatear os bolsos livremente à  procura do molho de chaves afanado dos aposentos de seu pai. A cacofonia  gerada pelos objetos sendo revolvidos pelos dedos do adolescente  evidenciou que teria sorte se achasse as chaves rapidamente. Seu maxilar  já começava a incomodar, quando ouviu o característico som de várias  plaquinhas de metal colidindo entre si. – Ah!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Remmy completaria 18 anos muito em breve e era filho do  influente mago já citado anteriormente, Siegfried Von Vogelrauch, e  embora aparentasse ser o entojo em forma de gente, era extremamente  carismático e possuía um dom inato para manipular as pessoas ao seu  redor de maneira tão sutil e refinada que, quando estes percebiam, já  era tarde demais. Fumava como uma chaminé e freqüentemente era visto  munido de um cantil de prata contendo algum tipo de beberagem. O que  começou com uma necessidade –o garoto canalizava energia apenas em  estado alterado de consciência-, logo tornou-se um vício, e se não fosse  pelo “tio” Ashtaroth e seu milagroso sangue regenerador, talvez ele  estivesse em maus bocados àquela altura. Remmy tinha longos cabelos  loiros e extremamente lisos, sempre amarrados em um rabo de cavalo que  chegava ao meio das costas. Os olhos eram de um verde-musgo profundo,  sempre brilhantes em conjunto com o sorriso que quase nunca se apagava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Está procurando isto aqui? –  Perguntou Dorian, abaixando-se e pegando as chaves que tinham caído no  chão desde o primeiro momento que Remmy enfiara a mão nos bolsos. Ao  voltar a tona, Dorian tinha um enorme sorriso sarcástico nos lábios e,  depois de umedecê-los com a ponta da língua, disparou: - Tem certeza que  você precisa desse negócio para ficar doidão? Já parece bem aéreo para  mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Dorian sim era impossível! Amigo de  infância, cunhado de Remmy e filho de um importantíssimo embaixador  britânico, o garoto era a epítome da pompa e do esnobismo. Talvez, não  fosse por Belle (sua irmã e namorada de Remmy), o filho de Siegfried não  o aturasse, mas... o custo/benefício compensava, no fim. Dorian era uma  criatura extremamente confusa e contraditória: aparentava ser a imagem  da moral e dos bons costumes, mas mantinha uma relação quase-incestuosa  com Justine, sua irmã de criação, filha do segundo marido de sua mãe.  Sempre impecavelmente vestido, o garoto parecia ter um bolso sem fundo,  de onde conseguia tirar toda uma sorte de objetos e encandear diversas  situações inusitadas em decorrência disto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;O molho de chaves logo fora arrebatado com  impaciência da mão de Dorian. Hector, segurando a única chave que  caberia naquela fechadura rústica e enferrujada, lançou um olhar de  reprovação para o companheiro de banda antes de enfiá-la no orifício e  girar até ouvir o clique característico. Espalmou a mão sobre o pranchão  transparente, empurrando-o sem empregar muita força, apenas o  suficiente para que a porta se abrisse. O miasma de aromas das mais  variadas plantas os atingiu com violência, fazendo Dorian tapar o nariz  com o cachecol, e Remmy abrir um sorriso estranho e afetado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Você é o cara, Hec.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102);font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Hector, o mais jovem e definitivamente o mais atraente do  grupo, era português e descendia da mais antiga e nobre linhagem de  Peeiras que se tem notícia. Sua mãe possuía certa ligação com Siegfried,  e foi por isso que Hector se tornou o melhor amigo de Remmy. Dos três  é, de longe, o mais pacífico e discreto, preferindo se manifestar apenas  quando é requisitado, o que não condiz muito com a sua posição social,  uma vez que a família de Hector, entre as Peeiras e os lupinos, é tida  como a mais alta e nobre de todas; o equivalente a uma família real,  caso esta espécie se organizasse desta maneira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Só vamos pegar a Artemísia e ir  embora daqui. – Foi o que o lobisomem murmurou, entrando primeiro na  estufa escura. Remmy entrou em seguida, empunhando novamente a lanterna  acesa, jogando luz sobre as mais variadas espécies de plantas que eram  cultivadas ali. Dorian tomou o cuidado de deixar a porta atrás de si  aberta, na esperança de que aquele cheiro esvaísse e não impregnasse sua  roupa. Para sua infelicidade, aquilo era irremediável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Será que tem Peiote aqui? –  Perguntou com um risinho zombeteiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Peiote é só na America do Norte, imbecil. –  Fora a resposta que recebeu de um Remmy impaciente, fissurado, que  procurava loucamente a prateleira onde Lewis, o responsável pelas  estufas, colocava as Artemísias.  – Elas deveriam estar aqui! –  Esbravejou o jovem, impaciente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- O Lewis as mudou de lugar por causa da fase da  lua, querido. – A voz feminina sobressaltou os três, fazendo com que  eles se virassem assustados para a porta escancarada e vissem, mal e  mal, a silhueta de uma mulher alta escorada no batente, de braços  cruzados. Remmy reconheceu aquela pessoa imediatamente, e logo abriu um  sorrisinho divertido. – Se você queria vir até aqui, era só me pedir,  Remmy! Seu pai me mandou vir atrás de você e pegar a chave de volta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Ah, Alícia! – Protestou ele,  erguendo o facho de luz para iluminar o rosto negro da maga. – Me diz  onde estão as plantas primeiro! Você sabe que sem elas eu não consigo  canalizar energia! Inclusive, ainda não consegui fazer a última  atividade que você requisitou por que o meu estoque de ervas está zerado  desde...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;-  ...ontem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Semana  passada! – Dardejou. – Não seja injusta!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Não estou sendo, meu anjo, mas você sabe que  eu não posso desobedecer as ordens do seu pai, não sabe? Se eu o fizer,  ele me expulsa. – Dando de ombros, a mulher adentrou a estufa, fechando a  porta atrás de si, e caminhou até os três garotos. Ela, juntamente com  Teresa, era a tutora de Remmy e vez ou outra ensinava também os outros  dois a executar determinados tipos de encantamentos. Porém, naquela  noite, Alícia estava ali não como professora, mas como o carrasco que  daria o golpe final nas esperanças do adolescente. – Me entregue a  chave, Remmy. – Disse em tom de ordem, estendendo a mão para o loiro,  que a contragosto depositou o molho de metal em sua palma aberta. –  Muito bem. Agora, se você quer realmente ajuda para conseguir fazer  magia, vá até o burg e fale com Siegfried. Todavia, sugiro que sigam  pelo norte, vocês vieram por um caminho extremamente perigoso, sabiam? O  Lewis pôs veneno naquelas plantas há umas duas noites.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Alícia conduziu os três garotos para  fora da estufa, trancando a porta em seguida. Colando a palma da mão na  fechadura, a negra murmurou algumas palavras em tom baixo, e embora nada  visível tivesse acontecido, o resultado daquele gesto era óbvio para a  tríade. Por fim, olhou por cima do ombro e, após uma piscadela para lá  de maliciosa e um sorriso do mesmo teor, adentrou a superfície vítrea  como se fosse feita de água, deixando-os a sós. Todos ali sabiam que  aquela era a especialidade de Alicia: portais de espelhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Mas que merda, tanto esforço para  nada! – Esbravejou Dorian, chutando uma pedra com impaciência. Remmy,  por outro lado, sorria. Sorria por que sabia o que tinha feito, e não  demorou muito para que os outros dois também se dessem conta de que lá,  viradas para o norte, na parte exterior da estufa, estava o que eles  tinham ido buscar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-3283267295458196173?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/3283267295458196173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=3283267295458196173&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/3283267295458196173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/3283267295458196173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/03/abstinencia.html' title='Abstinência'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-8597661755639595584</id><published>2010-03-23T21:59:00.000-07:00</published><updated>2010-06-23T09:40:30.575-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lilian'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hans'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Magos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ekaterina'/><title type='text'>Além das Sombras</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olá, leitores! Gostaria primeiramente de dar boas-vindas aos novos seguidores e agradecer a participação em nosso twitter. Bem, esse é mais um conto com personagens conhecidos da Crônica Resgate e cronologicamente acontece após o conto Rachaduras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que você não tenha lida alguma das duas referências, dá para ler o conto e aproveitar. Comentem erros ou elogios.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;---&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Batatas dos mais variados tipos, salgadinhos de diversos sabores e biscoitos de chocolate. As guloseimas da bandeja atiçavam-lhe os olhos, mas seu estômago ainda não estava disposto a comer. Ela beliscara muito mal alguns dos salgados industrializadas e já se sentia satisfeita. Suspirou frustrada com a falta de apetite. Quando em seu cotidiano teria a sorte de poder comer tanta besteira junta sem levar uma bronca da mãe? Despejou os farelos do biscoito sobre o pires passando os olhos castanhos pelas rachaduras da parede do quarto. Apesar do estado decadente da pintura envelhecida, achou o cômodo belíssimo, as casas antigas que morou na Irlanda eram muito diferentes, especialmente pelos motivos florais dos cantos das paredes. Curiosa, afastou a bandeja e ficou na beirada da cama robusta, olhando os detalhes da janela e dos móveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança colocou os chinelos felpudos (muito maiores do que seu pé) e se aproximou dos livros empoeirados da estante lotada, o silírico dourado nas lombadas formavam desenhos que a encantava, mas queria saber os significados dos títulos. Inclinou a cabeça, espiando o cômodo anexado ao seu por uma grande porta dupla, receiosa em tirar sua dúvida. O outro quarto era como uma extensão do que ela estava, porém com acesso a um pequeno parapeito. Lilian colocou o dedo na boca, quase roendo a unha, observando a figura silenciosa sentada na poltrona de couro. Estava de frente para a porta de acesso a uma sacada, abraçava as pernas encostando o queixo pontiagudo nos joelhos. As madeixas negras se perdiam nos pêlos do casaco cinza, criando uma tonalidade que, na fraca luminosidade do quarto, parecia natural da penugem da roupa. A criança não percebeu, mas mordeu a própria unha quando pensou como a criatura lhe lembrava um lobo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Precisa de alguma coisa? - a adulta lhe perguntou, sem mudar de posição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lilian voltou o rosto para a ocultabilidade da estante, envergonhada por ser pêga espionando. Precisar ela precisava de muita coisa, mas aquela mulher já a ajudara o suficiente ao salvá-la daquela catapulta e prometendo que a levaria ao seu pai, não queria lhe dar mais trabalho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ahm, não, desculpe - escorou-se no batente do acesso ao outro cômodo – Eu não comi muito. Acho que é de tanto dormir – disse, esfregando os olhos inchados e entrando na escuridão do outro cômodo a passos desengonçados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É bom que durma – a outra atestou, ainda olhando o horizonte, sem demonstrar nenhum incômodo pela criança se aproximando - Não aconselho que você saia por aí enquanto eu estiver dormindo, entendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança fez sinal afirmativo com a cabeça, ignorando que na verdade fora obrigada a ficar no quarto, dormindo ou não, já que mais cedo ela tentou abrir as portas do outro cômodo e não conseguiu. Notou que a vampira abriu um sorriso sutil antes de beber o chá novamente. Lilian não conseguia deixar de encará-la, a recuperação de seu corpo era incrível. Há dois dias quando passaram a noite em Moscou ela estava desfigurada, ontem uma pele extremamente vermelha e enrugada substituira as áreas carbonizadas. Agora podia ver, mesmo de perfil, que seu rosto atingira uma coloroção homogênea, traçando sua beleza angulosa. Estava frente a frente com uma vampira e, pelo visto, o que falavam sobre a rápida recuperação era verdade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está melhor - falou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É... - a outra murmurou, os olhos perdidos na noite emoldurada pelo batente da sacada a sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lilian notou como a fraca iluminação do quarto era suficiente para que visse a casa com outros olhos, especialmente com o silêncio que pairou entre elas, ouvia-se apenas o som do vento movimentando portas e cortinas. A casa secular parecia murmurar uma estória melancólica e a criança mordeu os lábios ansiosa para algum assunto surgir em sua mente. Poucas vezes nesses dois dias ficara junto da vampira e raras foram as palavras trocadas. Ao contrário de muitos adultos que conhecia, a imortal não fazia a mínima questão de agradá-la ou fingir que se interessava por algum de seus assuntos infantis. Não perguntara sobre seu ano na escola, se tinha muitos "coleguinhas", se seu adorável sotaque era do sul da Irlanda, se seus olhos avelã eram de Hans, e, o que mais desagradaria Lilian, se escovara os dentes a noite. Sem esforço, a amiga de seu pai a conquistara, pena que não era recíproco. Se fosse, a criança indagou em pensamentos, ela não teria se apresentado com um nome falso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Agatha" lembrou. O hesitar na voz quando se apresentou a fez ter certeza que este não era o seu nome. Talvez não confiasse em magos, como muitos de seus conhecidos não confiavam nos vampiros. Pouco Lilian sabia sobre eles, mas já ouvira mais de uma vez Cathir apelidando-os de cadáveres. Não entendia muito bem a referência, se eram cadáveres, os machucados não se recuperariam, sua pele apodreceria, federiam! Respirou fundo a fragância do chá de eucalipto e encarou a silhueta concentrada no horizonte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aquelas marcas, queimaduras, não eram por causa do fogo, eram? - perguntou, colocando a mão no queixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se lembra mesmo do que aconteceu antes do incêndio? - a vampira tocou uma cicatriz  em sua palma - Não se lembra de Mikhail? - perguntou esticando as pernas e cruzando-as em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina engoliu em seco ao ouvir o nome do vampiro, a náusea que sentia na presença dele voltara como se estivesse ao seu lado. Esse enjôo ela se lembrava muito bem, mas não havia nenhuma lembrança viva dele que pudesse relacionar às queimaduras de Agatha. O pouco que conseguia lembrar de Mikhail envolviam seu detestável raptor e não a criatura misteriosa a sua frente. Ou talvez não quisesse lembrar. Por menos de um segundo, formou-se em sua mente a imagem de uma luz intensa envolvendo um salão lúgubre. Lilian tocou nos dedos da mão esquerda, notando a pele arranhada nas pontas, eram sutis cicatrizes. Sentiu um arrepio ao se lembrar de uma fome incontrolável invandindo-a:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele me mordeu, não foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não - a outra sussurrou, encarando a criança pela primeira vez na noite - mas ele bebeu seu sangue - completou, observando a mão esquerda da menina, cujos olhos se arregalaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lilian colocou os lábios para dentro como se tentasse apagar aquele desejo por sangue que sentira no vampiro. Olhava pro chão, determinada a não lembrar mais nada do seu sequestro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, criança, olhe para mim - Agatha desencostara da poltrona e se inclinara para a menina - Quando ele bebeu seu sangue, algo o enfraqueceu e eu pude derrotá-lo, então não