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Especial Dia das Bruxas: Prólogo do Livro I Tramas do General

Bem, nesse Dia das Bruxas, eu e o Lu resolvemos presentear vocês com o Prólogo do nosso 1o Livro, é, aquele que sempre alguma coisa para revisar e nunca sai, o Tramas do General.  O capítulo ficará completo aqui até dia 02 de novembro, dependendo dos comentários, podemos deixar por mais tempo ou alguma parte aqui. Aproveitem a leitura!


*atualizado: deixamos 1/5 do prólogo permanente aqui =) 

 Toda vizinhança tem um boato peculiar. O vizinho de cima trai a esposa nas escadas com a adolescente do 3º andar. A senhorinha do 807 é viúva não apenas de um marido, mas de cinco e sabe-se lá quais foram as causas de morte de cada um deles, se é que você me entende... O bebê do 11º chora muito, todo dia, o tempo inteiro, não é estranho? Você já ouviu a mãe gritar durante a noite para ele calar a boca? Ora, já a ouvi gritar que não queria que ele nascesse!
Quando se é uma criança, esses boatos ganham uma outra dimensão. Sabe a senhorinha do 807? Ela interfonou reclamando que nosso cão fazia muito barulho e uma semana depois ele morreu. Bruxa. Acho que ela é uma bruxa!
Ainda me lembro do temor que sentia daqueles velhos carrancudos do edifício ou dos barulhos esquisitos que ouvia no corredor quando ia colocar o saco de lixo na lixeira do andar. Algum dos moleques jurou ter visto um fantasma pelo olho mágico e todos rimos, zoamos com a cara dele o chamando de mentiroso, mas nem preciso falar que depois disso o caminho da lixeira para a porta do apartamento passou a ser percorrido mais rápido. E sem olhar para atrás. Durante o dia relembrando o que eu ouvira, eu acreditava mesmo que não era nada, talvez fosse o elevador ou alguém brincando nas escadas, porém, à noite, bastava ouvir aqueles sons que eu me arrepiava, e eu corria, o coração batendo rápido até fechar a porta atrás de mim. Pareciam passos, é, pareciam passadas felinas, mas nunca avistei gato algum por ali. Não conhecia direito os vizinhos do meu andar na época para saber se eles tinham algum bicho sorrateiro que poderia passear por ali , não havia crianças naquele andar para trocar alguma ideia. Se de dia eu encontrava as justificativas lógicas, à noite, no escuro do quarto, nada conseguia me confortar e eu rolava na cama, o pensamento era dominado pelas possíveis criaturas que passeavam pelo meu corredor às minhas costas.
Naturalmente me tornei insone. Não interessava o quanto eu estudava ou brincava durante o dia, o cansaço não abatia a sensação de que algo muito esquisito estava assombrando meu andar. Quando entrei de férias, busquei ignorar essa sensação jogando videogame na madrugada, o objetivo de zerar o jogo aquietava minha mente imaginativa e eu conseguia capotar na cama sem temer a escuridão. Até que... Era mais uma dessas noites jogando na sala, desesperado para completar uma fase antes que minha mãe acordasse para ir para o trabalho. Eu não conseguiria dormir sem terminar aquele maldito jogo! Eu havia passado a semana inteira tentando zerá-lo e sempre cometia algum erro estúpido que me atrasava. Já dava para ouvir o som dos ônibus voltando a circular nas ruas, podia perceber que a temperatura da sala não estava mais tão fria e muito menos tão escura. Faltava pouco para eu ser pego no flagra então desliguei o videogame e me preparava para pegar uma água na cozinha quando ouvi uma pancada forte na parede. O som foi alto o suficiente para parecer que o armário do vizinho havia despencado. Bum, bum. De novo, dessa vez mais fraco, contudo, veio acompanhado de um gemido, aquele som dolorido me assustou muito mais do que o baque. Coloquei o ouvido na parede. No silêncio da madruga, era possível ouvir as vozes abafadas dos vizinhos, mas sempre eram conversas, eram risadas, nada se comparava com a voz áspera que eu ouvia, muito menos com os gemidos de dor.
Corri até a porta e fui ao corredor. As lâmpadas do corredor piscavam violentamente, deixando-me mais na penumbra do que na luz durante o curto percurso até o apartamento ao lado. É, eu não pensei, porra, uma criança de 8 anos não pensa. Não faço ideia do que eu achava que estava acontecendo, só sei que eu fui vagarosamente até a porta do vizinho. Estava entreaberta e alguém lá dentro murmurava alguma coisa, algumas palavras que eu nunca entendi. E os gemidos... Outra pessoa respondia àquelas palavras com terríveis sons de dor. Ele repetiu aquela sequência esquisita com uma voz severa mais de uma vez antes que eu tivesse coragem de me aproximar e tentar enxergar pela fresta iluminada o que estava acontecendo, foi quando o homem silenciou e eu ouvi outro baque. E passos duros contra o chão, alguém começara a correr e meu medo me fez recuar ao ouvir as passadas se aproximando.
A porta se abriu em um supetão e o Sol que iluminava o apartamento substituiu a penumbra do corredor. Eu tentei me afastar mais, porém tropecei em meus próprios pés e não consegui fazer mais nada além de observar a criatura que saiu do apartamento do vizinho. Ela era uma massa de sangue, pele escurecida e fios negros. Inegável que o odor de carne queimada vinha das enormes feridas que cobriam todo seu corpo. Não é um demônio, não é um espírito, pensei, é simplesmente alguém muito, muito, ferido. Uma mulher. A fina camisola azul denunciava seus contornos femininos e que provavelmente foi pega de surpresa em seu sono.