pense no quão desagradável foi - seus dentes pontiagudos se destacaram entre as falas - Pense que talvez não estaríamos aqui se não fosse pelas suas gotas de sangue - os olhos cinza da vampira demoraram a piscar, concentrados na face assustada a sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lilian movimentou a cabeça afirmativamente, puxando a saia para conseguir se afastar de Agatha. Não queria mostrar as lágrimas prestes a molhar as bochechas. Foi até a sacada que emoldurava a vista noturna que a adulta adimirava, ficando de costas para ela. O problema não era o sangue e sim essa quantidade de estranhas emoções que mesclavam-se as suas, mas não queria explicar isso a vampira, como ela entenderia seu poder? Preferiu esconder a expressão chorosa, olhando os pinheiros escuros no horizonte. Estava farta dos novos sentimentos que experimentara essa semana, definitivamente, precisava voltar para casa antes que começasse a odiar sua habilidade. Apreciou o vento resfriando suas bochechas úmidas e fechou os olhos pensando no que seu pai falaria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Achava que vampiros gostassem de sangue mago - disse baixinho, enlaçando os dedos nas ferrugens da grade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depende do vampiro - escutou a outra responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você? - Lilian se virou, aguardando a resposta timidamente apoiada nas barras de ferro &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criatura a encarava misteriosa. Sorriu, os caninos à mostra reforçavam a comparação selvagem que a criança fizera anteriormente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa sua face curiosa é idêntica a do seu pai - atestou se acomodando no estofado, cruzou os braços abrindo mais o sorriso - Sim, eu gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lilian não queria demonstrar temor, mas sabia que suas sobrancelhas a traíram por átimos de segundo, e, talvez por isso, a adulta continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, veja, eu não bebo sangue mago para me alimentar como Mikhail fez com você. Sangue mago tem um efeito peculiar nos vampiros da minha linhagem. Nós tomamos para conseguirmos ... - pausou, umidecendo os lábios - manter o foco em algum objetivo e faz tempo que não sinto essa necessidade, então, faz anos que não bebo - viu que a garota ia perguntar mais alguma coisa, mas ela não deixou - E não, seu pai não foi o último mago que eu mordi, nunca tomei o sangue de Hans - disse, o rosto assumindo uma expressão sombria -  E não vou tomar o seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente Lilian tentou falar algo, mas a vampira a interrompeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, não precisa se preocupar, pense em mim como uma reles policial te levando para casa - desviou do olhar da criança e se inclinou para pegar a garrafa térmica no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu prefiro pensar em você como você é - Lilian deu de ombros, esperando que ela voltasse a encarar seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um "cadáver?" - perguntou se servindo de mais chá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma amiga do meu pai - disse sorrindo tristemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agatha fechou a garrafa, sem falar nada, concentrada na tampa. Confusa com a indifirença da vampira, Lilian sentiu um aperto no peito sem saber se a melancolia que lhe invadia era sua ou da criatura imortal. Pensou no pai e sentiu o coração acelerar como nunca antes, uma mistura de preocupação, saudade e carinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era por isso que ele mudava de assunto rispidamente quando criticavam vampiros. Agatha não era apenas uma amiga.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-8597661755639595584?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/8597661755639595584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=8597661755639595584&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/8597661755639595584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/8597661755639595584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/03/alem-das-sombras.html' title='Além das Sombras'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-1967013636850611599</id><published>2010-03-10T14:14:00.000-08:00</published><updated>2011-11-12T19:17:37.670-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Egor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lilian'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resgate'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ekaterina'/><title type='text'>Rachaduras</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Olá, silenciosos leitores! Esse é o primeiro dos manuscritos avulsos que postaremos no blog. Eles não necessitam de nenhuma leitura prévia para compreenssão do texto, apesar de envolverem, algumas vezes, personagens das Crônicas. Serão postados, sem compromisso, às quartas-feiras. Comente mesmo se não gostou! Ajude-nos a melhorar!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;---&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tons escuros se espalhavam pelo céu, contrastando com o fio alaranjado no horizonte. Aquela visão normalmente a acalentava, mas agora se sentia sufocar e não era apenas pelo diafragma dolorido de frio. Tentar voltar a sua casa anoitecendo não foi nada esperto, sabia que era uma longa caminhada, a qual não conseguiria completar em menos de meia hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engoliu em seco, obrigando os pés calejados a continuarem enfrentando o terreno nevado. Reparou que estava andando mais hesitante graças ao aumento da penumbra, começara a ter dificuldade em distinguir as formas variadas sobre a neve. Fez questão de murmurar que poderia ser pior, podia ainda estar nevando. Começou a tatear os pinheiros no caminho, diminuindo drasticamente sua velocidade. Notou sua boca tremendo a cada respirar dolorido; os formigamentos sob seu grosso casaco de pele aumentaram e as pontas dos dedos enluvados perderam a sensibilidade. Estava cedendo ao frio e a vontade de chorar não colaborava em nada para evitar seu mal estar. Como pôde ser tão inconseqüente em arriscar ficar até essa hora caçando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jovem ouviu uivados distantes como se atestassem o que pensara e intuitivamente apertou o braço da pesada espingarda. Um uivar próximo fez seu corpo eriçar. Parou e segurou a arma em posição de tiro, virando-se para todos os lados. Não enxergava nada na penumbra, mas um grunhido ameaçador confirmou que havia um lobo a sua direita. Perguntou-se como acertaria se não conseguia ver um mero vulto. Hesitante nem ao menos tentou atirar quando sentiu sua perna ser mordida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O animal lhe puxava, agarrando a perna esquerda com uma força que a surpreendeu e ela não resistiu às investidas tombando desengonçada sobre a bolsa que carregava nas costas. Seu longo cabelo se encharcou do sangue vazando da sacola graças a pressão de seu peso. Gemendo pela dor dos dentes afiados roçando na ferida, a morena conseguiu juntar forças e passou a acertá-lo com o cano da arma. Não tinha coragem de atirar a esmo, entretanto, as coronhadas na face irritaram-no o suficiente e ele se afastou grunhindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhando a desistência, a ninfeta sentou, preparando-se para um novo ataque, mas não dele e sim do líder da alcatéia. Presumiu que estava cercada com tantos sons selvagens que ouvia agora. Provavelmente foram atraídos pelo cheiro de sangue do saco ensangüentado. Seu corpo tremia de medo e frio, sabia que a chance de sobreviver agora era mínima, ainda assim mantinha a arma em punhos para golpear qualquer animal que a atacasse. Mesmo esperando o ataque, surpreendeu-se com o puxão em suas mechas negras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Automaticamente, largou a arma e levou as mãos ao pescoço, tentando evitar que a alça da bolsa o pressionasse. Um dos animais atacava com selvageria a sacola envolta pelos longos cabelos, puxando-a e grunhindo. Cortes finos faziam seu pescoço arder, a adolescente mantinha as mãos trêmulas na alça, não conseguia se desvencilhar do couro tamanha a força contrária do animal. Tentava não tossir com a pressão, segurando o tecido com uma mão enquanto a outra alcançara a arma de fogo e preparava um golpe. Antes que pudesse desferi-lo o animal afrouxou a mordida. Os lupinos uivavam ameaçadoramente e a jovem percebeu, desconfiada, que conseguia distinguir os galhos e folhagens secas dos pinheiros ao redor. O lugar se iluminara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fonte de luz amarelada era uma pequena lamparina. Seu dono envolto em sombras a colocou no chão tranquilamente, voltando-se em seguida para os lobos que o cercavam. Sem tirar os longos fios do rosto, ele sacou os dois sabres levados na cintura, se curvando como se desafiasse os lupinos, cujos grunhidos selvagens aumentaram. A silhueta que puxava a sacola da menina a largara de vez, correndo para atacar o sujeito. Ágil, a figura masculina provocou um som fino de sofrimento no lobo ao deferir-lhe certeiros cortes. Alguns da alcatéia tentaram atacar, mas falharam também caindo lamentosos na neve. O restante dos animais fugiu enquanto a criatura de cabelos desgrenhados guardava seu sabres:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Egor? – a garota perguntou, porém ela já sabia quem era o ser tão selvagem quanto os lobos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tranquilamente ele pegou a lamparina e se aproximou, revelando o tórax cor de mármore mal coberto pela camisa desabotoada. Colocou as mechas claras para atrás da orelha e encarou de relance os ferimentos na perna da adolescente, desviando o olhar para sua face. Parecia perdido em seus próprios pensamentos, arqueando de leve as sobrancelhas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi só a perna? – sibilou sua voz rouca, os olhos examinavam seu pescoço; inclinou-se tirando a alça sobre os ombros dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim... – ela respondeu passando os dedos trêmulos na região da traquéia - Isso não foi nada - adicionou vendo-o molhar os lábios grossos, tampando o nariz. Seu comentário fora um erro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Para ele é o suficiente..."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem tirou a camisa, expondo o tórax magro, branco como a neve, e jogou sobre a garota:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cubra-o – pediu, cerrando os lábios enquanto ela cobria o pescoço como se usasse um chachecol. Ele lhe entregou a lamparina e enlaçou cuidadoso suas pernas e ombros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espere. – pediu quando Egor a ergueu como se fosse uma pluma, olhava suplicante para a bolsa de couro próxima a um tronco – Eu preciso levá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Temos comida suficiente, Kath, – ele bronqueou, ajeitando o corpo trêmulo ao seu tórax antes de começar a andar  – você sabe que não precisava mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ninfeta desviou dos olhos reprovadores e encarou as chamas flamejantes da lamparina sobre sua barriga, esperando que a visão quente pudesse lhe passar o calor que o corpo morno de Egor não transmitia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É a segunda vez que você se fere em menos de uma semana – o sussurrar provocava um leve movimento no peito nu – Aquilo é uma raposa – afirmou apontando com a cabeça para a bolsa de couro – Ele te desafiou, não foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio provocou um estalar de língua dele. Formou um sorriso astuto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você já não é mais uma criança – ele censurou olhando-a de relance, andando a passadas largas pelos arbúrios e pinheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A adolescente respirou fundo e encostou, tímida, a cabeça no peito gélido. A falta de som do tórax não a assustava mais, porém, arregalou os olhos cinza. Relembrou alguns dos infortúnios que sofrera nas últimas semanas e quem os provocara. Como poderia ter ignorado por tanto tempo que os comentários ferinos não eram por uma simples implicância? Molhou os lábios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Egor... – sussurrou com a voz embargada - Ele quer me matar, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Faça um favor a nós dois, Ekaterina. – seus olhos azuis cravaram nos seus - Não confie em seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[---]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento noturno invadiu o quarto, balançando quadros e levantando poeira quando a vampira abriu a janela ruidosa. Acendeu o abajur próximo a cama e sentou, notando as profundas rachaduras na velha pintura da parede. Diversas noites ela passara naquele recinto lendo as poesias e composições musicais dadas por Egor. Nunca tivera uma acústica perfeita, mas suas paredes foram as primeiras ouvintes de diversas canções que fluíam após um dia exaustivo. Enquanto não finalizasse um verso, não conseguia relaxar, temerosa que a inspiração se esvaisse. Sentiu-se vazia ao lembrar de sua euforia juvenil, era algo tão distante de sua atual realidade que a jovem pupila de Egor lhe parecia outra pessoa agora. Há quantos anos ele a salvara na floresta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Séculos... - murmurou, raspando os dedos na poeira do criado mudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cômodo secular era um representante mais fiel de sua verdadeira idade do que o próprio corpo, conservado desde que o vampiro a transformara. Virou o rosto para a menina adormecida no colchão, sentindo uma estranha tranquilidade ao notar o tórax se movimentando. Agora era Ekaterina a criatura cujo peito não precisava mais de ar; e não, ela não se importava nem um pouco com isso. Segurou o cabelo revolto pelo vento, evitando que as longas mechas batessem no rosto da garota:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui, o jornal – disse um homem raquítico entrando cauteloso no recinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode deixar em qualquer lugar, Ivar – pediu, ocupando-se em retirar os sapatos elameadas da menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desde quando você pega crianças para se inspirar? - questionou o loiro, parando próximo a cama - Conto infantil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ekaterina cobriu a garota como se a protegesse do olhar lascivo do humano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, claro! - murmurou, impaciente - Ele se chamará Alice no pais das sombras - levantou-se despindo o casaco de pele, esperando que ele se retirasse – Você poder ir agora – sussurrou, claramente irritada pela sua observação insistente no rosto de Lilian – Ivar – aumentou o tom de voz - Você não ficará perto dela, entendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente o humano a encarou, um pouco surpreso pela expressão furiosa da vampira, cuja mão coberta de bolhas apontava para a porta. Os olhos cinza seguiram-no até sua saída do cômodo. Desfazendo as sobrancelhas arqueadas, Ekaterina colocou as mechas negras atrás das orelhas e se aproximou da penteadeira empoeirada. Não precisava de mais luz para conseguir ler o sílirico de uma das chamadas da capa de jornal &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Incêndio no museu moscovita pode ser criminoso".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou os dedos pelos escritos, pensando nas consequências de seus atos na noite passada. E se a descobrissem? O alívio por libertar Hans começara a ser substituído por uma excitação formigando em seu peito. Evitou por tanto tempo se meter em uma nova confusão que não percebera como sua inspiração dependia de um desafio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu um sorriso sombrio, sentia vontade de cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;---&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Interessou-se pelos personagens? Dê uma olhada na Crônica Resgate que começa em: &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2009/04/resgate-capitulo-1-primeira-parte.html"&gt;Capítulo 1: O pedido&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Cronologicamente, o próximo conto relacionado a Ekaterina e Lilian é o  &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/03/alem-das-sombras.html"&gt;Além das Sombras&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-1967013636850611599?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/1967013636850611599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=1967013636850611599&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/1967013636850611599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/1967013636850611599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/03/rachaduras.html' title='Rachaduras'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-6767022978687511238</id><published>2010-03-05T10:35:00.001-08:00</published><updated>2010-03-18T13:37:28.382-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nicole'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sasha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Malleus Maleficarum'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ashtaroth'/><title type='text'>Malleus Maleficarum - Cap. Final [O Quinto Círculo do Inferno]</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Bom, pessoal, é isso! Depois de um ano de postagens, finalmente a crônica Malleus Maleficarum chega ao fim! Porém, continuem atentos que logo haverá a postagem de outras histórias que se interligam a esta, com personagens que já apareceram e cujas tramas continuam inacabadas. Gostaria de agradecer a todos os que leram, comentaram, e principalmente aos que apoiaram a história ;) especialmente à Heluiza, minha companheira no site, que sempre se dispôs a ajudar com as melhores idéias ever! Um grande abraço a todos, e boa leitura!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;---&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/02/malleus-maleficarum-cap-vii-o-suplicio_19.html"&gt;M. Maleficarum - Cap. VII [O Suplício do Executor]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Início da crônica em:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2009/01/malleus-maleficarum-prlogo.html"&gt;Malleus Maleficarum [Prólogo]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tsc. Imortal, hein? – Desdenhou a assassina ao se curvar perante o corpo ainda em combustão, porém já morto, do vampiro. As chamas migraram paulatinamente de âmbar para azul, como se agora o cadáver do russo se consumisse em meio a labaredas de fogo fátuo. Com um sorriso de triunfo, Sasha enfiou as mãos no fogo mágico –sem sofrer dano algum-, cravou o salto da bota entre as costelas já aparentes da ossada e, com um puxão vigoroso, separou o crânio do resto do corpo, levando-o à altura do rosto ao se aprumar. O sorriso se alargou, enquanto a mercenária contemplava as órbitas vazias e escuras do que até então fora um vampiro de beleza ímpar. Porém, aos seus olhos, estava mais atraente agora, pois parecia que segurava uma enorme e inestimável caveira feita de ouro maciço. Roçou o polegar sob um dos caninos pontiagudos e mordeu o próprio lábio em uma expressão de êxtase. Estava feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me leve a mal, querido, mas ela me ofereceu muito mais do que a sua cabeça realmente vale. – Suspirou teatralmente, enfiando o crânio em uma valise de couro curtido que trouxera dentro da bolsa e, enquanto puxava e amarrava os cordões, continuou: - Ah, se você pelo menos soubesse a quantia, aposto que seria consumido pela vaidade. Não é qualquer um que vale tanto, sabe. Mas uma mulher ferida é... bem, como você acabou de presenciar. – Referia-se a si mesma e a Nicole, embora não soubesse o real motivo pela qual fora contratada (e não se interessada de verdade), de forma que só restava conjeturar por alguns segundos, antes de sua curiosidade migrar vertiginosamente de volta para o que realmente interessada: o dinheiro que receberia. Sorrindo, ela entrou no elevador e apertou o botão para descer. Seu corpo todo doía, porém ainda restava um vampiro para abater, e ela não poderia recuar, não ainda. – Al Azif.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O veículo de metal sacolejou e começou a descida. A lâmpada continuava apagada e de vez em quando piscava debilmente produzindo luminosidade insuficiente para clarear de fato o cubículo. A assassina tamborilava displicentemente os dedos na a valise sob seu ombro, no que imaginava ser o osso frontal da até então cabeça do notívago. Então, quando chegou ao andar inferior, antes de abrir as grades de ferro, apanhou um cigarro e levou-o aos lábios, mas não chegou a acendê-lo, pois a cena que vislumbrara por entre as barras parcialmente enferrujadas atraiu toda a sua atenção. O cigarro caiu de sua boca entreaberta enquanto ela observava meia dúzia de pessoas (vampiros ou humanos? Não interessava realmente) estavam paradas no meio do enorme salão de mármore, as cabeças tombadas para frente, os olhos cerrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Franzindo o cenho, obviamente confusa, a assassina puxou a grade com demasiada violência, escancarando a passagem e caminhando rapidamente até o primeiro indivíduo – que logo percebeu ser um mortal, pois respirava pesadamente – e, cutucando-o sem cerimônias entre as costelas, esperou que ele despertasse; em vão. – Mas que bost... – Puxou então uma das adagas do coldre, passando o fio sobre a sua bochecha, produzindo um corte superficial, e ainda assim o humano não se manifestou. – Amante de vampiros de merda! Bem merece, quem quer que tenha feito isso com você. – Praguejou, uma careta de asco enrijecendo os músculos de sua face pálida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos passos vencidos, e já estava diante da segunda figura; uma vampira de longos cabelos louros e lábios ainda molhados de sangue –este, da terceira figura, uma garota adolescente que jazia de mãos dadas com a noturna, os dedos entrelaçados intimamente, o corpo recostado na base do portal arqueado cujo relevo distorcia-se fluidamente formando o semblante de São Miguel. O local se mostrava cada vez mais esdrúxulo, constatou enquanto cruzava a soleira do salão principal do Kremlin. Já imaginava o que encontraria ali, visto que um silêncio sepulcral engolfava todo o lugar, mas não deixou de esboçar um sorriso repleto de malícia quando percebeu que todas as criaturas presentes também dormiam; não o sono dos justos, por certo, pois todo o lugar exalava pecado, perversão e luxúria. Um amalgama estranhamente conhecido, produzindo um miasma ocre resultante da perversão vampírica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que tivesse problemas com tais transgressões, seus problemas eram com a raça que as praticava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, pessoal, acabou a festa do pijama. – Anunciou a mercenária para os presentes. – Então era&lt;span style="font-style: italic;"&gt; disto -ou do que quer que tenha feito isto- &lt;/span&gt;que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ele&lt;/span&gt; estava fugindo. Que covarde... – Além da voz desdenhosa de Sasha, o único som que se podia ouvir no Kremlin era o produzido pelas botas da assassina sobre o piso de mármore. Havia dezenas, talvez centenas de pessoas ali, todas adormecidas, como uma miríade de estátuas vivas, e pela segunda vez na noite a referência do mito de Perseu perpassou a sua mente -embora neste momento ela estivesse em uma posição muito mais favorável, permitindo que se divertisse com a alusão. Quem tinha posto todas aquelas pessoas para dormir? Teria algo a ver com a 'fulana-das-tintas', ou ela encontraria uma Medusa entre o mar de esculturas de carne e sangue? Sabia que tinha algo a ver com Nicole, era fato. Tudo naquela noite girava ao seu redor, e novamente a indagação de seus motivos lhe ocorreu, desta vez um pouco mais pertinente, mas como anteriormente, logo fora silenciada. Não conseguia se ater a tais trivialidades, não quanto a segunda pessoa que tinha que matar estava bem na sua frente, adormecida, vulnerável... &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quase-morta&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cabelos longos e negros do vampiro cascateavam pelos seus ombros largos, que moviam-se muito lentamente, evidenciando que respirava. Este fato não passara despercebido para a assassina, que por um momento hesitou, parando a adaga a meio caminho de seu pescoço. Era fato que alguns imortais conservavam o hábito de respirar, até para se passar mais facilmente por humanos, mas aquele parecia fazê-lo involuntariamente durante o sono. A hesitação não perdurou, e logo os dedos da mulher agarraram com violência os cabelos do outro, erguendo seu rosto para que a parca luminosidade sanasse suas duvidas. Era ele. Uma fração de segundo depois, seu corpo tombou decapitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uníssono ao corpo despencando, ouviu o clangor de metal ecoando pelo lugar. Não era a única acordada em meio àquele mar de rostos. Girando os calcanhares, deparou-se com uma outra figura adormecida, cujas feições lembravam bastante as do loiro que abatera na galeria acima, e tão logo seus olhos cravaram-se em sua face, recordou das últimas palavras do imortal recém-tombado. De fato, por mais que a Inquisição não a recompensasse tão bem quanto Nicole -ou até mesmo Charlotte- por um trabalho bem feito, havia mais vampiros indefesos ali do que os que ela abatera ao longo de toda a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal qual uma maravilhosa epifania, as palavras de sua vítima anterior jogaram luz sobre suas idéias, e a assassina levou os dedos até os cabelos do vampiro adormecido à sua frente, acariciando-os gentilmente. - Segundo a Divina Comédia de Dante, os hereges e criaturas que renegaram a Deus ardem eternamente em túmulos profanados. – Anunciou com uma voz demasiadamente calma. – Que tal ir para lá agora? – E assim que terminou de falar, o cheiro incômodo de cabelos queimados invadiu as suas narinas. Seus dedos colavam-se à face esquerda do vampiro, produzindo uma nuvem de fumaça negra que espiralou e subiu rumo à abobada do Kremlin vampírico. Logo o imortal estava completamente envolto em chamas, e Sasha pôde retirar a mão de seu rosto, levando-a até a cigarreira de prata e pescando de lá um dos cigarros, acendendo-o nas próprias labaredas que lambiam e consumiam o corpo de sua vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criatura tombou para trás, caindo sobre outro vampiro, cujas roupas também começaram a arder. O local estava tão abarrotado que não demorou e grande quantidade de corpos, mortais e imortais, queimavam em um amontoado disforme. Sasha perambulava pelo local, empurrando uma ou outra pessoa que se encontrava um pouco mais afastada do epicentro do incêndio, cantarolando uma antiga canção que atribuía à cena uma comicidade mórbida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- You know that it would be untrue… - Atirou uma jovem vampira à pira, - You know that I would be a liar -, e abriu a garganta do próximo, que movimentava-se letargicamente, dando mostras de começar a acordar. - If I was to say to you. – A próxima era uma humana, não devia ter mais do que quinze anos; suas fracas pernas cederam ao primeiro empurrão, e logo seu vestido de cetim começava a carbonizar, deixando à mostra pedaços de seu corpo esguio. - Girl, we couldn't get much higher... – Murmurou a assassina, chegando até um garoto vampiro que possuía uma beleza helênica, assemelhando-se assustadoramente a uma estátua grega. Com um sorriso mal-intencionado, a mulher levou a mão até o corpo do jovem e se aproximou perigosamente de seu rosto. As palavras que se seguiram foram ditas com malícia ímpar, e a cada sílaba proferida, um filete de fumaça escapava de seus lábios: - Come on baby, light my fire! – Colou então a boca à dele por um único segundo, antes de se afastar e imprimir um pouco mais de força à mão que o apalpava, empurrando-o também para a fogueira. - Try to set the night on fire... – Pontuou a Inquisidora, erguendo as mãos até acima da cabeça e girando sobre o próprio eixo, enquanto assobiava alegremente os acordes seguintes da canção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[---]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;O som das sirenes do corpo de bombeiros ecoou histericamente pela noite Moscovita, mas a mulher sentada no banco da praça, do outro lado da rua, não ergueu os olhos para contemplar o prédio inteiro –outrora um Museu de Arte Moderna, agora um monte de escombros- ruir em meio ao fogo. Concentrava-se no pequeno Blackberry em suas mãos, os dedos movimentavam-se frenéticos, pressionando as teclas correspondentes ao número de telefone de Alioth, remetendo um pequeno relatório do que acontecera, e que estaria em Roma pela manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, às vezes eu acho que você é meio louca. – Disse uma voz ao seu lado, e pela primeira vez em minutos os olhos de Sasha desviaram-se do telefone, encontrando os de Ashtaroth, sentado displicentemente sobre o espaldar do banco, também com um aparelho celular na mão. O display luminoso revelava o número do Corpo de Bombeiros. – Ou vai dizer que não foi você quem fez aquilo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sasha deu de ombros, voltando a atenção novamente para o aparelho e iniciando uma nova mensagem. Esta, para a sua contratante que aguardava as boas notícias. – Foi mais forte do que eu. – Disse por fim, suspirando e torcendo os lábios em uma careta de desânimo. – Vampiros são criaturas asquerosas, você sabe. E a Inquisição me paga bem... apenas uni o útil ao agradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vampiro riu, jogando os cabelos ruivos para trás, e então respondeu: - Eu sempre achei que esse seu desprezo pela minha espécie reflete um desejo reprimido por algum vampiro que você conheceu. Talvez o Adrian, mas eu acredito que o felizardo seja eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A assassina revirou os olhos e bufou impaciente antes de replicar: - Freud explica! E sabe o que eu acho? Que finalmente seu cérebro começou a apodrecer, o que não seria de todo inesperado, degenerado como é. – O ruivo riu novamente, acenando positivamente com a cabeça e voltando os olhos azuis para o prédio ainda em chamas. Com certo desgosto, sentenciou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É uma pena que eles nunca descobrirão o Kremlin. Imagina como seria interessante se a nossa existência viesse à tona? – Entrelaçando os dedos, Ashtaroth completou pensativo: - Seria ótimo para os negócios. Fornicaraz iria bombar, não acha? - Sasha não respondeu, apenas balançou a cabeça negativamente, desdenhando das palavras do imortal. – Mande um beijo para a Nicole por mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já enviei a mensagem, agora estou jogando blackjack, esperando que você vá embora. – Respondeu a mulher em tom monótono, depois ergueu os olhos e encontrou os de Ashtaroth, que conservavam o ar divertido diante de seu humor mordaz. – Mas já que você tocou no assunto, sabe por que ela nos contratou?  Não creio que seja por assuntos diplomáticos, certo? Certamente haveria retaliação por parte dos Generais aliados de Mikhail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você não sabe qual é a única coisa que faz a doce Nicole perder a cabeça e agir como uma... – O vampiro gesticulou com descaso, ao completar: - ...mera mortal cega de ciúmes? Achei que o motivo já fosse óbvio para você, Sasha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Imaginei que fosse isto. – Murmurou ela, levantando-se e apanhando as duas valises de couro contendo as cabeças pela qual o general se comprometera a pagar uma verdadeira fortuna. – Aliás, eu pedi para ela mandar um beijo para o Adrian, quais as chances disto acontecer? – Pela primeira vez desde que deixara o Kremlin, Sasha verdadeiramente sorria. Ashtaroth, após uma risadinha debochada, limitou-se a desdenhar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você adora brincar com fogo, garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe que sim. – Respondeu ela de imediato, olhando uma última vez para a galeria incendiada, e voltando-se para o vampiro por fim. – Me leva até o aeroporto? Aliás... O que diabos você está fazendo aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vim ver a queima de fogos. – Respondeu o vampiro, evasivo, enfiando a mão no bolso e jogando um molho de chaves para a assassina, que o aparou prontamente. – Você dirige.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;---&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Leiam a crônica Resgate para melhor compreensão do texto! Lá explica o motivo de todos estarem dormindo. E... quem aí gosta do Uriel? =D&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-6767022978687511238?