O modo como ela se mexia me fez cagar de medo mais do que sua carne dilacerada. As pernas se moviam como se estivesse acorrentada, cada passada vagarosa parecia exigir um esforço tremendo de seus músculos. Uma de suas mãos ainda se apoiava no arco da porta quando ela ergueu o rosto em minha direção. Entre as longas mechas que cobriam seu rosto ferido seus olhos acinzentados me encararam e eu subitamente senti minha respiração falhar. Uma ardência percorreu minhas narinas, minha garganta e alcançou os pulmões alastrando-se por todo meu peito. Percebi que eu inspirava, porém o ar não me alimentava, a cada movimento de meu diafragma podia sentir que eu sufocava mais e mais. Ela emitiu um som gutural, abrindo a boca não para falar, mas para deixar o oxigênio entrar desesperadamente em seus próprios pulmões. Naquele momento percebi que era ela quem roubava meu ar. Eu podia ler em seus olhos perversos que ela roubaria minha vida, mesmo a quase um metro de distância ela conseguiria sugar todo o ar que precisasse. Repentinamente, senti suas unhas rasgando o meu pé, não vi quando, como, ela se aproximou tão rápido e agarrou minhas pernas. Observei sua expressão feroz enquanto se inclinava vagarosamente sobre meu calcanhar murmurando algo. Sinto muito? Foi isso o que ela disse? Meu pavor foi substituído por ódio. Eu a odiei e odiava minha própria estupidez por ter acreditado que ela era uma mulher frágil precisando de ajuda. Quem a atacara deveria saber muito bem que tipo de coisa monstruosa ela era e que deveria morrer.
Estremeci com a proximidade de seus lábios gélidos em meu calcanhar esquerdo. Não havia calor algum em seu hálito ou em seu toque. Inesperadamente suas mãos se afrouxaram e seu corpo tombou sobre o piso do corredor sendo puxado brutalmente para o interior do apartamento rapidamente com alguma força invisível.
Respirei. Nem por dois minutos ela me manteve naquele feitiço sufocante, porém já fora o suficiente para que eu não conseguisse levantar do chão, tamanha fraqueza envolvendo meu torso. Enquanto a vertigem tomava conta do meu corpo, pude ouvir novamente aquela voz masculina do apartamento. Fora ele que a puxara de volta. Não vi mãos, não vi luta, mas sabia que, assim como ela havia me dominado a distância, ele também o fizera com aquelas palavras indecifráveis.
Ouvi o barulho do elevador e as lâmpadas voltaram a sua constância habitual. Quem chegara no pavimento percorreu o corredor hesitante até que pude vê-lo e o reconheci quando se ajoelhou ao meu lado. Era o vizinho, o gringo, o que sempre dizia Bom dia com um sotaque esquisito quando esbarrávamos com ele. Minha mãe o detestava, bem, detestava seu riso pelo menos. Era comum ela xingá-lo durante a novela quando ocasionalmente sua risada calorosa invadia nossa sala e emudecia as falas do drama televisivo. Eu gostava dele, gostava daquele olhar acalentador cada vez que nos cumprimentava. A expressão sombria que ele exibiu ao me observar no chão foi bem distante da que eu costumava ver. Murmurando algo como O que aconteceu? Você está bem? Consegue andar? enquanto colocava a mão nos meus pés feridos. Sabia o que seus olhos procuravam em minhas pernas: uma mordida. O gringo tocou o meu peito. O coração batia forte e minha respiração ainda era ofegante, mas era óbvio que eu ficaria bem. Acho que era óbvio para ele pelo menos, pois rapidamente me abandonou e foi até o apartamento.
Não esperei para ver o que aconteceria, com toda a força que me restava, virei de bruços e apoiei os cotovelos no chão frio. Levei meu corpo até minha casa como dava, arrastando as pernas, engatinhando, me apoiando na parede. Não escutava mais as palavras esquisitas e os gemidos do apartamento do gringo, apenas uma discussão entre vozes masculinas ecoava no corredor. Quando cheguei no batente da minha porta, ouvi uma batida e as vozes foram abafadas. Tive coragem de olhar novamente o corredor antes de fechar minha própria porta, as lâmpadas não mais piscavam, o odor do mofo já voltava a ser mais forte do que o cheiro de churrasco, mas as manchas escuras de sangue ainda continuavam lá, demarcando as pegadas da mulher.
Ouvi minha mãe me chamando. Não lembro nada do que ela gritou furiosa por me encontrar acordado. Tudo o que eu conseguia pensar era no que estava acontecendo na parede ao lado. Ou melhor, no que tinha acontecido. O QUE aquela mulher realmente era?”
Jonas levou a cerveja a sua boca seca. O gosto amargo o fez voltar ao seu presente. Ele não tinha mais aquele andar desajeitado, o corpo mirrado ou o olhar constantemente assustado. Apesar de não haver nenhuma penugem de barba em seu rosto, ele já não era mais uma criança, ou melhor, segundo a legislação brasileira, ele nem se quer era mais um adolescente. As mudanças hormonais que passara nos últimos anos transformaram seu cabelo, antes liso, em ondulado; as bochechas brancas ganharam algumas marcas disformes, resquícios de cada espinha que brotara em seu rosto; sua voz esganiçada virara a voz de um homem, grave e áspera. Orgulhava-se que era a mais grave do seu grupo de amigos, e adorava exibi-la contando como cantara alguma garota, ou dando uma boa e alta risada ao ouvir um dos companheiros no bar. Porém nos últimos minutos, nada do que ouvira o fizera rir. E não, muito menos ele falara algo da estranha experiência que vivenciara e ainda nitidamente aparecia em sua mente.
Respirou fundo. O boteco cheirava a gordura, cigarro e maresia. O vento bagunçava seu cabelo oleoso, mas ele não se deu ao trabalho de tirar as mechas castanhas dos olhos. Não queria disfarçar o quanto estava insatisfeito pelo tema da conversa que acontecia na sua roda de amigos. Começou com histórias nostálgicas da infância, depois alguém comentou que viu alguma luz esquisita no céu em uma noite de muita chuva e aí... Há pelo menos meia hora todos se dispuseram a contar uma história esquisita que alguém contou para o amigo do amigo do primo. Todos, exceto ele e Cássio.
O amigo exibia um sorriso curioso a cada suposição que surgia para explicar os fenômenos malucos narrados pelo grupo de amigos. Jonas conhecia aquela expressão calma, não interessava o quão receptivo seu rosto estava, quando Cássio ajeitava o óculos no topo do nariz seus olhos de desdém o traíam. Ele estava odiando cada segundo daquela conversa de bêbado, não porque tinha medo, não porque desdenhava de quem acreditava no sobrenatural, mas porque sentia que o assunto era sério demais para ser discutido assim entre risadas nervosas e gritos de zombaria. Qual mesmo era a religião que ele seguia? Rosa Cruz? Espiritismo? Candomblé? Jonas não lembrava mais, a única vez que perguntou sobre qual religião o fazia ir toda a semana a uma reunião de horas, ouviu uma resposta tão longa (e ríspida) que mal compreendera no que Cássio realmente acreditava. Fora um sermão sobre a diferença entre fé, religião e doutrina que caiu no esquecimento logo que o amigo se calou.
Os enormes olhos azuis de Cássio observaram-no. Era uma pergunta silenciosa se Jonas contaria sua própria história essa noite. A história que ele narrou para Cássio quando eles eram adolescentes. Ao contrário do que esperava, seu amigo não o zombou como as outras crianças do prédio o fizeram quando ele contou. Ficou calado por alguns minutos até que pediu para que o levasse ao corredor e manteve seu silêncio por um bom tempo enquanto analisava o piso que por muitos dias exibira um estranho tom rosado, resquício das manchas de sangue daquela mulher. Ele não viu nenhuma marca no lugar, mas quando levantou o rosto simplesmente disse “Eu acredito em você”.
Nunca mais eles conversaram sobre isso, contudo o fato selou a amizade dos dois e de alguma maneira fez Jonas conseguir ignorar a assombrosa experiência que vivera. Não tentou mais procurar explicações lógicas ou narrar para quem estivesse disposto a ouvir. Já se conformara que nunca entenderia o que ocorreu, nunca acharia alguém que soubesse, portanto não deveria perder tempo pensando no assunto. Era passado... porém, toda vez que escutava alguma história sobrenatural, por mais absurda que fosse, sentia o estômago pesar. A cerveja desceu mais amarga dessa vez e ele se levantou murmurando:
- Não tô muito bem... - Se afastou da mesa e desceu do tablado de madeira vagabunda saindo do bar e caminhando até o matagal próximo. Sabia que os amigos não o seguiriam após essa declaração, nenhum dos 5 se preocupava quando um deles ia vomitar. A intimidade de anos de amizade era suficiente para saber que todos detestavam serem acompanhados quando passavam mal. Seu estômago doía, porém ele não acreditava que realmente vomitaria, só precisava se afastar daquele assunto. A noite já estava insuportável o suficiente para o seu passado vir atormentá-lo em sonhos também mais tarde.
Jogou a latinha de cerveja na caçamba de lixo e respirou fundo fechando os olhos. Inspirava vagarosamente, apreciando cada parte que o ar tocava até preencher por completo seus pulmões. Senti-lo fluindo pelas vias respiratórias apagava aos poucos a sensação de impotência que lhe dominava o corpo toda vez que se lembrava daquele acontecimento de sua infância. O cheiro de cigarro despertou-o do relaxamento e ele ouviu a voz de Cássio ao seu lado:
- Deixe-me adivinhar, seu enjoo passou?
Jonas fez uma careta e soltou o cabelo bagunçado sem encarar o amigo. Arrumou as mechas longas encarando o céu estrelado e, somente quando as prendeu e deixou seu rosto livre de qualquer fio escuro, abaixou o rosto para o amigo:
- Que merda de noite, cara.
Cássio deu uma risada debochada. Ele saíra de São Paulo avisando que dessa vez eles não seguiriam os planos de Eduardo, lembrando o grupo do quão chato fora da outra vez que o visitaram... e aonde eles estavam agora? Exatamente no mesmo lugar que da outra vez, seguindo uma promessa absurda que essa seria a noite mais incrível da viagem. Jantar em um restaurante reconhecido? Bar na beira da praia? Balada universitária? Ah, não, isso tudo era muito normal, muito enfadonho para Eduardo. Começara com umas cervejas na casa dele e depois aos poucos convenceu um por um a passear sem rumo pela cidade.Precisava mostrar que Santos tinha mais do que os turistas almejavam conhecer, contudo, Jonas via todos os motivos pelos quais esses lugares inóspitos eram evitados. Na primeira vez ele relevou todos os aborrecimentos, pois afinal, a companhia dos amigos era sua prioridade. Os cinco eram muito unidos no colégio e quando cada um tomou seu rumo após o vestibular, tentavam se rever pelo menos uma vez por ano. Porém, sempre quando Eduardo assumia o reencontro tudo desandava:
- Sério, é a terceira vez que a gente cai nessa furada? – perguntou observando a ruela escura. Ocupada esporadicamente por alguns bares vagabundos, a rua era o lugar ideal para quem quisesse se drogar ou conseguir uma prostituta. Cássio riu novamente e lhe ofereceu um cigarro. Jonas aceitou levando-o a boca e esperou o amigo acendê-lo para murmurar - Eu tô muito velho para isso!
- Nós dois nunca achamos muito divertido sair por aí sem um objetivo, Jonas... - Cássio ajustou o óculos no nariz e alargou seu sorriso arrogante – Mas eu realmente não tenho mais idade para beber essa cerveja vagabunda.
Os dois riram e Jonas se lembrou do gosto aguado do que bebera no resto da noite, sentiu o estômago revirar novamente e concluiu que não era apenas as histórias de assombração que provocaram seu enjoo. Já passara da hora dele começar a substituir a cerveja pela água:
- Acho que lembro do caminho para voltar para a casa dele... - Cássio jogou o cigarro no chão e passou a olhar o carro de Eduardo estacionado no fim da rua:
- Ele não vai querer voltar agora, cara.
- Quem disse que ele ou os meninos precisam ir?
- Acho que não é uma boa ideia só nós andando a pé por aqui.
Cássio não retrucou, provavelmente nem escutara o que ele dissera, seus olhos azuis ignoravam-no e se concentravam no horizonte logo atrás de Jonas. Estreitou as pálpebras seguindo seu olhar e pôde perceber a movimentação dos mendigos que habitavam o terreno próximo a esquina da rua. Uma cidadã bem vestida passava por eles. Ela ignorou todos os pedidos de esmola, mesmo dos que lhe tocaram e continuou a caminhar calmamente pela rua....