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/6767022978687511238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=6767022978687511238&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/6767022978687511238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/6767022978687511238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/03/malleus-maleficarum-cap-final-o-quinto.html' title='Malleus Maleficarum - Cap. Final [O Quinto Círculo do Inferno]'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-849522955749802442</id><published>2010-02-26T20:23:00.000-08:00</published><updated>2010-06-23T09:40:30.577-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lilian'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resgate'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ashtaroth'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ekaterina'/><title type='text'>Cap 7: A Maldição do Reino. Final.</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Finalmente, após quase um ano postando, o último capítulo da crônica! Gostaria de agradecer aos comentários frequentes da Cátia e do Thiago e principalmente ao Lucas por me deixar estreiar no site alguns personagens dele (como o Ash e a Nic). Aos demais que lêem não se acanhem em criticar. Aproveitem a leitura!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Continuação de: &lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/02/cap-7-maldicao-do-reino-parte-3.html"&gt; Cap 7: A Maldição do Reino. Parte 3&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Lembrando que a crônica Resgate inicia em:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2009/04/resgate-capitulo-1-primeira-parte.html"&gt;Capítulo 1: O pedido&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda segurando sua espada, a Ingenium encarou o vampiro, passo a passo. Ashtaroth não se intimidou com aquela expressão acusadora e continuou a se aproximar, só parando, cautelosamente, antes da poça de sangue formada pelo corpo inerte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tanto tempo sem te ver e você me aparece assim, tão deformada, tsc. Vai ser complicado andar em Moscou com o rosto desse jeito, hum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele rosto debochado... Como o detestava. Queria perguntar por que ele fizera Mikhail beber o sangue da menina se sabia o efeito, porém a resposta era evidente, trouxera a criança ali para atazanar o General. A dúvida relevante era outra: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você trouxe uma maga aqui justamente HOJE? Coincidência? - sussurrou em um inglês fechado, levantando-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que você nunca gosta de falar comigo em russo? Me dá uma chance quando quero praticar, poxa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela arqueou as sobrancelhas, impaciente. Concluiu que, para variar, aquela criatura desprezível só a irritaria e comprometeria sua saída do Kremlin, não precisava da confirmação do que agora lhe era óbvio. Somente Nicole sabia de sua vinda a Moscou e, principalmente, ela a incentivara a invadir o Kremlin hoje. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Seria melhor para o mago se você finalizasse isso logo. Faltam 2 dias para o prazo, lembre-se que notícias da Rússia demoram a chegar"&lt;/span&gt;. Maldita. Combinara com o Vox a morte do General. Fora ele quem soltou sobre seu passado para o General. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encarando a expressão tranquila do ruivo, apertou o cabo da espada, afrouxando ao sentir a umidade do sangue de Mikhail em sua bota. Guardou-a na bainha de couro pensando em quanto tempo os súditos estariam completamente despertos. Daria um jeito na língua de Astharoth outra noite, agora precisava recuperar suas coisas e sair dali, bem rápido. Tensa, passou por ele tão decidida a abandonar o recinto que apressou os passos quando o ouviu sibilar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa, você perdeu os modos? - o vampiro a seguiu pelo corredor, emparelhando-se a suas passadas rápidas - Não vai me agradecer, mudinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agradecer? - resmungou, praticamente para si mesma - Agradecer pelo que? Se você não falasse demais, eu nem estaria aqui! - o olhou de relance, sem hesitar ao entrar na escuridão do hall trifurcado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, vamos lá, se Nicole não soubesse do que você é capaz, qual seria sua moeda de troca pelo mago?! - seu tom era divertido, deleitava-se em vê-la tão irritada, ela sabia, então focou o corredor a sua frente, ignorando-o mesmo com sua insistência - Você sabe que estou certo, hã? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ashtaroth parou quando a intrusa entrou no corredor cheio de velas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espere, sair por aí é estupidez nesse estado nojento que você tá! - aconselhou, enquanto ela se afastava mais na penumbra; o sorriso do vampiro passou para um leve arquear dos lábios, abaixou as pálpebras, perguntando em um tom sombrio - Ekatherina, você realmente não reconheceu a garota?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vampira diminuiu sua velocidade e olhou para o outro no oposto do corredor. Parou, aguardando que continuasse a falar, porém, só ouviu um cintilar de passos arrastados. Lá estava a criança hipnotizada, aproximando-se como uma boneca de seu manipulador. Reparou nos olhos piscando em um curto espaço de tempo. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Ela está acordando"&lt;/span&gt; atestou olhando, curiosa, a cútis branca da garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não a reconhecia, independente da distância e falta de luminosidade, tinha certeza que nunca a vira antes, mas sentiu uma empatia estranha pelo estado da menina desconhecida. Mesmo irritada por saber que estava entrando em algum novo jogo do Vox, voltou à entrada do hall, ficando a pouco mais de um metro dos dois. A respiração da criança era audível, os lábios pequenos pareciam tremer, deixando Ekatherina pesarosa pensando há quantos dias ela estava nessa condição de sonâmbula. O cansaço pelo mês parecera maior agora, não tinha nenhuma disposição para aceitar mudanças no combinado do General de São Paulo, independente de quem fosse a garota. O cheiro de queimado (das velas?) lhe pareceu mais forte, a instigando a se livrar logo do vampiro irritante. Os olhos cinza o fuzilaram:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Já matei quem vocês queriam. Então o que você quer comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tenho nada com o pedido de Nicole - começou a alisar os fios claros da criança  parada entre eles - Só levei a pequena Lílian  para passear um pouco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, seus magos deixam você brincar com as crianças deles, Alexis? – retrucou debochada vendo-o apertar os ombros da menina:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alexis...- ele cerrou os lábios e forçou um sorriso em seguida – Ela não é uma maga deles, Agatha. É do seu precioso amigo. - Ekatherina abriu a boca para falar algo, mas não formou palavra alguma antes que a criatura de cabelos avermelhados continuasse – E você dirá aquele mago xereta que eu não aceito mais que ele investigue minhas coisas. Conte detalhes do que viu, ele precisa saber o que posso e farei com a filha dele, caso continue. É isso o que eu quero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ekatherina segurou o cabo da espada, inclinando o corpo, ameaçadora. Se não fosse atraída pela cabeça da menina mexendo, o teria atacado. Puxou-a pela mão, afastando-a de Ashtaroth, e sussurrou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Já te disse para agradecer todos os dias por ser filho de Uriel? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Incontáveis vezes – ele sorria triunfante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vampira afirmou com a cabeça:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos maliciosos desviaram dos dele e pousaram sobre a garota, cuja mão tremia apertando a sua. Viu que ela tentava apontar com o outro braço para o corredor de velas e virou o rosto. O cheiro que sentira até agora começou a fazer sentido, a claridade tremeluzente do salão no outro extremo era anormal, parecia que algo pegava fogo. Ashtaroth também encarava o lugar surpreso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Delicada, a Ingenium levou Lílian até a metade do túnel, onde conseguiu entender que não era algo pegando fogo e sim indivíduos.  Virou a maga para que não visse os que acordavam perambulando em chamas antes de morrerem sobre o mármore do palco. Os guardiões se levantaram, ao mesmo tempo, desengonçados e soltando um gemido fino, tenebroso em meio a um estranho assobiar animado. O lugar estava muito instável para arriscar pegar qualquer coisa. Decidiu voltar ao hall, agora vazio, puxando a criança rapidamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ashtaroth sumira, mas não queria saber dele, sua prioridade era achar as saídas da morada do General. Reparou nas pernas de Lílian tropeçando umas nas outras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Consegue correr? – perguntou em inglês, olhando-a de relance enquanto escolhia ao acaso um dos arcos do cômodo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na.. não – lágrimas desciam do rosto assustado da menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ekatherina fingiu que não as viu e se ajoelhou, de costas para ela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coloque os braços no meu ombro como conseguir – esperou Lílian unir os membros, enlaçando seu pescoço com força – Isso, agora envolva meu quadril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se cuidadosa, sentindo as pernas dela fraquejando. Apesar de roçar na pele machucada, era melhor levá-la assim a forçar sua mão machucada levando-a no colo. Percebeu que ela tremia, não sabia se era só de medo ou de frio, sua roupa não era muito quente, mas não era o momento de procurar algum casaco. Pediu que agarrasse com força e começou a correr, preocupada com a temperatura da menina:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Não se preocupe, logo você estará com o seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você conhece meu pai? – Lílian balbuciou, pausadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim... – sentiu a garota apertando sua traquéia e murmurou em russo – Conhecia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Aos que ficaram curiosos em saber o que realmente aconteceu com o Kremlim, leia a crônica Malleus Maleficarum ;P&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-849522955749802442?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/849522955749802442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=849522955749802442&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/849522955749802442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/849522955749802442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/02/cap-7-maldicao-do-reino-final.html' title='Cap 7: A Maldição do Reino. Final.'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-8989437371407470686</id><published>2010-02-19T16:08:00.000-08:00</published><updated>2010-05-03T11:59:15.477-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sasha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Malleus Maleficarum'/><title type='text'>Malleus Maleficarum - Cap VI [O Suplício do Executor] pt. III</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Continuação de:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/02/malleus-maleficarum-cap-vii-o-suplicio.html"&gt;Malleus Maleficarum - Cap VI [O Suplício do Executor] pt. II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continua  em:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/03/malleus-maleficarum-cap-final-o-quinto.html"&gt;Malleus  Maleficarum - Cap. Final [O Quinto Círculo do Inferno]&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;O loiro olhou lentamente para cima, e abaixo dos olhos tristes Sasha pôde perceber que suaves olheiras se formavam, denunciando que finalmente o sangue do cadáver tinha entrado no organismo já morto do vampiro. Ela riu, cortando o último fio de sangue; estes consideravelmente mais frágeis e quebradiços, dada à condição debilitada do imortal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- O que você f-fez? – Perguntou ele, e a assassina riu novamente, debochada. Quando Sasha caiu diante do loiro, com leveza facilmente comparada à de um felino, limitou-se a agarrar os cabelos de sua vítima e erguer a adaga acima da cabeça, preparando-se para desferir o golpe final.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Onde está a sua arrogância agora, hm? – Perguntou ela entre dentes. Seu rosto estava vermelho pelas pancadas que levara, e os cabelos levemente emaranhados. Um fio de sangue escapava pelo canto do lábio, descendo até o queixo e gotejando no solo já inundado de carmim. – E onde está a sua inteligência, querido?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;E baixou a adaga, sem esperar pela resposta, cravando-a no pescoço do vampiro. Se fosse humano, certamente Sasha estaria inundada de sangue expelido por uma traquéia gorgolejante, mas aquele não era o caso, era?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;[---]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;A vampira ruiva continuava a encarar a tela recém-começada, onde uma mulher de rosto e formas amorfas degolava um homem de cabelos loiros. Ele, sim, possuía as feições razoavelmente definidas, pois a imortal o conhecia desde muito tempo atrás e em decorrência disto, ajudava de bom grado o general de sua cidade. Não pelo dinheiro, embora não negasse o pagamento pelos seus préstimos, mas por vingança. O braço direito de Mikhail tinha lhe tirado algo valioso demais, e a retaliação viera, não tão célere quanto ela gostaria, infelizmente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Um gato miou em algum lugar na escuridão, e dois pequenos olhos amarelados revelaram-se alguns metros adiante, onde podia-se perceber as formas de uma enorme cama embrenhada no negrume diáfano da noite. Todas as lâmpadas do local estavam apagadas, e a única iluminação provinha de um menorah de ouro maciço sobre a mesa ao lado da tela inacabada. O rosto pálido da mulher era banhado pela luz das sete velas, que dançavam pelas formas angulosas de suas feições, no embalo hipnótico das chamas, atribuindo à ela um ar ainda mais etéreo e fantasmagórico do que ela gostaria; mas ninguém podia vê-la ali, afinal, exceto o felino que, cravando as unhas nos lençóis de algodão egípcio, arqueou as costas e silvou ameaçadoramente para o quadro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;A ruiva, sem desviar os olhos de sua obra, passou o pincel pela paleta de cores e abanou a cabeça lentamente, dando uma rápida pincelada no rosto da figura feminina e dizendo calmamente: - Eu sei, Byron, ele não está morto... ainda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;[---]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Os olhos assustados de Sasha fitavam a criatura prostrada à sua frente com verdadeiro horror. A boca entreaberta não conseguia emitir som algum, pois agora era o seu pescoço que estava para ser dilacerado – porém, pela mão do vampiro, que retirara forças sabe-se lá de onde para uma última investida. A mercenária, pega desprevenida, chutou o vampiro na virilha com tanta força que sentiu o pé afundar sobre os ossos pélvicos, mas o imortal não afrouxara o aperto. Astutamente, a primeira coisa que o vampiro fizera quando resolveu contra-atacar, fora livrá-la das adagas, privando-a de suas principais armas. Principais, porém não as únicas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Filho de uma p... – Resmungou ela, puxando o ar e colocando a mão direita no rosto do seu executor. Lágrimas de dor, ódio e frustração escorriam de seus olhos em um amalgama calcinante e dolorosamente acerbo. O vampiro sorriu, ela pôde sentir suas feições relaxarem sob a palma de sua mão, e antes que pudesse pronunciar as próximas palavras, ouviu o escárnio contido na voz do loiro:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- O que você fará, humana estúpida? Me asfixiará? – Todavia a resposta fora outra, e tão logo as pontas dos dedos de Sasha começaram a esquentar, os do vampiro relaxaram ao redor do seu pescoço, permitindo então que ela respirasse com mais facilidade. A assassina rapidamente agarrou o pulso dele com a mão livre e murmurou um cântico acelerado em sua língua natal. Sentiu o tecido sintético das luvas queimarem, sentiu o fogo ser gerado na palma de sua mão, e sentiu, principalmente, o cheiro de carne pobre carbonizada invadir as suas narinas quando o loiro começou a gritar. – AAAH!!! BRUXA!