*para ler o resto, aguardem o livro!

Cruz Sobre Berlim IV - Final e Epílogo



Vamos lá, eu ia postar isso só depois do livro ser lançado para não atrapalhar a cronologia. Massss, como muitos leram os posts do livro (que tiramos do ar), acho que é sacanagem segurar para sempre esse material. Acho que vou continuar algumas histórias enquanto a revisão não termina. Estava com saudades de postar e a escrita tá enferrujada, ainda assim, acho que ficou legal. Não está revisado pelo Lucas, então me apontem erros e trechos que acharem horríveis ou confusos ou... se amarem também. Enfim, finalmente, segue o final do Cruz Sobre Berlim. *ps: essa atualização do blogger deixou vários links do blog quebrados, colunas esquisitas etc etc. Mas já já teremos novidades em relação ao visual para consertar tudo isso.

Continuação de: Cruz Sobre Berlim - III 


As buzinas da rua despertaram-no da lembrança dos dentes enormes próximos ao seu rosto. Os contornos iluminados de Berlim formaram-se a sua frente, a vista do emaranhado de prédios altos era magnífica, mas... Como chegara até ali? A adrenalina o fizera acompanhar seu mentor sem pestanejar até que entraram no hall do hotel chinfrim e desde então ele não prestara atenção a mais nada. Não fazia ideia do que Vinícius falara para o recepcionista que ofereceu ajuda ao perceber seu rosto ensanguentado. Não se lembrava do caminho até o elevador, ou até o corredor … ou de quando tirou o sobretudo e abriu a janela. Pensava nos dentes, somente nos dentes. Seu peito ainda doía no local que a fera o atingiu, não precisava tirar a armadura para saber que sua pele já ganhara uma tonalidade roxeada. Tocou o metal arranhado e olhou para as próprias mãos. Tremiam. Escutou a voz de Vinícius:

- Você está bem?