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Logo a mulher estava livre, o corpo debruçado sobre o do vampiro, outrora seu captor, novamente sua vítima. O notívago, cujas costas arqueavam-se para trás, tentava livrar-se da influência da assassina, mas seus esforços mostravam-se inúteis. Pequenas espirais de fumaça escapavam por entre os dedos de Sasha, que agora também cravara as unhas sob as pálpebras do outro. Ela não era afeita àquele tipo de investida, mas a urgência da situação a obrigara a tomar medidas mais drásticas do que de costume. As falanges incandescentes da humana incineraram os globos oculares de sua presa e deixaram marcado no rosto marmóreo a impressão de sua mão inteira, da boca à testa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Bem apropriado para uma oficial da inquisição, não acha? – Desdenhou ela, sibilando próximo ao ouvido do vampiro, e fungando alto, para que ele pudesse perceber o teor de suas palavras, destilou: - Pena que vampiros cheiram ainda pior quando queimados, senão eu me valeria deste artifício mais vezes, mas ai a minha conta da lavanderia seria astronômica!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Sasha levantou-se de cima do corpo inerte, caminhando até onde suas adagas foram atiradas. Seguiu o rastro de sangue deixado por elas. Sangue do vampiro, ou de um dos humanos doentes que freqüentavam o Kremlin vampírico logo abaixo. A fama dos costumes dos imortais russos certamente os precedia, e não era nada boa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- O q-quê você vai fazer, bruxa? – Cuspiu em meio a uma bolha de sangue que se formara entre os lábios. Sasha sorriu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Uma recompensa foi posta pela sua cabeça, logo, preciso dela para receber o meu pagamento, se é que você me entende. – Sasha mancava e falava ofegante, mas mesmo naquele estado ela ainda conservava muito de sua altivez inata. Seria preciso muito mais do que um vampiro imbecil, por mais forte que ele fosse, para fazê-la descer do salto. – Mas não se preocupe, não vai doer tanto quanto ter a sua cara queimada... Eu acho! O pior já passou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Apanhou por fim a lâmina ensangüentada, e quando se virou para a vítima, ela já estava de pé novamente. O rosto desfigurado, e o corpo cheio de feridas e lavado em sangue. Não parecia nada com a criatura de beleza ímpar que saíra do elevador, pensou ela, e viu que tinha feito um bom trabalho, afinal presas não precisam ter identidade, não precisam ser belas, não precisam ser interessantes. Precisam apenas ser valiosas, e aquela era. E como era!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Volte para o chão, você já está morto! – Disse ela com desdém, os passos ecoando pela galeria. – Quer dizer, morto você já está faz tempo mesmo, então... você já está derrotado. – Reformulou, umedecendo os lábios com a ponta da língua. Ainda podia sentir um pouco do gosto do sangue daquele vampiro que matara na praça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Não tome isso como pessoal. – Pediu a vítima, erguendo a mão acima da cabeça no mesmo gesto que fizera anteriormente, quando manipulara a assassina como uma boneca de cordas. – Percebi qual a sua intenção. Não posso deixar que desça. – Completou, fazendo a mercenária olhá-lo com curiosidade. – É o meu dever para com os meus iguais. Você não matará mais nenhum vampiro, bruxa!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Ora, mas por que não? – Perguntou ela, sorrindo. O vampiro não respondeu, ao invés disso, iniciou movimentos com os dedos, evidenciando que já estava manipulando sua marionete, porém Sasha conseguia mover-se livremente sem nenhum empecilho. Ele estava delirando? A resposta viera tão logo, quando ao seu lado surgiu uma criatura quase amorfa que imitava muito precariamente uma mulher. Sua pele parecia aquosa, maleável demais, e não havia roupas sobre o seu corpo que se contorcia de acordo com a vontade do vampiro. Ou mais ou menos isso, pois seus movimentos eram erráticos e pouco naturais, como um balão cheio de água. O ser não tinha rosto também, nem cabelos, parecia simplesmente um punhado de tinta moldado em forma humanóide. – O que você está fazendo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Eu já disse: Certificando—se de que você não mais ameace os meus irmãos!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;- Você é idiota ou o quê? Esta não sou eu! – Explicou ela com impaciência, no exato momento em que a criatura estranha explodia no ar e banhava o corpo do loiro de tinta a óleo. Sasha sorriu da cena, e diante do ser –que migrara rapidamente de presunçoso a patético-, a mulher teve certeza de que aquilo era obra da “fulana” que Nicole mencionara. – Sabe de uma coisa? Eu posso levar apenas a sua caveira. – Concluiu antes de começar a murmurar novamente o cântico e criar um singelo fio de fogo, que espiralou pelo ar e acomodou-se no solo, sobre um veio de tinta... e o fio tornou-se, então, uma labareda, e por fim uma pira, quando atingiu as pernas do vampiro e se alastrou até o topo de sua cabeça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Ele não se debateu e nem gritou; talvez morte e derrota significassem a mesma coisa, afinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/03/malleus-maleficarum-cap-final-o-quinto.html"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continua  em:&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/03/malleus-maleficarum-cap-final-o-quinto.html"&gt;Malleus  Maleficarum - Cap. Final [O Quinto Círculo do Inferno]&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/03/malleus-maleficarum-cap-final-o-quinto.html"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-8989437371407470686?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/8989437371407470686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=8989437371407470686&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/8989437371407470686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/8989437371407470686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/02/malleus-maleficarum-cap-vii-o-suplicio_19.html' title='Malleus Maleficarum - Cap VI [O Suplício do Executor] pt. III'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-4546755894972404279</id><published>2010-02-12T12:14:00.000-08:00</published><updated>2010-06-23T09:40:30.578-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lilian'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resgate'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ashtaroth'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ekaterina'/><title type='text'>Cap 7: A Maldição do Reino. Parte 3</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Continuação de: &lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/01/cap-7-maldicao-do-reino-parte-2.html"&gt; Cap 7: A Maldição do Reino. Parte 2&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela cobriu o rosto com o braço para se proteger da luz que lhe cegava. Recuava confusa, a ardência nas bochechas virara leves alfinetadas de dor e o mesmo acontecia com o braço que cobria o rosto:&lt;br /&gt;- Ha ha ha. Estou de frente para você agora, Ingenium! - zombou o descendente de Azrael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz cessou e a vampira abriu os olhos lentamente, apesar da visão embaçada, conseguia identificar as formas inchando nas costas de sua mão: bolhas. Focou no General ajoelhado, murmurava palavras indecifráveis, enquanto a ponta do cetro ganhava fluidez, como um fogo branco. Uma áurea de mesmo tom pareceu envolver o Vox e Ekatherina sentiu estranhamente o estômago revirar ao notar a semelhança da cena com os ícones representados no Kremlin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundos, diversas perguntas a inquietaram, entretanto ela não poderia dar atenção a nenhuma delas agora. Não precisava entender os múrmurios de Mikhail para prever seus efeitos. Era um encantamento, como muitos que já vira; ele estava fortalecendo aquele... fogo? Não poderia ficar parada, esperando que a potência da luz aumentasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso não é bom... nem um pouco bom - murmurou, convencendo-se de vez a atacar, ignorando a dor e o enjôo. Precisava matá-lo às cegas, antes que curasse os músculos danificados anteriormente. Correu forçando a vista mirando um dos braços de Mikhail. Ele deixaria de segurar o cetro, querendo ou não. Porém, antes que o atingisse, o fogo do objeto se expandiu violentamente e a Ingenium fechou os olhos, perdendo toda a noção do local rasgado por sua espada. Pulou para trás, reparando que a luz se intensificou a ponto de queimá-la novamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você esperava mesmo que te deixaria me atacar assim? - desafiou o General - Tem muita sorte de eu estar de joelhos ainda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela distância da voz, imaginou que estava a alguns metros dele. Sentiu que a intensidade dos raios diminuiu quando ele gritou e, justamente quando sua  pele coberta pelas roupas começara a queimar, a luz cessou novamente. Pelo visto o Vox não poderia se desconcentrar ou, talvez, não poderia expressar raiva usando um poder tão... sagrado. Arqueou as sobrancelhas, irritada com a vista ainda embaçada e com seu raciocínio prejudicado pela dor do corpo enchendo de bolhas. Precisava pensar, precisava voltar a se concentrar e ignorar a agonia dos ferimentos. Não ouvia os novos murmúrios de Mikhail, voltou sua atenção para a entrada escura, tão próxima dela quanto o vampiro. Rápida, levantou e correu para os arcos atrás do palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem hesitar perante a escuridão a sua frente, seguiu o tracejado formado pelas velas acesas no chão. Só confirmou que corria por um corredor quando a luz de Mikhail o invadiu, iluminando-o. Ekatherina mordeu os lábios trêmulos, contendo os gemidos pela dor das costas e se concentrando no que achava ser o final do vão estreito. Seus passos se tornaram pesados, era difícil correr sentindo a pele queimada roçar na roupa, contudo só diminuiu o ritmo quando a luz sumiu a suas costas. Tentou silenciar seu salto grosso batendo no mármore, precavida com o que teria na morada do General. Olhou para trás e não viu nenhuma silhueta, o Vox ainda deveria estar de joelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Xingou-se por ter sido fraca e não acabar com ele naquele estado debilitado, mas não conseguiu pensar direito com sua carne queimando. Reconheceria a dor que sentia em qualquer lugar, o cetro não reproduzia apenas um fogo incandescente, os efeitos que lhe provocavam eram o equivalente a andar no Sol. A pergunta &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Como ele faz isso? Como??!"&lt;/span&gt; ainda dispersava seus pensamentos voltados a elaborar uma estratégia de ataque, então, desistiu de pensar e conteve-se em observar o ambiente que o corredor a levara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua visão limitada lhe permitiu considerá-lo um hall, um acesso a outros corredores. O aroma de vela era forte, possivelmente Mikhail as apagara antes de sair para enfrentá-la. Ou um outro vampiro o fizera. Molhou os lábios, insegura em entrar no cômodo; o percorreu, sorrateira, distinguindo as fragrâncias escondidas pelo queimado de cera. Das três saídas possíveis do lugar, uma tinha mais cheiros de suor e sangue humano; sem hesitar ela a escolheu, acreditando que seu próprio odor se perderia em meio a esses aromas. Mal entrara nesse novo corredor quando ouviu passos próximos, se vendo obrigada a entrar na primeira sala aberta que encontrou. De relance constatou que ela não tinha ninguém e, assim, preocupou em se manter silenciosa, próxima as grossas colunas de entrada. Esperava a aproximação do dono das passadas, mas, após alguns segundos, sua audição não as detectaram mais, ouvia apenas uma respiração fraca. Virou-se, desconfiada, observando o pequeno salão que entrara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Focou nas taças vazias iluminadas por um castiçal e, em seguida, no suntuoso divã atrás da mesa baixa que os apoiava. Havia mais dois encostos daquele tipo próximo das outras paredes, e, ao centro, uma estátua enfeitando o local. Estátua? Não, a forma estática envolta em sombras  respirava como se estivesse em sono profundo. A visão difusa de Ekatherina lhe enganara, havia sim alguém na sala, uma criança, provavelmente a futura genitora da bebida nas taças. Aproximou-se dela o suficiente para conseguir ver sua face: os olhos castanhos não mexiam ou piscavam, suas feições apáticas lhe lembraram um efeito de hipnose provocado por outro Vox. Ou todos os filhos de Azrael conseguiam manipular pessoas dormindo, ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Ashtaroth... ah, não."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virou-se para trás, nervosa. Se ele estava ali, poderia esquecer a discrição do assassinato. Apertou com força o cabo dourado de sua espada, ansiosa para reencontrar Mikhail, não bolara nenhum plano brilhante para atacá-lo, mas já estava se arriscando demais naquele lugar. Pegá-lo de surpresa quando ele a procurasse deverá bastar. Ouviu passos novamente, e correu silenciosa, até o divã mais próximo da entrada, ficando atrás dele. Enquanto escutava os passos, notou que conseguia mexer os dedos da mão anteriormente inutilizada. Apesar de ainda se moverem trêmulos,  não latejavam mais de dor. Isso significava que tempo suficiente passara para o Vox conseguir recuperar suas pernas e, ao menos, conseguir mancar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eco de vozes confirmou seus pensamentos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos, Ingenium, você não vai me matar? – berrou Mikhail em meio ao som agudo de um objeto batendo seguidamente no mármore. A batida ficou cada vez mais próxima – Acho que agora você não tem mais tanta certeza, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não conseguia ver, mas podia imaginar sua expressão triunfante, a qual se transformou em desprezo quando a outra voz murmurou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa, mas você levou uma surra, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tom fora baixo, entretanto a mistura de deboche e suavidade lhe fez atestar quem era seu dono:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não me falou nada útil desde que chegou aqui, Ashtaroth, - retrucou sussurrando o vampiro russo – Então, pelo menos não me atrapalhe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sombras dos dois escureceram mais a sala de Ekatherina, a qual eriçou seu corpo como se sentisse que estavam posando os olhos em cada vértice do cômodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que você já se atrapalhou o suficiente por nós dois. – resmungou despreocupado o Vox. - Se você não tivesse ordenado que eu ficasse aqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das formas sombrias se moveu, o cetro batia no chão novamente (e mais forte) acompanhado de um arrastar leve. Mikhail mancava, continuando pelo corredor, aparentemente apressado para se afastar do outro, cuja ofensa ignorou e começou a urrar pela presença da Ingenium.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se desligou das ofensas, atenta somente ao corpo que ainda escurecia o local, Ashtaroth continuava lá. Talvez a procurando, talvez observando o General enquanto criava um novo veneno doce para irritá-lo sutilmente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela já deve ter saído pela entrada sul uma hora dessas – destilou tranquilo, entrando no salão e pegando uma das taças. Ekatherina ouviu seus passos leves mais próximos e esperou por um ataque, mas, surpresa, notou o cheiro de sangue se espalhando pelo ar rarefeito – Acredito, General, – ele falou alto – que não tem para quê ter pressa. Venha aqui, venha experimentar o que lhe trouxe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vampira molhou os lábios, mesma reação, provável, de Mikhail ao pensar no gosto da criança. Sabia que ele estava pensando nisso. Acreditar que ela sairia do Kremlin depois de todo esse trabalho e tão ferida era estupidez. Contudo, um vampiro sedento comumente se deixava levar por pensamentos estúpidos na presença de sangue. Especialmente um ancião confiante que suas habilidades apavoraram a inimiga. A sombra dele cobriu todo o salão, seu caminhar era marcado pelos pés desengonçados, pois a batida do cetro não passava de um som oco agora. Ekatherina o imaginava imponente, a confiança o convencendo ainda mais a despreocupação em beber o sangue da menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E estava certa. Os olhos azuis do General miravam as gotas escorrendo do corte aberto no dedo de Lílian:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fiz do jeito certo? – o ruivo perguntou, afastando a taça da mão e oferecendo a Mikhail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este o ignorou, passando por seu braço estendido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não fez – sussurrou puxando a mão cortada da criança – a procure, Ashtaroth.