Observou o mentor. As marcas profundas das unhas do vampiro dilaceraram boa parte de seu rosto quadrado. A garra acertou-o em diagonal, o ferimento começava logo abaixo do olho direito e seguia até o queixo protuberante, o rastro inchara em vermelho vivo. A bochecha esquerda foi a mais prejudicada e continuava sangrando, Vinícius pressionava um amontoado de curativos sobre ela e Alban não conseguia distinguir o que era gaze e o que era carne. Ele ajeitou aquela massa avermelhada e se afastou da porta do banheiro, aproximando-se repetindo a pergunta. O adolescente se irritou com aquilo. Como ousava perguntar se ele estava bem? Vinícius teria o rosto desfigurado para sempre e provavelmente aquele machucado inflamaria e corria o risco de piorar se eles não procurassem rapidamente um médico. A última coisa que ele deveria pensar agora era se um moleque inútil estava se cagando de medo em continuar naquela cidade tenebrosa. Queria gritar que era idiotice não procurar um hospital imediatamente, mas limitou-se a balbuciar:

- Sim...

- E a falta de ar? - os olhos castanhos fitaram o peitoral arranhado - Você está com dor no pei..

- Estou bem – interrompeu, ríspido. Voltou-se para a janela ocultando o rosto impaciente, seu desejo era discutir com o mentor e tentar convencê-lo a procurar um hospital antes de saírem da cidade. Eles vieram aqui para procurar Malahad, descobrir se estava viva, o planejado nunca foi confrontar diretamente os vampiros de Berlim. Perderam Eric na primeira semana de investigação e agora quase perderam Vinícius, tudo isso para quê? Sentiu um nó na garganta, não queria chorar, mas as lágrimas já embaçavam a visão dos arranhas céus da metrópole. Conhecia seu mentor, independente do que falasse, ele continuaria determinado a viajar nesse estado. Balbuciou com a voz embargada pelo choro se formando - Você precisa de um médico, como você vai dirigir desse jeito?

- Nós não temos tempo, depois do que você fez, eles... - o mentor respirou fundo. Talvez fosse a dor ou talvez a dificuldade em falar com os lábios cada vez mais inchados, agora era ele que escolhia cautelosamente o que deveria falar. - Alban, nós precisamos ir embora. Eu vou colocar um remédio para aguentar a viagem, não podemos ir em um hospital aqui. Não depois do que aconteceu. Então, se você está realmente bem, por favor pegue logo suas coisas.

“E o que aconteceu afinal?” o adolescente quis perguntar, mas contentou-se em emitir um resmungo e voltou-se para a mala que Vinícius jogara em sua cama. Não havia muito o que arrumar, trouxeram poucas peças, as limpas já estavam dentro da mala, bastava acrescentar o saco com a roupa suja. O grande problema de qualquer excursão era organizar todas as armas: era preciso ocultá-las perfeitamente, porém, sem dificultar o acesso a bainha caso algo acontecesse no caminho.

Alban tirou suas manoplas para pegar com mais agilidade cada arma e passou a encaixá-las nos compartimentos secretos de sua mala. Ao tocar o cabo de um dos estilletos de sua coleção, ele parou. O adolescente não sabia se era consequência do cansaço, mas não conseguia distinguir claramente os limites de seus dedos e aquela superfície metálica. Pequenos fios translúcidos contornavam sua mão formando uma estranha névoa sobre a pele. O tom ficava mais cintilante, elétrico, conforme ele atritava as pontas dos dedos naquela superfície. A coloração era usual nas armas templárias quando atacavam um inimigo, mas não assim, sem motivo algum, na pele de seu manipulador. Alban afastou o estilleto e percebeu que a névoa permanecia em suas mãos. Energizar uma arma, entoando palavras sagradas era o que ele sabia fazer, ensinaram-no a fazer isso. Mas emitir repentinamente … uma bola elétrica? Não, em 2 anos de treinos exaustivos, leituras e observações ninguém nunca lhe falou sobre isso. As palavras e o metal eram os condutores do poder sagrado, supostamente, nenhum corpo suportaria ampliar aquela energia ao ponto de produzir algum dano. Era certo que não lhe contaram todos os segredos Templários, contudo, se sentia um idiota por seu pai não tê-lo preparado para isso. Algo lhe dizia que sua hierarquia na organização, o segundo mais respeitado, tinha relação direta com o poder que Alban emitiu. Como nunca lhe contou essa habilidade?

Ouviu Vinícius ao seu lado, encaixando as lanças no grandioso case de couro. Eram as únicas que não poderiam ser ocultadas nas malas que trouxeram; sempre chamavam a atenção independente do que invólucro que escolhessem para transportá-las. Parecia totalmente concentrado na tarefa de fechar os lacres do tubo, sem perceber a anomalia que o pupilo fitava. Frustrado, Alban tocou o pulso do mentor expondo os dedos carregados de áurea elétrica. Murmurou:

- E o que aconteceu afinal, Vinícius? Por que precisamos sair assim? Ninguém nos seguiu...