- ordenou indiferente, os lábios próximos do dedo ensanguentado. Encostou o cetro na testa alva de Lílian, falando coisas indecifráveis enquanto o ruivo saía do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ekatherina tampou seu nariz, o cheiro agora era inebriante, não era um sangue comum. Era doce demais, o olor demarcava o ar como notara quando Hans se machucava. Essa garota não era comum, deveria ser uma maga e talvez fosse esse o segredo do General, beber sangue mago para conseguir manipular, sem se machucar, um poder que simulasse a luz do Sol. “Você está se sentindo mais pura?” as palavras refletiram em sua mente, lembrando-a das crenças estranhas de Azrael. Mikhail construíra praticamente um culto a sua pessoa e ela deveria lhe mostrar que não passava de um reles vampiro comedor de criancinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inclinou sua cabeça, visualizando os dois. Delicado, ele se alimentava do líquido que escorria do dedo. Ekatherina não segurou sua vontade de atacá-lo, levantou e correu. Rápida, conseguiu pegá-lo de surpresa ao empurrá-lo, cravando a espada no pulso que segurava o cetro. Tirou a espada e cravou de novo. Estava sobre ele, encarando raivosa o sorriso tenebroso formado pelos lábios ensanguentados. O braço livre da vampira se apoiava com toda a força no torso do General, mantendo-o desengonçado no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cravaria mais uma vez a espada (pronta para ver a mão do Vox  rolar pelo salão) quando a ponta do cetro exibiu um fogo ao rápido balbuciar de palavras de Mikhail. Ekatherina fechou os olhos, sentindo o corpo enfraquecer com a abertura das bolhas sobre a pele. O fogo estava muito mais forte do que antes. Era o sangue, tinha certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O murmurar de Mikhail continuava enquanto forçava o corpo da vampira que o mantinha no chão. Ela segurava os gemidos de dor, perdendo a resistência das pernas na tentativa dele de levantar. Quando notou que os murmúrios virarando indagações, sentiu o corpo dele tremer. A luz cessou. Abriu os olhos, pasma não por ele ter parado, mas pelo seu estado: coberto de bolhas como ela. Viu nos olhos azuis perdidos que ele compartilhava do mesmo sentimento de assombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixou a curiosidade de saber "como e porque aquilo ocorreu" atrapalhá-la:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, ora – encostou o fio da lâmina no pescoço avermelhado, a mão machucada agora pressionava a ponta da espada – pelo visto, você não está mais tão ... puro – falou entre dentes, a arma abrindo um corte logo abaixo o queixo do Régius, cujo corpo se debatia tentando escapar das pernas que o enlaçavam - Nicole manda lembranças! – sussurrou, fria aos xingamentos dele se dissolvendo em sons plangentes conforme o pescoço era cortado. Ela colocou o pé para substituir a mão fraca e finalmente o executou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ekatherina acompanhou o cetro rolando no chão, relaxando as pernas sobre o corpo morto (de vez). Nem começara a sentir alívio por poder libertar Hans quando foi coberta pela sombra do vampiro parado na entrada do salão. O ruivo sorria, caminhando em sua direção colocando as mãos no bolso do terno claro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem que eu desconfiava que Mik tinha problemas com sangue mago, tsc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continua em:&lt;/span&gt;&lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/02/cap-7-maldicao-do-reino-final.html"&gt;Resgate. Capítulo 7: A maldição do reino. Final&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-4546755894972404279?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/4546755894972404279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=4546755894972404279&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/4546755894972404279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/4546755894972404279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/02/cap-7-maldicao-do-reino-parte-3.html' title='Cap 7: A Maldição do Reino. Parte 3'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-8510574619634648761</id><published>2010-02-06T12:53:00.000-08:00</published><updated>2010-05-03T11:56:42.220-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sasha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Malleus Maleficarum'/><title type='text'>Malleus Maleficarum - Cap VI [O Suplício do Executor] pt. II</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/01/malleus-maleficarum-cap-vii-o-suplicio.html"&gt;Malleus Maleficarum - Cap. VI [O Suplício do Executor] pt. I&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continua em:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/02/malleus-maleficarum-cap-vii-o-suplicio_19.html"&gt;Malleus Maleficarum - Cap. VI [O Suplício do Executor] pt. III&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Um enorme torpor tomou conta do corpo e mente da assassina, cujas pálpebras lentamente se fechavam. Era como se ela tivesse desistido de lutar, como se nada mais importasse a não ser se entregar à influência do maldito vampiro ‘mestre das marionetes’. Seu único arrependimento era não ter pedido o pagamento antecipado para Nicole, pensava ela com bastante dificuldade, assim poderia pelo menos ter desfrutado um pouco mais dos luxos a que se dava antes de uma missão particularmente difícil. – “Quem ia imaginar que esse desgraçado conseguiria me manipular assim...” – Sob as pálpebras semi-cerradas, Sasha por um segundo pensou ter visto dezenas de fios escarlate brotando as pontas dos dedos do vampiro, vindo em sua direção. Teria sorrido se estivesse no comando de seus músculos naquele momento. – “Fios de sangue, que coisa mais imbecil...” – Os pensamentos da assassina rebimbavam dolorosamente em sua caixa craniana. Era a única coisa que doía naquele momento, como se o simples esforço de pensar causasse tamanho desconforto a ponto de impedir que seu corpo se entregasse à influência do manipulador. Ou ela lutaria contra aquilo, ou simplesmente se deixaria levar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você custa a desmaiar... – Observou ele com um sorriso, mexendo levemente os dedos, erguendo ainda mais o corpo entorpecido da assassina, fazendo-a rodopiar preguiçosamente no ar, as solas dos sapatos quase roçando o teto do museu. - ...como se não precisasse respirar para viver. Acredito que você ingeriu alguma substância que alterou o metabolismo do seu corpo temporariamente. – Compassadamente o vampiro aproximou-se da mercenária, até praticamente colar o rosto no dela, que se encontrava à mesma altura de sua face, mas de ponta cabeça. Inclinando-se teatralmente para frente, o notívago fungou próximo aos seus lábios entreabertos, tragando o aroma suave que exalava de sua boca. – Hmm... Sangue élfico. Pois muito bem, continue resistindo bravamente, eu não ligo. Logo você desmaia, ou morre de uma vez, enquanto isso... – Sorriu um pouco mais largo, aquele mesmo sorriso que não se estendia aos seus olhos opacos e tristes. - ...vamos ao meu ateliê, minha bela Andrômeda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criatura virou-se, manipulando o corpo da mulher de forma a permanecer flutuando sempre à frente, e começou a caminhar na direção do elevador. Finalmente o corpo de Sasha cedia à influência do seu carrasco, sua cabeça girava loucamente, e ela fazia um esforço hercúleo para se mover. Embora seus membros não se mexessem, era como se estivesse entregue a poderosos espasmos em uma última e vã tentativa de se salvar do afogamento eminente. O vampiro percebeu isso, visto que uma risadinha sarcástica escapou de seus lábios, porém não chegou a ser pontuada, pois antes de finalizar o gracejo o corpo de Sasha simplesmente despencou, fazendo a expressão do homem, até então de regozijo, fixar-se em uma careta de total incredulidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A assassina, em um gesto instintivo, cruzou os antebraços sobre a cabeça antes de cair, e demorou um ou dois segundos para se dar conta de que estava livre das habilidades do vampiro russo. Sem entender o que tinha acontecido, ergueu o rosto e olhou, por entre a cortina de cabelos desgrenhados, para o local onde estava o seu captor. – Hah! Que irônico, hein? – Perguntou ela ofegante, pois tentava puxar e engolir a maior quantidade de ar que conseguisse, e se sentou sobre os calcanhares, apoiando as mãos sobre os joelhos trêmulos. Agia de maneira tão despreocupada por que o vampiro agora se encontrava misteriosamente enrolado por uma corrente de prata, saída sabe-se lá de onde, que prendia seus membros junto ao corpo e o impedia de se mexer. – Você faz uma Andrômeda muito feia, na minha opinião. Mas nunca fui amante de arte contemporânea, mesmo. – Desdenhou a assassina, conjeturando se aquelas correntes eram obra da criatura que apareceu para ela no banco da praça, da ajuda que Nicole mandara. Mentalmente, agradeceu ao general por isto, embora dali em diante ela negasse veementemente que carecia de algum auxílio para acabar com sua presa. Já de pé, a executora sacou as duas adagas e partiu na direção do vampiro, porém pouco antes de alcançá-lo, os elos prateados que o seguravam liquefizeram-se, tingindo as vestes do imortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que merd... – Antes que o soco armado pelo vampiro acertasse seu rosto, Sasha abaixou-se e cravou uma das adagas no peito do pé do inimigo, enterrando-a tão fundo que sentiu os ossos cederem sob seu esforço. Um urro de agonia ecoou pela galeria, e o vampiro agarrou a assassina pelos cabelos, erguendo-a até a altura de seu rosto. Ao perceber o que estava acontecendo, Sasha enterrou fundo a outra adaga na coxa esquerda do homem, rasgando tecido, pele e músculo à medida que era erguida por ele até que os seus pés não tocassem mais o chão. O cheiro de tinta fresca invadiu, agressivo, as narinas da mercenária, obrigando-a a franzir o nariz por um momento. A lâmina cortara todo o tronco do vampiro e parara na clavícula, perigosamente próxima ao coração, mas o hematófago continuava de pé, o rosto contorcido e desfigurado em uma mistura de dor e triunfo. Confusa, Sasha encarou os olhos do outro e perguntou, entre dentes: - Precisarei te atirar ao fogo para você morrer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que fogo? – Perguntou ele com sarcasmo, levando a outra mão ao pescoço da assassina e apertando sua garganta lentamente. – Embora se passe por uma agente da Inquisição, você é a bruxa aqui, não eu. - Sasha chutou a região pélvica do vampiro diversas vezes, enquanto cravava as unhas os dedos apertados dele, tentando aliviar a pressão em sua traquéia, mas era inútil. Com esforço, alcançou a adaga que ainda estava cravada na clavícula do imortal e a arrancou de lá bruscamente, enterrando-a desta vez entre o rádio e a ulna do braço que a apertava e girando a lâmina até romper os músculos. Logo estava livre, e puxava imensas quantidades de ar novamente, o corpo ligeiramente arqueado para frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual... é... o... seu... problema?! – Perguntou, arquejando a cada palavra dita. O vampiro não respondeu, apenas curvou-se e arrancou a adaga que ainda o prendia no chão. Ele estava visivelmente mais debilitado do que a humana, esvaía-se em sangue e seu corpo estava lacerado em vários lugares; Sasha, por outro lado, apenas apresentava as marcas das unhas e dos dedos do Ingenium na pele do pescoço. Porém, ele ainda era um vampiro, pensou ela, e um extremamente resistente. Seria burrice acreditar que ele seria abatido com apenas três golpes. – Você custa a desmaiar... – Comentou ela, com um sorrisinho sádico, usando das mesmas palavras que ele utilizara há pouco, quando a mantinha presa como um boneco de cordas. - ...como se não precisasse de sangue... ainda mais quando o seu corpo está completamente intoxicado com sangue de um cadáver. Ou você ainda não tinha percebido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O loiro, educadamente, entregou a adaga suja de sangue para a assassina – esta, surpresa, a apanhou rapidamente – e ao invés de responder à pergunta que ela lhe fizera, perguntou: - Você não disse que estava sozinha? Quem a livrou da minha marionete?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei. – Respondeu ela rapidamente, estranhando a atitude de calma repentina do vampiro. Porém, tão logo se perguntou o porquê daquele cessar-fogo inesperado, observou que a ferida na palma de sua mão já estava completamente cicatrizada. – “Mas que filho da p...” – O próximo gesto da mercenária fora tão súbito que o próprio vampiro arregalou os olhos, surpreso, ao cair para trás com Sasha sobre seu corpo, ambas as lâminas cravadas nos ombros, perigosamente próximas do pescoço. Um segundo a mais, e ele seria decapitado – a única coisa que conseguiu fazer para evitar o golpe fatal fora bater violentamente a palma da mão no esterno da assassina, reunindo toda a força que conseguiu, atirando-a para cima, em direção ao teto. O corpo da mulher fora novamente envolto pelos cordões de sangue, mas desta vez eles a atrelavam ao forro do museu, a quase dez metros de altura do chão, como uma mosca presa a uma teia de aranha. – Como você é covarde! – Cospiu ela, tentando se livrar dos fios, cortando-os com as adagas. O vampiro não respondeu, apenas se sentou no chão e, com os dedos sujos de sangue, jogou os cabelos loiros para trás. Seus movimentos estavam mais lentos, menos fluidos do que os de um vampiro poderoso, observou Sasha. O sangue morto começava a fazer efeito, finalmente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continua em:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/02/malleus-maleficarum-cap-vii-o-suplicio_19.html"&gt;Malleus Maleficarum - Cap. VI [O Suplício do Executor] pt. III&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-8510574619634648761?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/8510574619634648761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=8510574619634648761&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/8510574619634648761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/8510574619634648761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/02/malleus-maleficarum-cap-vii-o-suplicio.html' title='Malleus Maleficarum - Cap VI [O Suplício do Executor] pt. II'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-8699719698053128737</id><published>2010-01-28T17:12:00.000-08:00</published><updated>2011-11-12T18:07:41.333-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resgate'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ekaterina'/><title type='text'>Cap 7: A Maldição do Reino. Parte 2</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/01/capitulo-7-maldicao-do-reino-parte-1.html"&gt;Resgate: Cap.7: A Maldição do Reino. Parte 1&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Parece um cemitério"&lt;/span&gt; pensou, olhando as criaturas albinas caídas. Passou sobre elas cuidadosa deixando seu casaco acinzentado escorregar pelos ombros e cobrir um dos corpos. Pisou no palco e parou, olhando a passagem atrás dele. "Vamos, cadê você?" Os fios negros e curtos estavam sobre seus olhos, mas ela enxergava muito bem a luz variando naquela entrada formada por arcos. Imaginava ser ali a porta da morada de Mikhail  e o General se aproximava, tinha certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou a coluna ereta, tentando transmitir imponência perante o vampiro que ganhava forma por trás das sombras. Suas roupas sociais claras não a surpreenderam, vestia camisa branca e calça cinza, ambas largas mesmo para o seu corpo robusto. Carregava um cetro longo de ouro o qual destoava da vestimenta moderna. Entretanto não achou a discrepância cômica, o bastão lhe fez temer mais ainda o General. Ekaterina tirou os olhos do objeto e focou na expressão misteriosa da face anciã de Mikhail, teve a impressão que pressionava os maxilares por trás da barba cerrada. Ele passou pelos arcos, entrando, então, no palco e parou. Girou os pequenos olhos por toda a arquibancada sonolenta, parando nas duas armas dependuras no quadril da intrusa. Seu tom gutural confirmou que já tinha idéia do que ela viera fazer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Voz dos Ingenium. - encarou-a, encostando o cetro no chão firmemente - Pensei que estava morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu íntimo sentiu-se gratificado pela lembrança do apelido, contudo, Ekaterina manteve uma expressão calma, indiferente, afirmando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Voz dos Ingenium está morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma novata não faria isso. - ele disse, balançando a cabeça, insatisfeito - Porém, só uma novata para ser ignorante o suficiente e achar que pode me matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não acho. Irei - mentiu, sem pensar nas dúvidas e temores sobre a incumbência suicida, nada disso lhe traria vantagem no confronto eminente - Se não tivesse certeza, não estaria aqui - cravou os olhos no dele, confiante, mesmo quando este deu uma risada desafiadora:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ha ha ha ha, de onde vem essa idéia? Algum mestre, amante ou descendente seu foi morto por um dos meus? - não era bem uma pergunta, já que ele continuou a esbravejar sorridente, caminhando em sua direção - Não se ache com sorte por conseguir matar minhas crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Foi mais indolor do que elas mereciam"&lt;/span&gt; a Ingenium pensou controlando-se para não falar. Nos velhos tempos ela instigaria sua raiva, menosprezando os Régius, os seguidores de Azrael, citando detalhes de como sua espada penetrara a carne das duas; mas ela mudara. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Um pouco"&lt;/span&gt; afastou a gola da camisa azul deixando a mostra  o colar sobre o início do decote farto. O oponente parou, ainda a alguns metros dela, e focou na jóia dourada. Arqueou as sobrancelhas, furioso e incrédulo com sua audácia. Ela sorriu. A fileira de dentes aparecendo, perfeita, entre os lábios carnudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como ousa... - Mikhail murmurou, cerrando o punho sobre o cetro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fiquei com dó de queimar... me pareceu ... - passou os dedos longos nos símbolos do pingente volumoso - cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me dê - ele ordenou, abruptamente, afrouxando a mão do topo do cetro e voltando a caminhar, claramente pronto para pegar à força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invés de esperá-lo ou se afastar, ela correu em sua direção. A rapidez exímia o surpreendeu já que facilmente  a vampira arrancou seu cetro, puxando-o de sua mão com suas duas armas brancas. O objeto bateu no chão, estridente, enquanto ela levantava o braço para deferir um golpe com seu sabre. O rasgo no peitoral do General ainda não começara a se encher de sangue quando ele tentou acertar um murro no rosto de Ekaterina, era um reflexo tardio da retirada de seu objeto. O soco passou de raspão no rosto da vampira, arranhando sua bochecha enquanto ela se agachava, sorrateira, girando o corpo para cravar a espada curta na virilha do oponente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O General mal começara a se curvar de dor e ela já tirara a espada, chutando-o logo acima do ferimento. Ele se manteve firme e tentou segurar a mão da inimiga pronta para cortar seu quadril com o sabre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Merda – ele gritou ao ver que, além de não conseguir segurá-la,  rasgou sua própria mão na tentativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dar-lhe folga, Ekaterina mirou o pescoço, pronta para acabar logo com isso, e cruzou as armas na altura da gola do inimigo, porém Mikhail a desequilibrou acertando um soco em sua barriga. Ela recuou, baqueada com a força,  mas rapidamente voltou a deferir uma série de estocadas contra ele. Concluiu que era mais ágil e seria com a rapidez que o venceria. Independente de sua vitalidade ou força, a esquiva dele era fraca, suas pernas duras demais, especialmente agora, com a virilha ferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A camisa do Vox se encharcou de sangue com os novos rasgos acima da cintura, suas tentativas de acertar a oponente resultaram nada mais do que alguns fios despenteados. Facilmente ela desviava dos punhos de Mikhail e continuava a atacá-lo, abrindo cortes leves. Exibia um olhar animado, um sorriso desafiador, enquanto a expressão do General ficava cada vez mais furiosa. Ele passou a xingá-la:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sua vadia! – golpeou sua face com o cotovelo, enquanto ela puxava a espada. A força do golpe a fez recuar, quase caindo – Vadia! – repetiu, levando-a ao chão com um chute.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constatou que ele não estava furioso por estar com dor e sim pela humilhação de ter sido golpeado tantas vezes e tê-la acertado pouquíssimo. Assim, cego de ódio, ele não pensava em quais pontos lhe deixariam fraca e, principalmente, abaixava sua guarda. Agora sim, concluiu, seria a hora ideal para aplicar um golpe fatal. Ela aguentou mais alguns chutes sem reagir, e largou seu sabre, queria que ele estivesse bem confiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agarrou sua calça e com a mão livre fincou a espada curta no calcanhar do General. Indiferente aos inúmeros xingamentos dele, a Ingenium repetiu o ato e se colocou de joelhos, retomando seu sabre. Usou-o para rasgar a coxa da outra perna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chega! - urrou, furioso, agarrando seu pulso com força, esmagando-o ao puxá-la. Colocou-a de pé para, então, segurá-la pelo pescoço com a outra mão. - Você pode ser muito rápida, - Mikhail afrouxou os dedos do pulso inutilizado e sorriu com o som do sabre batendo no piso de mármore - mas é frágil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ekaterina sentiu uma dor intensa com o polegar do General pressionando sua garganta. Era como se suas cordas vocais fossem cirurgicamente arrancadas, sensação que não gostou de relembrar. Gemeu involutariamente, encarando os olhos vingativos de Mikhail:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me diga, nesses dias que você usou minha marca, você se sentiu mais nobre? Mais pura? - a mão que estraçalhara seu pulso, agora se apoiava em seus seios, segurando delicadamente o pingente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expressão do General passara de fúria a deleite e ela aproveitou dos segundos que ele se distraía com o colar para ousar atingi-lo. Rápida e ignorando a dor, a Ingenium usou a espada como usaria seu sabre, rasgando o corpo do Vox do quadril até o tórax. O reflexo defensivo dele foi o de jogá-la longe e se afastar para trás, ato nem um pouco esperto considerando a debilidade de suas pernas. Sem conseguir apoio no calcanhar arruinado, Mikhail caiu desengonçado para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vampira, por sua vez, caiu sobre os guardiões adomercidos. Por um momento o jogo de sombras sobre os corpos a confundiram e ela temeu que eles estivessem acordados, mas nenhum se moveu realmente enquanto Ekaterina se equilibrava para levantar. Notou a mancha de sangue em uma das lanças pontiagudas e percebeu que caíra de seu nariz, entretanto não fez questão de limpá-lo. Tocava a própria jugular, agoniada com a sensação de que os dedos de Mikhail ainda estavam ali. Avaliou seus  ferimentos: o rosto ensanguentado latejava pela cotovelada, assim como a barriga , dolorida pelos chutes. Sua única preocupação era com o pulso dormente, a mão estaria inutilzada pelo resto da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encarou o inimigo pensando em como poderia matá-lo com apenas uma das armas, porém ele não parecia mais uma criatura imponente como antes. O Vox engatinhava, tentando se colocar de pé, demarcando o mármore do palco com seu rastro de sangue. O ato com aquele cenário lhe lembrou uma cena dramática de uma peça qualquer. Ele tentava se afastar dela? Resolveu quebrar o silêncio do lugar provocando-o:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi? - engoliu em seco, tentando dar força a voz enfraquecida - Não consegue ficar de pé?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mikhail resmungou algo inaudível, estava curvado e bufando, uma poça de sangue se formava sobre seus joelhos, sujando o objeto dourado que ele puxava para si. Se apoiou no cetro, tentando ficar de pé. A vampira mordeu os lábios, preocupada, o Vox não estivera simplesmente fugindo, queria alcançar o objeto e não era só para usar de apoio, tinha certeza. Sentiu um calafrio, jogara o cetro longe a principio por desconfiar que Mikhail o usasse como arma e agora lá estava ele com o objeto na mão. Havia alguma coisa naquele cetro, mas não adiantava se prevenir agora que ele voltara para o General. Não tinha mais tempo, qualquer vampiro de Moscou poderia aparecer no Kremlin. Precisava acabar o serviço logo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fique de frente, General.  – disse, a voz ainda arranhada pela pressão recente na garganta.- Não quero te matar pelas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sua vadia, acha que isso é o suficiente para me matar? – o Vox respondeu, tentando arranjar impulso para se levantar, mas falhou e voltou a ficar de joelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você fala como se estivesse de pé – ela retrucou, aproximando-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fazia questão de matá-lo de frente, especialmente por não poder usar seu sabre para intensificar o golpe no pescoço do inimigo. Porém, nem pôde correr em direção do General ajoelhado quando uma luz intensa atingiu seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que porcaria é essa?? – ela gritou, os olhos ardiam, com tamanha luminosidade. A vampira recuou com passos curtos e perdidos. Seu rosto ardia, e o cheiro e som de queimado a fizeram relacionar o que sentia com o efeito da luz do Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Continua em:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/02/cap-7-maldicao-do-reino-parte-3.html"&gt;Cap 7: A Maldição do Reino . Parte 3&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-8699719698053128737?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/8699719698053128737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=8699719698053128737&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/8699719698053128737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/8699719698053128737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/01/cap-7-maldicao-do-reino-parte-2.html' title='Cap 7: A Maldição do Reino. Parte 2'/><author><name>Helu</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_bZiR8YEfC78/SiRjfr-5GZI/AAAAAAAAAHo/8f-shCn_xPw/S220/Eloo.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-374528504529603925</id><published>2010-01-18T21:55:00.000-08:00</published><updated>2010-06-06T17:26:58.851-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sasha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Malleus Maleficarum'/><title type='text'>Malleus Maleficarum - Cap VI [O Suplício do Executor] pt. II</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2009/12/malleus-maleficarum-cap-vi-custo-e.html"&gt;Malleus Maleficarum - Cap. V [Custo e Benefício]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continua em:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/02/malleus-maleficarum-cap-vii-o-suplicio.html"&gt;Malleus Maleficarum - Cap. VI [O Suplício do Executor] pt. II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quadro lhe parecia exageradamente vermelho – não tão vermelho quanto seus lábios, ainda tingidos com o sangue fresco do cadáver do vampiro que jazia na calçada do museu como um indigente qualquer. Lentamente o sangue escoava de seu corpo, de seu estômago aberto, em um curso sinuoso até o bueiro próximo. Estrategicamente posicionado pela assassina, que sorria ao pensar no show pirotécnico que os humanos presenciariam quando o sol despontasse no horizonte e tingisse a gloriosa praça do Kremlin de dourado. Todavia, preferia que tal espetáculo permanecesse vívido apenas nas suas fantasias, uma vez que as manhãs não costumavam ser assim tão brilhantes naquela época do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou pelo tal quadro carmesim lambendo os lábios e sorrindo, adentrando uma outra ala do museu. A figura pintada na tela imediatamente ao lado pareceu sorrir de volta, mesmo que retratasse a ilustre santa francesa queimada na fogueira durante a caça às bruxas. Que ironia, pensou ela, encarando por uma ínfima fração de segundo a expressão de agonia intensa –que ainda parecia lhe sorrir- da mulher martirizada. – Me disseram que você era louca... – Murmurou em confidência, antes de virar o corredor sem esperar pela resposta que obviamente jamais viria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho do salto alto contra o assoalho parecia alto demais, perturbava o silêncio sepulcral do museu, que àquela hora já estava fechado ao público mas que, por se tratar da principal entrada para o Kremlin vampírico, sempre recebia visitantes inesperados, humanos ou não, simpatizantes ou não, puros ou não... mas nunca inocentes. Nunca imaculados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o excesso de vermelho – como o do sangue, dos lábios, ou das chamas do fogo – retratado nas telas que circundavam a galeria principal fosse apenas um aviso do que estava por vir. Dali, cruzando o corredor escuro, além do cheiro pútrido de urina e de um peculiar perfume de eucalipto, Sasha podia sentir um aroma muito mais sutil e inebriante... era o cheiro de morte, se é que isto de fato existe. O sangue de Alioth sempre deixava os seus sentidos confusos, embora pouco a pouco estivesse conseguindo domá-los e habituar o seu organismo àquela influência estranha e sobrenatural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a morte não tivesse cheiro, afinal. Talvez sim, e os elfos pudessem senti-la, como podiam ver sangue na lua em uma noite particularmente sangrenta. Talvez a louca fosse ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na altura da faixa, cujas letras garrafais “EM REFORMA” pareciam demasiado ridículas, os aromas de antes pareciam ainda mais fortes, pintando uma expressão involuntária de regozijo no rosto da assassina, que caminhava sem medo e apertava o botão “desce” do elevador aparentemente desativado. Era aquilo que ela deveria fazer, certo? Nicole disse que era. Enfiando a mão na bolsa novamente, retirou de lá o blackberry para uma última checada. Ignorou a nova mensagem recebida, descendo o cursor até a de dois dias atrás, que continha as instruções e a senha fornecida. – Azif... – Murmurou a assassina, guardando o aparelho mais uma vez e apertando novamente o botão do veículo, finalmente ouvindo um estalido seco e percebendo o movimento nos cabos de aço que içavam a caixa metálica para cima. – “Hmm... Al Azif. O uivo dos demônios, bastante apropriado, embora Moscou seja um pouco distante da Arábia Saudita...” - Mas quem entende a cabeça de um defunto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um movimento brusco, Sasha forçou as portas, escancarando-as, quando o elevador finalmente chegou ao primeiro andar. Porém, ao contrário do que ela podia imaginar, seu interior não estava vazio... – Oh! – Sob a lâmpada, que piscou várias vezes antes de apagar definitivamente, estava um vampiro de vasta cabeleira loira, o rosto baixo, olhar fixo sobre as mãos cruzadas na frente do corpo. – Boa noite. – Cumprimentou a mercenária educadamente, com um sorriso cordial, e os olhos azuis do imortal já estavam cravados na sua face, analisando-a profundamente. Como se pudesse ler a sua alma, ela pensou. – Eu esperava descer um pouco, mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fulgor da lâmina da algoz durou apenas um átimo de segundo, e logo a adaga em forma de estaca já estava cravada no homem à sua frente. – Quem eu procuro já veio ao meu encontro... - Não no peito, mas na palma da mão, erguida por ele rapidamente ao perceber as intenções da visitante. O vampiro