O homem ferido observou brevemente a mão que o tocava, contudo, manteve a expressão indiferente e desviou o olhar tomando o estilleto que o garoto segurava:

- Termine sua mala, no caminho conversaremos sobre o que aconteceu, ok? - Vinícius disse com dificuldade, sua voz mais abafada pelo inchaço dos lábios.  Ele encaixou a arma em um dos compartimentos da bagagem e se voltou para o case com as lanças, colocando-o em suas costas.

  Alban respirou fundo, o mentor agora caminhava pelo quarto buscando algum possível objeto esquecido, mas ele não podia adiar a pergunta que não saía de sua mente:


- Aquela luz... aquela luz que repeliu os Labyrs... É isso o que meu pai faz?


Vinícius já estava na porta, a chave eletrônica em mãos, pronto para sair. Encarou-o, a expressão estava oculta pelo inchaço do ferimento, porém seu tom de voz era nitidamente impaciente com a insistência do garoto:

- É a sua próxima etapa. Mas para aprender, precisamos chegar vivos em casa, Alban - olhou para a mala entreaberta do pupilo e apontou - Vamos?

Alban estremeceu com o gesto. Voltou a arrumar o case, a ordem ríspida dissipara sua coragem em continuar os questionamentos. Ao ajeitar a última espada na mala, uma variação no brilho das lâmina o fez parar.  Ele não distinguiu muito bem o que era, mas o reflexo escuro fez sua pulsação acelerar. Buscou a origem do reflexo, mas nada no quarto era semelhante com aquela forma fluida. A voz de Vinícius interrompeu sua busca:

- Não abre - ouviu-o murmurar.

Alban estava prestes a procurar sua própria chave, confiante que o cartão do mentor havia desmagnetizado, quando notou uma nova variação no reflexo das espadas e sentiu o corpo sendo levado forçosamente ao chão. De joelhos sobre o carpete, ouviu os gemidos do mentor, ele mantivera-se na mesma posição que outrora, completamente paralisado se não fosse pelo tremor de seus membros. Não parecia haver nada tensionando seus músculos, contudo era nítido que algo agia sobre eu próprio corpo também. 

Sentiu um toque extremamente gélido em seu pescoço e então conseguiu visualizar o que envolvia seu tórax. Alban não distinguiu  a cor, mal distinguiu sua forma, a textura macilenta não refletia a luz como os demais materiais escuros do quarto. Parecia um líquido que variava do translúcido ao reflexo total do que encostava. Nunca vira nada como aquilo, mas seus anos de estudo possibilitaram que o identificasse, era o poderoso sangue de um Cruentus Umbra. A conclusão o fez buscar o vampiro pelo quarto freneticamente, os olhos observando cada canto que conseguia enquanto seu rosto era empurrado contra o chão. Um barulho agudo atingiu seus tímpanos e subitamente desapareceu. Uma voz masculina ecoou no lugar:

- Sempre vou admirar como vocês podem aguentar tamanha pressão. -  Não havia  mais tráfego ou gemidos. Somente as palavras em português lhe eram audíveis agora. O imortal escolhera esse idioma por saber da saber da nacionalidade de seu mentor? - Quando eu era humano, jamais conseguiria suportar tanta dor sem ceder. O quanto mais você aguenta até se ajoelhar, Vinícius?

O crânio do mentor inclinou-se vagarosamente de maneira que o forçava a encarar o teto. Os tentáculos que o pressionavam ganhavam cor rubra  conforme apertavam e abriam os ferimentos de sua face. Talvez, entre os lábios feridos, Vinícius tentava falar as palavras sagradas que provocariam uma reação de sua armadura. Quais palavras? Nenhuma veio a mente de Alban, seus lábios ainda estavam livres do sangue vampírico, poderia ecoar seu próprio poder e colaborar com a soltura de ambos, contudo não conseguia se concentrar com o ar cada vez mais rarefeito. A força contra o tórax forçava seu diafragma e ele não conseguia mais inspirar. As lágrimas voltaram aos seus olhos, a dor o fazia pensar somente na proximidade da morte. Subitamente, a pressão sobre sua nuca passou e sentiu os fios puxando-o para que o rosto desgrudasse do chão.

Conforme seu corpo era erguido e colocado de pé, conseguiu distinguir uma criatura esguia entre ele e o mentor. Alban não sabia há quanto tempo estava naquele exato local, por mais que sua mente estava prestes a desmaiar, ele deveria ter notado alguém justamente do seu lado. Era como se o vampiro se materializara  por completo naquele segundo. Ele era magro, um pouco menor que Vinícius e aparentava não ter mais que 20 anos. Sua pele morena tinha um tom dourado muito diferente das outras criaturas pálidas que enfrentaram em Berlim. Os pequenos olhos destacavam-se entre os traços pontiagudos: não havia delimitação da íris, todo seu globo ocular estava tomado pelo mesmo líquido que controlava os dos templários.