sorriu, seus lábios finos e cruéis arqueando-se subitamente para cima, porém os olhos continuavam com aquele brilho melancólico e desolador... como o último cintilar de uma chama fátua, antes de se extinguir por completo no negrume da noite. A assassina não se deteve, sacando a outra arma e levando-a à altura do pescoço do sujeito, que agarrou-lhe o pulso com uma facilidade tremenda, evidenciando o que já era demasiado óbvio: ela precisaria de muito mais do que algumas gotas de sangue élfico para vencer alguém da envergadura do braço direito de Mikhail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está sozinha? – Perguntou o loiro, perscrutando o ambiente com seus olhos tristes. – Aposto que não, uma oficial da inquisição não seria tão estúpida. – O sorriso se alargou, não se estendendo ao olhar, até evidenciar as presas salientes. – Ou seria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como resposta, a algoz empurrou o corpo para frente, jogando o vampiro na direção contrária e obrigando-o a colidir com a parede às suas costas. As grades do elevador tilintaram, e a luz piscou mais uma vez, voltando a se apagar. A única fonte de luminosidade provinha da galeria dezenas de metros atrás, na outra extremidade do corredor. – Seria! – Murmurou a mulher finalmente, arrancando a estaca da palma da mão do imortal com um gesto ríspido e levando-a rapidamente até o estômago do mesmo, porém antes que pudesse cravar a lâmina de prata ali, seu corpo fora bruscamente arremessado para o lado graças à força do potente soco que o outro desferira contra o seu rosto. Sentiu os ossos da mandíbula estalarem dolorosamente, e o malar direito colidir com violência contra a parede lateral do veículo de ferro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que tal você posar para mim, então? – Perguntou o loiro em meio a um sorriso afetado. Quando Sasha virou os olhos para encontrar os dele, percebeu em sua face o mesmo brilho maníaco que costumava vislumbrar em Charlotte, quando ela se mostrava particularmente inspirada por alguma coisa, quando, como ela dizia, a Musa clareava sua mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher perguntou então, em meio a um risinho maldoso: - Não me diga que você é um Ingenium! Vocês são todos iguais! – Pensou em acrescentar “todos doidos de pedra”, mas achou que estava em uma situação bastante desfavorável para fazê-lo. – Eu tenho uma proposta melhor: que tal você me deixar arrancar a sua cabeça sem luta? Nós dois sabemos o desfecho disso mesmo, certo? Hehehe... O... q...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, involuntariamente o corpo de Sasha ergueu-se alguns centímetros do solo, arrastando-se pesadamente para fora do elevador. O loiro, com a mão erguida na altura do rosto, caminhava em sincronia com ela, acompanhando-a pelo corredor –e mantendo-a presa pelo pulso direito- até que estivessem a certa distância da entrada do Kremlin. – A pergunta foi retórica, humana! – Apenas as pontas das botas de Sasha roçavam o chão, dando a ela a estranha sensação de flutuar como um balão de gás. De repente, todo o seu sistema nervoso fora desligado, e a única coisa que a assassina conseguia fazer era mover os olhos, mas estes se conservavam resoluta e desafiadoramente cravados na face do imortal. – Você viu o quadro de Joana D’Arc ali atrás? Eu o chamo de Spiritus Sancti, o que acha? Gosto de pintar mártires, especialmente mulheres...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E erguendo um pouco mais a mão, posicionando-a acima da cabeça, o vampiro moveu os dedos lentamente, como se manipulasse um boneco de cordas, obtendo uma resposta imediata justamente nos membros de Sasha, que se curvavam à mercê do sujeito. - ...a expressão de dor e agonia que elas expressam é muito mais comovente do que as de um humano macho. Por exemplo... – Movendo os dedos, o corpo de Sasha rodopiou no ar, parando de ponta-cabeça, os braços bem abertos, e as pernas juntas, um pé sobre o outro. – Você sabia que algumas representações do suplício de Jesus Cristo são retratadas desta forma? Em uma crucificação invertida? Todavia, esta noite você não será o filho de Deus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sasha sentiu imediatamente que começava a sufocar. Os músculos dos pulmões, que se moviam involuntariamente –talvez pela vontade de seu carrasco- simplesmente congelaram, e não importava o que fizesse e o quão desesperadamente tentasse, a sensação que tinha era de que começava a se afogar... atada por correntes invisíveis. Até mesmo o movimento de seus cabelos ou de suas vestes pareceu diminuir, tornando-se mais letárgicos e fluidos, como se ela estivesse de fato imersa em águas profundas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...esta noite, minha querida, eu estou disposto a pintar uma princesa da Etiópia, que seria sacrificada em honra ao Deus do Mar, caso um valente herói não a salvasse. – Após um segundo de silêncio, o outro estreitou os olhos e perguntou maliciosamente, ciente de que ela não saberia e nem conseguiria responder: - Terá você também herói, montado em um cavalo alado e munido de uma cabeça capaz de petrificar-me?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continua em:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2010/02/malleus-maleficarum-cap-vii-o-suplicio.html"&gt;Malleus Maleficarum - Cap. VI [O Suplício do Executor] pt. II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5957681123192562529-374528504529603925?l=www.manuscritosdassombras.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/feeds/374528504529603925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5957681123192562529&amp;postID=374528504529603925&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/374528504529603925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5957681123192562529/posts/default/374528504529603925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.manuscritosdassombras.com.br/2010/01/malleus-maleficarum-cap-vii-o-suplicio.html' title='Malleus Maleficarum - Cap VI [O Suplício do Executor] pt. II'/><author><name>Lucas T. Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833093318958865861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WVdbucI6D4Q/TuDsnbBWcrI/AAAAAAAAASs/CdDf13sNWbo/s220/370946_100002996568452_852306775_n.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5957681123192562529.post-4099207215080461777</id><published>2010-01-09T16:44:00.000-08:00</published><updated>2011-11-12T17:57:41.577-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uriel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resgate'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ekaterina'/><title type='text'>Resgate: Cap. 7: A Maldição do Reino. Parte 1</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Continuação de:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://manuscritosdassombras.blogspot.com/2009/12/resgate-cap-6-presente.html"&gt;Resgate: Cap.6: Presente&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quadro lhe parecia exageradamente vermelho. Seria apenas seu humor preparando-a para seu próximo passo ou o artista perdeu a mão na hora de escolher a composição de cores? As formas geométricas a entediavam, felizmente os ponteiros do relógio disseram a hora que ela tanto ansiava. Ekaterina fingiu um suspiro, se afastando do quadro. A galeria de arte estava vazia, em alguns minutos fecharia e um segurança já se posicionava para avisar os presentes desse fato. Ela se afastou e caminhou em direção ao pequeno corredor que levava ao banheiro, ignorou todas as portas e seguiu em frente até uma grande faixa com os escritos “EM REFORMA”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elevador realmente parecia desativado, o disfarçaram bem para afastar os curiosos. Observara por muitas noites as entradas de sua época do Kremlin subterrâneo e atestou que essa ainda funcionava; o fluxo de vampiros era menor, mas funcionava. Apertou o botão “desce” e a porta se moveu um pouco, mostrando o fosso escuro, mais um toque neste botão e o elevador subiu. Agachou para que a faixa não lhe atrapalhasse a mover a porta emperrada, a empurrou o suficiente para seu corpo passar e, assim, entrou no elevador. Ficou de pé, se deparando com o espelho envelhecido. “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A última vez em que estive aqui foi há..&lt;/span&gt;.” pensava, encarando seus próprios olhos entre a luz falha do lugar  “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;pff, bem, quando eu ainda podia me apresentar como Ekaterina&lt;/span&gt;”. Virou-se com um sorriso zombeteiro, tentando não se prender às melancolias do passado e se concentrou no painel de botões próximo a porta do elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia de três possíveis senhas que o ativariam e confiava que todas funcionavam, afinal, conseguira a informação com o braço direito do General. “E ela não mentiria com a tentação de finalizar sua dor rapidamente... vejamos, AlAsif”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira seqüência fez a porta se mover e o elevador desceu. Ekaterina colocou as mãos no bolso do casaco, tentando ignorar os pensamentos sobre as facilidades das últimas semanas, mas sua mente a traía. Entrara em Moscou facilmente se mantendo escondida por mais de uma semana sem ser descoberta, matara as duas escolhidas por Nicole sem ganhar nenhum arranhão e, ainda por cima, estas foram sinceras quando lhe contaram a senha. “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vox não suportam dor...&lt;/span&gt;”. Provocou um suspiro, como se tentasse segurar sua autoconfiança crescente, mas bastou a porta abrir para se lembrar que este não era mais um Vox. Um suntuoso portal era a primeira visão do andar em que parara: gigantesco e imponente, tinha diversas figuras expressivas esculpidas em sua fronte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez uma careta ao reconhecer a figura maior ao centro. “Não consigo me acostumar com a baboseira dos Vox” pensou, seguindo em frente e ignorando os símbolos nas colunas brancas. Sabia que Mikhail modificaria a casa do antigo General de Moscou, mas não tão bem ao ponto de parecer que toda a decoração “mística” sempre estivera lá. A estrutura dos arcos, colunas e degraus permanecia como ela se lembrava, porém agora possuíam algumas texturas esculpidas ou pinturas. Observou, sem parar de andar, o afresco que cobria todos os arcos e teto. Não precisava de mais luz do que a proporcionada pelas velas do chão para imaginar a história representada. Os boatos eram verdadeiros, pelo visto, Mikhail perpetuava os delírios de seu mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Azrael, o temido líder dos Vox. Foi o primeiro vampiro a usar o termo Czar, nomeando sua posição na família. Quatro humanos foram escolhidos para propagar o seu sangue ao se destacarem perante seus povos. Rafaelli, Gavriel, Uriel e Mikhail. Transpareciam inteligência e segurança com poucas palavras, ou seja, tinham as habilidades natas dos Vox que levam a uma perfeita manipulação. O Czar queria vampiros de peso para propagar suas idéias sobre a nova era. É o que dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem também que ele era louco... completamente louco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu o primeiro jogo de degraus pensando amargamente sobre tudo que ouvira dos mais famosos Vox Régius. Agora sim sua confiança estava como ela queria: cautelosa. Passou por diversos corredores vazios e mal iluminados, demorou mais do que ela esperava para encontrar uma câmara com sinais de alguma presença. A mistura de odores aumentava conforme se aproximava de seu fundo, o jogo de colunas formava uma uma entrada para um grandioso salão.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;“Como isso passou batido no Indulto de Sangue?”&lt;/span&gt; se questionou surpresa com tantos humanos e vampiros juntos. Tinha certeza que nunca presenciara em uma corte vampírica nem metade dessa quantidade. Forçou os olhos arregalados a voltarem ao normal e observou os vampiros compartilhando o sangue em taças, estavam concentrados e prazerosos com o ato de adoração dos ajoelhados. Ekaterina movimentou seus dedos, cerrando os punhos dentro dos bolsos, ansiosa para achar logo o autor da idéia. Não sabia a motivação do pedido de Nicole, mas agora, mais do que nunca, não lhe interessava. Em ocasião nenhuma se ateve às regras sobre as quantidades de vampiros e sobre a exposição aos humanos, porém o fanatismo que via nos indivíduos presentes causara-lhe repulsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silenciosa, vagou pelo salão, tentando chamar o mínimo de atenção possível. Não sabia se eles estavam concentrados demais para notar sua presença ou se eles não eram acostumados a reconhecer os vampiros da cidade “Afinal, com tantos...” Um portal parecia brilhar ao fundo do salão e a vampira o reconheceu, indo ao seu encontro. Parou próxima a uma de suas colunas, evitando a luz das arquibancadas. As colunas, os degraus e o teto possuíam a mesma superfície branca e lisa que se lembrava. Já estivera lá em alguns encontros dos Ingenium com as demais famílias, reuniões urgentes ou celebrações. Havia poucos vampiros, estavam distraídos entoando uma canção conhecida, e não lhe causaram preocupação, ao contrário das criaturas à frente do palco. As lanças e a postura implacável responderam suas dúvidas sobre quem vigiava efetivamente o local. A verdadeira morada de Mikhail deveria se encontrar atrás do palco, como a do antigo General e estava bem guardada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou-se para o salão lotado e novamente para a arquibancada. Os olhos cinza demonstravam sua hesitação. Não interessava o quanto estavam concentrados, com certeza os súditos se voltariam contra ela caso ameaçasse a vida de seu líder. Não seria louca de lutar contra todos ao mesmo tempo, mas, ainda assim, o plano inicial para manter a corte ocupada não lhe agradava agora. Há quanto tempo não tirava vantagens dessa habilidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tronos do palco estavam vazios. Tinha que aproveitar a oportunidade, se não, seria interrompida por outros líderes da corte de Mikhail. Poderiam não ser fortes como as outras duas, mas perceberiam rapidamente que ela não veio para fazer amigos. " E eu não posso ser interrompida...". Molhou os lábios, hesitante. Hans lhe veio à mente e, então, ela começou a cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciou cautelosa, quase tímida, acompanhando o ritmo da canção que ecoava no salão. Conhecia a poesia de outras celebrações vampíricas e se lembrava da letra. Reparou que mesmo com seu tom baixo, sua voz ecoava no salão à suas costas, alguns dos "devotos" a olharam sem muita curiosidade distraídos com o próprio transe. Colocou os braços para trás e apoiou as costas confortavelmente em uma das colunas do portal, de maneira que bastava mover levemente a cabeça para conseguir observar o salão lotado e a arquibancada. Confiante de que ninguém estranhara sua intromissão, aumentou seu tom aveludado preparando-se para algo mais ousado. Sabia que a música possuía uma finalização longa, sem canto, apenas com o som da viola clássica e nesse momento ao invés de seguir o silêncio dos outros cantores, não apenas continou a cantar como também ignorou a coerência da poesia. Não cantava mais sobre uma batalha, mas sobre um grandioso reino. O violinista não estranhou, talvez animado pelo improviso, continuando seus acordes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ekaterina notou que não cantava como antes, a voz não lhe acompanhava tão bem nos tons mais agudos, porém, segurou seu orgulho e fechou os olhos, se concentrando na letra. Esta relatou que o grandioso reino sofreu a maldição de uma terrível bruxa, um desafio aos poderes do Rei. Pausadamente, suave, passou a descrever como todos os habitantes começaram a sentir os olhos pesarem e o corpo enfraquecer. A vampira ignorou o som das taças caindo no chão e a melodia atrasada do violinista, continuando a cantar como todo o reino caíra em um sono profundo. Olhava sorrateira os cantores bocejando e arqueando o corpo, os guardas passando as mãos em seus olhos lacrimejantes. Seu tom lírico agora era a única coisa a se ouvir no lugar; em meio ao eco, finalizou a história, afirmando que o reino só acordaria com o Rei matando a feiticeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerrou os lábios, girando os olhos procurando alguma reação. Agora era o momento em que apenas os vampiros mais fortes estariam de pé, entretanto constatou que as únicas criaturas ainda resistentes ao s