As duas fendas ônix encaravam-no severamente:

- É isso? Lágrimas? Estou prestes a quebrar suas costelas e a única coisa que faz é chorar?  Matar a ralé insignificante por uma semana inteira foi o suficiente para exaurir suas energias?

O vampiro analisou a face de Alban vagarosamente. A pergunta fora desferida sem deboche, soara como uma curiosidade real e ele aguardou uma resposta do adolescente por alguns segundos antes de emitir um muxoxo impaciente:

- Pelo menos seu mentor ainda está de pé tentando provocar uma fagulha para reagir... - parte da armadura que cobria o tronco de Vinícius soltou-se e caiu no chão, os olhos do imortal estavam completamente esbranquiçados agora e o garoto julgou que seus lábios quase formavam um sorriu quando voltou-se para Vinícius - Eu poderia esperá-lo se ajoelhar, ou você parar de chorar e soltar sua própria "bolinha" mágica, mas pelo visto o ápice do show vocês deixaram para os Labyrs, certo? - o imortal estava muito próximo do outro templário agora, sem tocá-lo, girou seu corpo para que ficasse de frente para ele. Postou uma das mãos sobre o peito do humano – Décadas de tédio sem uma geração templária aparecer e agora você me trouxe uma versão mirim dos 13 para desfrutar... Obrigado.

O adolescente não ouviu som algum quando as unhas do Cruentus romperam a carne do mentor. Ele quis fechar as pálpebras para não continuar a assistir o que aconteceria, mas não conseguiu movê-las. Bastou um movimento para o imortal retirar o coração entre as costelas quebradas do peitoral ensanguentado. Seus olhos, negros novamente, encararam Alban e o jovem teve certeza que viu um sorriso antes dos dentes abocanharem o órgão que pulsava em suas mãos. 


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Se ele fosse humano agora, imitaria um cinéfilo ansioso e comeria um balde de pipoca enquanto assistia o espetáculo que acontecia no cômodo a sua frente. Balder odiava política, mas era sempre divertido observar como seu General conseguia exatamente o que queria independente de quem o estava desafiando. Fahad era um exímio matador e por isso foi escolhido como o protetor de Berlim, porém não foi sua força bruta que o manteve no poder por mais de um século. Sua dialética conquistava os poderosos imortais não com promessas vazias ou ameaças maquiadas, era sua inteligência e sinceridade que seduziam quando propunha uma estratégia. O Cruentus não estava interessado em algum tipo de reconhecimento maior no mundo vampírico, o que queria estava disponível em seu próprio território: guerra e sangue.

Balder abraçou os joelhos e inclinou-se para tentar escutar melhor o diálogo entre os dois vampiros que controlavam a cidade. Fahad o telefonara mais cedo pedindo-lhe para que o encontrasse lá o que sempre significava não bater na porta. Algum dia perguntaria a Jack o que Uriel realmente achava sobre isso, nenhum vampiro aprecia um visitante aparecendo subitamente em sua sala, mas nunca vira algum reclamar quando Fahad o fazia. Porém, Uriel seria um dos poucos que poderiam reclamar. O ruivo estava sentado no chão de mármore da suntuosa sacada do apartamento do Pacificador, aguardando para o momento que o chamassem. Observou Uriel, seu semblante sereno permanecia o mesmo, mas estava mais introvertido que o normal. Ouvia atentamente Fahad, cujos braços abertos repousavam no encosto do sofá gesticulando com seus dedos finos algum plano mirabolante. Ou, talvez, contava dos seus feitos do dia anterior. O ruivo via apenas suas costas, mas sabia que o Cruentus estava sorrindo, ele possivelmente não desmanchara o sorriso do rosto desde ontem.

Quando encontrou-o poucas horas antes do Sol nascer e viu sua expressão satisfeita, soube que havia dado um fim nos templários. Foi uma surpresa quando ele pediu segurança reforçada em sua morada e avisou-o que manteria o garoto como seu prisioneiro. Balder     queria entender seu plano, queria ouvir o que contava para Uriel, mas os dois se sentaram no outro extremo da grandiosa sala e nenhum som parecia escapar do palacete de vidro do Pacificador. Entre o cheiro da poluição da cidade e o suor dos corpos humanos, o Labyrs sentiu um aroma familiar e notou o reflexo esguio de Jaqueline. Ela aproximou-se e parou ao seu lado.  Eles pareciam dois patéticos cães aguardando a permissão do dono para passear. Mas poderia ser pior, talvez jogassem-lhe uma maldição que não lhe permitisse se transformar em sua verdadeira natureza. Isso sim, seria péssimo. Ele não a cumprimentou, nem ao menos se virou quando ela começou a falar:

- Estão mortos então? Fahad veio pegar a outra?

- O pirralho está vivo. - o ruivo murmurou encostando o queixo nos joelhos cruzados. - Creio que deixará a mulher com Uriel mesmo.

- Oh... um futuro “13” como isca na cidade! Quanto tempo até um pai enlouquecido aparecer por aqui?! 1 semana? 1 mês? Quanto você quer apostar?

Ele girou os olhos irritado com a costumeira proposta fútil. Observou-a pelo reflexo para começar a repreendê-la, contudo não o fez quando notou o penteado que expunha seu crânio magro. Virou o rosto encarando-a. Suas mexas estavam trançadas em pequenas tiras e amarradas em um rabo de cavalo, usava um sobretudo cor petróleo (e nada por baixo, ele sabia). Era seu visual favorito para se transformar rapidamente, o que seria compreensível considerando a semana que ela enfrentara, mas a mochila em suas costas sinalizava que seu próximo desafio não seria na cidade. Antes que ele fizesse qualquer pergunta, ela retribuiu o olhar, fitando-o intensamente:


- Mikhail está morto.

As palavras o fizeram largar os joelhos. Sem disfarçar sua surpresa, balbuciou:

- Alguém o desafio pelo posto? Quem assumiu Moscou?

- Ninguém. - ela deu uma piscadela - Abandonaram os súditos e seus ridículos adoradores em meio ao fogo. Toda aquela arquitetura podre foi tomada por um incêndio. Ah, pare de fazer essa cara de surpresa e deixe a alegria te contagiar um pouquinho, sim?

Alegria? Não, não era bem alegria o que ele sentia. Mikhail explorou-o por décadas, fazendo-o odiar sua própria imortalidade cada ano que passara com ele. O odiava, mas odiava mais ainda a frustração por nunca terem conseguido se aproximar de sua morada no Indulto de Sangue. Trocaria todos aqueles Vox mortos pela cabeça dele. Cumprir uma sentença secular por um objetivo que nunca alcançou o frustara nesses últimos 50 anos, mas agora, nesse momento, até a frustração lhe pareceu insignificante. Sentia apenas alívio.

Relembrar o seu principal inimigo o fez lembrar da vampira do Indulto que avistou na cidade há poucas semanas. Ela não seria burra de se expôr assim, seria?

- Aonde você vai? - perguntou apontando para a mochila. Não interessava o que ela dissesse ou o sorriso largo que seus lábios formavam, havia algo na expressão de Jack que não estava tão satisfeita assim com o ocorrido. - Uriel vai a Moscou?

- Não, mas eu vou a Rússia cuidar de outras coisas. - disse, tão séria quanto seu carrasco na sala de vidro.

- Juramento de sangue é uma bela merda. - murmurou, sabendo que independente do que perguntasse agora, ela não conseguiria verbalizar o que seriam as tais “coisas”. Se Uriel ordenara algo, isso provavelmente incluía manter segredo sobre a tal ordem, mas o ruivo tinha certeza que envolvia Ekaterina, a Ingenium que há décadas os convidara a caçar os Vox. E Jack não estava nada feliz com isso.

Taciturno, Balder voltou-se para o apartamento buscando qualquer mudança na reação dos dois vampiros seculares. Como antes, continuavam a dialogar sentados em poltronas opostas: Uriel fitando atentamente o que o Cruentus falava gesticulando os braços. Notou que a única alteração no cômodo era a presença de alguém que não notara antes. Não muito distante, em pé, encostado no piano vertical, estava um loiro familiar. Suas mexas eram mais longas que as de Uriel e de cor mais escura.
Não parecia muito interessado na conversa, ora olhava as cifras em suas mãos, ora observava o diálogo com uma expressão distante.  Ele piscou  e Balder teve a impressão que seus olhos azuis fitaram a sacada por um breve segundo. E então, o ruivo o reconheceu, era Egor, mestre de Ekaterina. Duvidava que ele o reconhecia, mas ele se lembrava muito bem da primeira (e última vez) que o vira, seu olhar repleto de fúria o marcou. Assim como as ameaças que fez aos responsáveis pelo julgamento que condenou sua pupila a perder seu principal dom:

- Puta merda... - o ruivo murmurou, frustrado por não poder falar abertamente com sua mãe. Abraçou novamente os joelhos - O que você acha que vai explodir primeiro? Moscou, Berlim ou os Ingenium contra os pacificadores?

Jack deu uma piscadela e postou as mãos no quadril:

- Quer apostar?

Meses sabáticos


Olá pessoal! 

Informamos que retiramos as Crônicas Resgate e Malleus Malleficarum do blog pois elas já estavam incoerentes com várias ideias do universo do Manuscritos das Sombras. Ekaterina e Sasha ainda existem, mas mereciam há muito uma revisão apurada de suas histórias iniciais. E sim, nosso sumiço nos últimos meses foi devido a isso, engavetamos a última parte do Cruz sobre Berlim e os contos novos para focar totalmente no novo formato que as histórias terão. Estamos preparando algumas surpresas para vocês! Aguardem!


Agradecemos a todos que participaram da evolução das nossas narrativas criticando a cada postagem.

Não deixem de comentar nos contos disponibilizados. Queremos sempre saber sua opinião! Ajude-nos a melhorar.


Até mais